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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Polígrafo - The Materialists


[SPOILERS] No filme The Materialists a personagem de Pedro Pascal faz um aumento de pernas de 15 centímetros, é possível?

Sim, o alongamento ósseo existe, feito geralmente nas tíbias ou fémures, usando hastes internas ou fixadores externos que vão sendo ajustados pouco a pouco para estimular o crescimento do osso. O alongamento é feito em etapas de cerca de 0,75 a 1 mm por dia, totalizando no máximo 6 a 8 cm por osso em pacientes adultos. 15 cm num único procedimento não é considerado realista nem seguro, pois iria aumentar as hipóteses de complicações.

Fonte: ChatGPT

segunda-feira, 10 de março de 2025

Aquiles, dancinhas e jacarés

Gosto sempre de uma boa macacada nos créditos finais. Desde o Bring It On que criei este laço com pessoas embriagadas a fazer uma série de dancinhas, com mais ou menos piada, utilizando uma canção estandarte do filme. Este You're Cordially Invited faz isso com Islands in the Stream, o clássico de Dolly Parton e Kenny Rogers. Para além disso, tem jacarés, outra fraqueza aqui da casa. É um tronco a boiar? Nope, é o cabrão dum jacaré porque esse bracinho não se arranca sozinho, e atenção que o The Bayou já aí anda. Somando estrela com estrela, temos então esta categoria única e irresistível de "Filmes com jacarés e dancinha no final" que poderá evoluir um dia para "Filmes com jacarés a fazer dancinha no final".

sexta-feira, 7 de junho de 2024

As reviravoltas do universo aranha

Intitulava-se "O bom, o mau e a antecipação". Focado no universo aranha. Não é nesse, é mesmo no universo de filmes de terror com aranhas; sem os linguadões de pernas para o ar. Pronto, então, o bom ia ser o Vermines, o único que tinha visto na altura que engendrei o título. O mau ia ser o Sting e a antecipação o remake do Arachnophobia. Só que a vida está cheia de surpresas e afinal o Sting é mais ou menos. Armei-me em Nostradamus fanfarrão e esta história de uma miúda que adopta uma aranha alienígena tem algumas picadas dignas de registo. Gore e asco necessários para um filme de criaturas; o crescimento da antagonista acompanha bem a expansão dos outros inquilinos no prédio e o mecanismo Alzheimer é usado de forma inteligente para duplicar o medo. Por outro lado as interpretações não são as melhores e desperdiça uma boa analogia (na banda desenhada) para fortalecer as suas teias. Conclusão, se a vossa religião só vos deixar ver um filme de aranhas fodidas este ano vejam o Vermines. Se não tiverem restrições, não ficarão mal servidos com uma sessão dupla. 

Então e o Arachnophobia? Ah pois é. Ia acabar o texto, até porque tenho um suflê de peixe para fazer, mas posso ficar mais umas linhas. Ao que tudo indica é sequela de legado, produzida por James Wan e realizada por Christopher Landon, daqueles filmes simpáticos onde ela morre todos os dias. Não tenho muito mais informação para vos dar. Possivelmente vamos ter direito ao Jeff Daniels em modo Bill Pullman no Independence Day: Resurgence, já velho e senil, "ninguém acreditou em mim!", e depois o neto, mais os amigos, que descobrem um velho barracão, e mais não sei quê. Ah e claro, muitas, mas mesmo muitas, aranhas em CGI.

sábado, 18 de maio de 2024

Os segundos dois minutos

Depois do filme andei ali, no turismo dos tristes, de seta em seta no Google Maps à procura dos sítios. E enquanto o amigo Daniel Louro - do The World is a Set - não vai a Quioto temos de nos contentar com este link farsola. River, antes de ser fantasia é um espaço, uma estalagem real que recobre o filme de autenticidade. É ela que impõe o sentido de repetição: quão monótono pode ser aquele trabalho? Quão fechado é aquele microcosmos? É ela também que reformula o género ao apresentar o time loop de dois minutos - o segundo na filmografia de Junta Yamaguchi - como um problema local, estilo corte de luz ou falta de água, que tem de ser resolvido para bem estar dos hóspedes. Se a obra anterior funcionava em plano sequência entre dois andares e dois monitores, esta eleva a fasquia ao fazer um reiniciar geral à beira rio a cada dois minutos; mecanismo muito difícil de manter mas que se segura com uma criatividade, fotografia e um painel de personagens invejáveis. Cada volta é única. E eu a contar os minutos para a próxima.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

O frio chegou e veio para ficar

Três coisas que me congelaram o ânimo neste Ghostbusters: Frozen Empire. Primeiro, voltar à cidade voltando as costas à mesma. É surreal regressarmos a Nova Iorque e estarmos enfiados em salas e salecas. Com exceção da cena de abertura - melhor sequência do filme - mais nenhum momento usa a metrópole como personagem, como energia primordial dos Caça-Fantasmas; as pessoas, as multidões, a festa. Desapareceu tudo. Em segundo, a praga de humanizar todo e qualquer antagonista. Neste caso os fantasmas, com um arco à la Casper (1995), que tem tanto de desnecessário como de profundamente infantil. Os fantasmas são os fantasmas foda-se, monstros que podem ser familiares, mas que são bizarros, descontrolados e assustadores. Por isso é que são caçados. Era carregar no potencial do vilão e explorar toda a (interessante) mitologia dos cavalheiros do fogo. Em terceiro e último lugar, a velha guarda de papelão. É desolador ver Venkman, Stantz e Zeddemore transformados em bibelôs de uma nova geração sem tempo cómico, sem vida e sem diálogos de jeito. O primeiro quarteto vivia das diferenças, das peripécias e da amizade. Não lhes dar a devida digestão e dimensão dos 40 anos depois, torna tudo num enorme quartel, gelado e vazio.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

A ternura dos 60

Senti falta daquela amargura. Nem foi bem da amargura, mais do desconforto. E de uma irreparável tristeza que sempre acompanhou Payne na maior parte da sua obra. The Holdovers é muito mais optimista (e muito menos sincero). Porém é cinema de lareira com L grande: trio de luxo, belíssima fotografia e uma daquelas bandas sonoras para o caminho.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Asgard Pelos Ares

O Russel Crowe bem pergunta, no finalzinho, cena escondida: quando é que os deuses passaram a ser uma anedota? De facto. Qual foi a curva onde o nosso Thor virou paródia de si mesmo? Chegamos aquele ponto de marinbanço total pela personagem, onde a tragédia e a impossibilidade dos dois primeiros filmes (meu querido The Dark World foda-se) são desperdiçadas num caldeirão exausto de sketches, cabras e rock'n roll. Novos mínimos na casa do tio Feige.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Rothaniel


Um espetáculo sem piadas de transexuais, asiáticos, genitália ou Twitter. Uma hora que foge desse remoinho episódico para se centrar na cadeira, no micro e na pessoa. Muito singelo o segredo, muito singelo o desabafo. No falar do que não se fala. Dos ângulos mortos presentes na vida de todos. Uma lição de comédia com um dos nós finais mais bonitinhos que vi este ano.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Buscando visa para un sueño

Nestas bicas cinéfilas, entre um curto e um pingado, discute-se muito a questão do momento. Do filme chegar naquele tempo, e de isso virar parte da obra. Ou para os cínicos, parte de como se recebe a mesma. Nunca pensei muito nisto, por razão nenhuma em especial. Mas levei com a onda em cima, há umas semanas. A verdade é que não há dia mais acolhedor para Caro Diario como hoje. Como se os 40 fossem agora bilhete para me sentar com o Moretti neste roteiro pela sua cidade, suas ilhas e suas dores. Um filme cheio de ternura (lá está), que continua a ser completamente diferente de tudo. Uma festa de sonhos, como este de um dia saber dançar. Jennifer Beals?

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Para o infinito e muito mais além


Diretamente para o Panteão das Maravilhas de Ficção Científica Feitas com Sete Euros, lado a lado com o Coherence e Primer. É sempre um deleite percorrer um filme que com quase nada passa por todas as casas possíveis e imaginárias. Com um pé numa premissa relativamente simples - um dono de café descobre que a sua televisão projeta dois minutos no futuro - entramos num crescendo hilariante de possibilidades: dei por mim a parar e a rabiscar num cadernito aquelas contas de cabeça, no complexo frente a frente de monitores. Puxa por nós porque segue exatamente o que nós tentaríamos fazer. Divertido, prático, inteligente, Beyond the Infinite Two Minutes é um take único de 70 minutos que vos vai carregar as baterias para o resto do ano.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Bonecas, comboios e desilusões

A segunda temporada de Russian Doll faz exatamente o que o segundo filme do Happy Death Day fez: passa de um loop temporal para uma viagem no tempo. Mas ao contrário deste último, que subiu um degrau, a nova aventura de Natasha Lyonne não consegue manter aquela energia do primeiro acto, da primeira morte, ou da primeira morte muitas vezes. Arriscam é certo, num comboio familiar, no carril do luto, mas é tudo pouco claro, com muitos ramos que não levam a lugar algum (o arco do Charlie Barnett então é completamente desaproveitado). Faz falta aquela armadilha temporal, aquela charada que vamos destapando e resolvendo. Fica outra coisa muito diferente, bem feita, mas muito diferente.

quinta-feira, 21 de abril de 2022

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Sometimes people explode

Ainda do Moonfall, percorrendo o terreno minado que é o seu elenco, rebentei no Charlie Plummer. Que entra no Spontaneous, uma comédia bestial onde os adolescentes começam a explodir sem mais nem menos. Daí até ao seu monólogo final foi um salto. Está aqui. 

domingo, 20 de março de 2022

Bye Bye Bye


Red Rocket é o melhor de 2021 que não pus na lista de melhores filmes de 2021 porque na altura, em 2021, ainda não o tinha visto. Florida Project já me tinha encantado mas este regresso ao desencanto é ainda mais hipnótico. Sean Baker transforma toda aquela américa esquecida, pobre, suada, fabril, em quadros do Hopper, coloridos, vibrantes. Veja-se a loja de donuts, ali no meio. É tudo muito sonhado, ou a caminho do sonho sem nunca lhe podermos tocar. O próprio Simon Rex vive numa corrida entre um futuro impossível e um passado fantasioso, preso nesta passagem para lado nenhum. É um filme extraordinário, que serviu também para descobrir a talentosa Suzanna Son.

domingo, 13 de março de 2022

Ecos de um regresso ao futuro

Antes do filme propriamente dito: malta, alguém tem de parar com esta coisa do rejuvenescimento de atores. É estranho, desajustado e não resulta. Aliás, sabem quando é que uma brincadeira destas realmente funcionou? NUNCA. Ainda acordo a meio da noite com aquele Luke Skywalker. É como alguém com espinafres nos dentes, à nossa frente na mesa, e não conseguimos olhar para outro lado. Desconfortável, como esta personagem que tem de encontrar o seu eu mais novo. Metam outro ator, há gente tão parecidinha foda-se. Quanto ao The Adam Project, arranca muito bem, com um humor pespineta e umas ligações inesperadas. Depois, ao entrar no segundo ato, perde o cordão/condão que o trazia, seguindo para uma narrativa meio trapalhona e atabalhoada. Os próprios diálogos acabam por se simplificar em tiradas lamechas, num comboio demasiado previsível. Gosto sempre de viagens no tempo mas depois de Free Guy estava a espera doutra montanha-russa. E não de um passeio às voltas num barquinho. 

terça-feira, 8 de março de 2022

Segunda boa surpresa do ano

Este filme prova que os créditos iniciais são como o natal, quando uma pessoa quiser. Tomem lá. E é nesse sentido meio desafiador que Fresh vai povoando géneros, dobrando expetativas e enchendo o écran de um colorido guloso. Uma Daisy Edgar-Jones em apuros - não conhecia, bela surpresa - a fazer frente a um Sebastian Stan em altas - o sacana vai a todas - num rodopio demente e violento, duro e solitário, mas com a jinga necessária de um baile fora de horas. Valente estreia de Mimi Cave nas longas metragens. Queremos mais petiscos destes.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Our love is alive, and so we begin


Ainda naquele balanço balnear da banda sonora? Também eu, não sei como sair. Ou melhor, não sei se quero sair. Só a confiança de um Paul Thomas Anderson para pegar em dois "não atores" e os colocar a flertar durante duas horas. Para o total deleite de quem assiste. A somar a esta festa, uma outra: voltei a pisar uma das salas do antigo Cine-Teatro Avenida*. Há mais de 15 anos que não entrava lá e afinal passou só um dia. As vitrines, os posters, os lobby cards. A Casa do Cinema de Coimbra a afirmar-se como uma alternativa vital, com uma programação recheada, bilhetes em conta e um espaço que se ergue como um forte da nossa memória/cultura cinéfila.

* na companhia do amigalhaço e membro honorário da resistência Pedro Cinemaxunga, autor dessa bela chapa.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Electric Avenue

A aquecer para o Jackass Forever com aquele que é possivelmente o meu sketch favorito de toda a saga: Electric Avenue. Continua a fazer-me rir. Sempre.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Dos Oruguitas

Confesso que na altura não me encantou. Estranhei a forma: não nos dão vilão nem explicação, muito menos caminhadas e aventuras. Há uma casa, há uma família. A precisar de ser salva. É isto. E é preciso parar, digerir, para sermos de factos arrebatados com os abraços. Encanto vive nesse apelo discreto, da força da cultura, das origens, dos nossos. De quem gostamos e voltando a olhar, é tudo tão bonito. Como esta canção, uma festa de memórias, conquistas e outros sonhos.