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quinta-feira, 8 de maio de 2025

Minutos recontados

Exatamente 30 anos depois de Nick of Time voltamos a ter 90 minutos de contrarrelógio, confinados a um espaço e a uma ameaça. Ou fazes o que eu digo ou a tua família falece. Um clássico. Drop é esse thriller de outrora, com o tabuleiro, as peças e o dilema. Depois é tentar resolver, jogada a jogada, atacando e defendendo. Confesso que arrasto a asa para este sub género cabine telefónica, de todos os estranhos suspeitos, mas a verdade é que a obra de Christopher Landon trabalha de forma refrescante a tensão, os tempos e as personagens, sem grandes preocupações ou agendas (o que arreliará certamente a "patrulha da realidade chata pra caralho"). Entretenimento despachado, fechadinho, onde todas as prendinhas contam, até um inócuo disco de hóquei.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

I'm bringin' sexy back (yeah)

O Magneto, a Galadriel, o namorado da Furiosa, a namorada do Davy Jones, a Amy Winehouse, o James Bond do passado e o James Bond do futuro formam o septeto de espiões com mais pinta da história recente. Que sexy motherfuckers. A juntar a isso aquela fotografia de banho turco em Marrocos e um argumento encorpado de volta e contravolta. Thriller à antiga.

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Isto agora não sai nem com tira nódoas


No dia achei meio paradão. Fui dormir. Só que depois não dormi. Ou se dormi foi sempre com a música: um carrossel soturno e magnífico de Dominique Plante, uma marcha em círculos, em ciclos, naquelas repetições diárias, desde a espera até ao exercício físico. E depois infetou ainda mais, para a cena do tribunal, a transformação medonha em discurso directo. O resultado prático da obsessão, de um voyeurismo carnal, digital, doentio. Juliette Gariépy absolutamente viciante, num aparente jogo de tribunal que se expande, silenciosamente, para o mais assustador dos horrores.

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Fim de semana e fim do mundo na Gronelândia

No espaço de uma semana vi dois filmes em que o Gerard Butler está com o matrimónio todo escangalhado. Um em que lhe raptam a mulher numa bomba de gasolina - Breakdown do Intermarché- e o outro este Greenland, onde felizmente não lhe fazem nada à mulher mas o planeta está em dificuldades. Cometa Clarke, que afinal é cometão, impacto profundo, muitos impactos profundos, extinções em massa, fim. Eu até tinha deixado passar este mas entretanto descobri que vai ter uma sequela, Greenland: Migration, e ignorar um filme é uma coisa, ignorar uma saga é outra. Então lá pus mãos à obra e este desnorte de uma família perante o final do mundo deixou-me surpreso. Há nele uma intensidade partilhada, uma aflição permanente que tanto cai no desespero (e no pior) como oferece incomuns momentos de humanidade e conexão. O tio Emmerich não aprovou, mas o tio Ferreira gostou.

sábado, 31 de agosto de 2024

Remake português no concerto da Tinoco?

[SPOILERS] Juro que quando ele começa a dar porrada nos polícias, já perto do fim, cheio de força e não sei quê, eu pensei: mas tu queres ver, mas tu queres ver que começa a tocar a música do Protegido e está tudo fodido outra vez? Felizmente não. E felizmente este filme faz uma coisa para a qual eu já não estou preparado: surpreende. Pensei que o moço era uma espécie de Dexter e que todas as pessoas que ele tinha morto eram bandidos que tinham escapado à lei. Errado. Depois pensei que a mulher dele também estava metida e que matavam os dois em conjunto, casal feliz. Errado de novo. Só tiros na água. E muito longe de imaginar que a segunda parte do filme transformava a filha do Shiamané na grande heroína do filme.

Essa imprevisibilidade, que se junta a um renascido Josh Hartnett, faz deste Trap uma experiência curiosa, ingénua e de alguma forma saudosista. Claro, que nesta fragmentação narrativa, o filme perde intensidade e foco. Ganharíamos todos se este pai de família fosse descaradamente o grande protagonista, de malabarismo em malabarismo, de fuga em fuga - como faz por exemplo, com maior ou menor eficácia, a série You - aumentando o volume das suas vilanias. Umas machadadas a mais não fazia mal ninguém. Para além disso, algumas das interpretações deixam muito a desejar, retirando vigor a cenas que se queriam desesperadas e credíveis. Mas pronto, tivemos direito a homenagem ao Sudden Death, com o óleo das batatas fritas, e ficámos com mais uma obra inesperada de um realizador que continua a fazer o cinema que quer e como quer. 


terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Os (maus) efeitos do fim do mundo

 

- São flamingos?

Acho que é o Ethan Hawke que pergunta, no filme de Sam Esmail, Leave the World Behind. Ou então é a Myha'la, não me lembro. O outro diz que sim, que são flamingos, ali a chapinhar na piscina. Ao que eu contra respondo: não, não são flamingos, o que estamos a ver são flamingos em CGI. Foda-se, mas será que é assim tão difícil arranjar meia dúzia de flamingos verdadeiros? Um salto à herdade da Mourisca, filmam os marotos no estuário, os atores embedam-se em Setúbal, o turismo agradece e o espectador pode acreditar. Ganhamos todos.

domingo, 25 de setembro de 2022

Evitar lagos e cabanas, sempre

Diretamente para as prateleiras "super desconfortável" e "nunca mais ver na vida". Ao lado de tesourinhos como Eden Lake. Aqui com uma irritação ainda mais profunda, com o desespero a dar lugar à apatia, com a sobrevivência a resignar-se nas normas e diferenças culturais. Estranho. Terrível. Muito eficaz.

domingo, 11 de setembro de 2022

Quem nunca ficou preso numa antena de TV que atire a primeira pedra


Boa surpresa este Fall. Boa música, bons planos, bons efeitos e boa tensão. As cenas de risco estão naquele patamar do "queria ter visto isto no cinema", tal é a eficácia da altura, e nunca se deixam adormecer à sombra do conceito. E depois, claro, um abutre do mais malino que há. Gosto muito de filmes com abutres maus. Faltou só aquela segurança na dupla de protagonistas. Esta queda com duas atrizes experientes tinha levado a emoção (e o drama) uns bons metros para cima.

terça-feira, 28 de junho de 2022

Pode acontecer a qualquer um

Depois de: presos numa gruta subaquática, presos num barquito no mar alto, presos numa avioneta sem piloto, presos no carro num nevão e presos num teleférico também num nevão, chega-nos Fall onde duas amigas ficam presas numa torre de rádio. O céu é o limite. 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Os pregos da quarentena

[SPOILERS] Segundo filme deste ano com pistola de pregos. Mais, segundo filme deste ano com pistola de pregos onde uma jovem pequenita varre bandidagem de metro e noventa. Ainda melhor, segundo filme deste ano com pistola de pregos que eu apreciei bastante e que possivelmente irei abordar no meu top final de ano. Isto se não aparecerem mais dez filmes com pistolas de pregos e eu depois ter de escolher quais ficam e quais vão.

sábado, 15 de janeiro de 2022

Os estranhos gritos das requelas


Não sei muito bem como lidar com estas requelas. Vou rodando na mão, como um fruto estranho, sem saber o que fazer: é para comer, rejeitar, irritar, guardar? Este novo Scream então abriga-se por completo nesta (in)definição. Tendo ainda como extra a caixinha do meta. Como se a auto consciência, paródia e referência fossem justificações para colagens puras. Não são. E isso é talvez o que mais me desilude: ao cair o número 5 do título há quase uma desresponsabilização, de que é mas não é, de que continua mas não. Todos os anteriores tomos, por muitas camadas e espelhos que tivessem eram animais distintos, cada um a trazer para cima da mesa novas ideias, novos ângulos. Ao ouvir o Dewey - melhor regresso dos três - dizer no trailer que sentia que este era diferente, pensei de imediato que daríamos um passo construtivo. 

A cena de abertura é simples, prática, bem escrita, inserindo variações cativantes. Jenna Ortega está extraordinária. As mortes são todas um mimo. Com os tempos certos e aquele estripar de levar as mãos à cabeça. Do melhor que a saga já teve. O problema é que todos os conceitos iniciais que nos poderiam ter levado para o apetecível desconhecido (wow isto é diferente) caem às mãos de obrigações antigas (afinal não é). Falta-lhe aquela aura, sombreada na música, do grande mistério, da tragédia, da antecipação. Para ser o novo primeiro capítulo era preciso assumir o risco e se calhar olhar para o que a série de televisão tentou fazer. Mas mais uma vez lá está, não sei bem o que é isto. É um filme do Scream sem dúvida. Passou a correr e eu diverti-me. Agora é uma peça que vai ficar no tapete, porque não faço ideia onde poderei encaixá-la. E isso como final de jogo é sempre frustrante.