quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Imaginem que na casa do lado

Embalado pelo trailer de The Discovery sigo para The One I Love, filme que vi no rodopio de Blue Jay e que continuou tal fascínio. Então é assim: casal a meio de uma crise decide ir para uma espécie de retiro, onde aparentemente é alcançada a harmonia, o balanço, o outrora. A partir daí, boca fechada, para não estragar, só adiantar a ficção científica, caseirinha, feita com dois atores e com um a mestria de quem escreve muito. Para lá disso, virando constantemente, enganando na metáfora para depois assumidamente escolher o género. Tendo entretanto reformulado todos os outros. Incrível.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

29 dias depois

Põe de lado a típica enciclopédia introdutória, não que abdique dela na totalidade, mas arranca lá, fazendo da combustão seu contexto. O que é bom, ainda melhor na fotografia e seus ícones: a farda laranja, a máscara, a criança dentro da máscara, pendurada no carro, tudo isso são planos chave e intrusivos, para ficar.  Como se houvesse sempre algo de novo a acrescentar. E há, então o final é uma delícia. O que não é assim tão doce é o elenco em modo Ouro Verde, quer veteranos, quer novatos, ainda para mais a Felicity Jones rechonchuda não mostra nem um bocadinho dos seus voluptuosos talentos. 

A caminho do Pingo Doce


cruzei-me com o Dennis Quaid. Parece que anda à procura do filho.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Já foi preso o espectador que sorriu durante o Manchester by the Sea

Ao que parece encaminhava-se para a gargalhada quando a senhora do lado, ao tirar o terceiro pacote de lenços, percebeu o que ia acontecer e chamou de imediato o segurança. O espectador, um indivíduo caucasiano, na casa dos 40, conseguiu fugir tendo sido posteriormente capturado num supermercado da sua área de residência. A pena por sorrir em filmes tristes dos Oscars pode ir de 1 a 6 anos de prisão efectiva. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A melhor curta deu melhor longa

Siren tem tudo e mais alguma coisa, mas acima de tudo mais alguma coisa. A espuma que eu tanto aprecio, o descalabro simples daquelas pequenas mitologias de culto: três amigos, uma despedida de solteiro, um bar e o resto é para vocês. Ir mais longe, ou comparar com aquela obra óbvia, ia estragar. E esta adaptação para longa da curta de V/H/S, Amateur Night, leva a premissa para um destrambelhado e delicioso caminho. Tapem os ouvidos meninos, mas abram bem os olhos!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

No More "I Love You´s"

Blue Jay tem o atrevimento de nos fazer sentir a mais. Tal as singularidades que ali são exorcizadas, tão bem executadas que a intimidade existe enquanto terceiro elemento. Enquanto confronto das duas interpretações - digam-se maravilhosas - de um tempo congelado. Uma pausa em tudo o que correu, o que falhou, para depois entrar a música e logo se vê. O amor é deles, e podermos espreitá-lo, é de facto uma ave muito rara.

Entretanto

domingo, 8 de janeiro de 2017

E quem encontrar este sabe onde me encontrar

E o realizador de El incidente, Isaac Ezban, tem mais recentemente Los parecidos. Filme que promete seguir a lógica de quebra cabeças e que tem o poster mais espectacular de sempre. Por isso, se alguém encontrar este maroto, em qualquer loja ou outro lugar, faça o favor de me enviar. Eu pago em charadas ou cervejas, como preferirem.

Para ver outra vez, e outra vez, e outra vez

El incidente é daquelas descobertas do acaso - Senhor Joaquim - que nos tomam de assalto. O poster estava à rebentar de elogios e a sinopse tinha o meu nome escarrapachado. Sim, sim, play. E se o primeiro acto é dor de cabeça, o segundo rebenta-te com a mesma. Inverte, escreve, gatafunha e complica, uma maravilha inacreditável feita com meia dúzia de tostões, da qual não consegues sair. Às voltas, como eles, à procura da saída, das rotinas, dos gritos, da velhice. Fecha-se talvez com exposição a mais, não daria tantas cartas naquele final, mas tudo resulta. Porque isso aqui estou, a pregar a palavra; desde Los cronoscrímenes que não vibrava tão honestamente. É mesmo, é um cabrão dum clássico de culto instantâneo. 

O remake d' O Paciente Inglês


vai se intitular O Apressado Americano.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Assim à primeira (e única) vista

Eu gosto destas análises, tão ricas a cappella, como depois, já com toda a orquestra e os dados científicos. Primeiro Cage, com a cara de todos os posters, de todos os 147 filmes que faz por ano, sempre como protagonista. A foto deve ser a mesma, depois metem-lhe o chapéu e um fato de marinheiro do Centroxogo. Depois parece-me o Tom Sizemore, à esquerda e um gajo igual ao The Punisher (série TV), sendo que do outro lado, o The Punisher filme (um deles), e dois putos sinistros que ou falecem, ou então são os únicos a sobreviver, já velhinhos, para contar a história. Verídica claro, e um casalinho de tubarões, para facilitar. Por último, a cabra da cereja, realizado por Mario Van Peebles. Agora vou descansar e depois vejo o trailer. Desejem-me sorte.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017


The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun.
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.

Faz hoje três anos. O cinema continua vazio pai e cheio de saudades tuas. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

De depósito cheio

Por sentir muito a falta de Tony Scott, é que vejo um certo encanto nesta malta despachada. Não aquele fim de linha Michael Bayano mas um pulso apertado, ao largo mas não tanto, fechando depois na hora certa para o frenético. Aquela panela de pressão estruturada, bem apresentada, que nos coloca à beirinha, hoje no livro vermelho das obras ameaçadas. Por isso há que dizer e espalhar: o momento em que a plataforma cede, desiste, rebenta, grita, mata, é possivelmente a grande cena de ação do ano passado. Bem em todos os toques, espaços, tempos e desfechos. Como um lembrete apocalíptico dos nossos dias.  

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A magia é mesmo essa

O cariz mais taxonómico de David Yates - e seus tiques literais - resulta aqui que nem veludo no fumo. Resistindo, ainda por cima, aos tique de jogo, de vender bonecos ou segmentar as capturas. Não, há de facto um cuidado maior nas personagens - talvez por elas serem novas - o tal espaço, para interação e conflito, as chamadas cenas e peripécias por quem tantos suspiram, deixando as criaturas naquela máxima da preservação. De não perceber o monstro na totalidade mas saber que ele é crucial para a totalidade do nosso ecossistema, a biodiversidade de espécies, com ou sem magia. É essa a principal mensagem, a enorme confiança e importância que o filme ganha, oferecida de forma bonita, bem interpretada e com um ambiente guloso, de ver e chorar por mais. Desde Harry Potter and the Prisoner of Azkaban que a magia não andava assim, deste lado, à solta!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Nunca deixámos de estar virados para a parede

O novo Blair Witch vence no autorretrato, da franchise e do género: o ciclo, onde tudo vai dar, inevitavelmente; outros gritos, outra carne, mas a casa, esse assombrado ponto de chegada nunca se altera. E sobrevive ao tempo, ou não estivéssemos de novo a gastar tecla com a bruxa, aquela com histórias dentro de histórias. Da floresta, do bosque, ou não fosse esta sequela inicialmente - quando saiu aquele trailer com Every Breath You Take - intitulada de The Woods. É essa imensidão confusa, claustrofóbica e cíclica que sobrevive, o que por si só já é oxigénio.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Só faltava não ser no espaço

Devia haver um qualquer comité de ética traileriana que mantivesse os mínimos. Apenas dentro dos eixos. Ou seja, não deixar que um filme tenha trailer de outro filme, para vender. Comigo até foi engraçado, tenho a mania que sou esperto e que sei tudo, fiquei feliz com a trapaça. Agora não faz com seja bonito menino Passengers, vender aquilo e dar o outro. Vender um mistério pesado, ai mas porque é que eles acordaram, é uma cena muito densa e cheia de pistas, e dar uma bizarria, um belíssimo espectáculo visual de solidão, linear e limpinho. Muita gente a pedir o dinheiro de volta e a cuspir os pedaços de milho para o chão.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Top 2016 - nem tudo foi mau

1) Melhor gaivota - Steven Seagull em The Shallows


2) Melhor crocodilo - crocodilo que come o mau em The Legend of Tarzan


3) Melhor polvo sem ser à lagareiro - o polvo de Finding Dory


4) Melhor puma num motel - puma num motel em The Neon Demon


5) Melhor pantera negra sem látex - Bagheera em The Jungle Book


6) Melhor pantera com látex - trailer de Black Panther em Captain America: Civil War


7) Melhor "malha a chavala chaval!" - Vision a engatar a Scarlet Witch falando de paprika em Captain America: Civil War


8) Melhores mamas esborrachadas - Olivia Munn em X-Men: Apocalypse


9) Melhor tudo contra à parede - Morena Baccarin em Deadpool


10) Melhor plano da história do cinema - Wonder Woman de perna aberta em Batman v Superman: Dawn of Justice


11) Melhor barril - barril de 10 Cloverfield Lane


12) Melhor Chucky - The Boy


13) Melhor poça de água - poça de água mágica onde o Eisenberg desaparece em Now You See Me 2


14) Melhor Intercidades - comboio de Train to Busan


15) Melhor autocarro escolar que não é do Homem-Aranha - autocarro no deserto em Independence Day: Resurgence



quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O sexto movimento

O mais estimulante, neste pós coito, é que até quem não gostou nada, consegue escrever coesos e interessantes lençóis. Texto e texto, ponto por ponto, a justificar o que não agarrou. Na tentativa de explicar, de classificar, de regrar. Comparam com esta e aquela. Não vale a pena, The OA é peça única, para o bem para o mal. E nisso há uma sinceridade quase poética, como se andássemos nus e não ouvíssemos ninguém, sem medo: ou estamos com ela ou não estamos. Sem meios termos, um pedido de fé. Uma conclusão tão orgânica e pessoal que apenas vivendo. Brit Marling e Zal Batmanglij voltam a contar-nos uma história, e acreditar nela foi uma das grandes experiências do ano.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Eu gosto de ti à mesma Mendelsohn


Girl you see me smiling
Girl i'm singing words of joy to the world
Between the lines it's hidden in the smile
Can't you hear a cry for love


Este refrão do Fonseca é, com todas as suas letras, luva para Rogue One. Gareth Edwards, preso dentro de sorrisos, explosões e formatações. Lá dentro, da apertada máquina que limita, corta e censura. E o que mais custa, é que nas entrelinhas conseguimos de facto ouvir o apelo. O filme a querer sair, a querer ganhar forma e a existir perante nós, para ser abraçado e vivido. É penoso. Amargo porque está ali escondida uma obra do caraças, com um ambiente e cenografia maravilhosos e um tom unidireccional, negro e suicida, que nunca antes se tinha provado. Tudo por terra, às mãos de uma retrosaria filha da puta que só se interessa pelo preço do frame a metro. O casting é francamente mau, não, não e não. Em 2016 não se pode de todo escolher aquele par de jarras novelesco e amador para uma história que pede maturidade e negrume. Mas mesmo assim, se houvesse o mínimo de espaço para se respirar, para o filme se construir construindo os seus - antes, durante, depois - explorando as suas motivações e colocando-as em xeque, aí tudo seria diferente. Nunca chegamos a perceber o porquê de nada, o real, o tal real que permite a formação de laços. Não é de todo normal, a personagem que mais saudades deixa ser um robô. Demasiado plano, insípido e maquinal, ou como diz a canção words of joy to the world

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Passar no Processo

Primeiro anunciar, aos cabeças no ar, que foi renovada. Sim vão lá trocar de cuecas que eu espero. Pronto, não há que ter medo, quem viu que relaxe e quem não viu pode ver, relaxado. 3% não é uma série isenta de lugares comuns ou falhas, mas é uma série que abre o casaco e dá o peito, que se aventura nos tons garridos da distopia. Do fim do mundo, daquele fim de mundo, daquele reflexo que só poderia e só seria ali. Brasil, esta é uma série brasileira - Netflix se eu te apanho na rua dou-te um beijinho - dali, para o mundo, não qualquer boteco genérico da condição humana (como The Hunger Games). Também estuda e experimenta, mas com a rápida e voraz identidade assim criada, com poucos minutos, na subida, discurso e início das provas. Maravilhosa a das alavancas, maravilhosa a Bianca Comparato. Sempre na dúvida da escolha, ao limite. Como nós, constantes candidatos a um prometido, mas não elucidativo, Maralto

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Portento

Mistress America acorda de novo um estilo aflitivo - e maravilhoso - de se filmar. Caos, caos em todo o lado, todos a falar por cima de todos. De assustador a viciante, porque são raras as vezes que nos reconhecemos, tão desordenados. Quero lá saber se havia uma lógica na tua história, eu quero é contar a minha, depois voltas, ou não, então um terceiro elemento entra em cena com novo choro. Lembrei-me de Seinfeld, nos seus nadas flutuantes e nos desesperos sobrepostos. Um Baumbach feliz, e felizmente cheio de vida. 

domingo, 11 de dezembro de 2016

A sorte é que só tem 90 minutos

Então já que o bowling está fechado e se fossemos fazer um filme? Deve ter sido assim que surgiu a ideia de Morgan, o thriller sci-fi mais horrível, ridículo e inacreditável deste ano. Pasmado porque tem a cachopa do The Witch, a Kate Mara e mais uns quantos notáveis, numa premissa que não sendo nova poderia chegar a algum lado. Mas não, cada um deu dez euros, foram filmar na Serra de São Mamede e tudo o que poderia correr bem correu mal. Trapalhada do início ao fim, sem causa, pancada a passo, do género agora dou eu, agora dás tu, e o twist mais, mais, nem sei que diga do twist. Festinhas na cabeça, já passou, já passou.

Sempre a dar cartas

Uma coisa boa, nestes mares selvagens da pirataria, ou, se as virgens preferirem, nestes mares indomáveis da rede, é que há sempre novo porto a descobrir. Por muito que se navegue, se ouça e se troque, um filme do caraças, perdido nas prateleiras do tempo, aguarda ali. À nossa espera. Para que do alto da nossa pretensão, consigamos perceber que somos como o Jon Snow, e nada sabemos. Tanta trela para dizer que descobri um filme porreiro do Clive Owen com 10 anos. De jogo e crime. Literatura e personagem. Bem narrado e bem montado. Chama-se Croupier

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A nossa última narrativa

Westworld teve alguns problemas no motor de arranque. Não com o seu, mas com o público/crítica em geral. Mais crítica. Que enquanto a Teta dos Tronos não secar nada pode imperar. E isto é de facto real, pois o único pecado desta adaptação arrojada do filme de 1973 é ser cento e cinquenta vezes superior à adaptação dos livros do George R. Martin. Para quê comparar, infantilidades Ronaldo/Messi, porque não posso gostar dos dois? Não dá amigos, o papá é o mesmo. Mas, testas à parte, esta primeira temporada foi a viagem cerebral e visceral que prometia, tendo a benesse de vir embrulhada num pacote 5 estrelas, primeira classe, bem acima de todas as possibilidades. O que torna a coisa no casamento perfeito de qualquer doidinho de Galacticas e Blade Runners, ou saudoso apenas de uma boa história. Chega a ser quase ofensivo, para a estrutura televisiva contemporânea, ter um produto tão caro que se responde e se encerra de forma tão vincada, tão bonita, tão eficaz. Tão modesta. Aquela festa final, aquela última narrativa é o próprio Westworld a mandar o sistema à merda, a massacrá-lo, a brincar com ele e a dizer: podemos, devemos e conseguimos. Não preciso cá de segundas núpcias para tirar conclusões ou satisfações. Visitante mais que satisfeito. Ou serei já anfitrião?

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Ricky Baker

Hunt for the Wilderpeople, ansioso por vocês malta da tradução. Não nos desiludam. Vocês, malta da bola, enquanto esperam, vejam, e vejam muito. Uma relíquia das terras do tio Frodo, de Taika Waititi, com aquele tom seco e despachado, surreal no contraste do humano e do natural, do pequeno e do enorme. Um buddy movie, um filme de família, uma comédia, um drama, uma malha de ação. Romance porque não. Faz lembrar, mas acima de tudo surpreende: não só pela facilidade com que entretém, mas também pelas interpretações sinceras e magníficas do duo de protagonista. Especialmente o miúdo, que é o puto do ano. Sacana.

A criada e o excel

O filme deve ser excelente mas a questão aqui é outra

O olho esquerdo do gajo, não está um bocado mais para cima que o olho direito? 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Improvisar

Don´t Think Twice é o filme mais sincero do meu ano. Sincero porque regressamos sempre ao palco, ao palco do inevitável, do que não podemos deixar e que no final será a nossa definição de nós. Paixões, o grupo lá se vai perdendo, mas volta e meia volta ao improviso. Encara a audiência de frente, e pergunta. Sincero também, porque não necessita de grandes artefactos cómicos para rir da maior tragédia de todas. E sim, sincero porque o casal se despedaça na vida. Não é por isto, ou por aquilo, ou então por essas todas razões, é porque há a vida, cheias de organismos distintos, diferentes de sonhos e alegrias. Tudo à nossa frente, ao nosso lado. Obrigado e as palmas mais verdadeiras destas duas mãos.

Sofia, a múmia

Já nem me lembrava que ia haver uma nova Múmia, são tantas novas cenas dos meus 16 anos que acabamos por abdicar de umas em prol de outras. Naquele apertado armazém do que achamos catita lembrar. O tom é o certo, Tom Cruise e malta daquela linha Jack Reacher. Era o que lhe faltava ultimamente, fantasias descaradas. Mas o que eu quero mesmo dizer é que a Sofia Boutella, com esta adição ganha, sem sombra de concorrência, o estatuto de rainha do fanti-scifi. E saem corações a borbulhar. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Imaginem um mundo

Tem lugar num mundo onde só existem bifanas e essa loira do poster tenta desesperadamente sobreviver, uma vez que só gosta de cachorros. Tem também o James Caan e o Danny Trejo. Esta última parte é verdade. 

É que já Kansas

E eu pergunto: quantas revisitações do universo Oz teremos nós que mamar até ao final da vida? Ou quantas mais conseguirá um ser humano saudável aguentar? Não vale a pena listar, já foi antes, depois, moderno antigo, com cães com gatos, desenhos animados desenhos falecidos, pumba, pimba toma, chega. Mas não, Emerald City, promete um olhar moderno sobre...epá sei lá, é a merda da mesma história, com gajas boas e um cheirinho a steam punk. O Toto é o Inspector Max, e com esta me despeço.

A verdade é que ainda existe uma réstia de


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Era para se chamar Apocalipse Nalgas

Não são quaisquer velas que enfeitam tamanho bolo. E tamanha mordidela, para os desejos prósperos da eternidade. Não se trata de um blogue, onde o individuo, mais ou menos rabugento decide o que deixar. Até pode não deixar nada e fugir, os meses que entender, sem carta nem adeus. O nosso podcast não. É nosso, um projecto a três que todas as semanas está na rua, com mais ou menos cinema, com mais ou menos televisão, palavrão, inspiração. Podia ser uma anedota: três doidinhos por cinema entram num podcast e o primeiro diz. Só que é a sério, apesar de rir. Diz quem ouve que só rio assim, aqui. Até dá gosto, insistem. De facto gozava com todos aqueles músicos que de forma constante repetem a lengalenga de que em cima do palco é que se sentem vivos, mas de facto é isso, neste meu palcozinho. Por isso, e desculpem tamanha seriedade, agradecer aos meus dois compinchas da luta, a amizade, o cinema e as gargalhadas. A todos os que continuam a ouvir, interagir e partilhar. E por último aos meus pais, que me ensinaram a ver, procurar e respirar o cinema. Pronto, e agora fade para o Perfidia, que é tempo de celebrar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Caminhos do Cinema Português - Maria Rita

Cartas de Guerra, casa cheia no Caminhos. Mentirinha, às mosquitas. O que se compreende uma vez que é nao é o único...ah é é....então é porque depois há muitas oportunidades para...ah também não há...se calhar é a puta da Marvel e pronto. O som viciante das pipocas, há quem não viva sem isso, até cair para dentro do balde. Seja como for, fotografia maravilhosa. É o primeiro arrebatamento, logo, queixo a rolar até à fila Z. De um cuidado e primor artesanal, da procura de significado naqueles grandes planos ou nos buracos. Pincelando tudo, as cartas que António escreveu à esposa. Poemas igualmente extraordinários, de saudade e sanidade, de mestria para nos tirar dali. E é isto, o filme fecha-se nesta mecânica, para o bem e para o mal. Sem rasgos, viragens, conclusões. Falta atrevimento, falta quiçá um certo colorido nas personagens e seus desfechos, falta portanto tabu.

O resgate do soldado Taken

A minha grande questão Scorsese, é se tu alguma vez viste um filme do Andrew Garfield. Se calhar agora já, com a garrafa de tinto e as lágrimas a colarem ao ranho. Tem de se fazer o trabalho de casa velho amigo, um cavalheiro que pratica um acting como o de Homem-Aranha 2 outra vez a vingança da EDP, não pode, NUNCA, entrar num filme teu. Agora é rezar, e com força.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Caminhos do Cinema Português - Sobe o calor

Não subiu calor algum. Estava a chover, frio nos pés. Mas nada disso tira a pinta de um arranque lá em cima, com a melhor vista do mundo sobre Coimbra. Atrasos (a)normais de gala, feedback nas orelhas e lá vamos. Curta Banho de Paragem, produto do 5º curso de Cinemalogia, também a cargo do festival, apesar de muito apressada e pouco fluída, revela algumas boas ideias. Especialmente o final, o enquadramento final. A seguir #Lingo, uma curta de animação sobre o poder das redes sociais, bem desenhada - muitíssimo bem desenhada - mas demasiado evidente, especialmente na tragédia. Eu sei que é trágica a ausência do presente, todos sabemos daí talvez precisarmos de outros avisos. Apesar de tudo positivo, é fodido fazer cinema e as curtas são esse esgar desesperado que eu tanto admiro. Depois a cereja do título, sobe o calor, música de Sérgio Godinho que dá o mote para Refrigerantes e Canções de Amor, ou como os outros lhe chamam, o filme do Markl. Escrito por ele, realizado por Luís Galvão Teles, conta a história de um coração partido que faz músicas para anúncios de refrigerantes e que se apaixona por uma dinossaura cor de rosa. E é em larga escala que começo, despachando, não o extinto, mas o vivo elefante: o filme mostrou-se todo nos trailers! Vendeu-se do início ao fim na promoção, todas as cartas, como se fosse preciso apregoar diferença e irreverência. Não é, deixem-nos chegar lá, deixem-nos também participar convosco. Toda a narrativa sofre, numas áreas mais que outras, deste escancaramento. Por exemplo, precisamos de ter um motivo para ela não querer sair do fato? Temos de ter razões para as nossas carapaças? Demasiado foco em mostrar e não tanto em fazer, em deixar ser, o que cria falta de ligação e fluidez, especialmente entre os dois grandes antagonistas, as duas grandes linhas. Mas, mas, é uma comédia bem disposta, com canções do caraças e que faz uma coisa difícil: não ofende. Não nos leva na brejeirice e piada fácil, do mecânico, do arroto, e dos virados do avesso. É levezita, com centenas de referências porreiras, alguns momentos muito bem conseguidos - o diálogo do hitman é um deles - e depois um supermercado como cenário. Só aí, para mim, é uma estrela. Moral da história: que fossem todos assim. E que um gajo saísse sempre de alma quente a trautear a melodia.