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A mostrar mensagens de Outubro, 2015

Escassez dos recursos

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Um dos meus grandes desgostos, um dia que seja pai de um ser pensante e bem falante, é ter de lhe dizer, confessar, que ele, não poderá ver um novo filme do Woody Allen . Que aquela certeza, bala que mata, no calendário futuro, o pequeno aconchego anual do grande génio terminou. Filmografia finita, preservada para o bem da sustentabilidade. Não vejas logo todos filho. E Irrational Man nem é um grande filme. Tem aquela piscadela da lanterna e as geniais (tradicionais) perturbações irrequietas, mas vale bem mais pelo que representa. Hoje, e especialmente, amanhã.

Piraflix em Portugal com menos doze filmes BrRip para sacar que nos EUA

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Piraflix em Portugal, finalmente. Para quem não conhece o Piraflix, trata-se uma mega plataforma com uma série de conteúdos ilegais, em torrents ou noutros formatos que eu agora não quero estar a descrever, e que estão acessíveis para o mundo inteiro. O primeiro mês é gratuito e os restantes também. Há apenas um custo associado à manutenção de conta que é de 0 cêntimos ano. Porém, este tesão quase ejaculatório, murcha um ou dois centímetros, pois, ao que parece, existem, pelo menos, doze obras BrRip que não estão disponíveis para o público português, incluindo o novo filme do Max, o cão da bófia. Augusto Parroto, chefe da direção de conteúdos e marketing do Piraflix, garante que o filme do Max, o cão da bófia, não é grande merda, mas que os restantes estarão disponíveis em breve, e que o público tem de ter alguma paciência. Relembra ainda que não é fácil manter uma oferta e estrutura tão inovadoras quanto estas, quando no mercado competem lugares como o Netflix, onde se tem que paga

O outro trailer

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Não sabes fazer nada que não tenha ovos? Uma omelete. Um minuto e quatro. Faltavam quarenta segundos para terminar o trailer de O Leão da Estrela . Ainda tentei. Ainda cheguei longe, se formos ver, até estou orgulhoso. Refazer, redescobrir, nada tem a ver com a ausência de tudo, com os não sotaques misturados em gagues, colados à escarreta numa não história. Navegando à sombra, ao sabor do nome.

Também eu

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Também eu tenho algo a dizer. Peça a colocar, neste castelo bonito que é a crítica cinéfila. Ou só os bitaites acerca de cenas, maioritariamente filmes. Trailer, Star Wars: The Force Awakens . Primeiro uma palavra para aqueles que não gostaram, que disseram que tem muita explosão, pouca canela, que é parecido ao Episódio I, que estão preocupados, que é só bonecos, que é só para vender, que têm dói dói no pipi, e por aí fora: epá vão todos levar nas nalgas. Isto porque realmente temos de respeitar todas as opiniões e gerir os sentimentos com calma. Em segundo, terceiro e infinito, venha ele foda-se. É este o cartão, é assim que gere um aperitivo, um regresso. É apelar e pedir para voltar, e nisso o Abrams ganha cem a zero ao resto da maralha. Ela diz que não é ninguém, para se ir construindo nas antigas histórias, que afinal são verdade, afinal temos o que é preciso, connosco, basta abrir os braços. Passar esta ideia, gerir estes conteúdos e transmitir esta mensagem, esta história d

Afinal não queremos o Green Inferno já

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Foda-se. Anda um gajo a contar os dias, bate tecla hoje, bate tecla amanhã, para que saia qualquer versão, por mais web ou legendada em coreano que fosse, para isto. E o que é isto? Isto é o Eli Roth a desresponsabilizar-se do mundo. Por mais que fosse e tivesse sido, sempre vi nele uma certa ideia, o gore e o porn lá pelo meio, a carregar e a abusar, mas existia um conceito, uma lógica. Knock Knock , por mais insípido que fosse, tinha uma linha, e tal, sim senhor, o gajo pinou, gajas boas, ai ai, era casado, tau tau, um jogo e pronto. Agora, o que sucede, é que, em primeiro lugar não temos atores alguns. É a namorada dele e possivelmente os primos da mesma, ou então um grupo de estudantes de primeiro ano que ia a passar por ali. Alguma coisa, pois não se narra, nem a TVI pratica tal amadorismo. Em segundo, tem um primeiro ato miserável, sem sentido e repetitivo. Mete-os logo na selva caralho. Estás a construir o quê? Nada não é? Então se é nada passa logo para a frente. Para a tri

Batalhas musicais, do início ao fim (V)

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Sei lá se quero descontar o que tenho em cartão. Não se apanha assim um gajo, de calças na mão. É preciso avaliar. Bem como a outra, que tantas vezes me interrogam: início do Jackie Brown ou final do Magnolia . Chiça, grau de dificuldade mega bué da elevado.

Piada muito engraçada sobre séries

Série onde um gajo que acredita em extraterrestres tenta ser ilibado de uma acusação de homicídio. How to Get Away with Mulder .

O Vocábulo, o VHS e a Vontade

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Tenho andado com o VHS às costas, que nem tartaruga satisfeita na corrente. Quente. Idas e vindas, longas, extensas nos quilómetros de memórias, xungaria, regressos, tantos regressos. É o que importa, e às vezes também eles a conduzir. Muito meta. Num desses muitos, alguém falava da série B e do seu coração. Aquele que nunca mais. Falar é manter vivo, como a rubrica mais recente do Brain Mixer , onde uns quantos ilustres anotam uns calões cinéfilos, dicionário, manual de sobrevivência. Como bom suspeito, canto com o cisne, na última edição - vénia e um agradecimento gigante ao Edgar! Tudo para dizer que conversas como a primeira ou foras da caixa como a segunda mantêm viva, mais que a comunidade, a vontade. O gosto das grandes tempestades partilhadas, dos ritos, das trocas, das dicas, o gosto pelo gosto. Dele, a importância dos TCN Blog Awards - candidatem-se! - como repositório, súmula, memória das cartas de amor mais bonitas, criativas e estimulantes que se fizeram - e fazem -

Queremos mas é o Green Inferno, já

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O Knock Knock em português: Tentações Perigosas . Título foleiro e ingénuo que traz à tona uma quantidade de tesões dos anos 80. Ligações, tentações, perigosa, sedução, sempre com umas gajas boas e uns bófias à mistura. Sexo em contra luz. Com chuva, às vezes. E nesse âmbito, de thriller pindérico com perigo inexistente este disparate do Eli Roth funciona muito bem. Bons posters, que dariam óptimos VHSs, um par de chavalas de altíssima qualidade e uma cena de sexo à filmes da Playboy, para, à falta de melhor, rebobinar até ao exacto ponto de ejaculação. Mas para isso já temos o Showgirls , ripostam? Pois é. Realmente não tinha penado nisso.

The Dying Girl, em português, A Tal Miúda

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É o não sei quantos desta década. O qualquer coisa da nova geração. O ontem de hoje. É a tal história do recicla e recicla. A bem dos recursos, que são poucos e todos nos lembramos o que aconteceu aos pequenotes da ilha da Páscoa. Certo, é que no meio das minhas caralhadas, gosto sempre de usar o chavão: Me and Earl and the Dying Girl é o The Breakfast Club deste novo século. Na medida em que aponta armas à esperança. Ela, que se partilha e divide, para existirmos todos uns nos outros. Fé, não só no que podemos retirar de cada mas também na arte que a divulga. O cinema, constantemente revisto aos olhos de quem vai nascendo, filmando-o de novo, para o passar. Compreender. É isso que a dupla faz, procura significado no jogo dos títulos, no legado, sendo obrigada por último a criar. O novo. Sem excessos na montagem, sem lamechice fácil. Para se encontrar no final, a si própria, como obra absolutamente fresca, de um futuro por escrever. Bestial.

E palpita e palpita e palpita

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Eu acho que vi o 2. Mas não tenho bem a certeza. Aquele em que os cabrões já voam, esse, não desbundei de certeza. Nem a prequela. Até estava em paz comigo. Não fosse ver o trailer de Tremors 5: Bloodline . Agora em África, com o Michael Gross eternamente jovem, o Jamie Kennedy gordo que nem uma morsa e mais uma catrefada de falsos, com uma cena homenagem ao Jurassic Park . É difícil dizer que não.

Eli Roth, sua velha raposa

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Lorenza Izzo

É triste ser

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É bom chegar a um filme desfecho. Aquela obra que justifica as somas passadas. E lhes dá conclusão, significado. Nebraska é esse feito. Um maravilhoso retrato do interior, quer geográfico quer humano, ou o geográfico como pretexto do humano. Da quietude, e solidão. Payne, sempre a procurou, de uma forma ou de outra, mas nenhum outro lugar a aceitou assim. A estrada, o preto e o branco. Não há esperança, existem apenas os dias. Dentro dos dias. Das coisas mais bonitas que já vi.

Vamos falar daquele início?

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Arte provocatória ou lixo pretensioso? É esta a inteligente - e essencial - questão que vive no título desta crítica ao regresso de The Leftovers . Inteligente na medida em que resume os pontos de vista, e essencial na medida em que precisamos de os ter connosco. Não podemos fingir, ou mergulhar neutros na piscina. Temos de ir para o terreno, para a rua, discutir, cuspir e voltar a pensar. São guerras tão necessárias como a água, e só saem de quando em quando. A série, como aqui já tinha versado, arrebatou-me rapidamente, segurando-me bem até ao final. E o que este recomeço faz, não é apenas um agarrar, é espremer contra o peito. Subir e voltar a descer, até não podermos mais de estímulos, pistas e novos. É tudo novo. Nova intro - ironicamente maravilhosa - novo sítio, novas personagens - intensamente incríveis -, novo plano. Dentro da metáfora do desaparecimento, uma nova construção. Com seus novos ritos, mitos e símbolos. Mulheres das cavernas, pássaros em caixas, raparigas nuas

Falta a cabeça do porco

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Este ano vou de The Riot Club à Comic Con . Depois parto um acrílico e tento pagar os estragos com uma nota de vinte. Espero que dê. É o que se arranja. Longe da pinta destes meninos, pirralhos, cabrõezinhos, primeiros-ministros. Sem grandes normas ou padrões. O filme constrói-se e prepara-se muito bem para o jantar. Ou fim dos tempos. Sim, é mesmo ali que os tempos terminam. Foge com perícia à apetecível reviravolta criminal, do excesso excessivo, ou seja, há sempre uma linha que mantém os acontecimentos em órbita, de forma a que o fantasma do verídico nunca descole. Importante, pois é ele que nos belisca. E cospe na cara.
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Mesmo bem escondido

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O filme pode ser do campo mas se tiver uma dupla de irmãos realizadores automaticamente se moderniza. Fica com pinta, estilo. Valente bosta mas aquele The Gringo Brothers dá logo a basófia necessária para questionarmos tudo o que ficou para trás. Epá se calhar isto até foi bom. Tudo por causa de Hidde n , dos - rufar rufar - The Duffer Brothers . Que felizmente não precisam dessa soma para conseguirem uma das surpresas mais eficazes do ano. Apocalipse, vírus, abrigo subterrâneo e família. Desconstrução típica que depois se desconstrói nela própria, numa reviravolta sólida que se aguenta sem pretensões de mudança. Tem a Andrea Riseborough , que eu aprecio bastante, e tinha com certeza lugar em qualquer sala de cinema. Só fazia era bem.