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A mostrar mensagens de Janeiro, 2017

Ele explica

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Chegar tarde a The Boondock Saints é chegar tarde a Willem Dafoe .  Tarde a um daqueles empréstimos totais, em que se cede não só balanço e o drama, como o corpo. Há uma passagem, um compromisso, dentro da música, bolha protectora de todos os santos, que nos permite pelas suas assumpções perceber e ver o filme. Que nem bom amigo, que nem incrível mestre. 

Kika Magalhães no primeiro episódio da quarta temporada de Nas Nalgas do Mandarim

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Kika Magalhães é a primeira convidada da quarta temporada de Nas Nalgas do Mandarim . com uma simpatia contagiante, aceita o desafio, senta-se connosco e fala de si, fala do seu cinema. Da sua procura e do seu incrível papel em The Eyes of My Mother , dentro e fora de cena. Se ainda não viram procurem aquele que foi um dos melhores filmes de terror do ano passado e depois ouçam o que esteve por detrás, e o que virá depois. É já no próximo dia 2 de fevereiro!

Jogos para Crianças - Óscares 2017

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O Créditos Finais , em parceria com a edição deste ano dos Óscares, vai lançar um conjunto de jogos de tabuleiro direccionados, principalmente, ao pré-escolar e primeiro ciclo. Não quer com isto dizer que os adultos também não possam jogar juntamente com os seus petizes, aliás a premissa é estimular as relações entre pais e filhos. O primeiro, que será lançado na próxima segunda-feira, é o jogo de "O que está mal neste conjunto?", onde temos os nomeados de cada categoria e temos de tentar descobrir qual (ou quais) é que destoam do grupo. Imperdível.

Not So Serious Awards

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Todos os anos à mesma hora . Todos os anos com a categoria que os caracteriza, a disparar em círculo, sem deixar ninguém a salvo. O meu favorito? Gosto muito do último, que chiba o final do filme , mas como ando um doce escolho o The Whole Truth que ganha o prémio de: Most Subtle Title Treatment Award goes to The Whole Truth for almost hiding the film's title (and the names of the lead actors) amidst a wall of text.

Não me toca

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O núcleo, aquela órbita tio-sobrinho, existe de facto, e consegue, a espaços criar impacto: como a cena do congelador ou quando Casey Affleck diz que simplesmente não consegue vencer. Não consegue passar por cima, por muito que reste. Pois são os restos que aqui vemos e este dois emprestam duas interpretações sóbrias, contidas, que trabalham muito bem juntas. O problema é que Manchester by the Sea não chega cá. Demasiado asséptico. Não desconcerta nem atinge, muito pela necessidade de justificar os vazios, de carregar a duração com ações a mais: temos de ter flashback X que justifica dor de cabeça Y ou temos de o ver a ir com o carro, a voltar com o carro, a ir com o carro novamente. Falta autonomia, cinismo e espaço. Um pouco de Alexander Payne . Falta deixarem-nos chegar à personagem, sentar e quem sabe, ver o mar com ela.

Demasiadas vidas

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O filme é uma trapalhada, que se perde no seu próprio cozinhar. Uma sopa de ideias onde o fundo se perde de vista, juntamente com o tom e o equilíbrio. Mesmo agora não sei onde encaixar esta negra comédia? Ou este vivaço thriller ? Fica um delicioso toque visual, que a espaços no lembra labirintos, como o magnífico poster assim o ilustra.

Monstros, demónios e a chuva

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Sim é o frio, a marcar nos carros e a deixar os media doidinhos, ou não estivéssemos em janeiro, mês tipo do calor e das caipirinhas na praia. Sim é o frio, mas hoje trago-vos uma pequena análise chuvosa. Dois bons filmes de terror, que vi, com o devido espaço e tempo, que usam a chuva como terceiro eixo. Fonte de contaminação, como se colasse, viscosa e plena ao corpo. Demónios e monstros, na forma mais abençoada de nos assombrar. Ambos donos de uma fotografia mestra, The Monster com os seus planos exteriores e o som, Demon com as suas paisagens desoladas, de grandes feridas naturais infligidas pelo homem. No primeiro mãe e filha vêem-se presas no interior de um carro, com uma tempestade chuvosa no exterior, e o tal monstro. No segundo, um casamento polaco dá uma volta inesperada quando o noivo aparenta estar possuído. Se The Monster é prova de luta e superação, Demon é um murro cruel, uma viagem aos infernos. Ambos ideais para uma tarde destas, porque de certeza que em algum

Obrigatório

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Hoje, mais que nunca. Leva-nos a pensar se esta América profunda, não é apenas América, e a outra, uma miragem, um produto de edição, um sonho. As tribos: desolados nativos, com os seus ritos e gritos, canções e superstições, a furar um mundo que se construiu para outros. É um belíssimo retrato, muito bem aplicado no 4:3, fechando ainda mais e aproximando-nos. Tanto que - e isto é o mais incrível de American Honey - sem existir nenhuma grande chave ou explosão as suas quase três horas de duração passam com uma suavidade mestra. Que nem viagem, onde as imagens nos crispam e convidam constantemente a questionar este imaginário fodido. Exorcizado na música (que banda-sonora senhores), ou não fosse a canção homónima um dos enormes momentos de cinema do ano passado. 

Imaginem que na casa do lado

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Embalado pelo trailer de The Discovery sigo para The One I Love , filme que vi no rodopio de Blue Jay e que continuou tal fascínio. Então é assim: casal a meio de uma crise decide ir para uma espécie de retiro, onde aparentemente é alcançada a harmonia, o balanço, o outrora. A partir daí, boca fechada, para não estragar, só adiantar a ficção científica, caseirinha, feita com dois atores e com um a mestria de quem escreve muito. Para lá disso, virando constantemente, enganando na metáfora para depois assumidamente escolher o género. Tendo entretanto reformulado todos os outros. Incrível.

29 dias depois

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Põe de lado a típica enciclopédia introdutória , não que abdique dela na totalidade, mas arranca lá, fazendo da combustão seu contexto. O que é bom, ainda melhor na fotografia e seus ícones: a farda laranja, a máscara, a criança dentro da máscara, pendurada no carro, tudo isso são planos chave e intrusivos, para ficar.  Como se houvesse sempre algo de novo a acrescentar. E há, então o final é uma delícia. O que não é assim tão doce é o elenco em modo Ouro Verde , quer veteranos, quer novatos, ainda para mais a Felicity Jones rechonchuda não mostra nem um bocadinho dos seus voluptuosos talentos. 

A caminho do Pingo Doce

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cruzei-me com o Dennis Quaid . Parece que anda à procura do filho.

Já foi preso o espectador que sorriu durante o Manchester by the Sea

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Ao que parece encaminhava-se para a gargalhada quando a senhora do lado, ao tirar o terceiro pacote de lenços, percebeu o que ia acontecer e chamou de imediato o segurança. O espectador, um indivíduo caucasiano, na casa dos 40, conseguiu fugir tendo sido posteriormente capturado num supermercado da sua área de residência. A pena por sorrir em filmes tristes dos Oscars pode ir de 1 a 6 anos de prisão efectiva. 

A melhor curta deu melhor longa

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Siren tem tudo e mais alguma coisa, mas acima de tudo mais alguma coisa. A espuma que eu tanto aprecio, o descalabro simples daquelas pequenas mitologias de culto: três amigos, uma despedida de solteiro, um bar e o resto é para vocês. Ir mais longe, ou comparar com aquela obra óbvia, ia estragar. E esta adaptação para longa da curta de V/H/S , Amateur Night , leva a premissa para um destrambelhado e delicioso caminho. Tapem os ouvidos meninos, mas abram bem os olhos!

No More "I Love You´s"

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Blue Jay tem o atrevimento de nos fazer sentir a mais. Tal as singularidades que ali são exorcizadas, tão bem executadas que a intimidade existe enquanto terceiro elemento. Enquanto confronto das duas interpretações - digam-se maravilhosas - de um tempo congelado. Uma pausa em tudo o que correu, o que falhou, para depois entrar a música e logo se vê . O amor é deles, e podermos espreitá-lo, é de facto uma ave muito rara.

Entretanto

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Voltou a melhor série do mundo.

E quem encontrar este sabe onde me encontrar

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E o realizador de El incidente , Isaac Ezban , tem mais recentemente Los parecidos . Filme que promete seguir a lógica de quebra cabeças e que tem o poster mais espectacular de sempre. Por isso, se alguém encontrar este maroto, em qualquer loja ou outro lugar, faça o favor de me enviar. Eu pago em charadas ou cervejas, como preferirem.

Para ver outra vez, e outra vez, e outra vez

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El incidente é daquelas descobertas do acaso - Senhor Joaquim - que nos tomam de assalto. O poster estava à rebentar de elogios e a sinopse tinha o meu nome escarrapachado. Sim, sim, play . E se o primeiro acto é dor de cabeça, o segundo rebenta-te com a mesma. Inverte, escreve, gatafunha e complica, uma maravilha inacreditável feita com meia dúzia de tostões, da qual não consegues sair. Às voltas, como eles, à procura da saída, das rotinas, dos gritos, da velhice. Fecha-se talvez com exposição a mais, não daria tantas cartas naquele final, mas tudo resulta. Porque isso aqui estou, a pregar a palavra; desde Los cronoscrímenes que não vibrava tão honestamente. É mesmo, é um cabrão dum clássico de culto instantâneo. 

O remake d' O Paciente Inglês

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vai se intitular  O Apressado Americano .

Assim à primeira (e única) vista

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Eu gosto destas análises, tão ricas a cappella , como depois, já com toda a orquestra e os dados científicos. Primeiro Cage , com a cara de todos os posters , de todos os 147 filmes que faz por ano, sempre como protagonista. A foto deve ser a mesma, depois metem-lhe o chapéu e um fato de marinheiro do Centroxogo. Depois parece-me o Tom Sizemore , à esquerda e um gajo igual ao The Punisher (série TV), sendo que do outro lado, o The Punisher filme (um deles), e dois putos sinistros que ou falecem, ou então são os únicos a sobreviver, já velhinhos, para contar a história. Verídica claro, e um casalinho de tubarões, para facilitar. Por último, a cabra da cereja, realizado por Mario Van Peebles . Agora vou descansar e depois vejo o trailer . Desejem-me sorte.
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The stars are not wanted now; put out every one, Pack up the moon and dismantle the sun. Pour away the ocean and sweep up the wood; For nothing now can ever come to any good. Faz hoje três anos. O cinema continua vazio pai e cheio de saudades tuas. 

De depósito cheio

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Por sentir muito a falta de Tony Scott , é que vejo um certo encanto nesta malta despachada . Não aquele fim de linha Michael Bayano mas um pulso apertado, ao largo mas não tanto, fechando depois na hora certa para o frenético. Aquela panela de pressão estruturada, bem apresentada, que nos coloca à beirinha, hoje no livro vermelho das obras ameaçadas. Por isso há que dizer e espalhar: o momento em que a plataforma cede, desiste, rebenta, grita, mata, é possivelmente a grande cena de ação do ano passado. Bem em todos os toques, espaços, tempos e desfechos. Como um lembrete apocalíptico dos nossos dias.  

A magia é mesmo essa

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O cariz mais taxonómico de David Yates - e seus tiques literais - resulta aqui que nem veludo no fumo. Resistindo, ainda por cima, aos tique de jogo, de vender bonecos ou segmentar as capturas. Não, há de facto um cuidado maior nas personagens - talvez por elas serem novas - o tal espaço, para interação e conflito, as chamadas cenas e peripécias por quem tantos suspiram, deixando as criaturas naquela máxima da preservação. De não perceber o monstro na totalidade mas saber que ele é crucial para a totalidade do nosso ecossistema, a biodiversidade de espécies, com ou sem magia. É essa a principal mensagem, a enorme confiança e importância que o filme ganha, oferecida de forma bonita, bem interpretada e com um ambiente guloso, de ver e chorar por mais. Desde  Harry Potter and the Prisoner of Azkaban que a magia não andava assim, deste lado, à solta!

Nunca deixámos de estar virados para a parede

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O novo Blair Witch vence no autorretrato, da  franchise e do género: o ciclo, onde tudo vai dar, inevitavelmente; outros gritos, outra carne, mas a casa, esse assombrado ponto de chegada nunca se altera. E sobrevive ao tempo, ou não estivéssemos de novo a gastar tecla com a bruxa, aquela com histórias dentro de histórias. Da floresta, do bosque, ou não fosse esta sequela inicialmente - quando saiu aquele trailer com Every Breath You Take - intitulada de The Woods . É essa imensidão confusa, claustrofóbica e cíclica que sobrevive, o que por si só já é oxigénio.

Só faltava não ser no espaço

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Devia haver um qualquer comité de ética traileriana que mantivesse os mínimos. Apenas dentro dos eixos. Ou seja, não deixar que um filme tenha trailer de outro filme, para vender. Comigo até foi engraçado, tenho a mania que sou esperto e que sei tudo, fiquei feliz com a trapaça. Agora não faz com seja bonito menino Passengers , vender aquilo e dar o outro. Vender um mistério pesado, ai mas porque é que eles acordaram, é uma cena muito densa e cheia de pistas, e dar uma bizarria, um belíssimo espectáculo visual de solidão, linear e limpinho. Muita gente a pedir o dinheiro de volta e a cuspir os pedaços de milho para o chão.