Pois é juventude, isto não não pode ser só o Chalamet a conduzir vermes de areia na carreira das 17h15 para o Barreiro, têm de gramar também com estes pastelões-evento diretinhos para a TV. E enterrando logo a inexplicável peruca do Star-Lord, a conclusão a que eu chego com este The Electric State é que os Irmãos Russo não sabem brincar: têm os bonecos, têm os veículos, têm os castelos, têm os edifícios, mas não sabem o que fazer com eles. Chocam apenas, plástico contra plástico. 320 milhões arbitrariamente atirados ao ar, que se refletem em efeitos espantosos mas que engolem qualquer desígnio da escrita, da ação e da escala. Acabamos a salvar o mundo no jardim da Alameda. Tudo isto quando ainda o ano passado tivemos uma lição de pós apocalipse com Fallout, ou, em 2020, do mesmo autor, a belíssima Tales From the Loop. E se a cauboiada steampunk de 1999 tinha aquela ginga do Will Smith para abanar o rabo esta só nos deixa mesmo a abanar a cabeça.
sexta-feira, 21 de março de 2025
segunda-feira, 24 de junho de 2024
Alterações netflixmáticas
terça-feira, 9 de janeiro de 2024
Corpos e pescadinhas
Alguém já percebeu porque é que as garrafas de polpa de tomate ficaram com os vidros fumados? Já não se pode agarrar naquele casalinho de polpas descansado, para ter sempre na despensa; temos de abrandar passo para olhar vezes sem conta, rodar, ver o que está lá dentro e pensar - Mas o que é esta merda? Bem continuando. Bodies. A série da Netflix, não confundir com o filme Bodies Bodies Bodies, do ano passado onde no final (spoiler alert) afinal era só jajão. E não, não pensem em Bodies Cinematic Universe, não vai haver um Bodies Bodies no meio ou um 4Bodies a seguir. Esta minissérie de 8 episódios apanhou-me meio na curva, neste caso num beco e nunca mais me largou. Baseada numa novela gráfica de Si Spencer conta a história de quatro detectives, em quatro épocas diferentes, que investigam o mesmo homicídio. O mesmo corpo, a mesma bala. Para além daquele festival causa-efeito que me assenta no cachaço que nem cachecol de seda, existem quatro histórias bem feitinhas. Quatro versões de uma investigação/obsessão, quatro retratos do tempo, e quatro peças que se vão juntando das formas mais inusitadas. Nada se perde. É verdade que a conclusão precisava de mais tempo, para poder servir de contraponto justo a tudo o que foi construído, mas ainda assim reside neste corpo uma das propostas televisivas mais interessantes do ano passado.
terça-feira, 2 de janeiro de 2024
Os (maus) efeitos do fim do mundo
- São flamingos?
Acho que é o Ethan Hawke que pergunta, no filme de Sam Esmail, Leave the World Behind. Ou então é a Myha'la, não me lembro. O outro diz que sim, que são flamingos, ali a chapinhar na piscina. Ao que eu contra respondo: não, não são flamingos, o que estamos a ver são flamingos em CGI. Foda-se, mas será que é assim tão difícil arranjar meia dúzia de flamingos verdadeiros? Um salto à herdade da Mourisca, filmam os marotos no estuário, os atores embedam-se em Setúbal, o turismo agradece e o espectador pode acreditar. Ganhamos todos.
quarta-feira, 28 de setembro de 2022
Mas deve ser lindíssimo atenção
sexta-feira, 29 de julho de 2022
A melhor cena do ano
Se ainda não viram o Under Siege: Pataky edition, então é melhor sair, vai pintar spoiler. Estamos perto do final, a nossa heroína, já só com um braço funcional, luta contra o boss - tudo marinado durante semanas em anos 90 - quando do nada aparece um submarino. Dele sai o Capitão Iglo, olhar sério, sem qualquer douradinho. Um gajo a pensar, foda-se e agora? Fim da linha para a nossa menina? Claro que não, por detrás do Capitão Iglo está um sniper genérico com barbas que atira certeiro ao peito do bandido mor. Que delícia amigos, que delícia.
terça-feira, 12 de julho de 2022
O museu dos monstros
quinta-feira, 7 de julho de 2022
O bom velho vilão
terça-feira, 31 de maio de 2022
A libertação das máquinas
9 - The Very Pulse of the Machine
8 - In Vaulted Halls Entombed
7 - Kill Team Kill
6 - Swarm
5 - Three Robots: Exit Strategies
4 - Mason's Rats
3 - Night of the Mini Dead
2 - Jibaro
1 - Bad Travelling
quarta-feira, 11 de maio de 2022
Bonecas, comboios e desilusões
A segunda temporada de Russian Doll faz exatamente o que o segundo filme do Happy Death Day fez: passa de um loop temporal para uma viagem no tempo. Mas ao contrário deste último, que subiu um degrau, a nova aventura de Natasha Lyonne não consegue manter aquela energia do primeiro acto, da primeira morte, ou da primeira morte muitas vezes. Arriscam é certo, num comboio familiar, no carril do luto, mas é tudo pouco claro, com muitos ramos que não levam a lugar algum (o arco do Charlie Barnett então é completamente desaproveitado). Faz falta aquela armadilha temporal, aquela charada que vamos destapando e resolvendo. Fica outra coisa muito diferente, bem feita, mas muito diferente.
sexta-feira, 29 de abril de 2022
Netflix e companhia
domingo, 17 de abril de 2022
27 de maio
domingo, 13 de março de 2022
Ecos de um regresso ao futuro
Antes do filme propriamente dito: malta, alguém tem de parar com esta coisa do rejuvenescimento de atores. É estranho, desajustado e não resulta. Aliás, sabem quando é que uma brincadeira destas realmente funcionou? NUNCA. Ainda acordo a meio da noite com aquele Luke Skywalker. É como alguém com espinafres nos dentes, à nossa frente na mesa, e não conseguimos olhar para outro lado. Desconfortável, como esta personagem que tem de encontrar o seu eu mais novo. Metam outro ator, há gente tão parecidinha foda-se. Quanto ao The Adam Project, arranca muito bem, com um humor pespineta e umas ligações inesperadas. Depois, ao entrar no segundo ato, perde o cordão/condão que o trazia, seguindo para uma narrativa meio trapalhona e atabalhoada. Os próprios diálogos acabam por se simplificar em tiradas lamechas, num comboio demasiado previsível. Gosto sempre de viagens no tempo mas depois de Free Guy estava a espera doutra montanha-russa. E não de um passeio às voltas num barquinho.
segunda-feira, 7 de março de 2022
Os pecados de Harry Ambrose
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022
Se a melhor canção do mundo já foi escrita
Porque raio continuo eu a escrever? - pergunta The Tallest Man on Earth, meio que desfocado, na montanha, antes de revelar que fala de Both Sides Now. Depois, em casa, oferece uma daquelas versões cá do fundo. Em jeito de homenagem. Ou despedida, como a que agora traz de volta esta Joni Mitchell: falo do belíssimo plano final de After Life. Aquele estalinho que fecha uma peça no seu conjunto; é este todo, é toda esta mestria e peculiaridade, num dos mais bonitos ensaios que já vivi sobre o luto. Para além do respeito há uma clareza e uma verdade na linguagem. Um desconsolo comum. Desolador mas reconfortante. A música essa, já tem um longo percurso no cinema, desde Hereditary, Steve Jobs, Love Actually ou mais recentemente em CODA. Dá para tudo, sem perder uma nota, ao nosso lado, até ao fim da estação.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
Rebobinar
quinta-feira, 18 de novembro de 2021
Como é que vamos encontrar o ovo?
segunda-feira, 27 de setembro de 2021
Segundas oportunidades
Então não é que o irmão do Scofield teve uma segunda oportunidade para ser um vampirão a sério, naquele Air Force One de Bram Stoker, e não a aproveitou. Ai ai ai. O Drácula porteiro da Kadoc (Blade: Trinity) não se esquece sozinho amigo, precisamos de sangue fresco e memória nova. Pode ser que à terceira seja mesmo de vez.
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
Ao fechar a pestana
[SPOILERS] Eu até costumo ter um sexto sentido - ui que boa referência - para estas coisas. Mas aqui nada. Estava a estranhar um pouco a inércia da Isabela Merced. Tendo ela tido treino, estar ali apenas a olhar enquanto o pai distribuía papo secos a torto e a direito não fazia muito sentido, não casava bem. Mas pronto, podia não estar preparada para o confronto na vida real. Qual quê, quando um gajo já estava quase a fechar a pestana, pimba twist Shiamané. O que por si só já é um twist, este Sweet Girl ter um twist é um twist. Gostei da surpresa, claro, é sempre bom não anteveres a intriga e dizeres "o quê?!", o problema é que o filme é muito esquivo e esburacado para conseguir depois tirar esse coelho da cartola. Já tarde, já sem grandes alicerces. Seja como for o Momoa entra assim para o restrito Clube dos Cavalheiros que Parecem Vivos Mas Afinal Estão Mortos.
quarta-feira, 18 de agosto de 2021
Três coisas que odeio em ti
Primeiro, chateia-me estarem sempre a mudar os Manhãzitos de sítio no Continente. É bolachas, é chocolates, é ao pé do pão, orientem-se. Segundo, fodido por ninguém me ter avisado que a Netflix tinha feito um remake do Ela é Demais com o puto do Cobra Kai, a Rachael Leigh Cook a fazer de mãe e um remix duvidoso do Kiss Me. Não tínhamos já feito um pacto de sinceridade depois daquele novo Namorada Aluga-se? Terceiro e último: mas porque raio vou eu ver isto? Porquê? Maldito sejas Miguel nostálgico do futuro.
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Vindo de Marte, Miguel aterra na selva indiana para uma semana de descanso em cuecas. Rapidamente percebe que as panteras, os ursos, os lobo...













