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domingo, 27 de fevereiro de 2022

Our love is alive, and so we begin


Ainda naquele balanço balnear da banda sonora? Também eu, não sei como sair. Ou melhor, não sei se quero sair. Só a confiança de um Paul Thomas Anderson para pegar em dois "não atores" e os colocar a flertar durante duas horas. Para o total deleite de quem assiste. A somar a esta festa, uma outra: voltei a pisar uma das salas do antigo Cine-Teatro Avenida*. Há mais de 15 anos que não entrava lá e afinal passou só um dia. As vitrines, os posters, os lobby cards. A Casa do Cinema de Coimbra a afirmar-se como uma alternativa vital, com uma programação recheada, bilhetes em conta e um espaço que se ergue como um forte da nossa memória/cultura cinéfila.

* na companhia do amigalhaço e membro honorário da resistência Pedro Cinemaxunga, autor dessa bela chapa.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Caminhos do Cinema Português - Maria Rita

Cartas de Guerra, casa cheia no Caminhos. Mentirinha, às mosquitas. O que se compreende uma vez que é nao é o único...ah é é....então é porque depois há muitas oportunidades para...ah também não há...se calhar é a puta da Marvel e pronto. O som viciante das pipocas, há quem não viva sem isso, até cair para dentro do balde. Seja como for, fotografia maravilhosa. É o primeiro arrebatamento, logo, queixo a rolar até à fila Z. De um cuidado e primor artesanal, da procura de significado naqueles grandes planos ou nos buracos. Pincelando tudo, as cartas que António escreveu à esposa. Poemas igualmente extraordinários, de saudade e sanidade, de mestria para nos tirar dali. E é isto, o filme fecha-se nesta mecânica, para o bem e para o mal. Sem rasgos, viragens, conclusões. Falta atrevimento, falta quiçá um certo colorido nas personagens e seus desfechos, falta portanto tabu.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Caminhos do Cinema Português - Sobe o calor

Não subiu calor algum. Estava a chover, frio nos pés. Mas nada disso tira a pinta de um arranque lá em cima, com a melhor vista do mundo sobre Coimbra. Atrasos (a)normais de gala, feedback nas orelhas e lá vamos. Curta Banho de Paragem, produto do 5º curso de Cinemalogia, também a cargo do festival, apesar de muito apressada e pouco fluída, revela algumas boas ideias. Especialmente o final, o enquadramento final. A seguir #Lingo, uma curta de animação sobre o poder das redes sociais, bem desenhada - muitíssimo bem desenhada - mas demasiado evidente, especialmente na tragédia. Eu sei que é trágica a ausência do presente, todos sabemos daí talvez precisarmos de outros avisos. Apesar de tudo positivo, é fodido fazer cinema e as curtas são esse esgar desesperado que eu tanto admiro. Depois a cereja do título, sobe o calor, música de Sérgio Godinho que dá o mote para Refrigerantes e Canções de Amor, ou como os outros lhe chamam, o filme do Markl. Escrito por ele, realizado por Luís Galvão Teles, conta a história de um coração partido que faz músicas para anúncios de refrigerantes e que se apaixona por uma dinossaura cor de rosa. E é em larga escala que começo, despachando, não o extinto, mas o vivo elefante: o filme mostrou-se todo nos trailers! Vendeu-se do início ao fim na promoção, todas as cartas, como se fosse preciso apregoar diferença e irreverência. Não é, deixem-nos chegar lá, deixem-nos também participar convosco. Toda a narrativa sofre, numas áreas mais que outras, deste escancaramento. Por exemplo, precisamos de ter um motivo para ela não querer sair do fato? Temos de ter razões para as nossas carapaças? Demasiado foco em mostrar e não tanto em fazer, em deixar ser, o que cria falta de ligação e fluidez, especialmente entre os dois grandes antagonistas, as duas grandes linhas. Mas, mas, é uma comédia bem disposta, com canções do caraças e que faz uma coisa difícil: não ofende. Não nos leva na brejeirice e piada fácil, do mecânico, do arroto, e dos virados do avesso. É levezita, com centenas de referências porreiras, alguns momentos muito bem conseguidos - o diálogo do hitman é um deles - e depois um supermercado como cenário. Só aí, para mim, é uma estrela. Moral da história: que fossem todos assim. E que um gajo saísse sempre de alma quente a trautear a melodia.