domingo, 5 de dezembro de 2021

Ghostbusters: Afterlife (2021) - Especial Sala Azul

Meses de antecipação! Ora dá cá um trailer, e a seguir dá outro, ora dá mais um que só dois Ghostbusters é pouco. E depois da antestreia não havia melhor maneira para fechar este périplo do que em sala! Os incansáveis/incríveis anfitriões da Sala Azul convidaram-me para um serão galhofeiro à volta deste Afterlife e de tudo o que estas novas sequelas representam. Há ainda espaço para o homem mais sexy do mundo e o delicado mundo dos atores em CGI.

Sérgio e Susana muito obrigado pelo convite, excelente companhia e conversa!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Quem és tu miúda

Bem, desde o negócio de droga do Mr. Eko no Lost que não via uma utilização tão inventiva para uma estátua da Virgem Maria. Quando há criatividade há tudo. E há Verhoeven à pazada: provocativo, lascivo, violento. É sempre um gosto tirar as vestes e entrar neste carrossel, sem as formatações e boas maneiras. É um cinema que continua viver para uma reação, um efeito. Tão bom. A minha única questão, para não ficar tão agarrado foi mesmo a dualidade da (belíssima) protagonista. Funciona para a trama, manter a dúvida mas tira momentum ao romance, à traição, à adoração. Este lado cinzento (e indefinido) coloca-nos num assento à deriva. Sem hipótese de pôr os pés na história. 

terça-feira, 30 de novembro de 2021

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Sequelas cara-de-pau

Eu já tinha a rubrica Sequelas sem jeitinho nenhum onde abordava continuações sem eira nem beira, aquelas que não lembram ao menino Jesus. Porém, neste tacho farto da cinefilia, o fundo nunca está de facto à vista, parece, mas ainda não está. É assim, com este amor bentónico, que o António do Segundo Take propõe a trilogia das sequelas cara-de-pau: American Psycho II: All American GirlThe Rage: Carrie 2 e S. Darko. Um caminho complicado - malta a falecer com CDs, o capitão Kirk a cair duma janela, máscaras de coelho feitas no ferro velho - que acabou em bem, numa galhofa bem boa que podia não ter fim. Obrigado amigos.

domingo, 28 de novembro de 2021

Seis anos de Nalgas

O tempo passa quando nos estamos a divertir. O cabelo cai, as barbaras grisalham, as vozes envelhecem como se estivessem em pipas de carvalho. Estas pipas, este casulo que aloja em si todo o cinema do mundo é apenas o ponto de partida para uma aventura que 3 bandalhos iniciaram há 0,6 décadas. Porque não esconder o anel nas nalgas e acabar com a maldição? Porque temos que palmilhar todo este caminho? Porque a viagem adensa o aconchego da camaradagem, este magnetismo quente que nos protege a psique das maleitas da mente. O tempo não melhorou nenhum destes 3 grunhos. Cepos monolíticos, imutáveis nas suas crenças, teimosos que nem martelos, possuidores dos piores gostos de sempre, péssimo sentido de humor, pior timing... A única coisa que em si cresceu foi a irmandade que os une, a cumplicidade com que se relacionam, o aconchego que encontraram naquele trio, nas noites de solta galhofa em que se recusam a crescer, em que abraçam a energia primordial daquilo que é ser homem: a patetice. De facto, só lhes falta a sodomia e as longas sessões de felacio, porque o amor está lá. Parabéns Nalgas, que nunca deixem de brotar flores deste deserto.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Bom fim-de-semana


Três estrelas

É fazer as contas. 

1 estrela por ser um filme de super-heróis em 2021 e só ter 90 minutos. Juro, quando percebi que não ia haver meia hora final de epilepsia e que estávamos despachadinhos, chorei, chorei mesmo. 

+

1 estrela para o Tom Hardy, porque é o Tom Hardy. Sempre, até ao final da escrita.

+

1 estrela porque assume o que é. Assina de uma vez o seu tom cómico, descontraído, e tranca o protagonismo no mutualismo. Uma espécie de buddy cop no mesmo corpo. Estou dentro.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

The Beta Test (2021)

Tanta coisa a acontecer. Depois de um The Wolf of Snow Hollow mais focado e contido, The Beta Test volta a tocar aquela mescla de notas, presente em Thunder Road. Jim Cummings, um dos novos autores mais estimulantes e queridos aqui do estaminé, faz de novo o filme que quer. Agora a duas mãos, com PJ McCabe, agora um thriller psicológico, mas com tudo o que caracteriza o seu traço: homens à beira de um ataque de nervos; contenção explosão, edição, algo que nos assusta, assombra para nos devorar a qualquer momento. Aqui uma relação, e o grande salto para o matrimónio. O adultério. É só isso? Não. É uma história de enganos, de esquemas, de crime, de tecnologia, do sistema, de Hollywood, dos abusos, do poder e aqui ficamos cansado. Há tanta coisa a acontecer neste filme que acabamos por não conseguir juntar todas as peças e usufruir em pleno deste teste. Mas, por muito espartilhado que seja, estamos perante um trabalho de amor, que Cummings insiste em abrir, partilhar, para que seja sempre possível acreditar em vozes novas. 

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Lições de Morales

É oficial, sai um embeiçado para a mesa do canto. Duplass é sempre Duplass, mas Natalie Morales rouba todos os risos, afetos e bons acordares. Bem disposto até ao final do ano com este Language Lessons. E muito curioso para ver Plan B, o outro filme que esta senhora nos traz este ano.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

O legado de Harold


Sofá, pós jantar, Masterchef. Um dos cozinheiros do júri, ao falar do candidato, destacava o seu toque, aquela marca inata no carinho com que manuseava os alimentos. Um respeito que se converte em graciosidade, cuidado, numa espécie de bolha. Jason Reitman cozinhou este Ghostbusters: Afterlife com essa mão, esse detalhe de quem realmente está a continuar uma longa ceia de natal. A família, foco na família, e de facto a coisa resulta. Há um arranque muito sólido nessa nova vida, nessas novas vidas: personagens com quem queremos estar. E Mckenna Grace assume o filme que nem gente grande, com uma Phoebe inesquecível, muito do corpo, dos jeitos, cheia de humor (aquela piscadela de olho!) e personalidade. Acompanhada por um valente Logan Kim, na dupla mais consistente e a que mais naturalmente veste o fato de Caça-Fantasmas. Juntos, para desenrolar um mistério num cenário totalmente novo. A mansão, as plantações, a montanha, a grande planície, é tudo tão palpável, tão bonito: há um plano numa perseguição, numa estrada deserta, que é dos frames mais emolduráveis deste  ano. Ver assim estes grandes espaços, o Ecto-1 a fugir da multidão e a libertar-se rumo ao pôr do sol é uma sensação do caraças. Deu-me o conforto de um caminho velho, porém a trilhar o desconhecido. Agora, porque não é só farra, vamos lá questionar algumas amarras: 

Poderia o drama ter sido explorado de outra forma? Talvez sim, talvez pudesse existir outra intensidade no trio familiar, no modo como esta nova etapa os fez crescer, superar os medos, lá está, os fantasmas. The Visit é um bom exemplo de um tratamento consistente do género. Ghostbusters nunca precisou de dramas ou lições é certo mas este lado mais realista do Reitman filho se calhar precisava de uma outra demão.

Poderia a história ter sido mais original? Se calhar sim, fico confuso. É inevitável recordar The Force Awakens ou Jurassic World mas não sei sinceramente, se nestas sequelas/reboots, que aparecem décadas depois, haveria outra forma de fazer as coisas. Ou melhor: era possível produzir hoje uma sequela do The Goonies sem os Fratelli? Se calhar sim, se calhar não. É difícil distinguir o que é perene e o que é caduca. Especialmente quando temos as gerações antigas a dizer adeus e as novas a chegar; despedidas, boas vindas, tem de haver um equilíbrio. Sim o terceiro acto pareceu-me um pouco martelado/apressado - senti falta de um caos Gremliano na aldeia, por exemplo - mas no seu todo é uma casa de alicerces novos, seguros e bem definidos. 

Harold Ramis faria ontem 77 anos. E uma coisa que sempre me transpareceu, especialmente agora ao rever os dois primeiros filmes e o documentário, é que ele se divertia. Um entusiasta, com um gozo eletrizante naquilo que contava e isso contagiou a saga . Não são obras complexas ou preocupadas mas são aventuras que sabem escrever na parede um número a quem ligar, erguer uma tela para onde fugir, sonhar. E sem ser perfeito, Ghostbusters: Afterlife está de novo lá para atender a chamada. 

domingo, 21 de novembro de 2021

Quote - Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings (2021)

The first time I witnessed pure artistry. 1968. Planet of the Apes. I was sitting in a cinema next to my mum watching mastery unfold before my very eyes. After the film, I asked her, "How did they get those monkeys to do those things?" And she patted me on the head and she said, "It's not real, pet. It's just acting." That's when I knew. If they can teach those monkeys to act that brilliantly, just imagine what I could bring to the world.


Zunzum de Óscares à parte, quero muito ver isto.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Who Killed Captain Alex (2010)

Ah não sei quê  estamos sem sugestões para o fim de semana. Já vimos o Bond chorão, o Náufrago com robôs e aquele em que o Kylo Ren canta que se farta. E agora? Calma amigos, nada temam, o vosso tio tem a recomendação ideal: Who Killed Captain Alex?, um filme questão que é a grande resposta. A derradeira obra de guerrilha, ação de Wakaliwood - um estúdio de cinema em Wakaliga, uma favela de Kampala, no Uganda - sem recursos, sem nada mas com dedicação, com tudo. Tem Seal em pan pipes, tem maus do piorio (Tiger Mafia), tem cenas de porrada de fazer inveja ao novo Mortal Kombat, tem mistério, sedução e tem o melhor video joker do mundo. Melhor que contar, é ver, do início ao fim aqui em baixo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Como é que vamos encontrar o ovo?


O Ryan Reynolds chegou a um lugar raro, àquela classe de atores que se descalçou de papéis ou interpretações: é ele, sempre ele, ele mesmo, a planar acima dos filmes, numa consciência meta e irónica. A personagem que sabe sempre que o é e que se diverte com isso. Deadpool, Hitman's Wife's Bodyguard, Free Guy e agora este Red Notice são as paragens desta maratona, que, ou eu muito me engano, ainda vai a meio.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Voltar a Sidney


Voltar a Scream 2, que viagem. Já não o via há muitos anos. Trazia a ideia de uma obra à sombra do original, decalcada, contida. Nada disso. É verdade que mantém as desconstruções mas agora habilmente refletidas sobre si mesmo: aquele início, de campos e telas, da tragédia versus entretenimento, é um exercício possível só por alguém em pleno domínio da linguagem do género. Voltar ao sítio, mas reencená-lo; todos personagens, todos espectadores. As mortes sincronizadas, o grito, caraças é possível que goste mais deste começo. Depois, todas as pequenas pistas que vão apontando o filme ao derradeiro némesis são inseridas de um modo muito silencioso, alargando o historial das personagens e invertendo a lógica de clássicos como o Sexta-Feira 13. Por cima, todo o cenário do teatro, da tragédia grega, do eterno fado de Sidney que aqui tem a derradeira noção de que a paz nunca lhe cairá bem. Por último, para além destes novos (e entusiasmantes) detalhes dei por mim  acompanhar todas as falas, parecia O Rei Leão, boyfriend killer, boyfriend killer, colocando-me de imediato num tempo em que o cinema era manhã, tarde, noite. Em que tínhamos a banda sonora, em que víamos e revíamos, teorizávamos, ansiávamos. Voltar a Scream 2 foi como alugar qualquer um desses dias.

Celebrating Noirvember, Part II: The Set Up - Murder, My Sweet - Act of Violence

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Pronto, agora tragam lá o Martin Campbell de volta

Ui que isto ficou de noite bem rápido. Ainda ontem a vermos o Pierce Brosnan a rebentar com metade de São Petersburgo enquanto ajeitava a gravata e agora chegamos a este tanque cheio de alma, pecados e remorsos. Se olharmos agora para o quinteto Craiguiano de facto existe uma riqueza e verdade nunca antes empregues ao corpo do agente secreto. Uma sensibilidade que se foi acentuando, na continuidade dos desgostos, das vinganças, das peças que se iam assentando, como um jenga que agora cai. E nesse sentido, No Time to Die cai bem, com aquele nevoeiro purgador, na penumbra, no limbo de uma fotografia cuidada, de ação viva e bem distribuída. Imagina um homem como tu, já dizia a música e diz agora a saga. E a questão é: faz sentido abdicar daquele lado desmiolado, das one-liners, das grandes cidades, das bond girls más como às cobras, de cada filme a viver para si só? Para o puro divertimento? Se calhar faz, se calhar era esta a ordem natural das coisas mas como fã que cresceu na era Brosnaniana custa-me chegar a um final tão preocupado com os hashtags e as gavetas, tão milimétrico nos seus diálogos e na sua vontade de mudar. Não precisamos de cair no machismo dos 60/70 para termos sarcasmo, gadgets, diversão, vilões à altura (que não sejam o Freddie Mercury e que não tenham um plano escrito por um orangotango por favor). Não precisamos de ter um laser gigante seguido de surf no gelo mas há um meio termo, há um meio caminho e acho que é lá que está o meu James Bond.