Domingo, 18 de Março de 2012

Aterrou

Já aqui disse. Há algo que nos faz voltar a acreditar: nas grandes grandes galáxias, nos anos de ouro ouro de Scott. As estrelas continuam lá à espera de alguém que as rasgue e procure, e o talento dele, oh porra, o talento dele não pode ter fugido. Não pode. Este trailer é bom demais para isso. É o velho e o novo, ambos no escuro, nos gritos, nos apertos. Porque o espaço é um infinito fechado. Não pedimos muito, pedimos apenas que se faça história.

Sábado, 17 de Março de 2012

Oh yeah

Não deixa de ser curioso que, no ano em que Payne se domestica numa descendência inofensiva, Reitman deixe de ser o menino bonito e jovem. Adulto? Quase, quase. Trocaram de papeis, e eu troquei de lado, tudo graças a Young Adult. Cody escreve; bem, Theron interpreta; ainda melhor. As duas miúdas, inspiradas e destravadas, rumo a a uma redenção que simplesmente não existe. É isto que falta em demasia: histórias que não se salvem; um falhado é sempre um falhado, ponto. [Farto de dizer isto] A vida é assim, azeda e rasca, como ela, a loura. Não há lições a tirar, ou mudanças que nos aqueçam a noite. Há sim uma pequena grande obra, condenada por ser verdadeira.

Sexta-feira, 16 de Março de 2012

Bom fim-de-semana


Daqui a nada malta, daqui a nada!

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Rotunda do leitor

P) Caro Miguel, soube ontem que a HBO decidiu cancelar Luck na sequência da terceira morte de um cavalinho. E eu pergunto-me: porque é que Spielberg pode levar dezenas de cavalos para a guerra e Michael Mann não pode pôr uns quantos a correr (morrendo um ou dois, ou três)? (Ivan Reitor)


R) Caro Ivan, essa é uma questão que também me assola. E repare, não só os levou para a guerra como ainda teve a malvadez de entregar o cavalinho protagonista ao Loki. Mas pronto, penso que a resposta se prende com o facto de o mundo televisivo não ser tão flexível como o do cinema. Veja uma coisa, todos sabemos que inúmeros dinossauros foram mal tratados nas filmagens de Parque Jurássico 1 e 2, nada aconteceu. Voltaram a maltratar os piquenos em Terra Nova, e pimba cancelada. É injusto mas é mesmo assim.

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

Desporto

É o que eu gosto nisto. Andar à solta e descobrir coisas. Melhor, descobrir coisas que nos deixam em pausa durante uns minutos: hipnotizados pelo disparate/culto/génio/o resto. Chama-se The FP, e é no futuro. Mete uns rufias rascas, do género Mad Max electrónico. O site oficial disponibiliza samples da banda-sonora e o inacreditável trailer. Vão lá, sem medos.

Terça-feira, 13 de Março de 2012

A dama desperdiçada

Meryl Streep merece um Oscar até a pedir o café da manhã. Qualquer aparição é sempre um acontecimento. A sua Thatcher não é excepção. Porém, a realização académica e episódica, transforma uma boa história num telefilme. É o caminho mais simples: fragmentar o bloco e não ter opinião. Boa interpretação mas, sem coração, não conseguimos responder à questão: quem és tu Margaret? Não sabemos, nem vamos saber. Jogoram pelo seguro. Perdemos nós, perdeu ela.

Se todas fossem assim

Desde que voltou de férias que The Walking Dead não tem parado. De subir. Esqueceu os enredos novelescos, pôs a lamechice de lado e começou a matar pessoas. Vamos limpar esta merda, disseram. Assim foi, e assim vamos para um season finale quase quase de cara lavada.

Caça talentos

Foi no novo trailer de Battleship - booooommmmm - que dei de caras com a Miss Março. A vida tem cada uma.

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Quem diria

Tinker Tailor Soldier Spy é digestão difícil. Vagaroso, denso e cheio de truques. Com muito fumo, fuma-se muito. Porém, e surpreendentemente, tem um dos melhores finais de 2011. La Mer, na versão de Julio Iglesias, é o mote para uma despedida cheia de força, sangue e pinta. Sim, porque nunca um simples sentar na cadeira teve tanto estilo. E mete a tocar outra vez.

Não foi mais alto

Muito perto do fim, a protagonista diz que não sabe viver. Como se estivesse a falar de andar de bicicleta ou nadar. Ou jogar à sueca. Ela não sabia viver. E esta ideia só nos assola ali - que nem estalo - antes do belíssimo poema, plano final à sombra do sobreiro. Palavras que chegam tarde, num filme que se fica na ideia. Na vontade de ser alguma visão, algum espelho de uma mente distorcida. E os conceitos estão lá, a flutuar, nunca chegam a sedimentar, puzzle que não se consegue montar. Os diálogos são reflexões mastigadas e recicladas sobre o amor, sobre alguma coisa que não diz nada. Reviramos os olhos: cai neve, e panteras, e cenas que tentam decompô-la, explicá-la: a ela, Florbela. Não dá, é suicídio. Não chegamos, e se chegássemos seria à personagem do marido, bóia que nos poderia levar a bom porto mas que é subaproveitada. Esquecida nesse mar de boas intenções.

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

Sequelas sem jeitinho nenhum (10)

O poster do primeiro filme, para além de revelar o final do mesmo, diz que se trata da aventura, para toda a família, mais vibrante desde o E.T.. É mentira. Free Willy é daquelas obras domingueiras que acabou por ficar na memória de todos pelo seu tom simpático e pelo facto de ter o melhor salto de orca sobre rapaz de 12 anos da história do cinema. O segundo capítulo, ainda vi mas já não me recordo. Consigo porém garantir que a frase "Melhor que o original..." está ali para despistar. Por último o capítulo final desta ternurenta trilogia mantém o actor original, já gordo e velho, naquele que garantem ser "the best of the Free Willy pictures". Deve ser deve.

Terça-feira, 6 de Março de 2012

Onde fica?

Foi já cenário de filmes como Blade Runner ou 500 Days of Summer e o meu plano favorito em The Artist é lá. Chama-se Bradbury Building e é o edifício comercial mais antigo de Los Angeles.

Pazes

Por um lado The Artist nunca se descola da função homenagem. Diversas são as vezes que somos esbofeteados com o presente, propositadamente: não adormeçam, isto é tudo a fingir. A matemática da estrutura não deixa ali surgir coração. Por outro, e apesar do frio, esta pequena comédia romântica consegue trazer de volta às salas coisas tão simples como o silêncio absoluto. Oh e como foi bom, voltar a ouvir nada. A música pára. O oxigénio suspenso, a respeitar a tela, na expectativa do próximo movimento.

É a base de tudo. E eu.

Eu fiz as pazes com uma luta que já tinha esquecido.

Só por isso já valeu a pena.
Coisas do Inverno.

Uma ilha chamada Michael Shannon

Take Shelter consegue a proeza de não ser o estudo; é a própria matéria. É o medo. A paranóia, a loucura, com o som a ir e vir, mais pesado, mais íntimo. Shannon é essa ilha, essa magnífica bomba relógio que nos agarra naquele seu deserto. Desde os silêncios aos gritos proféticos. E se os ecos ficam como picadas, o final não satisfaz. Escolheram as duas saídas, uma em cima da outra, para agradar a gregos e troianos, comprando aquilo que nunca antes ali habitara: o seguro. Ficamos assim a uns desnecessários centímetros de uma obra-prima.

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

Contra-ordenação

Naquela coisa de domingo à noite na TVI, que mais parece um mau filme do Terry Gilliam, disseram que o Roger Rabbit era do Spielberg. Mais que uma vez.

De arromba

Finalmente o trailer que este filme merece.

Porque qualquer Bon Iver é um acontecimento

Só não é a pior cerimónia de sempre porque para o ano há mais



Terminada a cerimónia, as migalhas são suspiros. Onde estão os Óscares? Onde estão os meus Óscares? Onde estão aqueles pequenos troféus que faziam o mais puto dos putos sonhar com a noitada? A minha noitada. Onde está a inocência da surpresa? A apneia do abrir de envelope, onde está? Onde está a noite? A minha noite. Fui eu que sonhei? Fui eu que vi pequeno algo que nunca foi grande? Acho que não, acho que foi o tempo. A erosão dos valores, da criatividade e da do entretenimento. Ou percepção do mesmo. Já não está lá nada: só ecos. Milionários a premiarem-se mutuamente, como disse Billy Crystal, umbigos que vivem tão isolados que já não sabem, não querem saber. Está tudo mal, não há ritmo, os números musicais não têm graça e as montagens são fracas. Sobra o circo, que poderia fazer sentido se estivéssemos, lá está, no circo.


Há uma altura em que Cameron Diaz e Jennifer Lopez se viram de costas, com os seus rabos enormes e falta de juventude, a fazer um ar sexy. Fora de tempo, fora de horas, fora de tudo. Os Óscares são isso: uma cerimónia rabuda que se julga sexy mas que em última instância já não faz qualquer tipo de sentido.

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Valha-nos isto

Amanhã falo do resto.

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

É com o Simba mas debaixo de água

O Rei Leão Marinho.

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Miss Fevereiro

Agora sem pala

É uma espécie de Snake Plissken vai ao espaço, com Guy Pearce a liderar as tropas. Ou melhor, sozinho, de barba por fazer e de loura para salvar. O trailer tem tão bom aspecto que pedimos, saudosistas, por um mundo onde só exista bom sci-fi.

A prequela da prequela

Apesar do meu favorito ser o segundo capítulo, esta despedida é uma pequena chave de ouro. Sim, há aquele gostinho inevitável do "já chega". Mas surge também a agradável certeza de uma simpática trilogia de terror, que, sem tentar reinventar grande coisa, correu certinha, ao seu ritmo e vontade. Coisa rara nos dias que morrem.

Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012



Em que trailer amigos?

A culpa não é dela

Primeiro custa porque é um Fincher, e um Fincher devia ser sempre um Fincher. Mas anda difícil, e ainda não foi desta. A domesticação entra mesmo nas casas mais blindadas e The Girl With the Dragon Tattoo é uma descarada prestação de serviços. Um desinspirado thriller, transcrição literal do livro. Letra por letra. O que é ainda mais inacreditável: em primeira instância porque uma adaptação deve ser sempre livre e ágil o suficiente para distinguir a prateleira da sala de cinema; e em segundo lugar porque já havia a versão sueca, ali, disponível, como guia do que resulta e não resulta. Mas não, pimba, zás, exactamente os mesmos erros, a mesma fragmentação narrativa e sonolência ritmica. Não magoa, não aleija, não faz nada. Devia dar aquele murro à The Silence of the Lambs mas acaba por dar aquela festinha à Red Dragon.

Out of Character

A galeria completa está aqui.

A minha cama elástica



Regressa a 15 de Março.

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

Do chocolate ao salmão

Cometi o erro de ver o trailer de Salmon Fishing in the Yemen. Quando me apercebi do nome Lasse Hallstrom já era tarde demais: mantinha, gelado de chocolate e choradeira de meia-noite.

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Sequelas sem jeitinho nenhum (10)

Foi com bastante receio que escrevi a palavra "tremors" no imdb. Soube, por alto de algumas continuações, tadinhas, depois acho que eles começaram a voar e aí fiquei surdo. Ou assim quis ficar. Não se brinca com o Palpitações caraças, é o clássico de terror/domingo à tarde/boa onda da infância de toda a gente. E tem música catita, e diverte a rodos, sem medo de ser destrambelhado. Faz falta, essa vontade destemida. Claro que depois da pérola vieram os porcos, série B, Z, por aí fora. Sempre com a minhocada a ficar mais forte, ora andam ora voam. Houve série de televisão e tudo, e por último, o quarto capítulo da saga: uma prequela no tempo dos cowboys, que mesmo assim conseguiu manter a presença de Michael Gross. Chiça que o gajo é chato.

Já se sabe quem ganhou o cabaz de Carnaval da Associação de Reformados de Covas do Monte

Foi O Artista.

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Dia dos Namorados

Acho que posso ir preso se disser, mais uma vez, o quanto venero este pequenino grande filme. Por isso fica só aqui a dica para aquele momento na floresta. De nada.

Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

Uma marcianada de Nacho Vigalondo

Depois de Los Cronocrimenes este senhor até podia fazer o Rei Escorpião 4 que eu via. O novo trailer de Extraterrestre está aqui.

Payne sem dor

É o grande desgosto do ano. Em parte porque lhe falta isso mesmo: o desgosto. Payne sempre filmou sem medo da lama, com planos apertados da sujidade, a nós, a nós e ao nosso lado podre. Egoísta e sem educação. Ofereceu a solidão como ninguém, em prato cómico; baralhou as lágrimas e reconstruiu o desconforto. Filmou os falhados (Nicholson, Giamatti) sem nunca os salvar, filmou-os como eles são, falhados, hoje e sempre. É tudo isto que falta a The Descendants: filme linear e monótono, como as músicas havaianas que tão orgulhosamente toca. Clooney pára o carro e ameaça o puto pateta; não devia ser assim, ele devia parar o carro e agredi-lo, uma e outra vez, ou agredir alguém, devia rebentar, sujar as mãos. Mas Clooney não consegue descolar, talvez porque não faça ideia daquilo que está a falar.

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Legado pesado

Numa altura em que já só se pensa no legado, deixo aqui o final de The Bourne Ultimatum. Um dos meus favoritos. Aquele sorriso é algo que ainda hoje me surpreende.
Mas pronto, fica a Miss Fevereiro.
[Fui ver se esgatafinhar existia e, não só não existe, como o Créditos Finais é agora o único resultado da pesquisa googliana. Ah orgulho de pai.]

Passo

Há um momento, no piloto de Smash, em que Debra Messing se queixa da falta de ideias. Da escassez do original, do vício criacional da reciclagem, mastigada e usada. Pois bem, não deixa de ser curioso, ser esse o grande mal da nova série da NBC. Uma espécie de musical que não é mais do que o Chicago conhece o Fame que é primo do Coyote Bar que por sua vez é cunhado do Showgirls. Nada de novo, nada de interessante, e para estar a ver duas boazonas a esgatafinhar por protagonismo fico com o clássico chunga do Verhoeven.

A minha teoria em relação à não nomeação de Ryan Gosling

Os Oscares são cócós.

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

Rotunda do leitor

P) Caro Miguel, tive a oportunidade de assistir ao episódio piloto de Touch. Gostei bastante. E agora? O que faço? (Raquel Machadas)



R) Cara Raquel, antes de mais é muito importante manter a calma neste tipo de situações. Eu compreendo perfeitamente o pânico, Tim Kring fez muito mal ao espectador. Não é fácil voltar a confiar no homem que estragou a série com maior potencial da década. Ele volta agora com este Touch, que deve, em última instância ser encarado com algumas ressalvas. Sim a premissa é boa mas não nos podemos esquecer que o actor criança só não é irritante porque não fala. Sim é o regresso de Kiefer Sutherland mas não nos podemos esquecer que isso não é assim tão bom. Sim foi um piloto interessante mas não nos podemos esquecer que também o foi o de Flashforward.

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

I still believe in heroes

I have an army.

We have a Hulk.


Um trailer que termina com uma punchline deste gabarito merece, inevitavelmente, o meu eterno respeito. Dia 4 amigos, dia 4.

Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

Lana Del Rey no cinema é apenas uma questão de tempo. Resta saber se com Tarantino, De Palma ou Soderbergh.

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

O irmão da Sookie vai andar de avião

Quando eu pensava que Leaving on a Jet Plane só dava para as despedidas do Ben Affleck e para o Tom Hanks a passear no aeroporto, eis que um filme de terror vem provar o contrário. É num avião e há bicharada. Ai ai.

Cuidado ao abrir

This is definitely sacrilege, but somehow it's also sort of magical. The internet, uh...finds a way. [F]