Mostrar mensagens com a etiqueta Mistério. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mistério. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de junho de 2022

O poder do som

Encontrado numa daquelas listas de "Melhores filmes de ficção científica do ano de acordo com não sei quem e tendo em conta não sei quê". E para aqueles que, como eu, andam a ressacar desde 2013 de Shane Carruth Ultrasound é a metadona perfeita. Não é perfeito, claro, mas tem aquele charme caseiro e carpinteiro. De uma ideia clara em jeito de puzzle, onde a percepção e os espelhos são anfitriões. Não me posso alongar muito mais, para não estragar a vida a ninguém. Entretanto não se preocupem que avisei logo as autoridades competentes

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Bonecas, comboios e desilusões

A segunda temporada de Russian Doll faz exatamente o que o segundo filme do Happy Death Day fez: passa de um loop temporal para uma viagem no tempo. Mas ao contrário deste último, que subiu um degrau, a nova aventura de Natasha Lyonne não consegue manter aquela energia do primeiro acto, da primeira morte, ou da primeira morte muitas vezes. Arriscam é certo, num comboio familiar, no carril do luto, mas é tudo pouco claro, com muitos ramos que não levam a lugar algum (o arco do Charlie Barnett então é completamente desaproveitado). Faz falta aquela armadilha temporal, aquela charada que vamos destapando e resolvendo. Fica outra coisa muito diferente, bem feita, mas muito diferente.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Aqui no mar

Parece que é desta. Já com a perna toda inchada dos beliscões, mas sim parece que é mesmo desta. Avatar: The Way of Water vai acontecer, com trailer a bombar no cinema já na próxima semana. Aproveito a apneia para vos contar que só no outro dia é que descobri que o The Abyss teve uma rodagem filha da puta. Não fazia ideia: malta a perder cabelo, frio, hipotermia, quase afogamentos, lágrimas, lágrimas e mais água. Equipa toda no limite. Cameron seu grande psicopata. Mas as novidades não ficam por aqui: conheci também um final alternativo com umas ondas gigantes super manhosas. Se calhar foi pelo melhor. Tudo resumido e explicado aqui

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Maracas

Dichen Lachman faz um hat trick curioso, com Dollhouse, Altered Carbon e agora este Severance. Tudo jogos do corpo enquanto invólucro e dos muitos eus em guerra. Porém, e apesar dum papel segurinho, é Britt Lower que rouba toda a luz aos holofotes: que espectáculo, de charme, swing, negrume e desespero. Muitas saudades desde aquela maravilha que foi Man Seeking Woman. A ver se é desta que ficas por cá, porque as maracas são definitivamente tuas.


Cena de dança mais hipnotico-bizarra depois de Fresh que por sua vez era a cena de dança mais hipnotico-bizarra depois de Ex Machina

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Pontos de interrogação nas velhas caixas

Da melhor série do Stephen King que o Stephen King não escreveu: não esperava que neste final me contassem tudo, mas caraças, também não esperava que não me contassem nada. Questões em demasia não só tornam a cabeça pesada, como podem muito bem derrubar o castelo. O castelo do nosso interesse.

terça-feira, 22 de março de 2022

Caracoladas complicadas

Há caracóis. Não há é gosma que ligue e salve este filme. Não percebi nada disto. Parece daquelas obras em que filmaram só as páginas pares do guião. É clara a ideia de um casal que se vai canibalizando e ajustando, usando os pecados do outro como combustão. Esse jogo demente, pessoal e intrincado é interessante. O problema é que não temos nem um par protagonista à altura da tarefa nem uma estrutura narrativa que nos oriente nesse sentido. Andamos à deriva num mistério que afinal não é, depois é, se calhar não é outra vez, ah olha volta a ser. Recheado de detalhes - como o seu hobby com os gastrópodes - que acabam por não ter qualquer tipo de função. E um thriller ganha-se nos pormenores. Talvez o facto de terem alterado por completo o final do material de origem - o livro da Patricia Highsmith - tenha feito com que a coisa se desencaixasse e perdesse os travões. Falta corpo, fica o esqueleto.

segunda-feira, 21 de março de 2022

Kiri kiri kiri kiri kiri kiri!


Mais um filme para a noite de 24, em família. Tudo quentinho, à volta do borralho. Uma história de amor. E depois kiri kiri kiri kiri kiri kiri. Foda-se. Ainda acordo com a voz da moça. Verdade que já ia preparado, impossível não ir, passado todo este tempo e falatório: mas ainda assim Audition continua uma obra completamente inesperada, deslocada e tresloucada. Dedica mais de metade do seu tempo a colocar as peças no sítio certo para que no terceiro ato mergulhe não só na penitência - e na violência gráfica - como  numa viagem onírica cabra da peste. Ainda a pensar neste filme, ainda a pensar neste filme.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Os pecados de Harry Ambrose


A primeira temporada de The Sinner foi uma pedrada no charco. O tamanho, grau de impacto, se molhou muita gente ou não, isso debatemos depois, quando o tempo aquecer e der para ir lá para fora. Mas a verdade é que virou muito bem o bico ao prego, no mecanismo de resolução e ofereceu-nos, claro, Harry Ambrose. Um detetive em constante assombração/sofrimento, tomado de assalto por Bill Pullman. Papel de uma vida, quiçá. Era difícil manter tamanha bizarria e criatividade de acontecimentos: a segunda e (especialmente) a terceira temporadas deixaram o balão esvaziar. O "nada é o que parece" acabou por desaparecer e o interesse no crime passou a interesse solitário no protagonista. Felizmente, este último tomo, volta a trazer essa mágica inversão: uma rapariga que se suicida e a partir daí é para recuar, até montar o puzzle. Desenhado num ambiente insular e piscatório, de terra pequena, com toda uma aura de "um último trabalho", é um mistério que se constrói com mestria, onde cada episódio a faz falta na torre. Gradualmente, destapando e mantendo a nossa atenção com todos os lúmenes. Parece fácil, mas não é. Parece que há muito, mas não há. Final revigorante, até sempre Harry.

terça-feira, 1 de março de 2022

Primeira boa surpresa do ano


Filme muito despachadinho. Na lógica de uma redenção, fria e a frio. Gosto muito destes purgatórios fechados, com um grupo de desconhecidos, onde se consegue iluminar a protagonista. Para além do desconfia, do quem é quem, há um constante foco nela: no seu bater de pé perante a vida. E isso é o que segura a ação. Claro que a violência, a inventividade dos recursos - especialmente numa das armas - ajuda mas Havana Rose Liu é a definitiva surpresa dentro da surpresa. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Para sempre (parte II)

Ai séries muito parecidas com o LOST, o que eu já chorei por ti

Mas sempre, pra sempre vou gostar de ti

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Rebobinar


Já tinha ficado de olho em Mamoudou Athie, com Black Box, um competente filme de terror/mistério da série Welcome to Blumhouse. Da primeira "temporada", porque entretanto já saiu nova leva, com mais quatro obras; a ver se me faço à estrada e vejo isso tudo. Entretanto pintou clima com este Archive 81, uma espécie de Frequency (ou dos outros primos) versus The Ring versus Censor, com todos os elementos encerrados numa cassete. O digital a ser incendiado por velhos demónios, velhos ritos, de dedicação e paciência. Gosto muito dos temas, dos planos picados da cidade que se vão encafuando na obsessão e nos écrans, e claro da dupla Justin Benson e Aaron Moorhead (Resolution, The Endless) que realizou alguns episódios. Engraçado que me lembrei de Gideon Falls, uma série de banda desenhada, da autoria de Jeff LemireAndrea Sorrentino, que acompanho e que vai ter a sua adaptação televisiva também pela mão de James Wan. Se estiver a este nível podemos ficar descansados. 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Ninho de vespas


Final desolador. Yellowjackets encerra-se com uma confirmação: não na obsessão das respostas mas na sinceridade da sua narrativa. Porque desviando os seus mistérios e devaneios sobrenaturais, há um horror muito terreno na privação de tudo. São miúdas, amigas, colegas, a sobreviver. Foi como se naquela madrugada finalmente acordássemos para a complexidade da questão. Cena soberba, antes e depois, intercalada com prestações de um dos elencos (duplamente) mais acertados da televisão recente. Até me lembrei de Twin Peaks senhores. Agora é segurar as expetativas, teorias e quadros de cortiça. Sempre com a fé no plano e os olhos no final do ano.

sábado, 15 de janeiro de 2022

Os estranhos gritos das requelas


Não sei muito bem como lidar com estas requelas. Vou rodando na mão, como um fruto estranho, sem saber o que fazer: é para comer, rejeitar, irritar, guardar? Este novo Scream então abriga-se por completo nesta (in)definição. Tendo ainda como extra a caixinha do meta. Como se a auto consciência, paródia e referência fossem justificações para colagens puras. Não são. E isso é talvez o que mais me desilude: ao cair o número 5 do título há quase uma desresponsabilização, de que é mas não é, de que continua mas não. Todos os anteriores tomos, por muitas camadas e espelhos que tivessem eram animais distintos, cada um a trazer para cima da mesa novas ideias, novos ângulos. Ao ouvir o Dewey - melhor regresso dos três - dizer no trailer que sentia que este era diferente, pensei de imediato que daríamos um passo construtivo. 

A cena de abertura é simples, prática, bem escrita, inserindo variações cativantes. Jenna Ortega está extraordinária. As mortes são todas um mimo. Com os tempos certos e aquele estripar de levar as mãos à cabeça. Do melhor que a saga já teve. O problema é que todos os conceitos iniciais que nos poderiam ter levado para o apetecível desconhecido (wow isto é diferente) caem às mãos de obrigações antigas (afinal não é). Falta-lhe aquela aura, sombreada na música, do grande mistério, da tragédia, da antecipação. Para ser o novo primeiro capítulo era preciso assumir o risco e se calhar olhar para o que a série de televisão tentou fazer. Mas mais uma vez lá está, não sei bem o que é isto. É um filme do Scream sem dúvida. Passou a correr e eu diverti-me. Agora é uma peça que vai ficar no tapete, porque não faço ideia onde poderei encaixá-la. E isso como final de jogo é sempre frustrante.