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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sacos do lixo


Por breves instantes quase que entrei. A discussão familiar, a cena com Girl from the North Country, o sentido de loucura que por vezes escapava. Vemos que está ali uma vida a querer sair. Mas o conjunto não deixa. Russel não quer sujar as mãos e deixar o carimbo de filme simpático. Boa onda. Lawrence ainda tenta, oferece a melhor interpretação do filme - a única digna de algum reconhecimento - e pulsa uma personagem. O resto não tem de facto hipótese, escravos de uma linha demasiado certinha, para a felicidade. E para depressões com sacos do lixo, teremos sempre, o insubstituível, Garden State. 


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O dia em que Bradley Cooper foi nomeado

Rádio, começo de tarde. Uma locutora diz para a outra que está muito contente por Bradley Cooper ter sido nomeado. A outra ri-se, partilhando a opinião e acrescentando que ele é muito bom actor. Não é. É sim o problema dos Óscares, do actual: a felicidade de uma consagração porque ele é giro, ou porque tem pinta, ou porque fez umas comédias engraçadas onde homens acordam vomitados e sem dentes. Há um limite; podia pôr todos os narizes, todas as bases, todas as massas, que nunca na vida se levantaria a questão de Cooper estar no mesmo parágrafo que Daniel Day-Lewis. Quem diz Cooper diz Jackman. Perderam-se os critérios da arte, do papel único, impossível que ali está para ser celebrado. As espécies misturaram-se e o reino animal perdeu a ordem. É o fim da macacada.