Não vi. Mas se por acaso tivesse visto We Are the Flesh chamar-lhe-ia instalação de arte. Como a própria construção, que se vai colando e juntando, caverna. Como me contaram, que eu não vi. Não ia estragar o meu domingo, com grandes planos de escrotos, orgias, canibalismo e cortes psicadélicos. Explícito, agri agri, sem um sentido de obra; o que se vai erguendo sucede e não conclui. Instalação, lá está. O meu amigo que viu, diz que o final é a gracinha, a piscar à crítica social, ao estado a que chegaram, ao México. Diz que é isso mas não chega, não cola. O meu amigo que viu ficou fodido. Ufa, safei-me de boa.
segunda-feira, 12 de junho de 2017
sábado, 10 de junho de 2017
Gadot no País das Maravilhas
Vamos começar pelas coisinhas boas? FIM. Estou a brincar. Ai que grande brincalhão eu, tonto. O grande ponto positivo de Wonder Woman é de facto Gal Gadot. Verdade que a maioria dos castings para estas ramboiadas de super-heróis acertam no ou na protagonista, mas aqui há quase uma aptidão nata. Uma orgânica, não só no facto de ela ser mesmo muito bonita - e o filme usa bem esse frame - mas de ter uma sinceridade e vontade contagiantes, como aquela gargalhada a subir a torre. Diverte-se, e isso ajuda a existir. Para além disso o filme consegue ter uma narrativa, contar uma história de forma regrada e estruturada. O que para estes orçamentos é missão cada vez mais escorregadia. Poucos buracos. Boas cenas de luta. E é isso. O resto é aquela leveza infantil de quem está a explicar o que faz no seu trabalho a uma criança de 5 anos. Assim devagar, a gesticular muito o maxilar, especialmente no início, digno das grandes produções novelescas da TVI. A Hipólita, a Antílope, tiros, lágrimas, vingança. O próprio vilão é daqueles truques que se vê cá de fora da sala, eu estava a jantar e já sabia quem era. A própria senda dela, a questão deus versus homem, que eu gostei, poderia e deveria ter sido rematada com outro ponto, e não com CGI, remédio santo para todas as dores. E isso tira vida. Por exemplo, as roupas das Amazonas cheiram a plástico no meio de todo aquele chroma key. Onde estão aqueles riachos e aquele crepitar das grandes fantasias? Perdidos, por aí. No final, sem cena escondida - obrigado! - fica o travo de um quase lá.
quarta-feira, 7 de junho de 2017
A melhor série de televisão da década
Nunca antes se provaram tamanhas façanhas, tão elevados riscos. Em prol da criação, mais ou menos cristalina, mais ou menos sincera. Muita, muita coisa, a sair, agora, enquanto conversamos. Não podemos virar a cara ao laboratório vivo que hoje se instalou no pequeno écran. E dele, não devemos nunca esquecer The Leftovers. Projetar e perceber o seu impacto, as suas futuras lições nos quadros da escola, é um exercício apetecível mas inútil. Voltar a elogiá-lo, o mesmo, o mesmo. Resta aquele descabelado obrigado, com tudo na mão e os pássaros num frenesim. Estamos aqui, estamos aqui.
Até ao fim
- Ontem vi este - nunca tinha ouvido falar dele. Nunca o tinha visto mais gordo, e o meu irmão lá o tirou da cartola, do colar infinito de pérolas. Sugestão atrás de sugestão. Especialista na matéria, conhecedor do género, agitei, cheirei e bochechei. Comprei a garrafa. Investimento seguro, sólido e sem grandes avarias. Não quer inventar, porém reinventando e rompendo, especialmente no campo da interpretação. Que dupla amigos. Relativamente desconhecidos, dirigidos por um estreante, emprestam, dão, vendem, morrem e renascem, vezes e vezes sem conta; uma espécie de prova a representar outra. Dois terços da fé, são eles. O que sobra somos nós, nossos lutos e anjos da guarda. Uma bela surpresinha.
sábado, 3 de junho de 2017
Reboots comigo
O Créditos Finais, anunciou, na passada quinta-feira, a produção de uma série de reboots portugueses de obras estrangeiras, com o intuito de dar visibilidade, não só à blogosfera, mas também a mim. Por isso é que são todos comigo.
Personal Blogger
Sou um Personal Blogger, escrevo os posts de malta famosa que não tem tempo para ter um blogue. Entretanto o blogue do meu irmão gémeo desaparece e eu começo a ver blogues que já foram apagados.
Mission: Impossible - Rogue Blogosphere
Sou um agente da blogosfera que tem de lutar contra uma instituição de sites que roubaram uma lista com o nome de todos os bloggers de cinema no ativo. Que obviamente ninguém sabe quem são.
Alien: Bloguenant
Uma nave só com bloggers deixa a terra para ir colonizar outro planeta que tem as condições ideais para a sobrevivência da blogosfera. Só que entretanto recebem um pedido de ajuda de um antigo blogue de arte urbana e vão ver o que se passa. Dá merda, Facemorfos e Sitemorfos com fartura.
Beauty and the Blogger
Mais uma vez, eu, amaldiçoado por pensar que o meu blogue é muito bom e fazer troça do Facebook. O tempo começa a contar e se não encontrar uma blogger de moda de unhas de gel e gelinho que leia um post meu, de livre vontade, fico para sempre aprisionado no Cinema SAPO Mag.
John Blogger: Chapter 2
Há uma sociedade secreta de bloggers cinéfilos que opera nas sombras. Nela o mais temido de todos, John Blogger. Desta vez não lhe apagam um post, pior, rebentam-lhe com o blogue todo. Alguém vai ter de pagar.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Qual o ator criança que mais detestam?
Ou detestaram. Ou detestaram e ainda detestam. Não vale dizer Elijah Wood, demasiado fácil, e também não vamos chatear as 345 miúdas que fizeram de Annie. Eu, para despachar isto meto já aqui o elenco inteiro de The Little Rascals. Ah mas são crianças e eram os 90 e, pois está bem, levem lá com um bocadinho e depois não precisam de voltar a pedir desculpa.
domingo, 28 de maio de 2017
Idiotas com armas aos tiros
Estava a escrever e comecei logo a rir. Apetece esquecer minimamente a construção ou a repetição e cair no simplismo da dica apressada: vejam Free Fire. A rir, como os seus realizador e produtor, Ben Wheatley e Martin Scorsese, que falam da simplicidade e do "poder cinematográfico bruto de idiotas com armas". É isso: dois gangues que vão fazer uma troca de armas num armazém. Corre bem? Não, claro que não. E daí começa tudo aos tiros. É de mestre, tirar desta cartola um filme estupendo, mas é de facto. Despachado, diálogos hilariantes, grande pinta visual e interpretações tão energéticas que, a espaços, parece daquelas obras de infância, em que um grupo de malta, que gosta muito de cinema, se junta para fazer uma coisa. John Denver e o quebrar de parede final compõe um dos grandes ramalhetes do ano.
A extinção das aranhas
Às vezes, quando bate a saudade de um bom thriller, lembro-me de Shattered. Greta Scachi, Tom Berenger, um acidente, um gajo desfigurado. Um enleio. E talvez os apertos das prateleiras VHS lhe tenham dado um peso ainda maior, nesta minha cabecinha de puto encantado mas a verdade é que as teias se dissiparam. Onde estão estas obras simples de crime e mistério que nos davam a volta, ou que pelo menos tentavam. Onde estão? A resposta é Contratiempo, uma incrível surpresa aqui do lado, que usa o interrogatório como veículo para as histórias, confissões e suas versões. Muito com muito pouco. E pode não acertar sempre no alvo mas em toda a sua corrida emerge o desafio. Em prol do género, em prol das aranhas.
sexta-feira, 26 de maio de 2017
Os riscos da dieta vegetariana
Acho podia ficar a olhar para o poster o resto do dia. E Raw joga com isso. Com o inexplicável magnetismo da sua protagonista. Para além da cinematografia e da música, existe a carne que ela procura, nela mesma, fazendo os seus grandes olhos farol da nossa atenção. Reféns completos da figura, da sede, da fome. Incrível. Por outro lado a narrativa sofre em prol do sensorial, abdica e confunde, simplifica e atrapalha. Subtrai. E se somasse, talvez estivesse aqui das obras mais singulares de terror/transformação dos últimos anos.
quinta-feira, 25 de maio de 2017
O feitiço do tempo, perdido
Ela é jovem. Ela é parva. E ela está presa no mesmo dia para sempre. Fixe. Ou melhor poderia ser, mas de facto é apenas bom engodo, o tal do peixinho guloso que afinal sabe a esferovite. Tentar dizer o que está mal com Before I Fall é quase tão inglório como tentar ensinar um aquecedor a falar. Infantil, mal editado, mal interpretado e refém de um preguiça estranha. É que já todos vimos liceus e premissas mais jovens bem fechadinhas, donas de uma simpatia natural. Aqui não, é tudo plástico, a própria narração da protagonista é desajustada à ação, é levarem-nos pela mão, mas a apertar muito. Para terminar no final mais fora de tom, e possivelmente traumático para quem estava a levar isto a sério, do ano que corre.
quarta-feira, 24 de maio de 2017
Descobrimentos
Amigos da xenomorfia, o que se segue contém bolinha e spoilers. Spoilers e bolinha. Por isso se estiverem com crianças ou quiserem ver Alien: Covenant virgens da silva o melhor é irem espreitar o Hollywood, está a acabar Os Três Mosqueteiros da Disney mas deve ir dar uma malha à altura. Ora bem, em relação a este último tomo no universo Alien, começo por dizer que carbonizar o James Franco nos primeiros minutos, sem lhe dar hipótese sequer de abrir a boca, é para mim, logo, uma estrela. Era ter o Seth Rogen ao lado e aos 10 minutos já íamos com duas. Uma maravilha ao nível do Santoro enterrado vivo no Lost. Depois desta "tragédia" seguimos então para a construção, viagem, da qual conhecíamos parte mas estávamos longe de visualizar o todo. Nisso o marketing aparentemente escancarado foi inteligente, guardando o mais importante para o dia. E se Scott respondeu às críticas, também as enfiou no cu desses nervosinhos insatisfeitos: a criatura acaba por ser o pretexto, o veículo da história de um outro "ser". Ele, a tentar ser, ele a ser o verdadeiro protagonista desta nova saga. David. É terror, ficção científica a todo o vapor, com todas as suas ferramentas para dizer e passar outra coisa. Sangue, tripas, queixos a voar, foda-se em qualquer outro lado já estávamos a levar com um Maiores de 12 há muito tempo. Eu não gostei do Prometheus mas reconheci a audácia e caí de beiços pela mitologia. Covenant corrige alguns problemas - ritmo, interpretações - conquistando outros claro, mas no final é um entretenimento que cumpre. Que tem uma ideia, e melhor, tem uma ideia que não era a nossa. Mostra-nos, para o bem e para o mal, uma oportunidade, um mundo novo, e nestes descobrimentos ganhamos sempre todos.
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