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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Museus televisivos


Meteram-se com a série errada. Não é esta, não é de todo Black Mirror, que querem comparar, calcular e pesar. Como se de um morto e circular programa se tratasse. Há demasiada vida para fecharmos a cola quente o termo "temporada". É mais um serão/festival/festim. Um desafio, uma provocação, uma certeza. Que nem ovo kinder de última geração. Abrimos, sempre cientes mas nunca preparados.

Mas não é só a surpresa que faz figurão, o risco e o experimentalismo aparecem logo ali. De todas as cores e todos os géneros: a velha ficção científica, o chuvoso policial, o negro pós-apocalíptico ou a colorida história de amor. A maternidade. E por fim aquele musealizar irónico e introspectivo, onde a série se coloca ao nosso lado, como visitante do seu próprio espólio. Do seu único negrume.

Incrivelmente bem escrita, não menos bem interpretada, Black Mirror continua a ser um agente provocador essencial, com um impacto único na visitação, discussão e interpretação. Que continues aberto por muitos e bons anos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Espelho meu, espelho eu

Kelly Macdonald toca na nuvem e diz algo como: o futuro a acontecer e eu a vivê-lo ou o futuro a existir e eu a existir nele ou algo diferente mas neste sentido. Depois revemos, corrigimos; ou abdicamos disso e deixamos o erro, o erro é que tem piada. Black Mirror volta a cair nesse tempo projectado que hoje já temos, num reflexo podre que caminha a passos largos para algo ainda mais escuro. É um jogo de amanhãs, qual deles o mais hoje? O mais nosso? Logo um jogo íntimo, unipessoal, e desenhado no modo de episódios autónomos, para autonomamente podermos escolher. Mas antes dos meus queridinhos, uma nota da rodapé, ou melhor, um avião daqueles das praias: magnífica transição, se é que foi transição, para nova casa e novo número. Há mais espaço, para os mais típicos, para os mais estelares, para os mais experimentais e para os mais novos. Espaço este sempre ocupado por uma identidade muito vincada e pouco aleatória. Todos os géneros no seu género. A posição tem um sentido e agora sim. 


Os meus meninos, que ironicamente coincidem com este arranjo estratégico. Nosedive, o primeiro, primo directo de White Christmas, agarra em seus preconceitos finais e transforma-os num novo sonho americano. Feio, lindo de morrer, com os rosas e seus feitios engomados a darem lugar a uma catarse maravilhosa, naquela que é possivelmente a cena final mais emblemática - Edward Norton naquela última noite - da série. É a introdução perfeita, para leigos, para fãs, para o mundo. Saltamos logo para o último, o mais comprido da saga, que podia muito bem ser o melhor filme policial do ano. Possivelmente é. Num retorcido julgamento ambientalista que termina com a punição inevitável, é o apocalipse, é o final. Desde a música, até às incríveis interpretações da dupla feminina, este ódio à nação é amor para a vida.


Por último, o meu predilecto, continuando no feminino. San Junipero, a réstia de luz que sobra no poço. Um regresso ao passado para encontrar alguma réstia, do que somos e do que queremos ser. Nada se limita, tudo se vai expandindo, lutando até à felicidade, essa eternidade prometida, seja em que "cidade" for. É uma canção, um suspiro de amor, um magnífico acreditar. Obrigado pela viagem. Black Mirror regressa como sempre foi, uma montanha russa, altos e baixos de episódios onde nada é garantido, onde nos perguntamos a cada curva. É a descoberta, do que nos contam e do que queremos depois contar, no nosso espelho negro.

Por último, e porque este desabafo não seria o mesmo sem um top maricolas, aqui ficam os meus episódios até à data, do pior para o melhor, com referência ainda mais bicharoca aos episódios desta temporada:
13. The Waldo Moment (S2, Ep3)
12. The National Anthem (S1, Ep1)
11. Men Against Fire (S3, Ep5)
10. Playtest (S3, Ep2)
9. Be Right Back (S2, Ep1)
8. Shut Up and Dance (S3, Ep3)
7. Fifteen Million Merits (S1, Ep2)
6. White Bear (S2, Ep2)
5. White Christmas (S2, Ep4)
4. Nosedive (S3, Ep1)
3. Hated in the Nation (S3, Ep6)
2. San Junipero (S3, Ep4)
1. The Entire History of You (S1, Ep3)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

I believe in angels

Artigo porreiro da melhor série do mundo. Numa altura em que o genial especial de Natal tinha acabado de passar por aqui. É cada coincidência que parecem duas. E como também me acho pecaminosamente envolvido com Black Mirror, deixo aqui o meu top e depois os ABBA. Por esta ordem. 

7. The Waldo Moment
6. The National Anthem
5. Be Right Back
4. Fifteen Million Merits
3. White Bear
2. White Christmas
1. The Entire History of You


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Não se esquece

Toby Kebbell. Assim de cor não sabia mas a notícia ensinou. Novo Doctor Doom no novo quarteto. Aquele com putos giros, cheios de esperança. Cada vez maior. Não é pelo tresloucado acto de RocknRolla mas sim pelo protagonismo de The Entire History of You, episódio 3, temporada 1, de Black Mirror. Há por aí interesse no salto, o do costume, mas não vão em cantigas. Sentem-se lá no sofá e desfrutem desta maravilha sci-fi. Confiem. 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O urso branco


Numa folga apanhei o primeiro episódio, o do porco. Depois disso maratona até ao recente. Já aqui guardado, mas que por questões de logística nunca tinha saído da caixa, Black Mirror divide-se - até ao momento esperamos nós - em duas temporadas de três episódios cada. Diferentes onde voltamos ao zero a cada novo capítulo, com a premissa comum do poder das novas tecnologias na sociedade atual. Disparando para todo o lado, conquistando terra e céu profundo, variamos não só nos temas - e questões, tantas questões - como no modo gráfico que eles nos são apresentados. Pequena relíquia televisiva que merece todas  as cervejas e horas de bar, a discutir qual o seu melhor momento. Para mim White Bear, a montanha-russa que faltava a este ano de televisão. Absolutamente fantástico.