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A mostrar mensagens de Dezembro, 2016

Top 2016 - nem tudo foi mau

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1) Melhor gaivota - Steven Seagull em The Shallows 2) Melhor crocodilo - crocodilo que come o mau em The Legend of Tarzan 3) Melhor polvo sem ser à lagareiro - o polvo de Finding Dory 4) Melhor puma num motel - puma num motel em The Neon Demon 5) Melhor pantera negra sem látex - Bagheera em The Jungle Book 6) Melhor pantera com látex - trailer de Black Panther em Captain America: Civil War 7) Melhor "malha a chavala chaval!" - Vision a engatar a Scarlet Witch falando de paprika em Captain America: Civil War 8) Melhores mamas esborrachadas - Olivia Munn em X-Men: Apocalypse 9) Melhor tudo contra à parede - Morena Baccarin em Deadpool 10) Melhor plano da história do cinema - Wonder Woman de perna aberta em Batman v Superman: Dawn of Justice 11) Melhor barril - barril de 10 Cloverfield Lane 12) Melhor Chucky - The Boy 13) Melhor poça de água - poça de água mágica onde o Eisenberg des

O sexto movimento

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O mais estimulante, neste pós coito, é que até quem não gostou nada, consegue escrever coesos e interessantes lençóis. Texto e texto, ponto por ponto, a justificar o que não agarrou. Na tentativa de explicar, de classificar, de regrar. Comparam com esta e aquela. Não vale a pena, The OA é peça única, para o bem para o mal. E nisso há uma sinceridade quase poética, como se andássemos nus e não ouvíssemos ninguém, sem medo: ou estamos com ela ou não estamos. Sem meios termos, um pedido de fé. Uma conclusão tão orgânica e pessoal que apenas vivendo. Brit Marling e Zal Batmanglij voltam a contar-nos uma história, e acreditar nela foi uma das grandes experiências do ano.

Eu gosto de ti à mesma Mendelsohn

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Girl you see me smiling Girl i'm singing words of joy to the world Between the lines it's hidden in the smile Can't you hear a cry for love Este refrão do Fonseca é, com todas as suas letras, luva para Rogue One . Gareth Edwards , preso dentro de sorrisos, explosões e formatações. Lá dentro, da apertada máquina que limita, corta e censura. E o que mais custa, é que nas entrelinhas conseguimos de facto ouvir o apelo. O filme a querer sair, a querer ganhar forma e a existir perante nós, para ser abraçado e vivido. É penoso. Amargo porque está ali escondida uma obra do caraças, com um ambiente e cenografia maravilhosos e um tom unidireccional, negro e suicida, que nunca antes se tinha provado. Tudo por terra, às mãos de uma retrosaria filha da puta que só se interessa pelo preço do frame a metro. O casting é francamente mau, não, não e não. Em 2016 não se pode de todo escolher aquele par de jarras novelesco e amador para uma história que pede maturidade e negrume.

Passar no Processo

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Primeiro anunciar, aos cabeças no ar, que foi renovada. Sim vão lá trocar de cuecas que eu espero. Pronto, não há que ter medo, quem viu que relaxe e quem não viu pode ver, relaxado. 3% não é uma série isenta de lugares comuns ou falhas, mas é uma série que abre o casaco e dá o peito, que se aventura nos tons garridos da distopia. Do fim do mundo, daquele fim de mundo, daquele reflexo que só poderia e só seria ali. Brasil, esta é uma série brasileira - Netflix se eu te apanho na rua dou-te um beijinho - dali, para o mundo, não qualquer boteco genérico da condição humana (como The Hunger Games ). Também estuda e experimenta, mas com a rápida e voraz identidade assim criada, com poucos minutos, na subida, discurso e início das provas. Maravilhosa a das alavancas, maravilhosa a Bianca Comparato . Sempre na dúvida da escolha, ao limite. Como nós, constantes candidatos a um prometido, mas não elucidativo, Maralto . 

Portento

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Mistress America acorda de novo um estilo aflitivo - e maravilhoso - de se filmar. Caos, caos em todo o lado, todos a falar por cima de todos. De assustador a viciante, porque são raras as vezes que nos reconhecemos, tão desordenados. Quero lá saber se havia uma lógica na tua história, eu quero é contar a minha, depois voltas, ou não, então um terceiro elemento entra em cena com novo choro. Lembrei-me de Seinfeld , nos seus nadas flutuantes e nos desesperos sobrepostos. Um Baumbach feliz, e felizmente cheio de vida. 

A sorte é que só tem 90 minutos

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Então já que o bowling está fechado e se fossemos fazer um filme? Deve ter sido assim que surgiu a ideia de Morgan , o thriller sci-fi mais horrível, ridículo e inacreditável deste ano. Pasmado porque tem a cachopa do The Witch , a Kate Mara e mais uns quantos notáveis, numa premissa que não sendo nova poderia chegar a algum lado. Mas não, cada um deu dez euros, foram filmar na Serra de São Mamede e tudo o que poderia correr bem correu mal. Trapalhada do início ao fim, sem causa, pancada a passo, do género agora dou eu, agora dás tu, e o twist mais, mais, nem sei que diga do twist. Festinhas na cabeça, já passou, já passou.

Sempre a dar cartas

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Uma coisa boa, nestes mares selvagens da pirataria, ou, se as virgens preferirem, nestes mares indomáveis da rede, é que há sempre novo porto a descobrir. Por muito que se navegue, se ouça e se troque, um filme do caraças, perdido nas prateleiras do tempo, aguarda ali. À nossa espera. Para que do alto da nossa pretensão, consigamos perceber que somos como o Jon Snow , e nada sabemos. Tanta trela para dizer que descobri um filme porreiro do Clive Owen com 10 anos. De jogo e crime. Literatura e personagem. Bem narrado e bem montado. Chama-se Croupier . 

A nossa última narrativa

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Westworld teve alguns problemas no motor de arranque. Não com o seu, mas com o público/crítica em geral. Mais crítica. Que enquanto a Teta dos Tronos não secar nada pode imperar. E isto é de facto real, pois o único pecado desta adaptação arrojada do filme de 1973 é ser cento e cinquenta vezes superior à adaptação dos livros do George R. Martin . Para quê comparar, infantilidades Ronaldo/Messi, porque não posso gostar dos dois? Não dá amigos, o papá é o mesmo. Mas, testas à parte, esta primeira temporada foi a viagem cerebral e visceral que prometia, tendo a benesse de vir embrulhada num pacote 5 estrelas, primeira classe, bem acima de todas as possibilidades. O que torna a coisa no casamento perfeito de qualquer doidinho de Galacticas e Blade Runners , ou saudoso apenas de uma boa história. Chega a ser quase ofensivo, para a estrutura televisiva contemporânea, ter um produto tão caro que se responde e se encerra de forma tão vincada, tão bonita, tão eficaz. Tão modesta. Aquela f

Ricky Baker

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Hunt for the Wilderpeople , ansioso por vocês malta da tradução. Não nos desiludam. Vocês, malta da bola, enquanto esperam, vejam, e vejam muito. Uma relíquia das terras do tio Frodo , de Taika Waititi , com aquele tom seco e despachado, surreal no contraste do humano e do natural, do pequeno e do enorme. Um buddy movie , um filme de família, uma comédia, um drama, uma malha de ação. Romance porque não. Faz lembrar, mas acima de tudo surpreende: não só pela facilidade com que entretém, mas também pelas interpretações sinceras e magníficas do duo de protagonista. Especialmente o miúdo , que é o puto do ano. Sacana.

A criada e o excel

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O filme deve ser excelente mas a questão aqui é outra

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O olho esquerdo do gajo, não está um bocado mais para cima que o olho direito? 

Improvisar

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Don´t Think Twice é o filme mais sincero do meu ano. Sincero porque regressamos sempre ao palco, ao palco do inevitável, do que não podemos deixar e que no final será a nossa definição de nós. Paixões, o grupo lá se vai perdendo, mas volta e meia volta ao improviso. Encara a audiência de frente, e pergunta. Sincero também, porque não necessita de grandes artefactos cómicos para rir da maior tragédia de todas. E sim, sincero porque o casal se despedaça na vida. Não é por isto, ou por aquilo, ou então por essas todas razões, é porque há a vida, cheias de organismos distintos, diferentes de sonhos e alegrias. Tudo à nossa frente, ao nosso lado. Obrigado e as palmas mais verdadeiras destas duas mãos.

Sofia, a múmia

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Já nem me lembrava que ia haver uma nova Múmia , são tantas novas cenas dos meus 16 anos que acabamos por abdicar de umas em prol de outras. Naquele apertado armazém do que achamos catita lembrar. O tom é o certo, Tom Cruise e malta daquela linha Jack Reacher . Era o que lhe faltava ultimamente, fantasias descaradas. Mas o que eu quero mesmo dizer é que a Sofia Boutella , com esta adição ganha, sem sombra de concorrência, o estatuto de rainha do fanti-scifi . E saem corações a borbulhar.