quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Toca a sirene, é genial é

Reduzir Man Seeking Woman a um parágrafo otário, sobre o amor, metáforas e outras despesas da vida, parece-me de todo injusto. Idiota. É a melhor série de comédia do ano, com uma das melhores cenas de comédia de sempre (num bunker). Ainda só saíram dois episódios e ainda só estamos em janeiro. Eu sei, é assim o amor. Foda-se, idiota.

Leva lá a cena para a casa

Quatro mil quinhentas e oitenta e quatro nomeações incluindo a de melhor "tens de ver já esta merda senão morres!". Ok, ok, Birdman, sou todo teu. E pronto. Sacana do rato. Eu gosto de um bom exercício, mas o exercício tem de servir o filme e não o contrário. Regra que se aplica a pequenos malabarismos e que ganha completa forma, quando a façanha é a totalidade do conteúdo. A suposta sequência e seus tambores são uma pequena maravilha, um frenético impasse à De Palma que se encaixa. Durante algum tempo. Depois vêm os outros requisitos e aqui o passaroco nem chega a levantar voo. Precisamente porque não deixam: o fecha e abre não facilita a decisão, como se a própria obra andasse perdida, retirando a respiração necessária. O peso, se este é o teu canto, falta-te tanto peso. Tanto de visceral, na relação com o passado, com o herói que foste outrora, devia crescer, devia rasgar a tela em asombrações e projecções, destruir, sangrar; a voz, a única que temos, devia rebentar-nos a vida. Mas não, não deixam. E o mais grave é que esta brincadeira do comeback já foi feita em bom. Chamava-se The Wrestler.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Que engraçado, são as duas sobre vírus

O sábado virou fantástico, que nem urro daqueles programas antigos da SIC. Com saltos e badochas semi nuas. Helix e 12 Monkeys, duma acentada só, duas xungalhadas da Syfy. Mas daquelas da pesada. Epá sim. A primeira porque não tem regras absolutas nenhumas, e continua, ciclicamente a reformular-se dentro do seu universo demente. Com flip-flops e outras façanhas. Gore no ponto certo. A segunda, é um bocado mais mansa e é uma cópia. Porém, tem um gajo que recua uns anos e depois volta. Viram eu a evitar o cansativa referência às palavras "viagens no tempo". Sou tão astuto.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Anyway the wind blows

Em 2012 prometi que deixava aqui, todos os anos, a intro de Tropical Heat. Falhei depois e depois. Estou a dever duas à casa, maravilha. Até devia ser mensal, que é só assim o melhor genérico com a melhor canção da melhor série de sempre. Incha.

Astrid Bergès-Frisbey

Estava a ver o I Origins e a pensar: mas de onde é que eu conheço esta macaca? Que me faz assim, por instantes, esquecer a Brit Marling?!? Só depois é que clicou. Era a sereia do último Omoplatas das Caraíbas, de quem o padre o gostava e depois andava num tanque lá de um lado para outro. Enfim, já está identificada, historial concluído; posso guardar o ficheiro em paz no meu arquivo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Piada um bocado relacionada com os Óscares

O Imposto Municipal sobre Imóveis era passado da cabeça. Gritava, partia tudo, empurrava e batia. Cuspia, e ninguém percebia. Era um louco, para os outros habitantes da aldeia. Um dia juntaram-se todos para o expulsar do pequeno sítio. Ele, amedrontado, prometeu que iria mudar. A partir desse dia começou a fingir-se normal, respeitável e amável. Porém, o bombeiro Tiago sabia que aquilo era só fachada e dizia que ele estava a jogar. 

Sabem qual é o filme?

O Jogo do IMI tá são.

Janela indiscreta das viagens no tempo (ui que polémico!)

Não vou estender a passadeira. Fartos dela andam vocês: lá vem o pastel das viagens no tempo. Hoje salto o resumo, palavras-chave e introdução. Directo ao método de Time Lapse, que praticamente me caiu no colo. Nunca antes ouvido ou conhecido, apareceu gordinho a pedir carinho. Em boa hora. E continuo sempre de renovada fé porque encontram-se sempre novos rumos. Mesmo dentro de tamanho cubículo. Os atores não são a última maravilha da indústria mas o mecanismo simplista das fotografias, um único cenário e um final extraordinário, fazem desta obra uma instantânea gema. Espectáculo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Possivelmente o melhor final romântico onde alguém anda em cima de uma série de cabeças de sempre


Sempre confiei em ti

Lance Reddick sabe escolhê-los. The Guest e John Wick. Ligação reforçada numa dupla que tomou de assalto as boxes. Férteis exemplos do ano, do sítio e do que queremos. Foda-se é isto mercenários maricas. Custa assim tanto. Se calhar custa. Até porque o que mais admiro em John Wick é conseguir quebrar as regras. Assumir o herói como personagem, do filme dentro do filme - lembrei-me de Last Action Hero - do nome que todos já conhecem, que sabem. A cena com o polícia é qualquer coisa de genial: ah ok voltaste a trabalhar, então não te empato mais. Como quem diz: vai lá entreter estas pessoas que isto é tempo morto. Para além de saltar a barreira tem a melhor cena de ação de 2014, um festival sensual de corpos e sangue, suave, como assim deve ser. Parecia um cachopo, a olhar para tudo, guloso, enquanto a música ferrava, para não mais sair. Espectáculo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Críticos do Público dão uma estrela às nomeações dos Óscares

Tem mesmo de ser? Sim é melhor. E pronto, é um bocado como as notícias do calor em outubro com obesos na praia. Podem ser do ano passado que ninguém nota. Assim a lista dos ilustres, nas categorias enjoativas que a Academia gosta, oferecendo a fugaz ilusão de heterogeneidade. Filme verídico espeta secas sobre racismo, check. Filme de guerra mais ou menos inglês, check. Filme de guerra mesmo americano, check. Uma mente brilhante parte 2, um filme qualquer do atchim nharritu - não interessa nunca o que é - e uma obra de autor (sim eles importam-se muito), check, check, check. O filme que já ganhou, check. E o porquinho Babe, check.

Uma nota de espanto e outra de revolta. A primeira o facto de Boyhood ser um bom filme, coisa rara nas últimas trampas que têm levado o mastodonte. A segunda Whiplash ser o porquinho. Não merecia, tem pujança a mais para isso, para a pequenez fofinha da misericórdia. É seco, musicado até à exaustão, com as notas a bater obssessivamente, até sangrar. Outra vez, outra vez, outra vez. Mas pronto, calha a todos. É pôr bem alto e quando voltarmos já passou. 


Longa vida à série! (Parte 2)

10 – Friends



Enquanto uns são esquecidos, outros são constantemente recordados. Nunca saem realmente de moda, quer nas reposições, referências ou visibilidade dos protagonistas. Terminaram há 20 anos, mas todos os anos lá temos novas listas, novos momentos, novos rumores de reunião e, claro, nova maratona dos episódios todos de seguida, que usualmente termina em desidratação e urgências. Mas não deixa de ser muito engraçado. Não é, mas prosseguindo, de todas as celebrações dos 20 anos esta é capaz de ter sido a mais notada, falada e comentada. Para onde quer que se olhasse lá estavam eles, citações, abraços, choradinhos e aquele fado de que nunca mais uma comédia voltará a ter aquele impacto. Até abriram um Central Perk de verdade, onde uma horda de saudosistas se podem sentar no sofá laranja, tirar fotografias e beber café, como os verdadeiros fictícios faziam. Loucura. As filas são de facto extensas para se poder compreender tamanho impacto. “So no one told you life was gonna be this way” alertavam logo os Rembrandts, no seu I´ll Be There For You, como antevendo a surpresa do seu gigantismo. Quando se começa a escrever, nos inícios da grafite, quando a série ainda se chamava Insomnia Cafe – sim tinha esse nome – David Crane e Marta Kauffman não deviam sonhar ou projectar dez temporadas, dez anos, 236 episódios e mais de 60 nomeações aos Emmys. Certo é que aqui estamos, com as caixas na prateleira e com constantes reposições televisivas. Até tivemos direito à versão dobrada em português, ainda nos anos 90, que era tão boa ou melhor que a versão original. Obviamente, que analisar 10 anos de vida- muita moda correu - não é traçar uma curva exponencial ou outra recta, anos de muita saúde e depois a idade, inevitável perda de fulgor. Mas o conjunto é algo que neste caso sempre falará mais alto, muito devido, em parte a esse sentido colectivo de união, sempre cultivado quer pela ficção quer pelos actores, mas também pelo modo como acertaram nos 6 protagonistas. Uniformidade colectiva presente numa individualidade que se espelhava nesta ou noutra forma em cada espectador. Memorável.

 15 – E.R.



Ai os dramas médicos. Eternos corrupios de doenças, de portas que abrem e fecham, apressadas no bip bip dos ritmos cardíacos, do sangue e da entrega. Máscaras e toucas que escondem bonitões solteiros, com problemas emocionais e um problema maior: deixar de ser solteiro. Orgânica que tem sempre grandes hipóteses de aguentar a maratona. Diferenciar dentro de um ambiente comum, pouco conhecido mas familiar a todos. É o passar a linha e espreitar, não só as vidas mas os casos, fonte inesgotável de inspiração. Não há fim à vista quando falamos de doença, o House que o diga. Mas voltemos a 1994 e à estreia de E.R., série da NBC criada por Michael Crichton e pensada inicialmente, por este e Steven Spielberg, para o formato cinema. Desse conceito saltaram para um piloto televisivo, inicialmente condenado por muitos velhos: não resulta, demasiado filme, demasiado movimento, demasiado tenso. O resultado foi o oposto e as longas sequências por diversas salas, personagens e acontecimentos marcaram o universo televisivo dos anos 90 e prenderam ao sofá um número incontável e interminável de fãs. Escrever história é isso: depois de retirar os prémios (mais de 100), os episódios (mais de 300), as temporadas (15), as estrelas formadas (George Clooney, Juliana Marguiles, Anthony Edwards, Noah Wyle, etc) e os recordes alcançados (drama médico mais tempo no ar, entre outros) ficar a ideia de uma era, de uma marca. Pensar nos anos 90 do pequeno écran é, inevitavelmente, pensar em E.R.

20 - Kommissar Rex



Parece-me importante referir neste começo que existe uma border collie que consegue identificar cerca de 1000 palavras. É só uma dica, para quem quiser fazer nova aventura canina não tão quadrada, com os pastores alemães. Depois tenho de escrever algumas linhas que no seu conjunto poderão ser tidas como “enorme aborrecimento” mas que servem para contextualizar e justificar o porquê do glorioso número 20. Desde lá até cá, sem parar. Vinte anos? Não pode ser! Pois lá está, o que aconteceu foi o seguinte: originalmente a série era feita na Áustria e tal aconteceu desde 1994 até 2004. Depois, em 2008, a série regressou mas agora com roupagem italiana e existe até aos dias de hoje. Isso não vale, pensam. Então não vale, se os Trovante podem comemorar 35 anos de carreira já não existindo, também o Rex pode saltar este hiato e assumir-se na vintena. Número bonito e impressionante para este melhor amigo do homem, que ladrou na SIC alcançando um enorme (e inesperado) sucesso. De tal forma que, como regressou lá, também regressou cá e em 2013 à estação de Carnaxide, com as suas novas temporadas e agora com a apetecível dobragem. Dava de manhã, para a pequenada. Até hoje, Rex teve 6 parceiros, 1 spin-off (Stockinger), uma versão polaca (Komisarz Alex) e uma versão portuguesa que se chamava Inspector Max, da TVI. Também esta com 20 temporadas. Brincadeirinha, foram só duas.


Não deixa de ser interessante, com todas as suas limitações, estabelecer um padrão de tempo de vida com base nos géneros e espécies. O íntimo, pessoal e polémico acaba por ser o primeiro condenado, seguindo-se o género mal-amado, depois o drama familiar, que acaba por se consumir nele próprio passados 5 ou 6 anos. A comédia elástica, estica, estica, estica, e por fim os casos da semana, médicos e policiais, eterno duelo que ainda hoje está para as curvas. Com a rapaziada dos crachás a levar alguma vantagem. Será assim para sempre? Será a maioria voraz por muitas e não grandes histórias? Será um episódio sozinho, repetidas vezes, o santo graal da televisão? Eu penso que sim, mas começaram este ano tantas outras ficções, vamos ver onde elas chegam e daqui a 20 anos confirmamos.