Blue Jay tem o atrevimento de nos fazer sentir a mais. Tal as singularidades que ali são exorcizadas, tão bem executadas que a intimidade existe enquanto terceiro elemento. Enquanto confronto das duas interpretações - digam-se maravilhosas - de um tempo congelado. Uma pausa em tudo o que correu, o que falhou, para depois entrar a música e logo se vê. O amor é deles, e podermos espreitá-lo, é de facto uma ave muito rara.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
domingo, 8 de janeiro de 2017
E quem encontrar este sabe onde me encontrar
E o realizador de El incidente, Isaac Ezban, tem mais recentemente Los parecidos. Filme que promete seguir a lógica de quebra cabeças e que tem o poster mais espectacular de sempre. Por isso, se alguém encontrar este maroto, em qualquer loja ou outro lugar, faça o favor de me enviar. Eu pago em charadas ou cervejas, como preferirem.
Para ver outra vez, e outra vez, e outra vez
El incidente é daquelas descobertas do acaso - Senhor Joaquim - que nos tomam de assalto. O poster estava à rebentar de elogios e a sinopse tinha o meu nome escarrapachado. Sim, sim, play. E se o primeiro acto é dor de cabeça, o segundo rebenta-te com a mesma. Inverte, escreve, gatafunha e complica, uma maravilha inacreditável feita com meia dúzia de tostões, da qual não consegues sair. Às voltas, como eles, à procura da saída, das rotinas, dos gritos, da velhice. Fecha-se talvez com exposição a mais, não daria tantas cartas naquele final, mas tudo resulta. Porque isso aqui estou, a pregar a palavra; desde Los cronoscrímenes que não vibrava tão honestamente. É mesmo, é um cabrão dum clássico de culto instantâneo.
sábado, 7 de janeiro de 2017
Assim à primeira (e única) vista
Eu gosto destas análises, tão ricas a cappella, como depois, já com toda a orquestra e os dados científicos. Primeiro Cage, com a cara de todos os posters, de todos os 147 filmes que faz por ano, sempre como protagonista. A foto deve ser a mesma, depois metem-lhe o chapéu e um fato de marinheiro do Centroxogo. Depois parece-me o Tom Sizemore, à esquerda e um gajo igual ao The Punisher (série TV), sendo que do outro lado, o The Punisher filme (um deles), e dois putos sinistros que ou falecem, ou então são os únicos a sobreviver, já velhinhos, para contar a história. Verídica claro, e um casalinho de tubarões, para facilitar. Por último, a cabra da cereja, realizado por Mario Van Peebles. Agora vou descansar e depois vejo o trailer. Desejem-me sorte.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
De depósito cheio
Por sentir muito a falta de Tony Scott, é que vejo um certo encanto nesta malta despachada. Não aquele fim de linha Michael Bayano mas um pulso apertado, ao largo mas não tanto, fechando depois na hora certa para o frenético. Aquela panela de pressão estruturada, bem apresentada, que nos coloca à beirinha, hoje no livro vermelho das obras ameaçadas. Por isso há que dizer e espalhar: o momento em que a plataforma cede, desiste, rebenta, grita, mata, é possivelmente a grande cena de ação do ano passado. Bem em todos os toques, espaços, tempos e desfechos. Como um lembrete apocalíptico dos nossos dias.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
A magia é mesmo essa
O cariz mais taxonómico de David Yates - e seus tiques literais - resulta aqui que nem veludo no fumo. Resistindo, ainda por cima, aos tique de jogo, de vender bonecos ou segmentar as capturas. Não, há de facto um cuidado maior nas personagens - talvez por elas serem novas - o tal espaço, para interação e conflito, as chamadas cenas e peripécias por quem tantos suspiram, deixando as criaturas naquela máxima da preservação. De não perceber o monstro na totalidade mas saber que ele é crucial para a totalidade do nosso ecossistema, a biodiversidade de espécies, com ou sem magia. É essa a principal mensagem, a enorme confiança e importância que o filme ganha, oferecida de forma bonita, bem interpretada e com um ambiente guloso, de ver e chorar por mais. Desde Harry Potter and the Prisoner of Azkaban que a magia não andava assim, deste lado, à solta!
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Nunca deixámos de estar virados para a parede
O novo Blair Witch vence no autorretrato, da franchise e do género: o ciclo, onde tudo vai dar, inevitavelmente; outros gritos, outra carne, mas a casa, esse assombrado ponto de chegada nunca se altera. E sobrevive ao tempo, ou não estivéssemos de novo a gastar tecla com a bruxa, aquela com histórias dentro de histórias. Da floresta, do bosque, ou não fosse esta sequela inicialmente - quando saiu aquele trailer com Every Breath You Take - intitulada de The Woods. É essa imensidão confusa, claustrofóbica e cíclica que sobrevive, o que por si só já é oxigénio.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Só faltava não ser no espaço
Devia haver um qualquer comité de ética traileriana que mantivesse os mínimos. Apenas dentro dos eixos. Ou seja, não deixar que um filme tenha trailer de outro filme, para vender. Comigo até foi engraçado, tenho a mania que sou esperto e que sei tudo, fiquei feliz com a trapaça. Agora não faz com seja bonito menino Passengers, vender aquilo e dar o outro. Vender um mistério pesado, ai mas porque é que eles acordaram, é uma cena muito densa e cheia de pistas, e dar uma bizarria, um belíssimo espectáculo visual de solidão, linear e limpinho. Muita gente a pedir o dinheiro de volta e a cuspir os pedaços de milho para o chão.
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Vindo de Marte, Miguel aterra na selva indiana para uma semana de descanso em cuecas. Rapidamente percebe que as panteras, os ursos, os lobo...










