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A mostrar mensagens de Março, 2018

Venha de lá esse linguadão oh Spielberg

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Não é que eu ligue muito a algoritmos ou acasos da vida mas quando abri a página do Spielberg no IMDb, agorinha mesmo, a secção do "conhecido por" tem o A.I. Inteligência Artificial , o Relatório Minoritário , o Encontros Imediatos do 3º Grau e o Parque Jurássico . Lá está. Conhecido, não só por realizar mas por ser. Não os cavalinhos e as pontezinhas dos espiões, não os amistads e as outras estupadas anuais do tio Oscar. O Spielberg é esta vontade de uma fantasia de todos, intemporal e inesquecível, e foi preciso esperar mais de dez anos para ele acordar do hipersono. Ready Player One é assim uma mixórdia falível mas calorosa de abraços, regressos e despertares. Tem do seu lado um CGI tão fluido, e bonito, que se apodera da vista, sem nunca a ferir, sem nunca chocar com as cenas do real, orquestrando magistrais sequências de cá e lá. Edição de mestre, que com a música, fazem da sua duração um menos de nada. Pontuado por aquele charme de um conjunto de desafios, de ch

E aquela cena do coiso aos berros?

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Annihilation não chegou pelo típico aperto de mão. Especialmente porque as personagens não funcionam como indivíduos, como características que poderiam estabelecer uma ponte. São apenas parcelas do conjunto. E é aqui que as coisas se complicam, porque se por um lado isso impossibilitou a criação de laços por outro permitiu que o carácter auto-destrutivo do ser humano, enquanto conjunto, viesse à tona. A matéria, a desfazer e a refazer-se, uma e outra vez, na história do nada se perde, tudo se transforma. Essa idea de toxicidade nata, de nos estragarmos, de nos implodirmos, do luto, e do luto de novo, não podia ter sido contada de forma mais bonita. 

Mais alguém?

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Continua sem pontuação no IMDb, por isso até posso ter sonhado. Ou então é uma espécie de The Sixth Sense em que só eu é que consigo ver o filme, porque na realidade ele não existe. Seja como for, se mais alguém, um dia, noutra dimensão, ou até nesta, pensar em ver o 10x10 , não o faça. Tem o Luke Evans e Kelly Reilly num território onde ambos já foram - onde já fomos - felizes, mas não tem mais nada. Emprestam o corpo a um argumento pobre, arrastado e repetitivo. A espaços ridículo, sempre que ela tenta - e tenta tantas vezes porra - fugir. Ah então tudo bem? Pumba, lá leva o moço com uma merda na tromba e lá vai ela descabelada tentar a sorte. Não há tensão, não há suspense, não há premissa. Mas como disse no início, pode de facto ter sido tudo um sonho.

Não é só rebobinar

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Quando edito imagens recolhidas por mim, há sempre um momento em me vejo encurralado. No pretérito perfeito tudo foi limpinho, filmei, desenhei, aquele campo e plano, aquele rec que merece, que merece mesmo fazer parte. Porém, ali, hoje, naquele clique esse clip simplesmente não encaixa. Não serve. Tantas ideias, tanto tempo para aquela pesca e assim, aos trambolhões na realidade, percebo que não. É bater no cimento, mas é nódoa negra que sara com a vitória do conjunto. A meu ver, é este o maior problema de 1986 : inserir todas essas memórias que ali fizeram sentido, que ali brilharam, em detrimento de uma história. Os episódios, os sketches, podem a título individual ter valor - e explicados depois pelo autor ganham outra força - agora enquanto comboio simplesmente não andam. Não existe fluidez. São referências, referências, o ano do título escravo dele próprio. A música, o cinema, tem de ser o contexto e não o texto. Não repetir que estamos a ouvir The Smiths , nós sabemos que e

Até tem um irmão Jonas, que sorte

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Já pode entrar o Nuno Graciano . E já podem bater palmas. A sério malta, foi mesmo muito engraçado dizerem que o novo Jumanji era divertido, competente, e mais coisas positivas, a sério, acreditei mesmo. Tanto que até fui ver, e depois à medida que o filme se desenrolava, ia olhando para o lado, a ver se alguém reagia, vivia. Nada, tudo morto, incluindo os meus músculos do riso. Faltou coragem para agarrar a premissa de videojogo, de outro corpo e de mais do que uma vida. Tudo se prende nos estereótipos juvenis, não existem personagens quebradas ou verdadeiras - como no original - não existe real perigo. É o CGI, diálogo previsível para explicar como o sujeito X está crescer enquanto pessoa, seguido de CGI, seguido de diálogo previsível para explicar como o sujeito Y está crescer enquanto pessoa. Simples e formatado. O que por mim não tem problema, deixem é o meu menino de 95 em paz.  

Querida não encolhi

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Imagino aqueles que gostam do Alexander Payne ? Coitados. Esses sim, penaram e bem, e muito. Eu, nunca vi nada e tal...oh merda para isto, claro que gosto do homem e claro que estou de coração partido com esta trapalhada do Matt Damon pequenino. Que começa tão bem no primeiro acto - aquele abandono e miséria cómica - arrisca no segundo - com um excêntrico demasiado caricatural - e rebenta tudo no último - com aquela história do apocalipse. A crueldade simpática tão bem descrita nas obras anteriores, que nos provocava aqueles esgares peculiares e familiares, dá lugar a uma buzina social e ecológica. Demasiado escancarada e panfletária, demasiado global. E queríamos o oposto, queríamos o subúrbio. O que não deixa de ser irónico: o filme em que Payne encolhe os seus personagens ser aquele em que ele se esquece de ser pequeno.

Fantasmas islandeses

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Todas estas histórias deviam migrar para a Islândia, tal é o que nem ginjas. Cenários tão fim do mundescos, desolados, gelados, que o fantasmagórico se sente em cada expirar. Pesado e denso. Na linha do terror policial como El Orfanato, acompanhamos duas histórias distintas que se tocam no sobrenatural e nos gritos ocultos de ajuda. Muito paciente e consciente do seu tempo, dos seus espaços, I Remember You   ( Ég man þig ) desenrola-se em prol do seu mistério. Funciona e orbita sempre na questão, nunca esquecendo a trama e a trança, as pessoas. Essa solidez e maturidade, faz dele uma das surpresas deste ano, vinda diretamente do ano passado.

I got you Oscar

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They say we're young and we don't know , We won't find out until we grow . Toca a acordar campistas, não é o Dia da Marmota mas é o Dia depois dos Óscares , que analisando com calma, paciência e alguma matemática é exatamente a mesma coisa. Não me lembro de uma cerimónia deste novo milénio que tenha sido interessante, justa, divertida, cativante ou coesa. Bem emitida e acompanhada. São sempre festas privadas, extensas, partidas em dezenas de partes, sem uma ideia ou fio condutor, sem qualquer aroma do entreter. Onde a surpresa é arma vaga, por vezes seca, por vezes mastigada. E já aqui escrevi sobre isso: Há uma altura em que Cameron Diaz e Jennifer Lopez se viram de costas, com os seus rabos enormes e falta de juventude, a fazer um ar sexy. Fora de tempo, fora de horas, fora de tudo. Os Óscares são isso: uma cerimónia rabuda que se julga sexy mas que em última instância já não faz qualquer tipo de sentido. Em 2012. Podia ter sido em 2002. Podia ter sido ontem

A forma do corpo e do sexo

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Uma coisa, não, a coisa que mais gostei em The Shape of Water foi o corpo e o sexo. Ainda há pouco tempo falava com o Pedro de como estas novas figuras blocksbusterianas das Marveis e afins são seres totalmente assexuados, presos em ímpetos infantis de governar o mundo. Sem hormonas. Del Toro desarma os seus personagens destes requisitos e assume-os como são. Devolve ao quotidiano a vontade, o prazer, o orgasmo. Só isso, só aquele início, aquela perna na borda da banheira, devolve-nos um certo respeito. Para além disso tem um vilão a apodrecer. Quem não gosta de um sacana em decomposição, ainda mais se esse sacana for o Michael Shannon. Sim, sim, tive alguns problemas com os tempos, com o modo como os actos estão divididos. Senti um desequilíbrio na construção da história de amor, nesses primeiros confrontos e encontros. Faltou ligação. Mas falhando e acertando é uma fantasia - linda de música e fotografia - que nos olha nos olhos e que, acima de tudo, nos leva a sério.

O saudosismo inevitável do sorriso pateta

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A propósito do tempo, que anda assim meio esquisito: o novo filme do Rob Cohen . Pois foi, saiu trailer e nem falámos um bocadinho. Chama-se The   Hurricane Heist (em português, claro, Categoria Cinco ) e estreia para a semana. Tem o gajo do True Blood , a filha do Liam Neeson e o outro do Black Mirror , num assalto em pleno furacão. Uma espécie de Hard Rain das tempestades. E ao ver a amostra, aqueles diálogos do "eu sou do Alabama", aqueles saltos a fugir das balas a dois tempos e a música dos Scorpions, vem aquele sentimento adolescente, seguido da certeza pateta. Quase aconchegadora, de que sim, inevitável, é como rir duma queda. Vamos lá.

Mesmo em cima do segundo toque

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A senhora do Pizza Hut, o rapaz da lavagem automática, o motorista do Expresso, o meu professor de História da Ciência, o senhor Luís das Matemáticas, a minha mãe, o meu tio, o meu primo, o meu irmão, o pessoal do grupo messenger de televisão, todos os grupos de WhatsApp, o meu amigo americano, o meu amigo alentejano, a minha amiga dos Açores. Não malta, ainda não vi La casa de papel . Mas sim já comecei, calma, também não ando assim tão a dormir.