quinta-feira, 8 de maio de 2008
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Cashback

[As traduções portuguesas dos títulos chegaram a um ponto que, quando as leio, a minha única reacção é um encolher de ombros conformado. São como aquele maluquinho que todas as terras têm, que vagueia sozinho em acções estranhas, gritando alucinado e pedindo cigarros a quem passa. Quem o conhece já não estranha, limita-se a dizer ele é mesmo assim, coitado.E lá continua ele, no seu mundo próprio sem que as vozes alheias o incomodem. Vamos então vê-lo em acção: Forgetting Sarah Marshall foi traduzido para Um Belo Par de...Patins e Cashback para Bem Vindos ao Turno da Noite. Ia argumentar e tentar explicar porque é que isto não faz sentido nenhum, mas já desisti...já nada me surpreende...]
Aclamado em muitos festivais e nomeado para o Óscar de Melhor Curta-Metragem em 2006, Cashback desdobrou-se agora num filme completo. Sean Ellis pegou no cerne já construído e adicionou duas novas partes, uma antes e outra depois, que se unificaram nuns saborosos 100 minutos.
Primeiro devo confessar (mais uma vez) que sou um fã absoluto do supermercado como espaço da acção, há toda uma dinâmica e uma poesia estagnada que me fascina. Assim como The Mist este Cashback filma-se quase na sua totalidade entre as prateleiras e os carrinhos das compras.
Depois de um doloroso fim de relação Ben deixa de conseguir dormir, os dias duplicam e as horas arrastam-se dolorosamente. Preso nesta insónia constante decide dar uso às oito horas que sobram no seu dia, começando a trabalhar no turno da noite de um supermercado, ele dá o seu tempo, eles dão-lhe dinheiro (cashback). Sem o repouso necessário desenvolve a estranha capacidade de congelar os momentos e vaguear nestes segundos imóveis, apreciando a beleza escondida das coisas. Esta era a premissa da curta e continua a ser a base desta longa metragem, que adiciona ao enredo uma história de amor e novas personagens.
Visualmente Cashback é muito bonito, transformando pequenos instantes em enormes deleites visuais, desde o ambiente consumista e deprimente da superfície comercial , até aos momentos parados num silencioso desfile de estátuas. A contar tudo isto aparece a narração do protagonista, que reflecte de forma perfeita o sentimento de ausência, captando coisas tão singulares que, se não fosse ele, esqueceríamos que elas fazem parte da vida. Constroem-se assim monólogos e diálogos fantásticos que reflectem uma geração desagradada, instalada num meio termo incerto, e que pouco ou nada acredita num lugar ao sol. À volta deste ser temos um leque de criaturas estranhas e diversificadas, desde o louco do patrão até à discreta menina da caixa, que ajudam no estabelecimento de um universo peculiar, típico dos sonhos, ou dos pesadelos.
Por ser um filme que vive à base de parcelas, sentimos por vezes uma certa desfragmentação da narrativa, percebemos que existiu uma certa dificuldade em colar os três pedaços, falta coesão nalguns pontos de ligação. Outra fragilidade do filme é a história de amor e o seu final previsível, que vai contra todo o negrume e diferença do que estava para trás. Fazia falta um desfecho real, mais podre e mundano, um fim à imagem do início, e não o desenho de um conto de fadas. Em certos momentos achei também a caricatura a certo esterótipos demasiado forçada, sente-se o exagero num grito ou dois das personagens secundárias, ofuscando um pouco a linearidade da primeira meia hora.
Cashback não é para todos os gostos. Temos que entrar por completo e fechar a porta. Encontrarmos pontos comuns com Ben e deixarmo-nos levar. Eu achei-me e apesar de ter alguns defeitos, acho que no geral se trata de um belíssimo filme, com momentos que apetece escrever e voltar a ver, com pensamentos do dia-a-dia, da vida, da simples beleza escondida num pacote entornado de ervilhas.
(+) Todo o filme é muito bonito e tem momentos genuinamente geniais.
(-) Falta de coesão nalgumas passagens o que faz com que por vezes o filme perca o seu ritmo.
terça-feira, 6 de maio de 2008
As areias do tempo
Lembro-me daquele dia. Do momento em que vi pela primeira vez o velhinho Prince of Persia. Início dos 90 e um computador cansado, estacionado na sala de jogos da nossa ludoteca, fazia-nos sonhar com as maravilhas mais recentes do mundo dos jogos, do mundo lá fora. Para a altura era um estrondo, tanto a nível gráfico, como a nível de história e longevidade, era aos olhos deste puto o melhor jogo do mundo. As areias do tempo correram, os jogos estão noutro patamar e surge agora o primeiro poster do filme que estreará em 2009. Tem tudo para ser bom e o que eu peço ao senhor Mike Newell é que não estrague o sonho aqui desta criança.Continua vivo
It´s still alive..ouvia-se na gravação invertida depois de desenrolados os créditos finais de Cloverfield. Mais uma pista para o saco e ficava definitivamente o rastilho aceso para a sequela. E se o primeiro teve uma campanha viral de peso com certeza que o segundo não ficará atrás. Eu como fã absoluto, desdobro as pistas e perco-me de site em site, que nem doido desnorteado, à procura de teorias, de vídeos, de frames com setas vermelhas, de mais sobre a história do gigantesco monstro que uma noite decide destruir Manhattan!Isto tudo porque, vindas não se sabe bem de onde (até podem ser falsas e esse lado especulativo dá um imenso gozo à coisa), apareceram na internet duas fotos do fundo oceânico onde vemos...bem isso agora deixo ao critério de cada um...

Tudo (ou muito pouco) sobre este assunto aqui e aqui.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Para o infinito e mais além

Este blogue faz um ano e para comemorar vamos organizar um ciclo de cinema do Renny Harlin. Estão todos convidados para este evento do qual farão parte filmes como o estonteante Driven, o assustador The Covenant e o arrebatador Cutthroat Island! Two thumbs up!
Estava a brincar. Queremos apenas agradecer a todos os que frequentam aqui o nosso cantinho e continuam a ler as nossas linhas! (Um especial obrigado ao Chainho pela colaboração!)É muito bom fazer parte deste universo cinéfilo, de falar e de ouvir, de dar e receber, de ler, de chegar a casa e escrever.
Estes dois compinchas vão continuar por cá, a trocar ideias e a contar histórias do céu, neste nosso espaço...
domingo, 4 de maio de 2008
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Iron Man
Nunca tinha ido ao cinema tão cedo. Nem sabia que existiam sessões antes da uma da tarde mas a verdade é que, como assinalado no bilhete, ao 12 e 50 lá estava eu no escuro da sala, preparado para mais uma adaptação de uma BD da Marvel. E antes de começar, ou começando pelo fim, deixem-me dizer-vos que achei Iron Man um óptimo filme. Dito isto vamos lá desmontar o herói por peças. Mesmo sem conhecer os quadradinhos quem viu os trailers leva de antemão uma gorda noção da história e do rumo dos acontecimentos. Lá começamos no deserto onde Tony Stark, um milionário da indústria do armamento, é feito refém por um grupo de rebeldes que o obrigam a construir um inovador missil, fabricado com o intuIto de servir as tropas americanas. Sem grandes alternativas e com uma espécie de íman no peito que o mantém vivo, decide construir um fato indestrutível e assim tentar a sua fuga das fechadas montanhas do Afeganistão. Esta é a base que sustém e desencadeia toda a acção, assente num só homem: Robert Downey Jr., que foi realmente uma certíssima escolha para o papel, parecendo em certos momentos que são mesmo dele as jogadas inconscientes e os toques de arrogância, o poder de ter tudo e conseguir conduzir a sua fábrica para o bem, fabricando uma nova forma de agir. Como qualquer herói que se preze, Stark tem também a sua mais que tudo, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) fiel secretária, empregada, assistente, o crânio por detrás de todos os compromissos e vida social, reuniões e confusões. Formam um par amoroso com uma dinâmica pouco usual mas muito bem conseguida e que dá imensa cor ao filme (o pormenor da prenda que ela lhe dá ser no final a sua salvação é muito bom). A estes dois pontos fortes juntam-se os efeitos especiais absolutamente fantásticos (apesar de não serem inovadores), com cenas aéreas de cortar a respiração, um ritmo muito competente, que nos envolve com facilidade (são 126 minutos que passam a correr), algumas cenas divertidas e um final com muita personalidade.
Apesar de todas estas virtudes, Iron Man não me encheu as medidas, não me fez vibrar e desejar a vitória do nosso super-herói (lembro-me de que no Superman Returns estava mesmo em delírio). Falta alma e ambiente, sente-se demasiado a ausência de uma música forte, de um tema que se devia impor e gravar os tons nas nossas memórias, um quadro pintado, ruas mais espessas que se associassem a um certo universo que não é de todo definido. O que não temos também é um vilão à altura: Jeff Bridges tem uma boa actuação mas nunca chega a ser o mau que se precisa, não consegue a densidade necessária, sem contar que rapidamente lhe descobrimos a careca. Chegamos ao fim sem nenhum momento para levar para casa, sem grande tema de conversa ou alguma controvérsia. Faltava algum rasgo criativo, alguma invenção que agitasse o passo certo da fita.
Feitas as contas Iron Man, apesar de não salvar o dia, é um excelente entretenimento, construído com bons actores, muita acção e algum humor. Um bom pontapé de saída para a promissora época que agora começa!
(+) A personagem Tony Stark.
(-) Nunca consegue ser memorável.
NOTA - esperem até ao final dos créditos para verem uns 40 segundos bastante curiosos.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Foi engraçado encontrar a paz num filme de guerra
Vinha no caminho a pensar em meia dúzia de palavras. Em conceitos que aqui montados vos dessem uma ideia de paz. A solidão de uma viagem cansada tem destas coisas, vemos sozinhos outros sítios, vemos tanta coisa que nunca vemos a estrada. Cheguei a duas ou três composições, repeti-as com as manias e tiques de uma condução acertada, soavam a enjoo. Queria mostrar o segundo antes de um final, a imobilidade antes de uma tempestade, a serenidade antes da queda. Gosto desse instante, e só me saíam poemas quadrados com quadras pobres, sem milho nem trigo para alimentar o mais faminto dos leitores. Queria cortar aquela fatia de tempo onde poderia viver o resto, o que ainda tenho e o que ainda vem, queria mas só caíam contos desajeitados onde o casal morre, onde saiem todos destroçados. Até que cheguei. A casa e ao mar. Não tenho as letras desta cena, mas tenho um soldado que decide ser apenas homem e mergulha na calma azul do sossego, onde os corpos deslizam lentamente e uma canção flutua ao ritmo de cada vontade.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
-
[SPOILERS] Não li o livro. Mas, ao sair, senti falta das páginas. Inédito aqui, este luto não lido. Em concreto pelas páginas de detalhe, on...
-
Vindo de Marte, Miguel aterra na selva indiana para uma semana de descanso em cuecas. Rapidamente percebe que as panteras, os ursos, os lobo...



