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A mostrar mensagens de Agosto, 2018

A resistência tagarela

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Richard Linklater continua a querer conversar. E só essa gana de diálogo, de o escavar, seja por que portas e travessas, deixa-me sossegado. Confiante. Tudo para aquela cena do comboio , em que os velhos amigos se salpicam em velhas histórias, de intimidade e saudade, tão ao sabor da verdade que queremos ficar ali o resto da viagem. Não tinhas de sair? Não. Não tinha. 

Essa é a cara dele em pânico

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O Tom Hardy dos pobres foi pedir um Venom aos pais, para o Natal. Eles despacharam logo a coisa e ofereceram-lhe afinal, surpresa das surpresas, o Robocop , o Transcendence e o Death Sentence . Sortudo. Esta reciclagem de Upgrade , apesar de suscitar sempre aquela reviravolta ocular ao início, poderia ser superada se o filme tivesse força e identidade. Se fosse claro quem é e nas suas referências escrevesse algo visível para  o espectador. Mas não, acaba por cair às mãos de diálogos frouxos e de um elenco que já não se pratica para produções acima dos mil euros. Quando o vilão espirrou juro que ouvi um bom ator a morrer de ataque cardíaco, algures no mundo. A própria ação é demasiado segmentada, falta-lhe massa para desenhar uma mitologia, para nos poder engolir. Desculpa lá moço, aqui não chegou. 

Capitão Falcão, onde estás tu amigo?

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Seria injusto dizer que o que se esconde por debaixo é indecifrável ou invisível. É clara a intenção de um mosaico de histórias meio perdidas, meio chungas/sci-fis, naquela onda grindhouse onde  Blood Drive leva a taça de um bom passado recente. Mas supostamente seco este é um formato bem escorregadio, não tanto pelo carácter revivalista mas mais pela (aparente) ausência de regras. E é aqui, neste mais olhos que barriga, que Linhas de Sangue se estatela ao comprido: não percebe o que cabe e o que não cabe. O que é e o que não é. Com isso perde-se foco, perde-se tom e acima de tudo perde-se a ideia. Se segmentos como o da Marina Mota são exemplos do que o todo poderia ter sido - uma sequência com graça, sólida, bem desenhada - os restantes tomos são caricaturas dos seus próprios esquissos, descontrolos totais de realização e representação. Humor pateta, pobre, sem tempo de entrar nem tempo de respirar. Mesmo quem resista duas horas à gritaria é trespassado por um final apressado,

Arranha pouco

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Toda a gente a gabar o Tom Cruise no último Missão Impossível e ninguém se lembra, que mesmo ali ao lado, está um trabalho/entrega/esforço cem vezes maior. Sim, muita gente não sabe mas Dwayne Johnson saltou mesmo daquele guindaste para um prédio de 300 andares em chamas no seu Skyscraper . Mais, ele cortou mesmo a perna - direita ou esquerda, já não me recordo - para o filme ser mais realista. Ela agora cresce, porque é o The Rock, mas mesmo assim chiça! Se isto não é trabalho de ator não sei o que será, sinceramente. Quanto ao filme, para além daqueles insistentes suspiros por Neve Campbell , resumimos a coisa desta forma: todas as cenas do Die Hard que correram bem neste aqui correm mal. Tudo o que resulta no outro, neste não existe. Parece uma peça da escola, mas sem pais e, mais triste, sem palmas.

Teremos sempre Paris. E zombies.

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Tenho para mim, que quando recorremos a outros títulos para caracterizar/descrever/definir o título atual, a coisa falhou. Não há autonomia nem embate suficiente para o clássico "pelas suas próprias palavras". Claro que depois nos caem no colo desafios mais híbridos, para os quais tentamos desesperadamente encontrar soluções originas. La nuit a dévoré le monde é um desses malandros: uma adição inteligente ao género zombie, que sabe jogar de forma exemplar com os escassos recursos e as poucas peças que tem ao seu dispor. Porém, e agora vem a cara triste, não deixa de ser o casamento poligâmico do REC com o Cast Away e o 28 Days Later .