Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2016

Espelho meu, espelho eu

Imagem
Kelly Macdonald toca na nuvem e diz algo como: o futuro a acontecer e eu a vivê-lo ou o futuro a existir e eu a existir nele ou algo diferente mas neste sentido. Depois revemos, corrigimos; ou abdicamos disso e deixamos o erro, o erro é que tem piada. Black Mirror volta a cair nesse tempo projectado que hoje já temos, num reflexo podre que caminha a passos largos para algo ainda mais escuro. É um jogo de amanhãs, qual deles o mais hoje? O mais nosso? Logo um jogo íntimo, unipessoal, e desenhado no modo de episódios autónomos, para autonomamente podermos escolher. Mas antes dos meus queridinhos, uma nota da rodapé, ou melhor, um avião daqueles das praias: magnífica transição, se é que foi transição, para nova casa e novo número. Há mais espaço, para os mais típicos, para os mais estelares, para os mais experimentais e para os mais novos. Espaço este sempre ocupado por uma identidade muito vincada e pouco aleatória. Todos os géneros no seu género. A posição tem um senti

Fiquem pelo Castiço

Imagem
Em A Lenda do Cavalo Castiço , o maior western grandolense, quiçá de todo o Alentejo, de sempre, parafraseia-se por diversas vezes "vai ser tiranzada de meia-noite". Ora bem, se há uma expressão que descreve estes novos 7 embustíssimos é essa mesma. O filme do Fuqua não passa de tiranzada de meia-noite, do início ao fim, com um conjunto de bonecos frouxos, mal amanhados, sombras das suas próprias personagens passadas, como se no intervalo de outra coisa esta coisa tivesse nascido. É mau, é triste, já passou.

Nas nalgas, a todo o vapor

Imagem
Lembrar que continua ativo o passatempo mais incrível do ano e deixar aqui a última revisão da matéria dada, com um filme que nos disse muito. Tanto que ficámos sem palavras, porém sentidos, em especial por um início que é uma ode às nalgas, naquela altura em que elas funcionavam a vapor.

Análise à estreia da sétima temporada de The Walking Dead, frame a frame

Imagem
Acredito que, num universo paralelo, em que eu seja meio costa riquenho e possua um escorpião como animal de estimação, num aquário, pudesse francamente escrever uma crónica destas. Com ânimo, sinónimo de que há sete anos levava com este walking todo, and walking , and more walking . Mas não, saltei bem lá atrás, e o que vos queria dizer, depois de coscuvilhar este "enorme" cliffhanger e seu resultado é: por amor de deus malta, tanta coisinha boa, ou tanta coisinha mais ou menos, e vocês continuam a mamar com uma série que vos faz esperar um ano, para matar um borra botas que não interessa a ninguém e o gajo que falece na BD. A sério couves de bruxelas que escrevem estes argumentos? E cola, o desespero é que cola, e que agora os caminheiros vão levar com mais quinze passeios bacocos, de rebentar a sola dos pés. Sem personagens, sem história, sem fim à vista.

Este frame já é um marco

Imagem
As chamadas desgarradas para óscar, onde se tem de chorar, gritar, baba e muito ranho. A probabilidade de nomeação é diretamente proporcional à quantidade de muco, sempre. A academia adora a soberba desnecessária, a explosão simulada como carimbo de qualidade, de realidade. Captain Fantastic é o oposto, aquele discreto suspiro, em contenção, que eu tanto adoro. Um bonito poema que se respeita e nos respeita, sem tiques de indústria ou não indústria. É a família, e suas canções, suas crenças na viagem, suas dúvidas que ficam nossas. Por último, Viggo Mortensen , sem êxtase nem artifícios, seco e dorido, a chorar sozinho, sem ninguém ver. Mirones de um dos últimos grandes talentos perdidos e esquecidos, como se mesmo em casa nunca tivéssemos saído da floresta. Delicioso.

O tostão do chavão

Imagem
Don´t Breathe é como a pescada, antes de o ser já o era. Produto de uma genial máquina promocional que fez o básico, o bê-á-bá, oferecer a forma antes do conteúdo. O poster era rei na manobra: "dos criadores de Evil Dead ", "das mentes distorcidas por detrás de Evil Dead ", "o novo filme de Fede Alvarez ", "o melhor filme americano dos últimos 20 anos". Para os leigos alvo deste terror pipoqueiro, não só Evil Dead é um filme de 2013, como Fede Alvarez é alguém com nome e experiência na área, no género, alguém que interessa. Foda-se não, só tem um filme, que é esse Evil Dead , que é horrivelzinho. Publicitar isso não deveria resultar. Mas resultou. E não, não é o melhor de anos alguns. Consegue exercitar algumas cenas com mestria, algumas apneias do seu título, mas fora isso é um thriller banal, sem ideias e sem surpresas. Ideal para quem não vê mais nada. Porque pondo os pontos nos is, The Neighbor faz exatamente a mesma narrativa de i

De mansinho, Abigail Spencer e seus muchachos

Imagem
Timeless faz aquilo que a maior parte dos revivalismos não consegue, reinventa. Transforma, agita de tal forma - Sliders , Quantum Leap , Timecop - que quando paramos a saudade já não ofende, mas sim surpreende e catalisa. Utiliza, como a sua premissa, a própria história para dela tirar novos futuros. Assim ligeirinha, rápida, bem interpretada e de boa mitologia. E pronto, viagens no tempo meninos e meninas. Até ver, o Sci-Fi do ano!

Griswolds Forever

Imagem
Nunca deveria ter duvidado dos Griswolds . Tenho vergonha. Sinto-me imundo por tê-los deixado na prateleira, por ter equiparado o universo National Lampoon's Vacation a qualquer borra remakes da piça, com o bacoquismo dos novos parâmetros. Das novas métricas e tesouradas. Vacation é o que é, uma comédia episódica parvalhona e trapalhona, cheia de altos e baixos, mas carregada de gargalhadas. A pedir para ver outra e outra vez, com este e com aquele, porque a parte da Mariah Carey é genial, ou a porrada ao som de Sleigh Bells , o puto do saco, o puto do saco é o maior, e o gajo da ratazana, o gajo da ratazana merece um spinoff. Este respeito pelo desvario dos 80, pela capacidade de eternizar as piadas, de lhes dar espaço, dando simultaneamente um ar de família, faz desta sequela reboot a melhor dos últimos largos e largos anos. E agora vocês: there used to be a greying tower alone on the sea...