- Nós chamamos-lhe (PAUSA DRAMÁTICA) O Texto.
- Wow, é quem são estas pessoas que nos estão a ler?
- Os antigos chamam-lhes (PAUSA DRAMÁTICA) Os Utilizadores de Internet.
Assim como havia algo de profundamente magnético naqueles longos planos de um gajo a pintar, no Twin Peaks de 2017 há algo de perversamente confortável na viagem mato adentro deste serial killer. Fez-me lembrar o A Ghost Story, na perspectiva inusitada e declarada de voyeur; de uma visão contemplativa e raramente contemplada. Aqui o outro lado, um Viver Mal dos slashers: seguimos, quase sempre na primeira pessoa Johnny, um monstro que acordou e iniciou a sua matança. Lá vai ele aos poucos nas florestas, nos bosques, nos lagos, nos pastos. De manhã, de tarde, de noite. Sempre à procura de alguém a quem possa infligir uma morte danada. Este virtuosismo do percurso e da montagem, acaba por diluir a tensão e expetativa tão necessárias no género. Transformando este In a Violent Nature num animal curioso mas em conflito consigo próprio.
Paul Mescal matou Pedro Pascal é o trava línguas cinematográfico do momento. Imensas crianças a brincar a isto nos recreios enquanto fazem aquelas combinações idiotas de palmas e carapau sardinha. Atenção ao dizer isto muito depressa. E atenção também a esta sequela com o filho da Connie Nielsen, que deve ir vingar o Russell Crowe (fantasma da força?) e fazer festinhas no feno como não se houvesse amanhã.
Naomi Scott, a única princesa da Disney que já foi Anjo de Charlie e Power Ranger. Ou a única Power Ranger que já foi princesa da Disney e Anjo de...bem vocês perceberam. Metam o favorito em primeiro. Certo é que esta tríade vencedora entra agora no segundo capítulo da (aparente) saga Smile, que para além de ter aqui um fã tem também um belo poster. O Halloween 2024 acaba de ficar mais interessante.
Ainda não vos tinha dito mas as Nalgas voltaram. Cortámos os três o cabelo, para se perceber que estamos mais velhos, como a Zendaya fez no Challengers, e mudámos de nome. Agora somos só e apenas Nalgas do Mandarim. Mais apurados. Como um bom vinho; só falta a nova imagem ser um desenho duma criança, como a Herdade da Malhadinha. E enquanto 2025 não chega - ano em que iremos celebrar uma década de vida, em princípio com a primeira Feira Medieval das Nalgas - temos novo episódio, que, como de costume, é um valente fartote.
Conhecem aquela música dos Pólo Norte: Se eu voltasse atrás, Por minha vontade, Trocava alguns anos desta vida, Por um só dia na tua idade. Pois bem, eu trocava maior parte dos terrores desta carreira de espectador borradinho por um só frame deste The First Omen. Podia ser este, quando ela acorda. E que me lembra tantas outras obras das quais não me consigo lembrar. Esta primeira longa de Arkasha Stevenson - que já tinha espalhado magia nas séries Brand New Cherry Flavor, Legion e Channel Zero - tem esse dom: de nos lembrar muito cinema, desde Argento a Carpenter, mas de no final sair por cima, em belíssimos quadros de horror e angustia. Um dos filmes do ano.
Renny Harlins no caminho? Vejo-os todos. E um dia ia dar nisto. Juro que pensei que este The Strangers: Chapter One era prequela de origem, descrevendo como é que esta grupeta de psicopatas se tinha juntado. Até apostava num daqueles twists em que depois uma das vítimas se tornava também uma "estranha" no final e o filme fechava com ela a comprar uma daquelas máscaras no Centroxogo. Afinal não, é só mais um reboot frame a frame do original. Desinspiradíssimo, nas interpretações, nos tempos, nos sustos. Seria de esperar pelo menos a experiência e a visão de alguém como Harlin. Mas foi tudo terraplanado. Tinha sido muito mais interessando manterem o conceito base mas darem-lhe uma nova volta, como fizeram recentemente as sagas Wrong Turn e Paranormal Activity. Ainda para mais é uma trilogia ou seja estamos entalados com mais dois filmes. Pode ser que o pior já tenha passado, copo meio cheio, sempre o copo meio cheio.
Intitulava-se "O bom, o mau e a antecipação". Focado no universo aranha. Não é nesse, é mesmo no universo de filmes de terror com aranhas; sem os linguadões de pernas para o ar. Pronto, então, o bom ia ser o Vermines, o único que tinha visto na altura que engendrei o título. O mau ia ser o Sting e a antecipação o remake do Arachnophobia. Só que a vida está cheia de surpresas e afinal o Sting é mais ou menos. Armei-me em Nostradamus fanfarrão e esta história de uma miúda que adopta uma aranha alienígena tem algumas picadas dignas de registo. Gore e asco necessários para um filme de criaturas; o crescimento da antagonista acompanha bem a expansão dos outros inquilinos no prédio e o mecanismo Alzheimer é usado de forma inteligente para duplicar o medo. Por outro lado as interpretações não são as melhores e desperdiça uma boa analogia (na banda desenhada) para fortalecer as suas teias. Conclusão, se a vossa religião só vos deixar ver um filme de aranhas fodidas este ano vejam o Vermines. Se não tiverem restrições, não ficarão mal servidos com uma sessão dupla.
Então e o Arachnophobia? Ah pois é. Ia acabar o texto, até porque tenho um suflê de peixe para fazer, mas posso ficar mais umas linhas. Ao que tudo indica é sequela de legado, produzida por James Wan e realizada por Christopher Landon, daqueles filmes simpáticos onde ela morre todos os dias. Não tenho muito mais informação para vos dar. Possivelmente vamos ter direito ao Jeff Daniels em modo Bill Pullman no Independence Day: Resurgence, já velho e senil, "ninguém acreditou em mim!", e depois o neto, mais os amigos, que descobrem um velho barracão, e mais não sei quê. Ah e claro, muitas, mas mesmo muitas, aranhas em CGI.
Ainda não li nenhuma crítica ao Furiosa que não fale de Fury Road. Até eu, ao dizer que não li nenhuma crítica ao Furiosa que não fale de Fury Road estou a falar de Fury Road. E esta apendicite pode de alguma forma prejudicar um filme que se serve bem sozinho. Vira o disco e toca outra merda completamente diferente: outro tom, outro ritmo. Miller agarra numa figura cheia de carisma e oferece-lhe um era uma vez; o épico arriscado que ela merecia. Num cenário tão rico em personagens que parece que nunca saímos da luxuriante floresta. O Pedro (Cinemaxunga) a meio do filme disse-me que aquela trupe só podia mesmo existir ali, e de facto é verdade. Há tanta energia e tanta cor nesta malta que qualquer um deles nos podia levar pela mão aos recantos da Wasteland: desde a Mary Jabassa (a mãe de Furiosa), passando pelo Praetorian Jack (beijaria), até ao Scrotus (o outro filho de Imortan Joe) ou a Elsa Pataky em dose dupla. Esta segurança, onde qualquer um pode assumir o volante e seguir noutra direção, torna esta saga num objeto único. Especial e imersivo, onde, sem travões, temos a certeza de que não nos iremos perder.