sábado, 7 de maio de 2016

Perdão procura-se

Ia aqui falar de outra coisa qualquer mas acabo de descobrir que já vi este filme. Foda-se. E agora? Ou como dizem nas séries americanas, now what? Posso continuar com vocês? Devo sodomizar-me como o albino do Código Da Vinci? Ou basta colocar a seguir uma imagem da Daddario?

Tomei a liberdade de pensar nisso

Estava a pensar, mas quando é que fazem um Moon em Marte. Ah já fizeram o The Martian. Não é bem, queria uma coisa mais barata, tipo só com um ator e o outro gravado, a fingir que está na Terra. Estão a perceber?

Sacos de boxe

Mais que documentar, Son of Saul quer desconcertar. E fá-lo logo. Como se a verdade pudesse ganhar todas as formas do mundo. De trás para a frente. Tudo vale, e lá não vale trincar distâncias. Subtis modos de deitar abaixo a quarta: entramos à bruta, restritos àquele par de olhos, donos da sua confusão, da desistência. Soco após soco. Mais que documentar, é provar o silêncio. É saber o que é não viver.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Até ela leva as mãos à boca

Captain America: Civil War é tipo o X-Men 2 só que ao contrário e em mau. O incrível filme de Singer, no inocente e longíquo 2003, provocava o debate, abria de facto guerra, não só às personagens mas aquilo que elas tão bem representavam. Acreditavam. Era tempo para se manterem unidos. Ora bem, na mais recente pastelice da Marvel, é tempo deles se manterem separados, depois um bocadinho unidos, depois separados de novo, unidos, separados, e, talvez, unidos? Toda a classe cinzenta, política e pouco circense de Captain America: Winter Soldier, dá lugar a uma feira, uma espécie de Avengers 3, um filme que apenas existe a espaços. O resto são fatias de uma enorme novela, para apresentar mais 36890 personagens que irão nos próximos anos dar origem a mais 64780093 filmes. Faits divers, para um grupo de amantes, de fãs que mamam as piscadelas de olho como se fossem caracóis numa tarde agosto. Mas não passam disso, faits divers, volto a dizer, faits divers. Toda a parte dos protocolos, da diferença de visões, de modos de pensar, colocada em cima da mesa para debate deveria ser o motor. Porque isso interessa e teria interessado. Mas não, vamos é falar do Bucky, que já teve direito a um filme, mas vamos lá falar dele outra vez e da amizade mais mal parida da história das amizades mal paridas. Numa espiral de vai não vais, aos soluços, num argumento que se confunde a ele próprio e se auto destrói, sem dó nem piedade. 

Ah não é nada, faz tudo sentido. 

- Porque é que a CIA, ou o FBI, ou a bófia, ou sei lá quem, anda séculos à procura do Bucky e nunca se lembrou de colocar uma imagem no jornal como fizeram quando ele era suspeito da bomba?
- Porque é que o mau é o pior mau de sempre na história de todos os filmes da Marvel quando pensávamos que isso já não era possível?
- Porque é que o mau quer saber onde estão os super soldados?
- Porque é que o mau não usa os super soldados?
- Porque é que o mau não mostra logo, tipo no início, a cassete com o Bucky a matar os pais do outro?
- Porque é que a cena do Vision com a Wanda parece saída de um filme porno? Ah paprika. Ah nunca comi nada na vida e tal.
- Porque é que só morre o pai do Eusébio no filme todo?
- Porque é que a Widow mostra tão pouco a peida?
- Porque este filme nunca mais acaba?

Depois das fofocas

The Shallows é o meu tipo de trailer. Quiçá, meu tipo de filme. Ainda para mais super bundão e mamão da Blake Lively. Sem grande espaço para manobras, aborrecimentos ou tristezas. É só ela e o tubarão, como aquele filme em que era só ela e o senhor do parque de estacionamento. O gato e o rato têm os dias contados.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Este poster é um bocado parvo

A sinopse pior. Uma bailarina e um violinista apaixonam-se e depois vão participar num concurso de hip hop. E depois não percebi muito bem porque o trailer desligou-se. Sozinho. De repente. Estranho.

Mais uma noite descansada

Outro, do género, e também na dica do rectilíneo, Hush. Não podia, e aqui não podia mesmo, ser mais simples: uma surda muda vê-se encurralada em casa por um psicopata. E podia haver aqui um golpe de asa, uma brincadeira ou desconstrução. Não há. A surpresa é mesmo essa. Flanagan, o cavalheiro do Oculus, consegue de tal modo a imersão que damos por nós, de novo, a torcer. Toma lá caralho. Quando ela lhe manda umas porradas. Tão isolados no truque do som - clap, clap, clap - que só voltamos a ouvir em segurança umas boas horas depois. Ansioso por Before I Wake.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Já lhe chamam o Coisa Ruim de New England

Desde Kill List que um final não me deixava tão terminado. Como se não houvesse nunca a percepção de outra estação. Eles lá falam em flores, mas não, mentiras, numa espiral descendente do negro. Um ambiente fechado, pequeno, pobre, sujo e animal. Incrivelmente bem retratado, sempre nos fechos a negro, na latência dos próprios parágrafos de contos populares e velhas histórias. A chocar com os rostos lívidos de uma pressuposta inocência. Desconfortável, demasiado teatral de tempos a tempos, mas no final dos chamamentos e gritos, um dos grandes horrores do ano.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Mas porque é que todos os filmes não são com a Maria Isabel?

Agora que já estou sóbrio, posso afirmar com testa séria: não tem merda nenhuma a ver com o Cloverfield. Só nome, e mesmo o nome já estica. É tipo família, e tal, e depois, os ovos da Páscoa. Oh moços, querem um balançozeco, tudo bem, agora não se ponham com teorias desgraçadas que depois um gajo fica cheio de falta de ar. Saí do cinema a acreditar que isto estava tudo ligado, e a fazer desenhos no meu livro de esquissos. Esta última parte é mentira mas a primeira confirma-se. O cerne, é que não precisam nada um do outro, são orgânicas muito distintas: um found footage para um found miúda presa num bunker. Muito twilight zone, a segurar bem o mistério, com uma protagonista fortíssima - nunca percebi bem porque é que ela não aparece mais - enrolada numa imagética muito própria. Sem grandes regras, virando tudo à esquerda no último acto porque sim, respondendo, para o bem e para o mal. Ah e depois claro, já me tinha esquecido, mas quem tem a respiração pesada de John Goodman tem tudo. Meio filme, naquele desconforto débil, naquela prisão. E depois claro, na boa tradição destes novos mistérios, a música, sempre a música.

Cineobrigatório

Eu sei, eu sei, mas é o Independence Day

Também nós, espectadores, tivemos os tais 20 anos de preparação. Duas décadas à espera. Provocam-nos habilmente com isso, quase em jeito de questão, reflexão. Que estamos nós à espera? Somos nós, a tal geração que foi levada a acreditar que podia ganhar, mudar? O trailer ingenuamente - de propósito - apela a este puto, a um quase papel químico do primeiro, dos 14 anos, de um olhar deliciado sobre um blockbuster; porque as coisas aí eram de facto divertidas. Vamos lá a isso.