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terça-feira, 26 de abril de 2022

O X marca o lugar

Obcecado por este filme. Por todo e cada frame desta incursão ao slasher sulista. Vendida como homenagem, a verdade é que X de ontem só tem mesmo as medidas: Ti West apanha boleia de um verão quente para virar rapidamente à esquerda e fazer o seu próprio tempo. Há algo de muito surpreendente, original e vibrante nestes campos, sempre à espreita. Prático mas intrigante. Personagens que não precisam de causas ou traumas martelados - sim Massacre no Texas e Gritos 2022 estou a falar convosco - construções que existem nos detalhes, nas pausas. Erguendo sem nos avisar a mitologia de terror mais interessante dos últimos anos. É o grito de Jenna Ortega, é aquele olhar submerso de Mia Goth, é a Mia Goth em tudo o resto, é o filme no filme, é o Oui Oui Marie, é a prequela que aí vem, apetece falar e voltar, sem vírgulas nem pontos finais. Caraças, que bela surpresa.

terça-feira, 22 de março de 2022

Caracoladas complicadas

Há caracóis. Não há é gosma que ligue e salve este filme. Não percebi nada disto. Parece daquelas obras em que filmaram só as páginas pares do guião. É clara a ideia de um casal que se vai canibalizando e ajustando, usando os pecados do outro como combustão. Esse jogo demente, pessoal e intrincado é interessante. O problema é que não temos nem um par protagonista à altura da tarefa nem uma estrutura narrativa que nos oriente nesse sentido. Andamos à deriva num mistério que afinal não é, depois é, se calhar não é outra vez, ah olha volta a ser. Recheado de detalhes - como o seu hobby com os gastrópodes - que acabam por não ter qualquer tipo de função. E um thriller ganha-se nos pormenores. Talvez o facto de terem alterado por completo o final do material de origem - o livro da Patricia Highsmith - tenha feito com que a coisa se desencaixasse e perdesse os travões. Falta corpo, fica o esqueleto.

quarta-feira, 16 de março de 2022

O cume da saudade


Apanhei O Cume de Dante a dar na Cinemundo. Obviamente não fiquei até à parte que a Ruth falece no lago ácido, já chega de tristeza com esse sacrifício. Vi um bocado quando o vulcão começa a rebentar, e que saudades. Saudades de real caos, gente, montes de gente a correr por todos os lados, pedações de estrada a cair, carros uns em cima dos outros, edifícios a desmoronar. Tudo ali, ao virar do pedregulho na cabeça, com uma noção completa do que é a cena de ação. É assim, é manter a erupção em silêncio, para ninguém tentar fazer a desnecessária requela em CGI.

terça-feira, 8 de março de 2022

Segunda boa surpresa do ano

Este filme prova que os créditos iniciais são como o natal, quando uma pessoa quiser. Tomem lá. E é nesse sentido meio desafiador que Fresh vai povoando géneros, dobrando expetativas e enchendo o écran de um colorido guloso. Uma Daisy Edgar-Jones em apuros - não conhecia, bela surpresa - a fazer frente a um Sebastian Stan em altas - o sacana vai a todas - num rodopio demente e violento, duro e solitário, mas com a jinga necessária de um baile fora de horas. Valente estreia de Mimi Cave nas longas metragens. Queremos mais petiscos destes.

terça-feira, 1 de março de 2022

Primeira boa surpresa do ano


Filme muito despachadinho. Na lógica de uma redenção, fria e a frio. Gosto muito destes purgatórios fechados, com um grupo de desconhecidos, onde se consegue iluminar a protagonista. Para além do desconfia, do quem é quem, há um constante foco nela: no seu bater de pé perante a vida. E isso é o que segura a ação. Claro que a violência, a inventividade dos recursos - especialmente numa das armas - ajuda mas Havana Rose Liu é a definitiva surpresa dentro da surpresa. 

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Sexta-Feira 13 - Parte 8: Terror em Manhattan

 
Eh moço. Este já é muita complicado. Primeiro, a questão do título: terror em Manhattan mas só um bocadinho, à beirinha do fim, que é para não parecer mal. Uma hora para chegar a Nova Iorque e quando lá chegamos é só becos pós apocalípticos sem ninguém, com um Jason que parece o Ghostface do Scream, está em todo o lado. Até cheguei a pensar que eram dois, ou três. Sim tem aquela morte maravilhosa estilo Rocky, em que o nosso menino arranca uma cabeça com um soco e encesta-a à primeira num caixote do lixo. Bem bom. Mas o resto, anda de metro e não varre a carruagem duma ponta a outra? Quando pensamos no contexto citadino associamos logo a um massacre de larga escala onde ninguém sai ileso. Aqui não, só tinham licença para filmar meia hora e rapidamente tiveram de voltar para os cenários sombrios e para os esgotos. E não é só uma premissa que vai ralo abaixo. Toda a primeira parte do filme, que podia ser um Barco do Amor ao contrário, na tensão de "perdidos no alto mar com uma criatura", é um enorme aborrecimento. As mortes são desinspiradas, a ação é mal editada e não temos direito sequer a um mililitro de tensão. A protagonista tem uma ligação ao vilão, escrita na hora para não parecer mal, mas coitadinha, minha querida Carrie do filme anterior. O que  vale é que ao contrário dos filmes de hoje, este tem só hora e meia, passa a correr e quando damos por nós já estamos desembarcar no capítulo 9, onde o meninão vai para o Inferno.