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quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Quem és tu miúda

Bem, desde o negócio de droga do Mr. Eko no Lost que não via uma utilização tão inventiva para uma estátua da Virgem Maria. Quando há criatividade há tudo. E há Verhoeven à pazada: provocativo, lascivo, violento. É sempre um gosto tirar as vestes e entrar neste carrossel, sem as formatações e boas maneiras. É um cinema que continua viver para uma reação, um efeito. Tão bom. A minha única questão, para não ficar tão agarrado foi mesmo a dualidade da (belíssima) protagonista. Funciona para a trama, manter a dúvida mas tira momentum ao romance, à traição, à adoração. Este lado cinzento (e indefinido) coloca-nos num assento à deriva. Sem hipótese de pôr os pés na história. 

domingo, 10 de outubro de 2021

De vierde man (1983)

 A aquecer para o polémico Benedetta, que tem um belo poster. Ainda não viram? Eu mostro.

Faz lembrar o outro, do novo Almodóvar. Também não conhecem? Eu mostro.


Mas hoje é The 4th Man, uma espécie de aquecimento para Basic Instinct, só que mais enérgico e desafiante. Um escritor bissexual, alcoólico, com estranhas visões associadas à morte, é convidado para um evento literário noutra cidade. Lá, conhece a misteriosa Christine e nos seus braços enceta uma alucinante descida, de sonhos, símbolos e repressões. Há um constante nevoeiro premonitório, que nos faz querer comer uma e outra pipoca, dentro do puzzle, à espera de nova entrada no quadro dos sonhos ou saída para o cruel fatalismo. Pintado com um arrojo viciante, quer seja nos temas - igreja, sexualidade, vai à todas - quer seja nos frames - pétalas, câmaras, estamos sempre dentro. Um Verhoeven pré-Hollywood que vale a pena descobrir.