sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Simpatias

Até agora, esta moda do troca o género, não me incomodava. Não é que me passasse mesmo ao lado, fazia voos rasantes, à morcego. Ou seja, já foi, ventinho na orelha e tal, um palavrão ou outro, mas nada de mais. Até hoje. Pois do panteão de épicos intocáveis reservados à testo, Road House aparece no top 1. Agora reboot com aquela matulona que tem a mania que bate em toda a gente. Já chega malta. É altura de deixarmos de ser simpáticos.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Where is my mind?

Tão problemática como a trama, esta minha perdição. Começou cheia, com aquele maravilhoso piloto. Perdeu luz, segundo, terceiro. Interregno. Bate papo com mais malta desiludida. Mas que armanço aos cucos é este afinal? Querem chegar mesmo a algum lado? Ou é só a viagem? A moca. Bate papo com malta que continua a ver. Voltei, agora de pilão até ao fim. E amigos, pelo menos os amigos que já viram, desculpem por tudo, pela falta de fé. Sim era necessário todo aquele engenho, todo aquele formigueiro de mentes retorcidas, de monólogos desesperados e gente, a gente. Que se foda a sociedade. Não é todos os dias que nos desafiam, que nos exigem atenção, todos os bastonetes e cones que existirem na puta da nossa retina, todos, ali parados e especados. Porque é mesmo preciso. E querem saber onde foi o meu K.O., onde me vendi e queimei o nome da série no antebraço? Oh onde está a minha cabeça, vocês já sabem. É que não é só um cover maravilhoso, uma cena, um final, uma homenagem, é uma afirmação de que continuamos aqui. Sejamos nós quem formos.

Mais um dia no escritório

O Pau do Sul (Southpaw) é bem capaz de ser a maior desilusão. Reescrevo, desperdício, do ano. Então mas oh Fuqua, com um espaço destes, com matéria prima deste calibre, vais espetar os cornos exatamente nas mesmas rochas. Os postes do costume. Morre, fica com a gaiata, black Mr. Miyagi, mau sul americano e pimba. Choradeira, vitória vitória. Tudo refém de uma transformação e do melhor ator da atualidade. Não chega. Tão formatado e sensaborão que nem parece real.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Agora já podemos cantar à vontade, bora lá malta: I have a dream


Sim, não deixa de ter piada. Para além disso, a seguir ao do Jorge Mendes, é o casamento do ano. Que maravilha.

Os desolados

Ironia, tamanha vizinhança: Miguel Gomes, sua trilogia, Bruno Nogueira, seu novo som. Ironia pois ambos caminham na desolação. O primeiro no título - ainda não vi - e o segundo no modo como constantemente se renova, no seu cansaço e desalento. Procurando caminhos na destruição e posterior reconstrução dos seus temas, dos seus dias. E depois da inesquecível Odisseia, premeia-nos com mais um desatino, uma nota fora de todas as outras cantigas. A experimentar. Com muito de muita coisa, dos passeios de carro às confissões, virando tudo muito nosso. Hoje a música popular, seus corpos, suas personagens, desarmadas à espera de entrar em palco, em cantos e recantos, como heróis esquecidos. Nogueira revê-se nestes pequenos becos, e transforma-os em amplos auditórios. Tornando-se ele próprio no herói que interessa lembrar.

Da história dos grandes conflitos, e das perucas

Fantastic Four divide o mundo naqueles dois grandes grupos: o professor porreiro que sabe que a resposta final está errada mas conta o raciocínio e o professor cabrão que sabe que o raciocínio, até determinado ponto, está bem elaborado mas como a resposta final está incorrecta risca tudo a vermelho, bem grosso. Cabe agora a cada um de nós ver esta valente merda - não me deixem assim - e decidir, que lado tomar. Depois podemos todos andar à marretada ou só beber uns copos, logo se pensa nisso.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Sem saber

Todavia, Catarina, ao descobrir que o seu futuro vai mudar com a morte de António, não consegue esperar mais e decide matá-lo. Sem saber, mata o próprio avô. 
Nunca sabem nada, as personagens das telenovelas portuguesas. Nunca sabem o que são: irmãos que se papam, porque não sabem, ou não sabem que não sabem e afinal não são, mães que são e sabem ou pensam que sabem, e pais, oh deus, quantos cornos que só depois, para permitir que os que não sabiam se possam finalmente papar à vontade. No fundo quem não sabe mesmo nada é quem escreve: a começar pelo título, depois do genial - e mais redundante de sempre - Mar Salgado - o incrível trocadilho Coração d'Ouro, do coração da senhora e da zona do país. Pausa e baba, muita baba. Rita de sempre Blanco, com uma filha que é uma cabra, e mata o velho que é mesmo avô, e depois a mãe assume as culpas, e depois há um irmão que é mau e outro bom. E depois as pessoas gostam muito e dizem que está bem feito. No fundo no fundo, quem não sabe mesmo nada sou eu.

domingo, 6 de setembro de 2015

E tudo foi corrigido

Já tudo foi dito. Visão definitiva de Hanniball. Final maravilhoso. Poesia arrancada à dentada. Sangue na calçada. Não poderia ser de outra forma. Não há outro modo de ler a morte e o sonho, o desejo e o pesadelo, senão nestes corpos que tentam sufocados a vida de borboleta. Saímos do casulo: é lindo, de facto. E caímos, envoltos em tamanha revolta, numa paz reconfortante. Gostávamos claro de aqui continuar, mas se por aqui ficarmos, vamos deliciados e, ponto essencial, totalmente saciados.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A verdadeira conspiração da aranha

É um excelente exemplo de uma série de cruzes, que agravaram e feriram, ao longo dos anos, a sétima arte. A arte e seus laços criativos, a serem já ali pesados, quando ainda tudo parecia bem. Cálculos e finalmente o medo do risco. O milagre que é Mad Max: Fury Road e o milagre que não foi Superman Lives. O documentário ilustra de forma hilariante os excêntricos, os artistas e o quanto é necessário para construir apenas um molde. O que eles tinham era um carrinho cheio de ideias, de desenhos e vontades. Bonecos prontos a ir, a serem atirados para o recreio: naquele auge orgásmico do Burton. Que merda. Ao menos lavamos as enxaquecas e esquecemos aquela terrível imagem do Nicolas Cage. A única imagem deste falhanço quando antes e depois dessas existem outras, muitas outras, que interessam conhecer.

Prestam-se serviços de PT

E o que faz um Personal Trainer de Cinema? Cenas:

- vai com vocês ao cinema, acompanha-vos na compra do bilhete e explica detalhadamente os benefícios e malefícios de cada obra em cartaz. O que parece bom às vezes não é, ou num dia pode não se adequar e no seguinte já ser estritamente necessário. Ultimamente tenho tido casos de muitas pessoas que desconheciam o facto do Minions ser uma valente merda, e que pode até em alguns casos provocar cataratas. São estas pequenas coisas;
- não vos deixa comprar pipocas;
- prepara ciclos de cinema temáticos e específicos, de modo a que o cliente esteja sempre atualizado das sagas que vão saindo. Por exemplo organizei imensos ciclos Terminator, preparatórios para o Genisys. Depois tive um ou dois suicídios mas já fora do meu horário de trabalho;
- não vos deixa fazer intervalo quando vêm filmes no sofá lá de casa;
- por último apoia a escolha do torrent: será que é o torrent adequado? poderei ver com legendas em coreano? é assim tão merdoso? basta HDrip ou é melhor apostar nos 720p? Todas estas e muitas outras questões rapidamente respondidas, tornando a dor de cabeça da escolha num suave passeio de sacanço.

Aviso à navegação, nos sítios do costume