quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

As melhores séries de 2019 | Créditos Finais

Pois é. Continua a ser muito por aqui que encontro e me encontro. Nos temas, no entusiasmo, nas experiências. Continua a ser o pequeno écran a respeitar os meus truques de infância, a voar no espaço que nem gente grande e a saber com mestria repetir os dias. Ou mesmo a cavalgar no tempo. Tik tok, tik tok, um ano do caraças este que agora termina.

10 - True Detective | Temporada 3


9 - Chernobyl | Temporada 1


8 - Dark | Temporada 2


7 - Stranger Things | Temporada 3


6 - Fleabag | Temporada 2


5 - Cobra Kai | Temporada 2


4 - Star Trek: Discovery | Temporada 2


3 - The Expanse | Temporada 4


2 - Russian Doll | Temporada 1


1 - Watchmen | Temporada 1


terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Os melhores filmes de 2019 | Créditos Finais

Barretes pesados neste 2019. Lágrimas, depressões, tentativas de voltar a ver o Mulherzinhas da Winona. Deu para tudo. Pennywise com dez minutos de cena num filme de 30 horas. Também tu? Terminator pai de família e Rambo gestor de galerias subterrâneas no Arizona. Também vocês? Também, também, mas não, não será aqui que caímos. Pois por cada bêbado vestido de urso teremos sempre um puto sonhador vestido de super-herói. E agora é entrar no carro, ligar o rádio e seguir a estrada do cineminha.

10 - Shazam!














3 - Crawl 








sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Os melhores filmes de 2018 | Créditos Finais

Sim sim, tenham calma, o Pânico no Túnel continua a ser o melhor filme de sempre. Cuidado Stallone, mergulha, olha o bidão, mergulha! 2018, esse, foi um ano de barretões - sim Michael Myers, sim Predador, escusam de olhar para o lado - mas também uma prova muito viva, de que em silêncio ou num mundo virtual, revisitando velhas glórias ou projetando novas formas de narrar, o cinema continua cheio daquilo que sempre o fez viver: pure imagination.


10 - They'll Love Me When I'm Dead



9 - The Ballad of Buster Scruggs



8 - Mission: Impossible - Fallout



7 - Hereditary



6 - American Animals



5 - Ready Player One



4 - A Quiet Place



3 - Eight Grade



2 - Revenge



1 - Searching


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

As melhores séries de 2018 | Créditos Finais

Mais um ano que passou e Tropical Heat continua a ser a melhor série de sempre. Ufa. É sempre este nervoso aparece não aparece. E agora ficou a apetecer ver o genérico não ficou? Bué, a mim também, vamos lá e já voltamos. Um mimo, como sempre. Quanto a 2018, hillbillies e rednecks, cinturões negros, cinturões de asteróides e a atriz que não consegue chorar. O diabo, o terror e o duplo. A casa, a flor e o comprimido. Em dez passos, mais ou menos assim.

10 - Ozark | Temporada 2




9 - Maniac | Temporada 1




8 - The Sinner | Temporada 2



7 - Daredevil | Temporada 3





6 - Sara | Temporada 1





5 - Cobra Kai | Temporada 1





4 - The Terror | Temporada 1





3 - The Haunting of Hill House | Temporada 1




2 - Counterpart | Temporada 1



1 - The Expanse | Temporada 3


sábado, 8 de setembro de 2018

Para todos vocês que andam por aí na estrada


Malta meio triste com o primeiro episódio do The Purge, não fiquem. Primeiro porque as coisas podem melhorar e aquela cambada de coninhas pode começar a purgar a sério. Segundo porque se esta mitologia nos falhar - ainda não vi a prequela mas não se agoira coisa boa - temos The Domestics, um pós-apocalítico de estrada, pontuado por uma deliciosa narração radiofónica e recheado de gangues freaks porcos e maus. Para todos os gostos, com aquela bizarria das cristas e dos blindados. Com a Louis Lane do nosso coração e claro, com a violência crua de uma arma na mão. Petição para o dois com urgência.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A resistência tagarela


Richard Linklater continua a querer conversar. E só essa gana de diálogo, de o escavar, seja por que portas e travessas, deixa-me sossegado. Confiante. Tudo para aquela cena do comboio, em que os velhos amigos se salpicam em velhas histórias, de intimidade e saudade, tão ao sabor da verdade que queremos ficar ali o resto da viagem. Não tinhas de sair? Não. Não tinha. 

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Essa é a cara dele em pânico


O Tom Hardy dos pobres foi pedir um Venom aos pais, para o Natal. Eles despacharam logo a coisa e ofereceram-lhe afinal, surpresa das surpresas, o Robocop, o Transcendence e o Death Sentence. Sortudo. Esta reciclagem de Upgrade, apesar de suscitar sempre aquela reviravolta ocular ao início, poderia ser superada se o filme tivesse força e identidade. Se fosse claro quem é e nas suas referências escrevesse algo visível para  o espectador. Mas não, acaba por cair às mãos de diálogos frouxos e de um elenco que já não se pratica para produções acima dos mil euros. Quando o vilão espirrou juro que ouvi um bom ator a morrer de ataque cardíaco, algures no mundo. A própria ação é demasiado segmentada, falta-lhe massa para desenhar uma mitologia, para nos poder engolir. Desculpa lá moço, aqui não chegou. 

Capitão Falcão, onde estás tu amigo?


Seria injusto dizer que o que se esconde por debaixo é indecifrável ou invisível. É clara a intenção de um mosaico de histórias meio perdidas, meio chungas/sci-fis, naquela onda grindhouse onde Blood Drive leva a taça de um bom passado recente. Mas supostamente seco este é um formato bem escorregadio, não tanto pelo carácter revivalista mas mais pela (aparente) ausência de regras. E é aqui, neste mais olhos que barriga, que Linhas de Sangue se estatela ao comprido: não percebe o que cabe e o que não cabe. O que é e o que não é. Com isso perde-se foco, perde-se tom e acima de tudo perde-se a ideia. Se segmentos como o da Marina Mota são exemplos do que o todo poderia ter sido - uma sequência com graça, sólida, bem desenhada - os restantes tomos são caricaturas dos seus próprios esquissos, descontrolos totais de realização e representação. Humor pateta, pobre, sem tempo de entrar nem tempo de respirar. Mesmo quem resista duas horas à gritaria é trespassado por um final apressado, claro na sua incapacidade de fechar, de em última hora oferecer o tal filme que vinha escrito no bilhete de cinema.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Arranha pouco


Toda a gente a gabar o Tom Cruise no último Missão Impossível e ninguém se lembra, que mesmo ali ao lado, está um trabalho/entrega/esforço cem vezes maior. Sim, muita gente não sabe mas Dwayne Johnson saltou mesmo daquele guindaste para um prédio de 300 andares em chamas no seu Skyscraper. Mais, ele cortou mesmo a perna - direita ou esquerda, já não me recordo - para o filme ser mais realista. Ela agora cresce, porque é o The Rock, mas mesmo assim chiça! Se isto não é trabalho de ator não sei o que será, sinceramente. Quanto ao filme, para além daqueles insistentes suspiros por Neve Campbell, resumimos a coisa desta forma: todas as cenas do Die Hard que correram bem neste aqui correm mal. Tudo o que resulta no outro, neste não existe. Parece uma peça da escola, mas sem pais e, mais triste, sem palmas.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Teremos sempre Paris. E zombies.


Tenho para mim, que quando recorremos a outros títulos para caracterizar/descrever/definir o título atual, a coisa falhou. Não há autonomia nem embate suficiente para o clássico "pelas suas próprias palavras". Claro que depois nos caem no colo desafios mais híbridos, para os quais tentamos desesperadamente encontrar soluções originas. La nuit a dévoré le monde é um desses malandros: uma adição inteligente ao género zombie, que sabe jogar de forma exemplar com os escassos recursos e as poucas peças que tem ao seu dispor. Porém, e agora vem a cara triste, não deixa de ser o casamento poligâmico do REC com o Cast Away e o 28 Days Later.

domingo, 27 de maio de 2018

Ele só quer ser um filme de terror


Estes filmes acabam por perder com a quantidade desmesurada de chapéus que lhes querem enfiar cabeça abaixo. O ano passado foi Get Out, e a raça, este ano é A Quiet Place, e a política. Mais, querem ainda espetá-lo na categoria de façanha técnica, de "ai que o filme não tem quase diálogos". O filme tem diálogos e não, não se trata de um exercício, exercício é A Arca Russa, o Memento ou O Artista, que optam por uma forma. Aqui não é opção, é contexto. Mesmo querendo, não há outra forma de contar sem ser o silêncio. Porque sem ele não se vive. Tirando todas estas sacas de cimento do costado damos por nós num pequenino e belíssimo filme de terror. Uma obra que não só nos coloca em sentido, e se eu, e se eu, mas que se concentra na família, na perda, na culpa, na esperança. O tal pretexto monstro para questionar o que de mais humano existe e persiste. Um quarteto de actores em grande forma, bicharada com fartura e um ritmo vertiginoso fazem deste shhhhhh um dos grandes filmes do género deste ano. 

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Mais um filme que ficou por fazer


Já não perdia tanto a alegria de viver desde que fiquei fechado duas horas num autocarro, na pista de aeroporto, no verão passado. Janelas fechadas. O filme nunca mais acaba malta. E apesar do Ron Howard ser especialista nestes secões intermináveis - basta olhar para O Código Da Vinci - o problema é bem maior que uma cabeça. Independentemente, de ser nesta, noutra, ou numa muito muito longe,  é sempre possível desenhar uma boa história. Que nos mantenha presentes. Solo: A Star Wars Story, falha no mais básico bê-á-bá do entretenimento: o objetivo. O que é não só inacreditável, como inadmissível. Arranca bem e até à cena do comboio há ali uma determinação, o protagonista tem um motivo, válido. Depois disso, e quando essa razão (des)aparece, perdemos foco e somos presenteados com uma hora amorfa de nada. De lugares e momentos obrigatórios. No final, o filme tenta voltar a um argumento, a um enredo, mas é tarde demais. Não temos as cartas para sentir aqueles truques de patife engana patife, de traições e reviravoltas. De uma cowboyada espacial. Cenários, recantos, construções, um belíssimo empreendimento visual que sucumbe às mãos destes novos moldes e novas confusões. Eu sou fã de Star Wars, mas acima de tudo sou fã de cinema. Não me fodam.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Venha de lá esse linguadão oh Spielberg


Não é que eu ligue muito a algoritmos ou acasos da vida mas quando abri a página do Spielberg no IMDb, agorinha mesmo, a secção do "conhecido por" tem o A.I. Inteligência Artificial, o Relatório Minoritário, o Encontros Imediatos do 3º Grau e o Parque Jurássico. Lá está. Conhecido, não só por realizar mas por ser. Não os cavalinhos e as pontezinhas dos espiões, não os amistads e as outras estupadas anuais do tio Oscar. O Spielberg é esta vontade de uma fantasia de todos, intemporal e inesquecível, e foi preciso esperar mais de dez anos para ele acordar do hipersono. Ready Player One é assim uma mixórdia falível mas calorosa de abraços, regressos e despertares. Tem do seu lado um CGI tão fluido, e bonito, que se apodera da vista, sem nunca a ferir, sem nunca chocar com as cenas do real, orquestrando magistrais sequências de cá e lá. Edição de mestre, que com a música, fazem da sua duração um menos de nada. Pontuado por aquele charme de um conjunto de desafios, de chaves, para chegar ao final, para ganhar. E essa lógica de jogo, que poderia rapidamente cair em exemplos recentes de cansaço artificial, é conduzida de forma muito orgânica e equilibrada. Contra? Achei que a necessidade constante de referir referências, de dizer olha agora este, e agora aquele, e lembras-te do outro, torna a coisa demasiado enciclopédica. A própria narração tira-nos várias vezes o comando da mão. Falta ar, para respiramos e podermos andar, de quando vez, pelo nosso pé. Deixem-nos também brincar porra. Esta lista de ícones quebra a experiência do próprio OASIS, denuncia em demasia. Libertando-se e acertando a espaços, quando se concentra e escolhe: a cena da segunda chave é prova disso, e amigos, é das sequências mais estupendas que o género já ofereceu no passado recente. Ou no passado de há um porradão de anos talvez. Atrelado ao dicionário dos oitentas e noventas vem uma desnecessária - e cansativa - lição de moral, em formato de telescola, como se tivéssemos todos 5 anos. Olhem, olhem, a realidade é que boa, têm de sair do facebook, e do twitter, e do instagram, e irem comer um gelado à Capri. E depois ver o nascer do sol. A sério? Era necessário? Desde 1995 que a Pixar nos ensina a dizer algo, sem escrever no quadro e sem carimbar testas. Não é assim tão complicado. Mas seja como for, hoje um velho amigo tentou-me contar uma história nova, isso já é feriado em qualquer cinema do mundo.

domingo, 25 de março de 2018

E aquela cena do coiso aos berros?


Annihilation não chegou pelo típico aperto de mão. Especialmente porque as personagens não funcionam como indivíduos, como características que poderiam estabelecer uma ponte. São apenas parcelas do conjunto. E é aqui que as coisas se complicam, porque se por um lado isso impossibilitou a criação de laços por outro permitiu que o carácter auto-destrutivo do ser humano, enquanto conjunto, viesse à tona. A matéria, a desfazer e a refazer-se, uma e outra vez, na história do nada se perde, tudo se transforma. Essa idea de toxicidade nata, de nos estragarmos, de nos implodirmos, do luto, e do luto de novo, não podia ter sido contada de forma mais bonita.