Fãs da saga: antes de adquirirem o bilhete, vão a uma feira, agarrem naquele martelo do jogo dos bêbados e espetem o prego na mão direita. Umas marteladas valentes de forma a que fiquem pregados ao tronco de eucalipto. Assim já não conseguem ir ao cinema e simultaneamente tiveram um momento menos doloroso do que se tivessem ido. Confiem.
A verdade verdadinha é que quando saiu o trailer, todos sentimos que algo não estava bem em Woodsboro. As mesmas fugas uma e outra vez, setenta vezes a cena das facadas na parede, ruas sem ninguém, tudo escuro, ausência de escala, de narrativa. Mas calma, calma que vão regressar os antigos, calma, que isto é tudo um truque, mostram apenas uns momentos escolhidos a dedo para não nos estragarem a experiência. Calma que o filme vai ser outra coisa: um new nightmare, um regresso às origens com o flashback da mãe da Sidney, o Stu realmente vivo, a irmã do Stu a vingar-se, o primo do ex-marido da irmã Stu também a vingar-se, estas e outras teorias a alimentar o borralho entusiasta. Tronco a tronco. Estava tudo em aberto. E goste-se menos ou mais do que foi feito depois da obra-prima de 1996, a verdade é que todos os Gritos (especialmente os do Craven) mantêm as suas notas trágicas. No meio do comentário meta e da comédia pop, no meio das bonecas russas e das decisões idiotas, existiu sempre um negrume, uma espécie de nevoeiro fatídico que nunca larga. Até hoje. Até a calma se dissipar e dar lugar a um esboço de filme.
Afinal o trailer não enganou ninguém, não há um espaço nem um cordão umbilical com o passado. Não temos esquadras, não temos escolas, nem conseguimos ter um estúdio de televisão credível. Parece que tudo é feito para gastar o menos possível, esquecer o enredo; saltar as perseguições, saltar a tensão, passar para ação atrás de ação, entremeada com diálogos escritos pelo copilot (versão gratuita) e personagens que são tão pouco que nunca chegam realmente a ser suspeitas. A revelação final é o detonar de uma série que sempre teve algo a dizer mas que perde aqui a sua voz. Williamson - à semelhança do que o Koepp fez com Jurassic World Rebirth - tenta corrigir o rumo caindo nas armadilhas destes dias, não as trapaças da inteligência, mas as rasteiras da artificialidade.
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