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sexta-feira, 21 de março de 2025

Cada geração tem o Wild Wild West que merece

Pois é juventude, isto não não pode ser só o Chalamet a conduzir vermes de areia na carreira das 17h15 para o Barreiro, têm de gramar também com estes pastelões-evento diretinhos para a TV. E enterrando logo a inexplicável peruca do Star-Lord, a conclusão a que eu chego com este The Electric State é que os Irmãos Russo não sabem brincar: têm os bonecos, têm os veículos, têm os castelos, têm os edifícios, mas não sabem o que fazer com eles. Chocam apenas, plástico contra plástico. 320 milhões arbitrariamente atirados ao ar, que se refletem em efeitos espantosos mas que engolem qualquer desígnio da escrita, da ação e da escala. Acabamos a salvar o mundo no jardim da Alameda. Tudo isto quando ainda o ano passado tivemos uma lição de pós apocalipse com Fallout, ou, em 2020, do mesmo autor, a belíssima Tales From the Loop. E se a cauboiada steampunk de 1999 tinha aquela ginga do Will Smith para abanar o rabo esta só nos deixa mesmo a abanar a cabeça.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Alterações netflixmáticas


Falava com o João, ao almoço, de como a Netflix - e plataformas em geral - se têm apropriado dos nomes. Aos poucos, os filmes deixam de ser daquela pessoa e passam a ser daquele monopólio. O que acontecia já com as séries chega a este cinema de plataforma, encaixotado no catálogo "o que ver a seguir". Por outro lado é neste "Quem quer ser John Netflix", que os autores encontram poiso para os seus trabalhos e podem continuar a filmar. Este Sous la Seine é um óptimo exemplo disto: não é o último filme do Xavier Gens, é o filme de tubarões da Netflix, já a obra mais vista no segmento dos 14-24 anos às quintas-feiras depois das 20h15. Não sei quem ganha aqui. Por um lado é pôr um autocolante por cima e vai tudo a eito. Por outro, é forma de relembrar filmografias menos faladas e ver finalmente o Frontière(s), por exemplo. O que é que vocês acham?

Em relação ao filme, gostei da cidade e suas catacumbas. Sítios reais que depois não casam com os efeitos de segunda linha e as piruetas daquele tubarão fêmea. Algumas cenas com piada - como a dos nadadores - mas falta assumir o divertimento e o massacre, como tão bem executou Alexandre Aja no seu Piranha 3D. Leva a sua patetice demasiado a sério. E assim resta-nos esperar pelo Sous la Seine: Dominion. Onde o mundo fica cheio de tubarões e depois os nossos protagonistas vão a Malta andar de mota de água e acabam num complexo aquático de uma multinacional cheios de gafanhotos. Gafanhotos do mar, claro.

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Corpos e pescadinhas

Alguém já percebeu porque é que as garrafas de polpa de tomate ficaram com os vidros fumados? Já não se pode agarrar naquele casalinho de polpas descansado, para ter sempre na despensa; temos de abrandar passo para olhar vezes sem conta, rodar, ver o que está lá dentro e pensar - Mas o que é esta merda? Bem continuando. Bodies. A série da Netflix, não confundir com o filme Bodies Bodies Bodies, do ano passado onde no final (spoiler alert) afinal era só jajão. E não, não pensem em Bodies Cinematic Universe, não vai haver um Bodies Bodies no meio ou um 4Bodies a seguir. Esta minissérie de 8 episódios apanhou-me meio na curva, neste caso num beco e nunca mais me largou. Baseada numa novela gráfica de Si Spencer conta a história de quatro detectives, em quatro épocas diferentes, que investigam o mesmo homicídio. O mesmo corpo, a mesma bala. Para além daquele festival causa-efeito que me assenta no cachaço que nem cachecol de seda, existem quatro histórias bem feitinhas. Quatro versões de uma investigação/obsessão, quatro retratos do tempo, e quatro peças que se vão juntando das formas mais inusitadas. Nada se perde. É verdade que a conclusão precisava de mais tempo, para poder servir de contraponto justo a tudo o que foi construído, mas ainda assim reside neste corpo uma das propostas televisivas mais interessantes do ano passado.

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Os (maus) efeitos do fim do mundo

 

- São flamingos?

Acho que é o Ethan Hawke que pergunta, no filme de Sam Esmail, Leave the World Behind. Ou então é a Myha'la, não me lembro. O outro diz que sim, que são flamingos, ali a chapinhar na piscina. Ao que eu contra respondo: não, não são flamingos, o que estamos a ver são flamingos em CGI. Foda-se, mas será que é assim tão difícil arranjar meia dúzia de flamingos verdadeiros? Um salto à herdade da Mourisca, filmam os marotos no estuário, os atores embedam-se em Setúbal, o turismo agradece e o espectador pode acreditar. Ganhamos todos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Mas deve ser lindíssimo atenção

Três horas a preto e branco da Ana de Armas a contemplar momentos de tragédia? Se calhar passo. Ou então vai numa tardada a passar baby-grows. O que escorrega que nem um verdinho numa tarde de agosto é a banda sonora dos meus meninos Nick Cave e Warren Ellis. Para ouvir de seguida aqui

sexta-feira, 29 de julho de 2022

A melhor cena do ano

Se ainda não viram o Under Siege: Pataky edition, então é melhor sair, vai pintar spoiler. Estamos perto do final, a nossa heroína, já só com um braço funcional, luta contra o boss - tudo marinado durante semanas em anos 90 - quando do nada aparece um submarino. Dele sai o Capitão Iglo, olhar sério, sem qualquer douradinho. Um gajo a pensar, foda-se e agora? Fim da linha para a nossa menina? Claro que não, por detrás do Capitão Iglo está um sniper genérico com barbas que atira certeiro ao peito do bandido mor. Que delícia amigos, que delícia.

terça-feira, 12 de julho de 2022

O museu dos monstros


Uma das coisas que mais me encantou, neste Como Treinares o Teu Monstro Marinho foi a escala. Grandes planos, cheios de cor, relevo e detalhe. A sinalizar a pequenez e insignificância perante um mundo natural para sempre desconhecido. Que bonito pá.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

O bom velho vilão


[SPOILERS] Uma das coisas que mais gostei nesta quarta temporada de Stranger Things - para além da luta em que o Hopper enfrenta um Demogorgon com uma espada* numa prisão russa - foi do vilão. Vecna é a matriarca Fratelli, o derradeiro rosto de uma ameaça até à altura demasiado enevoada. Melhor, é um vilão que é mau porque é mau, é mau hoje, foi mau ontem e era mau em criança. Não há redenções nem redisneyções, apenas uma vontade de ver o mundo a arder. E isso, apesar de ser hoje novo, é o coração de uma boa velha aventura.

* Foda-se com uma espada.

terça-feira, 31 de maio de 2022

A libertação das máquinas


Uns furos acima da temporada anterior, este tomo do Love, Death & Robots vai desde pequenos snacks de humor até jornadas Fincherianas no mar do alto. Arrojado, experimental, libertador. Aqui fica o meu topzinho dos nove episódios, do menos para o mais. Se entretanto quiserem relembrar toda a série podem explorar esta fabulosa lista, com tudo e mais alguma coisa. 

9 - The Very Pulse of the Machine
8 - In Vaulted Halls Entombed
7 - Kill Team Kill
6 - Swarm
5 - Three Robots: Exit Strategies
4 - Mason's Rats
3 - Night of the Mini Dead
2 - Jibaro
1 - Bad Travelling

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Bonecas, comboios e desilusões

A segunda temporada de Russian Doll faz exatamente o que o segundo filme do Happy Death Day fez: passa de um loop temporal para uma viagem no tempo. Mas ao contrário deste último, que subiu um degrau, a nova aventura de Natasha Lyonne não consegue manter aquela energia do primeiro acto, da primeira morte, ou da primeira morte muitas vezes. Arriscam é certo, num comboio familiar, no carril do luto, mas é tudo pouco claro, com muitos ramos que não levam a lugar algum (o arco do Charlie Barnett então é completamente desaproveitado). Faz falta aquela armadilha temporal, aquela charada que vamos destapando e resolvendo. Fica outra coisa muito diferente, bem feita, mas muito diferente.

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Netflix e companhia



Nas Nalgas abordam temáticas de teor financeiro e tecnológico, começando assim a sinalizar a mudança em direção ao mundo da Big Tech agora que se preparam para colocar o podcast na bolsa. Dicas de investimento e novos modelos de chapéu. Entretanto fala-se da sequela do filme de pinar que está no Netflix porque, segundo o Dr. Miguel, aquelas bolas chinesas não se enfiam sozinhas.

domingo, 17 de abril de 2022

27 de maio


Aquele - aparentemente longínquo - trailer da segunda temporada, com o Thriller de fundo, continua a ser a minha obra prima dos aperitivos. Porém o mote para a quarta temporada vem com tudo e no meio daquele solo, aperta a ideia de pertença, de ir com esta malta até ao fim do mundo. 

domingo, 13 de março de 2022

Ecos de um regresso ao futuro

Antes do filme propriamente dito: malta, alguém tem de parar com esta coisa do rejuvenescimento de atores. É estranho, desajustado e não resulta. Aliás, sabem quando é que uma brincadeira destas realmente funcionou? NUNCA. Ainda acordo a meio da noite com aquele Luke Skywalker. É como alguém com espinafres nos dentes, à nossa frente na mesa, e não conseguimos olhar para outro lado. Desconfortável, como esta personagem que tem de encontrar o seu eu mais novo. Metam outro ator, há gente tão parecidinha foda-se. Quanto ao The Adam Project, arranca muito bem, com um humor pespineta e umas ligações inesperadas. Depois, ao entrar no segundo ato, perde o cordão/condão que o trazia, seguindo para uma narrativa meio trapalhona e atabalhoada. Os próprios diálogos acabam por se simplificar em tiradas lamechas, num comboio demasiado previsível. Gosto sempre de viagens no tempo mas depois de Free Guy estava a espera doutra montanha-russa. E não de um passeio às voltas num barquinho. 

segunda-feira, 7 de março de 2022

Os pecados de Harry Ambrose


A primeira temporada de The Sinner foi uma pedrada no charco. O tamanho, grau de impacto, se molhou muita gente ou não, isso debatemos depois, quando o tempo aquecer e der para ir lá para fora. Mas a verdade é que virou muito bem o bico ao prego, no mecanismo de resolução e ofereceu-nos, claro, Harry Ambrose. Um detetive em constante assombração/sofrimento, tomado de assalto por Bill Pullman. Papel de uma vida, quiçá. Era difícil manter tamanha bizarria e criatividade de acontecimentos: a segunda e (especialmente) a terceira temporadas deixaram o balão esvaziar. O "nada é o que parece" acabou por desaparecer e o interesse no crime passou a interesse solitário no protagonista. Felizmente, este último tomo, volta a trazer essa mágica inversão: uma rapariga que se suicida e a partir daí é para recuar, até montar o puzzle. Desenhado num ambiente insular e piscatório, de terra pequena, com toda uma aura de "um último trabalho", é um mistério que se constrói com mestria, onde cada episódio a faz falta na torre. Gradualmente, destapando e mantendo a nossa atenção com todos os lúmenes. Parece fácil, mas não é. Parece que há muito, mas não há. Final revigorante, até sempre Harry.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Se a melhor canção do mundo já foi escrita

Porque raio continuo eu a escrever? - pergunta The Tallest Man on Earth, meio que desfocado, na montanha, antes de revelar que fala de Both Sides Now. Depois, em casa, oferece uma daquelas versões cá do fundo. Em jeito de homenagem. Ou despedida, como a que agora traz de volta esta Joni Mitchell: falo do belíssimo plano final de After Life. Aquele estalinho que fecha uma peça no seu conjunto; é este todo, é toda esta mestria e peculiaridade, num dos mais bonitos ensaios que já vivi sobre o luto. Para além do respeito há uma clareza e uma verdade na linguagem. Um desconsolo comum. Desolador mas reconfortante. A música essa, já tem um longo percurso no cinema, desde Hereditary, Steve Jobs, Love Actually ou mais recentemente em CODA. Dá para tudo, sem perder uma nota, ao nosso lado, até ao fim da estação. 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Rebobinar


Já tinha ficado de olho em Mamoudou Athie, com Black Box, um competente filme de terror/mistério da série Welcome to Blumhouse. Da primeira "temporada", porque entretanto já saiu nova leva, com mais quatro obras; a ver se me faço à estrada e vejo isso tudo. Entretanto pintou clima com este Archive 81, uma espécie de Frequency (ou dos outros primos) versus The Ring versus Censor, com todos os elementos encerrados numa cassete. O digital a ser incendiado por velhos demónios, velhos ritos, de dedicação e paciência. Gosto muito dos temas, dos planos picados da cidade que se vão encafuando na obsessão e nos écrans, e claro da dupla Justin Benson e Aaron Moorhead (Resolution, The Endless) que realizou alguns episódios. Engraçado que me lembrei de Gideon Falls, uma série de banda desenhada, da autoria de Jeff LemireAndrea Sorrentino, que acompanho e que vai ter a sua adaptação televisiva também pela mão de James Wan. Se estiver a este nível podemos ficar descansados. 

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Como é que vamos encontrar o ovo?


O Ryan Reynolds chegou a um lugar raro, àquela classe de atores que se descalçou de papéis ou interpretações: é ele, sempre ele, ele mesmo, a planar acima dos filmes, numa consciência meta e irónica. A personagem que sabe sempre que o é e que se diverte com isso. Deadpool, Hitman's Wife's Bodyguard, Free Guy e agora este Red Notice são as paragens desta maratona, que, ou eu muito me engano, ainda vai a meio.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Segundas oportunidades

Então não é que o irmão do Scofield teve uma segunda oportunidade para ser um vampirão a sério, naquele Air Force One de Bram Stoker, e não a aproveitou. Ai ai ai. O Drácula porteiro da Kadoc (Blade: Trinity) não se esquece sozinho amigo, precisamos de sangue fresco e memória nova. Pode ser que à terceira seja mesmo de vez.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Ao fechar a pestana

[SPOILERS] Eu até costumo ter um sexto sentido - ui que boa referência - para estas coisas. Mas aqui nada. Estava a estranhar um pouco a inércia da Isabela Merced. Tendo ela tido treino, estar ali apenas a olhar enquanto o pai distribuía papo secos a torto e a direito não fazia muito sentido, não casava bem. Mas pronto, podia não estar preparada para o confronto na vida real. Qual quê, quando um gajo já estava quase a fechar a pestana, pimba twist Shiamané. O que por si só já é um twist, este Sweet Girl ter um twist é um twist. Gostei da surpresa, claro, é sempre bom não anteveres a intriga e dizeres "o quê?!", o problema é que o filme é muito esquivo e esburacado para conseguir depois tirar esse coelho da cartola. Já tarde, já sem grandes alicerces. Seja como for o Momoa entra assim para o restrito Clube dos Cavalheiros que Parecem Vivos Mas Afinal Estão Mortos. 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Três coisas que odeio em ti

Primeiro, chateia-me estarem sempre a mudar os Manhãzitos de sítio no Continente. É bolachas, é chocolates, é ao pé do pão, orientem-se. Segundo, fodido por ninguém me ter avisado que a Netflix tinha feito um remake do Ela é Demais com o puto do Cobra Kai, a Rachael Leigh Cook a fazer de mãe e um remix duvidoso do Kiss Me. Não tínhamos já feito um pacto de sinceridade depois daquele novo Namorada Aluga-se? Terceiro e último: mas porque raio vou eu ver isto? Porquê? Maldito sejas Miguel nostálgico do futuro.