terça-feira, 14 de outubro de 2008

Bizarros talões

Uma vez fui ao Modelo e comprei um limpa-vidros e O Processo. Pensei que nunca na vida iria superar este estranho talão, até ontem, dia em que comprei uma caixa de Chocapic e o Pulp Fiction (1,89 €).

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Balanço em série (parte I)

Chegou então a altura de falar da reentrada outonal das séries televisivas norte-americanas. Enquanto umas começam do zero, outras limitam-se a continuar o trabalho feito, com as mesmas caras no mesmo caderno. Neste conjunto de folhas que caem das árvores falo então sobre estas:

House (5ª temporada) – Depois do melhor episódio da série no final da quarta temporada era necessário manter o nível de inovação e criatividade bem elevados para a série não cair nos velhos vícios. Tal não aconteceu e para além de ter sido um arranque morno e sem imaginação, acrescentaram ainda a personagem mais desinteressante da história da série (quiçá da televisão) o detective Lucas Douglas. O futuro não é de todo risonho.

Heroes (3ª temporada) – Se uma série fosse uma história de amor, Heroes seria sem dúvida uma daquelas trágicas e fatídicas, onde o meu pobre coração seria impiedosamente despedaçado. Gostei muito desta série, do seu ambiente escuro e da sua abordagem diferente à temática dos super-heróis, era mesmo o fã, que semana após semana, esperava ansioso por mais um pedaço de aventura. Isto até à segunda temporada, acidente sem pés nem cabeça, que embrulhou e entortou este universo de tal forma que as saídas ficaram demasiado apertadas. Tentar limpar uma trapalhada destas não é fácil e por muito bem intencionada que esta terceira temporada seja era preciso uma mudança de fundo para a coisa voltar a funcionar. São demasiadas linhas de argumento que continuam sem fazer sentido e chegam duas ou três questões para este frágil castelo de cartas desabar na nossa cabeça. E quando não acreditamos naquilo que vemos, por mais fantasioso que seja, então mais vale chamar o haitiano e esquecer tudo isto.

Prison Break (4ª temporada) – Poucas coisas sustentam no ar esta estrutura inicialmente pensada para ser uma prisão. Rapidamente saíram, rapidamente voltaram a entrar e agora cá fora de novo juntaram-se numa espécie de Scofield’s Eleven e tentam roubar uma lista que pode finalmente destruir a Companhia. Apesar de ter sempre um ritmo fantástico muita da magia já não mora aqui, já não temos as tatuagens e o constante brilhantismo de um plano. Tudo é muito improvisado e feito na hora, já não existindo a confiança de uma fuga que ia sendo destapada aos poucos, ao longo dos episódios. O formato está gasto e penso que terminar a série no fim desta temporada seria o mais sensato.

Pushing Daisies (2ª temporada) – Ou se adora ou se detesta. Eu adoro e dou graças a alguém do topo da cadeia alimentar televisiva por apostar neste universo. A primeira temporada teve apenas 9 episódios, soube a pouco e o esperado regresso foi feito em grande estilo demonstrando uma fantástica capacidade de inovar. Não há nada na televisão actual que se compare a este devaneio quase Burtoniano que tem em cada episódio uma história de crime distinta, com novas cores e espampanantes cenários, com óptimos actores, principais e secundários. É a lufada de ar fresco num ambiente saturado e cansado, que se deve seguir com a maior das atenções.

Fringe (1ª temporada) – Apesar das inevitáveis comparações a X-Files e Alias, é das séries novas a mais interessante e a mais bem conseguida. A escolha da protagonista foi um tiro certeiro e todo o ambiente criado à volta da chamada ciência fringe é deveras cativante e original. Para aqueles que procuram respostas imediatas talvez este não seja o produto indicado, ou não estivéssemos a falar da mente do senhor J.J. Abrams. Para os outros que, como eu, montam estes puzzles com paciência está aqui entretenimento do mais alto nível. Deixo-vos com o fantástico genérico de abertura.


Elementar meu caro

Parece-me bastante óbvio que este Sherlock Homes será um dos grandes filmes de 2009. Grande na medida em que tem Guy Ritchie a realizá-lo, Robert Downey Jr., Jude Law e Rachel McAdams a interpretá-lo e uma legião de fãs a aguardá-lo. A escolha desta equipa transforma esta obra num mar de possibilidades infindáveis e tudo o que vier será sempre uma surpresa. Cá te esperamos.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A banda sonora dos (créditos) finais

Decidi construir uma banda sonora. Peguei nas músicas dos finais que mais gosto, ou nos finais com as músicas que mais admiro, ou vice versa, e alinhei-as em jeito de cd. São dez canções que a meu ver, emparelhadas com a respectiva sequência, criam a sintonia de um final perfeito.
A lista é esta:
1. Where is my mind – Pixies (Fight Club)
2. Sealed with a kiss – Bobby Vinton (All the Boys Love Mandy Lane)
3. Don´t You (Forget About Me) – Simple Minds (The Breakfast Club)
4. Club Foot – Kasabian (Doomsday)
5. Wake Up - Rage Against the Machine (Matrix)
6. Anyone Else But You – The Moldy Peaches (Juno)
7. Extreme Ways - Moby (Bourne Ultimatum)
8. What a Wonderful World – Joey Ramone (Bowling For Columbine)
9. She – Elvis Costello (Nothing Hill)
10. Save Me – Aimee Mann (Magnolia)
Bonus Track : The Outfield - Your Love
Aqui está a minha escolha, com direito a uma faixa bónus, música que encerraria na perfeição qualquer final, ou ao nosso ouvido, que fecharia o nosso filme.
Lanço agora o desafio a todos aqueles que têm um blogue e gostam de cinema, qual é o vosso cd dos vossos finais? Aguardo resposta em vossas casas.

Ensonado como eu

Ontem, deitado no sofá e preparado para um CSI de boas noites, descubro que o Dead Like Me anda a dar na SIC Mulher. Há muito que perseguia esta série e é num vulgar domingo de sofá, no último canal do meu zapping, que a encontro.
Agora que aqui cheguei, é não perder de vista.

Michael Cuesta

No outro dia lembrei-me de Michael Cuesta, realizador de L.I.E., Twelve and Holding, de alguns episódios de Dexter e de Six Feet Under (no que eu chamo de currículo invejável). Lembrei-me e questionei: que andas tu a fazer? Depois de uma pesquisa relativamente curta, descobri que este senhor realizou o episódio piloto de The Oaks, uma série de fantasia e terror que segue a história de três famílias que viveram na mesma casa (assombrada) durante um peródo de 40 anos. Apesar de ter sofido alguns atrasos e de eu não conseguir encontrar nenhuma informação verdadeiramente sumarenta acerca deste produto parece que é este mês que ele sai cá para fora. Ficamos à espera.

Tantos posters por aí e só deixei entrar este

O nome é altamente sugestivo e melódico, rimando com as excelentes críticas que vão aparecendo um pouco por toda a internet. A história gira em torno de um rapaz vítima de bullying que encontra refúgio na companhia de uma jovem vampira. É uma mistura altamente improvável de temas, que deixa qualquer fã do(s) género(s) bastante curioso. Como é sueco, os americanos já trataram de jogar mãos à obra no típico remake, que, não deixando de ser mais uma cópia desnecessária, parece-me ter sido bem entregue (Matt Reeves).

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Elite Squad

Americanizar é um verbo mágico, que existe e amedronta o mais inocente dos processos. Para os mais cépticos deixo aqui um exemplo divertido, pelo menos para mim: o Tropa de Elite tem um trailer, brasileiro (faz sentido) que retrata perfeitamente o que vamos encontrar na fita (o que também faz sentido). Depois de o ver, deparo-me com o trailer de Elite Squad (só o nome com a pronúncia certa já diz muita coisa) que, para quem não conhece o original, parece o aperitivo para mais um filme do Vin Diesel. Montaram e inverteram todo o sentido da coisa, de forma a ela ficar, como é que eu hei-de dizer, americana.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Old habits


- Bom dia queria a Premiere.
- Ai, essa já deixaram de nos mandar há muito tempo!
- Não deixaram de mandar, foi descontinuada.
- Descontinuada?
- Sim acabou.
- Acabou?
- Sim, parou um ano mas agora está de volta.
- Está de volta?
- Sim saiu hoje.
- Mas como é que sabe?
- Vi na Internet e estou a vê-la agora.
- Ah, pois é, está aqui, sim senhor, que engraçado…


[Já me sentei deliciado no sofá, enquanto o cheiro das folhas trazia à tona o gozo de um velho hábito. Está como sempre a conhecemos, excelente. Bem vinda sejas.]

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A Laura Palmer não morreu

Deu logo para sentir que algo estava diferente. A Thelma e a Louise tinham parado o motor e saído do carro. Demorou pouco até às algemas e o cárcere. O velho automóvel ficou ali parado diante do desfiladeiro, íngreme, onde Mufasa conseguiu finalmente subir, foi dar a volta e não apanhou o irmão. Assim como A Noiva não matou o Bill, faltou-lhe a coragem no último instante, segundo em que caiu ensanguentada, lívida, altura também em que Neo percebeu da pior forma que não era o escolhido, ali ficou deitado, enquanto a fé da humanidade se esvaía, reforçada pela morte brutal de uma empregada de mesa, uma tal de Sarah Connor – os jornais engordam a notícia, morta à caçadeira! Por outro lado o detective David Mills guardou a arma e não matou John Doe, faltou um pecado, e a seguir logo outro quando Catherine Tramell arrumou o picador de gelo na gaveta da cozinha. Nunca descruzou as pernas, nem nunca McFly regressou ao futuro. Deixou-se ficar no presente, onde se sentia, irremediavelmente, diferente.