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quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Asgard Pelos Ares

O Russel Crowe bem pergunta, no finalzinho, cena escondida: quando é que os deuses passaram a ser uma anedota? De facto. Qual foi a curva onde o nosso Thor virou paródia de si mesmo? Chegamos aquele ponto de marinbanço total pela personagem, onde a tragédia e a impossibilidade dos dois primeiros filmes (meu querido The Dark World foda-se) são desperdiçadas num caldeirão exausto de sketches, cabras e rock'n roll. Novos mínimos na casa do tio Feige.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura - Segundo Take

Eu e o António (Segundo Take), cada um no seu universo - descubra as diferenças no cenário - a tentar alguma sintonia no que ao Doctor Strange diz respeito. Mais um filme da Marvel? Mais um filme do Sam Raimi? Há espaço para os dois? Estas e muitas outras respostas numa horita de conversa da boa que passa a correr.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Continuamos à espera do Life 2

Pensava que era bem pior. Não pensava nada. Não tinha era ainda usado o "pensava que era bem pior" este ano e Morbius pareceu-me o momento certo. É claro que alguma coisa correu mal aqui: o filme caiu ao chão e alguém perdeu as instruções de montagem, se calhar. Nada realmente encaixa, não temos transições ou construções (ainda mais prementes numa história de origem). Toda a dualidade (interessante), quer do Morbius quer do vilão, e da relação de ambos por arrasto, é descartada, em prol de um argumento piloto automático e de diálogos francamente desinspirados. Achei piada aqueles efeitos arrastados e ao colorido das lutas, mas pouco mais há a retirar de um pupilo que podia ter tido em Blade uma óptima inspiração. Na verdade é irónico que num filme de vampiros corra tão pouco sangue naquelas veias. 

segunda-feira, 9 de maio de 2022

15 anos de Créditos Finais

Meio que aldrabados, porque o nino tirou aquela sabática blogger mais marota. Faz parte, acho eu. A gracinha destas primaveras reside no facto de que, 15 anos depois, no mesmo dia, volto a escrever um texto sobre um filme do Sam Raimi. Na altura o infame Spider-Man 3. Agora Doctor Strange. Bem, espero que daqui a outros tantos nos voltemos todos a encontrar, numa qualquer bizarria aventurosa deste nosso cinema.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Ó Raimi, ó que lindo Raimi


[SPOILERS] É estranho mas não começa bem. Exige logo bagagem pesada dos filmes e séries anteriores, sem tentar o mínimo de construção ou preparação. A própria edição é abrutalhada (veja-se a cena do casamento), levando-nos aos tropeções até uma personagem nova. E aqui, outro problema: America Chavez, sem a experiência nem o carisma para conduzir este primeiro arco buddy avenger. Possivelmente o primeiro grande erro de casting do MCU. Assim que a câmara vira, assim que o Sam Raimi se ambienta, tudo muda: passamos a ter o terror da perseguição, apertada e sanguinária, uma Wanda em modo Carrie, a levar tudo a frente e um Doctor Strange a percorrer-se. A questionar-se. É o coração do filme a aparecer aos poucos, como o sol por cima das nuvens. Na recta final então, já estamos todos lá: nas notas musicais de um duelo ou nos demónios à volta de um zombie. Eficiente, inteligente e delicioso. As páginas soltas do arranque vão-se encontrando e agregando na ideia de uma escolha, de um caminho, de um autor. Não é o desvario que ia à espera mas pode muito bem ser a loucura necessária para abanar um pouco o jogo. 

terça-feira, 3 de maio de 2022

Assim é quase uma curta


Vou amanhã. Mas estava aqui a ver a duração do filme: duas horas? Só??? Mas paguei meio bilhete ou quê? Quer dizer que vou ter de voltar para casa no mesmo dia? Que pagode é este Marvel?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Eternamente curto


O arranjinho aqui tinha de ser para uma trilogia de raíz, onde a grande escala fosse trabalhada e procurada. Todo aquele (medonho) cgi grita por grandes viagens e detalhados cenários. Vento que seja vento. Ou então, uma série de televisão vá, onde cada personagem pudesse ter o seu episódio, o seu flashback. 7000 anos têm de ser pesados, processados e transitados para aqueles nomes. É demasiado, tanto, muito, ao trambolhão e empurrão. Mas pronto, pode ser que no dia em que a Marvel faça trilogias ou séries de televisão as coisas sejam diferentes.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Spider-Man: No Way Home (2021)

 

[SPOILERS] Ninguém cantou a música do Pingo Doce nos anúncios iniciais. Mas houve palmas. Quando a sala aterrou em segurança. Não se pode ter tudo. Ganhamos umas, perdemos outras. Quem venceu decerto foram os moços que acharam boa ideia apagar digitalmente duas personagens dum trailer. Com 148 minutos de filme alguém decidiu que se devia colocar aquele conjunto de frames e depois apagar parte, com uma borracha da rotring. Para manter a surpresa. E acima de tudo a idiotice. Porque, ora deixa ver, havia tantas outras cenas para pôr foda-se. É preciso adulterar o filme? Estar a mexer à padeiro para depois ser descoberto passados escassos minutos pela mais frenética e faminta base de fãs do mundo? Filmes e séries a mais num só ano dá neste engolir do detalhe.

Já este terceiro capítulo é uma aventura que passa a correr, tendo em Holland, Zendaya e Batalon um núcleo quase indestrutível. De facto faz toda a diferença: quando eles se abraçam já perto do final, o coração está lá, no meio. Com humor e sinceridade. Sempre foi algo que gostei nestas propostas do Watts, uma certa inocência dos afetos, um amenizar das dores de crescimento. Visão mais fresca e revigorante que os anteriores: amarrados ao fado, às responsabilidades, às tragédias. Mas, e é aqui que a coisa fica interessante, este filme consegue não só apanhar essa onda do passado mas também fazer as pazes com o mesmo. Existe em Spider-Man: No Way Home todo um lado Last Action Hero que me deixou a pensar. Tenho tendência em classificar, "ah não sei quê este ator é uma merda a trepar paredes", mas o que aqui nos é apresentado, é que para além de vários Peter Parkers de vários universos, nós temos várias personagens de vários filmes. É o mesmo, mas não é. Todos eles têm o seu lugar, o seu tempo, as suas batalhas, e mais importante, o seu valor. Colocá-los em sintonia, lado a lado, é ter a noção do caminho, do cinema e do que é ser o Homem-Aranha. Falhas e marcas à parte, este respeito por si próprio já ninguém lhe tira.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

A caminho da revolução

[SPOILERS] Muito fã da persona Loki, dos seus cinzentos num universo de tons vivos. Grande parte desta primeira temporada foi esse regalo: uma cavalgada fantasiosa mundos afora, com desafios constantes no que toca à identidade, ao livre arbítrio, à solidão. As várias versões de uma pessoa a coexistir no mesmo espaço; o facto de nos podermos apaixonar e deslumbrar por nós próprios; ou sermos todos variantes de alguma coisa, linhas e hipóteses no meio de tantas outras. Lost, Devs, The Wizard of Oz, Planet of the Apes estão como já se disse, presentes neste final, que, à semelhança dos últimos capítulos das séries anteriores do MCU, acaba por me deixar um amargo na boca. Porém por razões diferentes. Wanda Vision e The Falcon and the Winter Soldier, apesar de terem oferecido desenlaces apressados (no primeiro caso) e pouco robustos (no segundo), conseguiram encerrar uma proposta, uma temporada: as pessoas saem da bolha e temos um novo Capitão. Aqui, apesar de existir segunda temporada, apesar de existir cliffhanger, havia lugar para uma conclusão. Meia hora de exposição para nos dizerem que o gajo por detrás da cortina quer exatamente aquilo que já sabíamos: manter a linha sagrada? Meia hora de exposição para sabermos que as várias linhas vão criar o multiverso - promovido já nos futuros What If...? e Doctor Strange in the Multiverse of Madness - e que isso vai ser uma grande rebaldaria? Meia hora de exposição para os Lokis se separarem, os personagens secundários ficarem ao pendurão e o "vilão" morrer para dar lugar a outro num futuro próximo. Nada ficou realmente e assim é inevitável este sentimento de passagem. Num dos textos que li hoje sobre o episódio comparavam o mesmo à cena do arquiteto no The Matrix Reloaded. Bem todos nós nos lembramos do que veio a seguir.

terça-feira, 13 de julho de 2021

Teremos sempre o Taskmaster


Ai Taskmaster, muitas vibrações Darth Maulianas, da presença maligna com pinta, cheia de pinta, pontualmente a dar o corpo à coreografia. Não é preciso conversetas, é uma questão de saber ocupar o écran, e este vilão entra diretamente para o topo da lista das figuras mais interessantes deste MCU. Depois, Florence Pugh, duas horas e vinte de Florence Pugh, é sempre pouco, mas em último caso volta-se a ver o filme do wrestling. Uma cine magnetite esta moça, cheia de genica, pronta para o legado, numa versão mais fresca que a conduzida por Scarlett Johansson. Quanto ao global, apesar de ter gostado daquele do modo G.I. Joe/James Bond, a rebentar com capitais europeias, e do final meio Mission Impossible, ficou a faltar a gravidade. Nunca conseguimos verdadeiramente sentir as cruzes da protagonista e estando ela salva de qualquer dói dói nesta prequela, é muito difícil estabelecer um ponto de contacto. Eu gosto deste bioma de intriga política e conspiração, do Captain e companhia, mas, assim como aconteceu na série do The Falcon and the Winter Soldier (em toda a questão dos retornados) faltam aqui unhas para abordar a realidade deste passado e desta "família". Pedia-se mais, mais negrume, mais fidelidade a quem, em última instância, dá o nome a toda esta história.