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A mostrar mensagens de Janeiro, 2015

V de Família

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É uma festa , como a própria música indica. Maior, pois não se prende à apetecível transposição do típico para o não típico, com a barreira anónima do sketch . Criam-se laços, para que a fotografia final seja de facto a família, e aí nós podermos de facto ser um deles. 

Noturno

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A chantagem ao jantar é demolidora. Mas o mais viscoso - e extraordinário - desta interpretação é a forma como ele se encolhe, já perto do final. Escondido até ao limite do ângulo; monstruoso, ausente. Não há de facto nada, e isso, sobrepõe-se ao voyeurismo, colidindo de cabeça com os nossos tremores. Isso, mete realmente medo. Gyllenhaal é o melhor, e oferece o melhor. Cada vez melhor.

Cut Away!

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E o que é que falta a esta sexta-feira? Perguntam vocês. Obviamente a cena do Drop Zone em que o fininho salva o outro puto maçarico.  Melhor filme de ação com paraquedas. Só não é o melhor Snipes devido ao Passenger 57 . Com o mau mais malino que alguma vez pisou um avião.

Pré-escolar

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Mas quem é o parvo que vai comprar uma boneca destas para dar à esposa? Porra, a sacana é do mais tenebroso que pode haver, óbvio que ia dar merda. Ainda pensei - sou grande contra argumentista - que o marido era mau, ou que o padre era da seita, ou que o bebé estava possuído. Mas não, era só mesmo mais uma tábua rasa , para ver e cuspir fora.

Toca a sirene, é genial é

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Reduzir Man Seeking Woman a um parágrafo otário, sobre o amor, metáforas e outras despesas da vida, parece-me de todo injusto. Idiota. É a melhor série de comédia do ano, com uma das melhores cenas de comédia de sempre (num bunker). Ainda só saíram dois episódios e ainda só estamos em janeiro. Eu sei, é assim o amor. Foda-se, idiota.

Leva lá a cena para a casa

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Quatro mil quinhentas e oitenta e quatro nomeações incluindo a de melhor "tens de ver já esta merda senão morres!". Ok, ok, Birdman , sou todo teu. E pronto. Sacana do rato. Eu gosto de um bom exercício, mas o exercício tem de servir o filme e não o contrário. Regra que se aplica a pequenos malabarismos e que ganha completa forma, quando a façanha é a totalidade do conteúdo. A suposta sequência e seus tambores são uma pequena maravilha, um frenético impasse à De Palma que se encaixa. Durante algum tempo. Depois vêm os outros requisitos e aqui o passaroco nem chega a levantar voo. Precisamente porque não deixam: o fecha e abre não facilita a decisão, como se a própria obra andasse perdida, retirando a respiração necessária. O peso, se este é o teu canto, falta-te tanto peso. Tanto de visceral, na relação com o passado, com o herói que foste outrora, devia crescer, devia rasgar a tela em asombrações e projecções, destruir, sangrar; a voz, a única que temos, devia rebentar-n

Que engraçado, são as duas sobre vírus

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O sábado virou fantástico, que nem urro daqueles programas antigos da SIC. Com saltos e badochas semi nuas. Helix e 12 Monkeys , duma acentada só, duas xungalhadas da Syfy. Mas daquelas da pesada. Epá sim. A primeira porque não tem regras absolutas nenhumas, e continua, ciclicamente a reformular-se dentro do seu universo demente. Com flip-flops e outras façanhas. Gore no ponto certo. A segunda, é um bocado mais mansa e é uma cópia. Porém, tem um gajo que recua uns anos e depois volta. Viram eu a evitar o cansativa referência às palavras "viagens no tempo". Sou tão astuto.

Anyway the wind blows

Em 2012 prometi que deixava aqui, todos os anos, a intro de Tropical Heat . Falhei depois e depois. Estou a dever duas à casa, maravilha. Até devia ser mensal, que é só assim o melhor genérico com a melhor canção da melhor série de sempre. Incha.

Astrid Bergès-Frisbey

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Estava a ver o I Origins e a pensar: mas de onde é que eu conheço esta macaca? Que me faz assim, por instantes, esquecer a Brit Marling ?!? Só depois é que clicou. Era a sereia do último Omoplatas das Caraíbas, de quem o padre o gostava e depois andava num tanque lá de um lado para outro. Enfim, já está identificada , historial concluído; posso guardar o ficheiro em paz no meu arquivo.

Piada um bocado relacionada com os Óscares

O Imposto Municipal sobre Imóveis era passado da cabeça. Gritava, partia tudo, empurrava e batia. Cuspia, e ninguém percebia. Era um louco, para os outros habitantes da aldeia. Um dia juntaram-se todos para o expulsar do pequeno sítio. Ele, amedrontado, prometeu que iria mudar. A partir desse dia começou a fingir-se normal, respeitável e amável. Porém, o bombeiro Tiago sabia que aquilo era só fachada e dizia que ele estava a jogar.  Sabem qual é o filme? O Jogo do IMI tá são.

Janela indiscreta das viagens no tempo (ui que polémico!)

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Não vou estender a passadeira. Fartos dela andam vocês: lá vem o pastel das viagens no tempo. Hoje salto o resumo, palavras-chave e introdução. Directo ao método de Time Lapse , que praticamente me caiu no colo. Nunca antes ouvido ou conhecido, apareceu gordinho a pedir carinho. Em boa hora. E continuo sempre de renovada fé porque encontram-se sempre novos rumos. Mesmo dentro de tamanho cubículo. Os atores não são a última maravilha da indústria mas o mecanismo simplista das fotografias, um único cenário e um final extraordinário, fazem desta obra uma instantânea gema. Espectáculo.

Possivelmente o melhor final romântico onde alguém anda em cima de uma série de cabeças de sempre

Sempre confiei em ti

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Lance Reddick sabe escolhê-los. The Guest e John Wick . Ligação reforçada numa dupla que tomou de assalto as boxes. Férteis exemplos do ano, do sítio e do que queremos. Foda-se é isto mercenários maricas. Custa assim tanto. Se calhar custa. Até porque o que mais admiro em John Wick é conseguir quebrar as regras. Assumir o herói como personagem, do filme dentro do filme - lembrei-me de Last Action Hero - do nome que todos já conhecem, que sabem. A cena com o polícia é qualquer coisa de genial: ah ok voltaste a trabalhar, então não te empato mais. Como quem diz: vai lá entreter estas pessoas que isto é tempo morto. Para além de saltar a barreira tem a melhor cena de ação de 2014, um festival sensual de corpos e sangue, suave, como assim deve ser. Parecia um cachopo, a olhar para tudo, guloso, enquanto a música ferrava, para não mais sair. Espectáculo.

Críticos do Público dão uma estrela às nomeações dos Óscares

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Tem mesmo de ser? Sim é melhor. E pronto, é um bocado como as notícias do calor em outubro com obesos na praia. Podem ser do ano passado que ninguém nota. Assim a lista dos ilustres, nas categorias enjoativas que a Academia gosta, oferecendo a fugaz ilusão de heterogeneidade. Filme verídico espeta secas sobre racismo, check. Filme de guerra mais ou menos inglês, check. Filme de guerra mesmo americano, check. Uma mente brilhante parte 2, um filme qualquer do atchim nharritu - não interessa nunca o que é - e uma obra de autor (sim eles importam-se muito), check, check, check. O filme que já ganhou, check. E o porquinho Babe, check. Uma nota de espanto e outra de revolta. A primeira o facto de Boyhood ser um bom filme, coisa rara nas últimas trampas que têm levado o mastodonte. A segunda Whiplash ser o porquinho. Não merecia, tem pujança a mais para isso, para a pequenez fofinha da misericórdia. É seco, musicado até à exaustão, com as notas a bater obssessivamente, até sangrar. O

Longa vida à série! (Parte 2)

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10 – Friends Enquanto uns são esquecidos, outros são constantemente recordados. Nunca saem realmente de moda, quer nas reposições, referências ou visibilidade dos protagonistas. Terminaram há 20 anos, mas todos os anos lá temos novas listas, novos momentos, novos rumores de reunião e, claro, nova maratona dos episódios todos de seguida, que usualmente termina em desidratação e urgências. Mas não deixa de ser muito engraçado. Não é, mas prosseguindo, de todas as celebrações dos 20 anos esta é capaz de ter sido a mais notada, falada e comentada. Para onde quer que se olhasse lá estavam eles, citações, abraços, choradinhos e aquele fado de que nunca mais uma comédia voltará a ter aquele impacto. Até abriram um Central Perk de verdade, onde uma horda de saudosistas se podem sentar no sofá laranja, tirar fotografias e beber café, como os verdadeiros fictícios faziam. Loucura. As filas são de facto extensas para se poder compreender tamanho impacto. “So no one told you life was gonna be th

Peggy oh Peggy

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Ainda não vi mas este poster à Dick Tracy tira-me do sério.

Cartaz oficial do I Congresso Internacional de Cusacks

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É já nos próximos dias 27 e 28 de junho de 2015, no Centro de Congressos do Estoril, que terá lugar o I Congresso Internacional de Cusacks. Já com alguns Cusacks de peso confirmados relembramos que continuamos à procura de artigos, posters e comunicações orais para enriquecer estes dois dias de partilha, saber e cinema. Mais novidades em breve.

Pikes

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Pintado à mão

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Tenho um problema, quando se trata de rir. Sou complicado, não digo que pareço uma gaja porque aí ia parecer sexista, machista, la la la. Complexo e misterioso, como elas gostam, e lá está o porco do estereótipo de novo. Comédias puras, lá sai uma gargalhada, mas se for cruzamentos, ui, ainda pior. Então Housebound , que consegue encontrar um equilíbrio tão apurado, tão sossegado e pacífico, que chega a gritar milagre. Delicado na forma como mistura o caricato e o assustador, fazendo desta união o único sentido, linguagem universal. E resulta. Parece fácil, mas é tarefa monstruosa de um realizador empenhado e artesanal, de um conjunto de atores de topo - porra Morgana O´Reilly ! - e de uma reinvenção do dicionário do fantasmagórico. Genialmente divertido, é uma das grandes surpresas cinematográficas de 2014. 

Parolos de Ouro

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What the fuck is SIC Caras? Qual é o sentido de um canal só com grandes planos? Fogo, esta foi muito boa não foi? Mas pronto, não tenho este canal choné, sou da concorrência e assim não pude assistir. Porém já me fui informar. E não percebo qual é a ideia de rotular Ruth Wilson como surpresa? Quem é que ficou surpreso? Só se for de boca aberta pela justiça, porque desde Luther que não há dúvida: melhor adição feminina à televisão da última década. E o que ela faz em The Affair é igualmente genial, uma representação dupla, contida ou explosiva, solta ou sofrida, é avassalador. Uma presença, uma figura. A chorona e as outras que me perdoem, mas não há hipótese.

Terra Média Salgada

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O Tozé Martinho da Nova Zelândia presenteia-nos então com o seu suposto cisne cantante . Bateu no tecto: com o seu umbigo gordo, às vezes magrinho, cheio de si mesmo, dos mesmo planos e de um bacoquismo sem precedentes. O amor virou gula. O encanto virou avareza. E nós no meio, de intermináveis planos de luta, que respiram cansaço, sem personagens, sem inteligência, sem um pingo. Chega a ser criminoso, transformar estas páginas em tamanha novela, mas não outro descritivo: o gajo mata logo o dragão, depois vão chegando exércitos para dar sentido ao título. A elfa gosta do canocha, mas não dá, o Legolas botox não deixa. Porque também gosta dela. À noite vão os dois ver os morcegos numa ação de Ciência Viva no Verão. Entretanto o rei dos baixinhos fica maluco e trata mal um dos outros baixinhos, os outros 36 não abrem a boca. Os bons vão dar tau tau uns nos outros mas chegam os maus e todos vão bater nos maus. Inclusive os coelhos, os ursos e as águias-de-bonelli. O maluco deixa de es

Bocas de apito

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Um Cubo de Rubik. Caótico e desordenado, dentro da sua própria forma. A anarquia das cores não lhe tira unidade, e vai se mutando. Vermelho pr'a cima, obrigando um verde a saltar de face. Todos os dias, dia a dia. Porque afinal as pequenas peças gostam de ali estar, é a sua orgânica. E inspiram, e expiram, como se de ar puro se tratasse. Uma vez por ano alguém agarra nelas todas; são tantas, como? O cubo tolos, agarra em todas no cubo e alinha as cores. O amarelo pode finalmente estar no vértice do laranja. Pode finalmente. Parece um jogo, mas é mais. Os TCN são mais, são a magia cúbica de uma blogosfera arco-íris. Que continuamente se renova, que continuamente persiste. Que se sintoniza, sem pressões, sem merdas, para rir e conhecer. Para manter viva a ciclicidade apaixonada. Com rasgos únicos, que nos fazem recordar gala a gala. Uma enorme Tuxa, um apresentador (sempre) em grande forma, posters do caraças e o melhor vídeo do ano (autoria do tio Xunga ) fazem desta única. Com

Poema ao Empire Records

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Eu era puto, a Reneé era boa a saudade, essa outra magoa, magoa.

Para o carro, e para a vida

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Mason, I wanted to give you something for your birthday that money couldn’t buy, something that only a father could give a son, like a family heirloom. This is the best I could do. Apologies in advance. I present to you: THE BEATLES’ BLACK ALBUM. The only work I’ve ever been a part of that I feel any sense of pride for involves something born in a spirit of collaboration — not my idea or his or her idea, but some unforeseeable magic that happens in creativity when energies collide. This is the best of John, Paul, George, and Ringo’s solo work, post-BEATLES. Basically I’ve put the band back together for you. There’s this thing that happens when you listen to too much of the solo stuff separately — too much Lennon: suddenly there’s a little too much self-involvement in the room; too much Paul and it can become sentimental — let’s face it, borderline goofy; too much George: I mean, we all have our spiritual side but it’s only interesting for about six minutes, ya know? Ringo: He’s f

Lembrai-vos

Dos 3871 tops de 2014 que vi, nenhum, mas mesmo nenhum, trazia Calvary nas suas linhas. Se trazia por favor não digam porque assim este lamento perde de imediato seu propósito. E lá está, lamento, será mesmo lamento? Será que a minha fé de facto queria esta justiça bacoca? Será que o Oscar para Brendan Gleeson - que sim é o melhor papel dos anos todos - não iria amortecer esta minha devoção? Sei lá. É um estrondo de  filme, com uma banda sonora poema, que filma um mundo não maravilha. Mau, mesquinho, merdoso. Merece tudo, mas merece acima de tudo ser visto.

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No fundo é positivo, ser um maçarico, com tudo para ver. Posso brincar aos inícios e finais. Posso de facto escolher qual a primeira grande viagem de 2015. Que apetece logo é pintar, pendurar e vaguear, nesses longos corredores agora pintados e pendurados.