Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

Howard Shore



A questão das susceptibilidades

Uma vez fomos comer a um restaurante onde a picanha sabia a peixe. Sabia, cheirava e só não era peixe por acaso. Um amigo meu, que conhecia a dona, fez a abordagem delicada - sabe um bocadinho a peixe - disse. Um bocadinho nunca magoou ninguém. Isto para dizer que vi o The Evil Dead e que me encontro nesse delicado dilema. Como é que explico, sem ferir, que para mim, esse super clássico de culto, não tem um bocadinho de ponta por onde se lhe pegue?

Terça-feira, 18 de Junho de 2013

Miss Junho









Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

When Brave Bird Saved

Já sou avô?


Dono desnaturado. O blogue faz seis anos - 5 de maio - e ele nem passa cartão. Nem um bolo de arroz com vela marca Continente a assinalar a data. Lamentável. Esqueci-me, lembrei-me, hoje, ainda na cama. Já vão seis, assim às escondidas. Uns meses mais cheio, outros mais triste. É mesmo assim e é esse feito que me continua a encantar: ser por um lado refúgio e por outro reflexo, esconder mas espelhar o que me assombra. Isso só é possível numa história de amor, como esta. Obrigado a todos que por aqui param, sem promessas nem compromissos.

Domingo, 16 de Junho de 2013

Os homens do Gatsby

GRANDE
- Leonardo Di Caprio. Já me rendi. Não há como contornar a sua solidez, empenho e dedicação. Afunda-se no desespero e carrega o filme às costas. O único verdadeiro actor.

PEQUENO
- Baz Luhrmann não descansa nem deixa descansar. Não percebe o que a história precisa e não deixa a cena ser cena. Não se respira. Sempre que os diálogos começam a abrir ele fecha-os com música, côr ou pirotecnia. Como se ele próprio usasse o papel de anfitrião para esquecer a realização.
- Tobey Maguire faz a mesma figura desde que começou a fazer papéis. Aqui, no cavalinho das corridas, no aranhiço, os olhos, as palavras, são exactamente as mesmas. Fraquinho fraquinho. 

A ZON Lusomundo já corrigiu o erro e traduziu acertadamente Man of Steel para Homem de Roubar. Assim sim.

Sábado, 15 de Junho de 2013

Pôr a pilinha na prateleira e comprar bilhete para o The Great Gatsby. Até logo.

Jovem procura teoria

Não façam o que eu fiz, ver o Upstream Color sozinho. Sobra logo um grito de apelo, para a conversa e o diálogo. Uma enxurrada de ideias à procura de liberdade e partilha. É toda uma experiência que precisa de mais sentidos, cinco não chegam. Está aí alguém?

Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

As idas à casa de banho nunca mais foram iguais

Frequently Asked Questions About Time Travel devia ser esfregado nas fuças de todas aquelas americanadas hormonais que ano após ano nos entopem os cinemas. Para que seus autores percebessem o que é classe e respeito. Não só pelo tema escolhido mas pelo espectador, sedento do entretém e do desafio. 

Qualquer maluquinho das viagens do tempo - eu - vai para este filme com a urgência de um fim de mundo e a exigência de um júri fodido. Não é fácil, propor uma enciclopédia visual sobre um dos grandes pilares da ficção científica cinematográfica. Ainda para mais quando estamos a falar de uma comédia baratuxa. Três amigos, num bar, a falar. É isto, e isto resulta. Classe e respeito, como eu disse em cima: no sabor sublime do humor e no cuidado minucioso de nada ficar para trás. De igual para igual, de fã para fã, como se estivessemos também com eles, de cerveja na mão, a discutir este e aquele paradoxo. Absolutamente imperdível.
Ninguém merece duas vezes os piercings do Rodrigo Santoro.

Quarta-feira, 12 de Junho de 2013

E que série ando eu a ver?

Lá sai a biografia da praxe

Naomi Watts como Diana. Quem será o Príncipe Carlos, o Simon Baker? Ou um sacana ainda mais bonito? E estará a actriz a preparar-se para o seu primeiro Oscar e posterior carreira de bostas cinematográficas. Não faças isso à tua vida rapariga. 

Terça-feira, 11 de Junho de 2013

Salta anão, cai anão, foge anão, aparece dragão. Só o trailer já cansa.

Não te vás embora Soderbergh


lhe chamam o Wild Things do novo milénio. Estou a brincar, eu é que lhe chamo o Wild Things do novo milénio porque tem lésbicas extremamente atraentes. Aos linguados e tudo. Estou a brincar de novo, não é só por isso. É que sem grandes pretensões, pela calada, sai um thriller com tudo no sítio. Em constante apneia. Curto e eficaz. De volta em volta para no final parecer que é fácil.   

Segunda-feira, 10 de Junho de 2013

Para ti amigo

O meu amigo Carlos, aquele que foi ver a biologia Charlie´s Angels ao cinema, pediu-me para colocar aqui uma música do Pitch Perfect. Eu não sei do que se trata porque não vejo este tipo de cinema.

Mas porque é que os maus insistem nisto

Muito respeito por um filme que:
- Mata logo a Ashley Judd, apesar do Morgan Freeman andar por lá;
- Mata um cão;
- Rebenta com a Casa Branca em 13 minutos;
- Tem o mau do Die Another Day que já não era mau desde o Die Another Day;
- Oferece mais de uma dezena de facadas na cabeça;
- Tem uma banda sonora tão testosterónica.

E que deus abençoe a América.

Sábado, 8 de Junho de 2013

Fui ao médico e disse-lhe que ia ver o filme da Casa Branca. Ele perguntou qual deles. Não respondi e saí porta fora. Detesto quando os profissionais de saúde são assim indiscretos. 

Cause

Um sem fim de sonhos este Searching For Sugarman. Acordar não é permitido, e a música lá nos vai lembrando disso. Cada uma, desculpa para uma acção, para outra história, que se quer sempre assente no inacreditável. Como pode ser isto? Como pode o mundo ser lugar de tantos mundos? Um sem número de cosmos que nos obrigam a sermos simples. Ele lá o é, com a sua guitarra ao longo da neve, e o gigantesco nada que nos deixa inevitavelmente optimistas. 

Sexta-feira, 7 de Junho de 2013

Crítica da semana: Warm Bodies


Dizem que o Kubrick estava aborrecido


Uma tarde bem passada. Sessão dupla, The Shining e seu ovni contemplativo Room 237. Só podia ser assim, ou devia ser assim, para se mergulhar de cabeça. Na obra e seu respectivo legado. O que mais assusta não são as teorias, que ficam ou não dependendo das crenças, mas sim o que seu conjunto representa: algo maior que alguma coisa. A paixão de procurar mais e de encarar os momentos como constantes desafios. O cinema na sua forma mais humana, orgânica, a mutar rumo a eternidade. Ela, a sua última fronteira. 

Terça-feira, 4 de Junho de 2013

O regresso



Só para avisar que a Linden já voltou

Obrigado ao Shane

É de tal forma o entorpecimento que a ideia de engenho parece, à partida, rídicula. Parva. Quem é que conseguiria enganar o menino. Este rei da perspicácia e da mania, antes é que era bom digo e repito. Pois, Shane Black trocou-me as voltas e por isso merece o meu sólido respeito. Vénia. Bem estranhava, a escassez de imagens, de cenas, a repetição de Mandarim ao longo da promoção. Com aquele sentimento do estranho, mas sem capacidade de levantar a cortina. E voltar a ser surpreendido, a ser mesmo surpreendido numa sala de cinema, é inspirador. 

Domingo, 2 de Junho de 2013

Da Rússia sem amor

Ah desculpe foi engano. Ou então quando se entra de rompante e alguém na boa da relação. É desligar ou fugir. Não pode ser. Mas é. O comando não estava frouxo. Era mesmo um Die Hard. Parei na parte da perseguição com carrinhas e merdas. Adormeci, mas é como se tivesse parado porque duvido muito que lá volte. Raios vos partam a todos. 

Sábado, 1 de Junho de 2013

Spoilers parentais


Eu tenho um acordo de cavalheiros com os meus pais. Boas séries. Em troca, silêncio absoluto até estarmos ao mesmo nível. Claro que, o entusiasmo leva ao debate e dou por mim no meio de informação relevante, spoilers maciços que me acertam entre o quarto e a casa de banho. Desta forma fui obrigado a ver Broadchurch de emergência. Oito episódios em menos de dois dias para manter a segurança do mistério, para o bem do não-chibanço. E confesso que assim até soube melhor, férias naquele sossegado recanto à beira mar. Magnífico policial inglês, com o retinque de quem sabe muito de pessoas e de quem não precisa de traduzir coisa alguma. A música é belíssima, o suspense afinadíssimo e a dupla protagonista é, indiscutivelmente, uma das melhores do ano.

Para assinalar a data

 Era esta ou a do Stand By Me, com vómito também.

Now an important message from Ethan Hawke and Julie Delpy

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Take 30

Ennio Morricone (3)

Então se é Joe Wright a realizar aquela coisa das 50 sombras lá vamos ter nós de levar com a magricela a fazer de jovem executiva submissa porca badalhoca. 

Boas companhias


Uma coisa que percebi, depois de ter percebido que o Benfica perdeu, foi que o verdadeiro elenco de luxo permanece escondido no anonimato. Só estrelas, só grandes nomes - sim Cloud Atlas és tu - quando na verdade é a modéstia que tem o céu. The Company You Keep, faz-se valer do mais incrível conjunto de actores a trabalhar juntos desde outra obra discreta qualquer, e que eu agora não recordo. Como se nada fosse. Isso reconforta, saber que há ainda alguém que nos leva a sério. 

Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

A velha da patada


A respeito do trailer onde o Channing Tatum tem de salvar o Presidente dos EUA, duas palavras: tenham juízo. O único grande clássico do género "raptaram a minha filha e por isso vão levar na boca" é o Sudden Death com o tio Van Damme, o resto é caca. 

Prendas

cá estão, para o Verão. 

É involuntário

Continuo sem conseguir levar a sério qualquer filme que tenha a Sandra Bullock.

A mosca


Um dia ou daqui a pouco tempo, numa enciclopédia ou numa daquelas irritantes listas de fim de época, constará como episódio comum Fly. Chapa 10, temporada 3, Walter prende-se no laboratório para tentar capturar uma mosca, eventual fonte de contaminação. Assim, em vez de sair da caixa, Breaking Bad esconde-se nela e explica, com apenas dois actores, o que é contar uma história. Chegámos ao topo da montanha. Mais do que uma homenagem a uma dupla, é uma prenda redentora: para eles e para nós. A claustrofobia nunca foi tão livre. É o meu favorito, é uma magnífica lição de entretenimento, hoje e sempre.

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Come come Mr. Bond

São dois gajos a passear e a comer. Ficam, comem, seguem. Nas entrelinhas imitam outros actores, vozes ou cenas. Também cantam. E que maravilha de filme. Steve Coogan e  Rob Brydon, versões ficcionadas deles próprios numa viagem ao longo dos melhores restaurantes do norte de Inglaterra. Como em Odisseia, são dois amigos que se perdem no interior de um país e suas montanhas, seus grandes vazios, na esperança de um encontro. Sempre com um timing quase criminoso: os momentos de genial diálogo afastados por grandes silêncios, sabendo que a vida é para rir mas também para respirar. Magnífico. 


Dos primos dos amigos dos produtores de uma comédia britânica de sucesso

Achas mesmo que eu ia ver um filme só por causa da Rose Byrne? Sim, fui. É tão pobrezinho de ideias que nem a beiça cheia de botox da Anna Faris consegue enriquecer o todo. Tem muito pouco de inglês e, pior, tem muito pouco de comédia. Os pequenos nadas fazem-se esporadicamente ouvir nalguns gesto do quotidiano mas tirando isso é tiro surdo. E bem ao lado.

Terça-feira, 30 de Abril de 2013

Parece-me bem para fechar abril



E em maio volto cá para falar do resto.
Eu tenho um problema que é: quando sai um filme que é uma porcaria eu não vejo mas, mas, se entretanto planeiam em fazer uma porcaria duma sequela eu fico seduzido a cair na porcaria original. Para não ficar desatualizado no que à porcaria diz respeito. 

Os eternos porquês



O maior desafio, no visionamento de G.I. Joe: Retaliation, é encontrar um porquê. Primeiro porquê do bilhete ter custado euros. Segundo, porquê eu gastar esses euros. Terceiro, porquê o Cobra rebentar de novo com uma capital europeia. Quarto e último: porquê só uma gaja boa. 

Filme do mês: Blow Out (3)

Fui menino de Body Double e Dressed to Kill. Adolescente de Snake Eyes e Mission Impossible. Quase homem da Femme Fatale. Por estas e por outras é uma intricada descoberta voltar a De Palma, ao melhor De PalmaBlow Out é ele, do início ao fim. Écran dividido, planos aéreos. Jogo sublime na lógica do som, do microfone que nos conduz no ruído. Haverá cena mais magnífica que a do acidente, que a reconstituição do mesmo, sendo uma representação da outra. E as cores, são as cores que mais me encantam. O quarto de hotel, a bandeira final. Engraçado olhar para Travolta - para o melhor Travolta - de batuta na mão, singela homenagem ao seu grande maestro. 

Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

Miss Abril












Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Ennio Morricone (2)

Filme do mês: Blow Out (2)


A questão da mãe

Um nome faz maravilhas no processo criativo de salivação. As hormonas sobem e depois do crime ninguém quer saber das responsabilidades. É Del Toro, é festivais, mas a verdade é que Mama é não é grande coisa. Arranca com uma premissa vistosa, suportada por uma fotografia magnífica, que se vai esvaziando até ficar sem soluções. Perdem-se ideias, perde-se o pulso e às tantas estamos a ver outro filme. Com buracos e vontade de finalizar, com pressa. Gritamos pois, mas não é com medo.

Para o ano a esta hora