terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Ricky Baker

Hunt for the Wilderpeople, ansioso por vocês malta da tradução. Não nos desiludam. Vocês, malta da bola, enquanto esperam, vejam, e vejam muito. Uma relíquia das terras do tio Frodo, de Taika Waititi, com aquele tom seco e despachado, surreal no contraste do humano e do natural, do pequeno e do enorme. Um buddy movie, um filme de família, uma comédia, um drama, uma malha de ação. Romance porque não. Faz lembrar, mas acima de tudo surpreende: não só pela facilidade com que entretém, mas também pelas interpretações sinceras e magníficas do duo de protagonista. Especialmente o miúdo, que é o puto do ano. Sacana.

A criada e o excel

O filme deve ser excelente mas a questão aqui é outra

O olho esquerdo do gajo, não está um bocado mais para cima que o olho direito? 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Improvisar

Don´t Think Twice é o filme mais sincero do meu ano. Sincero porque regressamos sempre ao palco, ao palco do inevitável, do que não podemos deixar e que no final será a nossa definição de nós. Paixões, o grupo lá se vai perdendo, mas volta e meia volta ao improviso. Encara a audiência de frente, e pergunta. Sincero também, porque não necessita de grandes artefactos cómicos para rir da maior tragédia de todas. E sim, sincero porque o casal se despedaça na vida. Não é por isto, ou por aquilo, ou então por essas todas razões, é porque há a vida, cheias de organismos distintos, diferentes de sonhos e alegrias. Tudo à nossa frente, ao nosso lado. Obrigado e as palmas mais verdadeiras destas duas mãos.

Sofia, a múmia

Já nem me lembrava que ia haver uma nova Múmia, são tantas novas cenas dos meus 16 anos que acabamos por abdicar de umas em prol de outras. Naquele apertado armazém do que achamos catita lembrar. O tom é o certo, Tom Cruise e malta daquela linha Jack Reacher. Era o que lhe faltava ultimamente, fantasias descaradas. Mas o que eu quero mesmo dizer é que a Sofia Boutella, com esta adição ganha, sem sombra de concorrência, o estatuto de rainha do fanti-scifi. E saem corações a borbulhar. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Imaginem um mundo

Tem lugar num mundo onde só existem bifanas e essa loira do poster tenta desesperadamente sobreviver, uma vez que só gosta de cachorros. Tem também o James Caan e o Danny Trejo. Esta última parte é verdade. 

É que já Kansas

E eu pergunto: quantas revisitações do universo Oz teremos nós que mamar até ao final da vida? Ou quantas mais conseguirá um ser humano saudável aguentar? Não vale a pena listar, já foi antes, depois, moderno antigo, com cães com gatos, desenhos animados desenhos falecidos, pumba, pimba toma, chega. Mas não, Emerald City, promete um olhar moderno sobre...epá sei lá, é a merda da mesma história, com gajas boas e um cheirinho a steam punk. O Toto é o Inspector Max, e com esta me despeço.

A verdade é que ainda existe uma réstia de


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Era para se chamar Apocalipse Nalgas

Não são quaisquer velas que enfeitam tamanho bolo. E tamanha mordidela, para os desejos prósperos da eternidade. Não se trata de um blogue, onde o individuo, mais ou menos rabugento decide o que deixar. Até pode não deixar nada e fugir, os meses que entender, sem carta nem adeus. O nosso podcast não. É nosso, um projecto a três que todas as semanas está na rua, com mais ou menos cinema, com mais ou menos televisão, palavrão, inspiração. Podia ser uma anedota: três doidinhos por cinema entram num podcast e o primeiro diz. Só que é a sério, apesar de rir. Diz quem ouve que só rio assim, aqui. Até dá gosto, insistem. De facto gozava com todos aqueles músicos que de forma constante repetem a lengalenga de que em cima do palco é que se sentem vivos, mas de facto é isso, neste meu palcozinho. Por isso, e desculpem tamanha seriedade, agradecer aos meus dois compinchas da luta, a amizade, o cinema e as gargalhadas. A todos os que continuam a ouvir, interagir e partilhar. E por último aos meus pais, que me ensinaram a ver, procurar e respirar o cinema. Pronto, e agora fade para o Perfidia, que é tempo de celebrar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Caminhos do Cinema Português - Maria Rita

Cartas de Guerra, casa cheia no Caminhos. Mentirinha, às mosquitas. O que se compreende uma vez que é nao é o único...ah é é....então é porque depois há muitas oportunidades para...ah também não há...se calhar é a puta da Marvel e pronto. O som viciante das pipocas, há quem não viva sem isso, até cair para dentro do balde. Seja como for, fotografia maravilhosa. É o primeiro arrebatamento, logo, queixo a rolar até à fila Z. De um cuidado e primor artesanal, da procura de significado naqueles grandes planos ou nos buracos. Pincelando tudo, as cartas que António escreveu à esposa. Poemas igualmente extraordinários, de saudade e sanidade, de mestria para nos tirar dali. E é isto, o filme fecha-se nesta mecânica, para o bem e para o mal. Sem rasgos, viragens, conclusões. Falta atrevimento, falta quiçá um certo colorido nas personagens e seus desfechos, falta portanto tabu.

O resgate do soldado Taken

A minha grande questão Scorsese, é se tu alguma vez viste um filme do Andrew Garfield. Se calhar agora já, com a garrafa de tinto e as lágrimas a colarem ao ranho. Tem de se fazer o trabalho de casa velho amigo, um cavalheiro que pratica um acting como o de Homem-Aranha 2 outra vez a vingança da EDP, não pode, NUNCA, entrar num filme teu. Agora é rezar, e com força.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Caminhos do Cinema Português - Sobe o calor

Não subiu calor algum. Estava a chover, frio nos pés. Mas nada disso tira a pinta de um arranque lá em cima, com a melhor vista do mundo sobre Coimbra. Atrasos (a)normais de gala, feedback nas orelhas e lá vamos. Curta Banho de Paragem, produto do 5º curso de Cinemalogia, também a cargo do festival, apesar de muito apressada e pouco fluída, revela algumas boas ideias. Especialmente o final, o enquadramento final. A seguir #Lingo, uma curta de animação sobre o poder das redes sociais, bem desenhada - muitíssimo bem desenhada - mas demasiado evidente, especialmente na tragédia. Eu sei que é trágica a ausência do presente, todos sabemos daí talvez precisarmos de outros avisos. Apesar de tudo positivo, é fodido fazer cinema e as curtas são esse esgar desesperado que eu tanto admiro. Depois a cereja do título, sobe o calor, música de Sérgio Godinho que dá o mote para Refrigerantes e Canções de Amor, ou como os outros lhe chamam, o filme do Markl. Escrito por ele, realizado por Luís Galvão Teles, conta a história de um coração partido que faz músicas para anúncios de refrigerantes e que se apaixona por uma dinossaura cor de rosa. E é em larga escala que começo, despachando, não o extinto, mas o vivo elefante: o filme mostrou-se todo nos trailers! Vendeu-se do início ao fim na promoção, todas as cartas, como se fosse preciso apregoar diferença e irreverência. Não é, deixem-nos chegar lá, deixem-nos também participar convosco. Toda a narrativa sofre, numas áreas mais que outras, deste escancaramento. Por exemplo, precisamos de ter um motivo para ela não querer sair do fato? Temos de ter razões para as nossas carapaças? Demasiado foco em mostrar e não tanto em fazer, em deixar ser, o que cria falta de ligação e fluidez, especialmente entre os dois grandes antagonistas, as duas grandes linhas. Mas, mas, é uma comédia bem disposta, com canções do caraças e que faz uma coisa difícil: não ofende. Não nos leva na brejeirice e piada fácil, do mecânico, do arroto, e dos virados do avesso. É levezita, com centenas de referências porreiras, alguns momentos muito bem conseguidos - o diálogo do hitman é um deles - e depois um supermercado como cenário. Só aí, para mim, é uma estrela. Moral da história: que fossem todos assim. E que um gajo saísse sempre de alma quente a trautear a melodia.

sábado, 19 de novembro de 2016

If you must blink, do it now

Os primeiros 20 minutos de Kubo and the Two Strings são das coisas mais fantásticas que vi em cinema nos últimos anos. Não apenas o cénico, o belíssimo e inacreditável, como a rapidez com que nos encerram nesse mesmo cenário, sem truques nem lições. Damos por nós a navegar a cabeça ao som das cordas. Depois, animação de lado, é a fantasia perdida, desde os tempos de The Princess Bride ou Willow, onde se parte à aventura crescendo e acrescentando. Onde se vivem os espaços e peripécias. Até à união, até a uma despedida que é um bonito até já.  

Como fugir para as montanhas

O casting para este novo infinito da Star Wars deve acontecer com regularidade nas Caves Aliança. Só isso explica. A Daisy Ridley pronto, voltar ao zero, carinha fresca, tudo bem, engulo, já a precisar dum strepfen, mas engulo. Depois Felicity Jones, e aqui já dói. Foda-se, com tanta mas tanta gente foram buscar este pãozinho sem sal que não anda nem desanda. É bonita é e é também, ah não, é só bonita. Saltamos o Diego Luna para evitar o refluxo gástrico e partimos para a bomba do dia. Como não fosse mau o suficiente uma prequela do Han Solo, quando ele era stripper num clube noturno em Naboo, adicionam a rainha da pastelhice, a rebenta mitologias - rest in peace terminator - nada mais nada menos que Emilia vai fazer outra coisa Clarke. Citando o Luke: NOOOOOOOOOOO!

Versatilidade

É tipo A Lista de Schindler conhece O Rei Leão. Mas não é desta maravilhosa história verídica que vos venho falar, é sim do Daniel Bruhl. Epá, eu sei que ele é meio alemão, mas tem sempre de fazer de mau nazi? Não chegou a dose que a Shosanna lhe deu na tromba? Há malta que não se cansa de apanhar.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A chegada

Eu sei que estão em pulguinhas para ler o textinho que se segue, mas se não viram o Arrival - não é o The Arrival do Charlie Sheen, é o outro - então vão ter de sair está bem? Vou abrir o livro, pôr a boca no trombone. E começar pela questão chave de um Villeneuve não ser sempre um Villeneuve, não só pelos géneros - que mudam - mas pelo modo como os desenrola, ou os interpreta. Claro, que o factor guita, cheta, money, impera e este é, até à hora, o seu blockbuster. Por isso, talvez, seja o seu filme mais imediato, mais explicado, mais didáctico. Não era preciso. A história é tão bonita e tão cheia de sonhos, que esses próprios devaneios faziam grande parte do trabalho. Porque de facto, a fotografia, continua a ser única e cheia de espaços, continuam a existir momentos, onde se pára. Como a chegada à nave, com o canário, passo a passo. Respira-se. Tão bom. A linguagem a desenhar cada frame. Íntimo, nada a ver com os aliens, a fazer lembrar aquelas últimas coisas do género vizinho, como The Babadook, ou do mesmo género, como Gravity. Os monstros, as naves, são veículos, são figuras e representações para o luto, para a dor, para as relações. Ouvi, num dos muitos vídeos explicativos de um fã, que a conclusão e decisão final dela, é que apesar da doença, da perda, todos os momentos que viverão, fazem com que a chegada seja sempre muito mais importante que a partida. Para além de um filme único, é um filme de cada um.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Quase que conseguiam

Outra coisa. Um bocado mais chata. Por alma de quem é que estrearam o A Monster Calls sem dizer nada a ninguém? As palermadas lá do outro médico que é estranho, ou dos monstrinhos fora do prazo do tio Potas, isso é que é para mamar. Ou até o Palmeiras na Neve, que teve mais destaque. Este mais um bocadinho era projectado à entrada, na parede, com um projector BenQ de 150 euros. Ainda para mais, cereja das cerejas, traduziram para Sete Minutos Depois da Meia-Noite. A monster, sete minutos, calls, depois da meia noite. Foda-se, assim não.

Milhares

O título parece uma das grandes produções futuras das Nalgas. Palmeiras na Neve. Lixado não rir. E o pior, é que se quiserem continuar de carantonha batem de frente com a frase do poster. É que este maroto é baseado não numa, não em duas, não em três, não em dez, mas sim em milhares de histórias verídicas. Desculpem lá.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O nosso triste final

Uma vez disse que Two Lovers tinha o final feliz mais triste de sempre. Café Society termina na mesma inevitabilidade, só que em suspenso. Passando a função digestiva para o lado de cá. Virando as costas e dizendo: agora amanhem-se. Com a tristeza, claro.

Se alguém já tiver patenteado esta, peço desculpa

Descobri ontem que, depois deste Logan, está já programado um reboot/remake/sequela da personagem mas desta feita só com gajas.Vai-se chamar: Vulvarine. Tambores e...saída de cena.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Contrapasso

O frenesim. Em qualquer recanto as questões, as teorias, os debates, as arrelias. Tão, ou mais que o próprio conteúdo, reflexo deste transmedia sem pontas, que recebe e bebe de todas as fontes sem nunca desaguar. A experiência é tão ou mais viva do lado de cá e quem escreve tem de estar a par, ou melhor, tem de estar à frente. É injusto, eu sei, mas têm um mundo à sua disposição, e aqui em Westworld têm outra coisa, muito bem dissecada num dos mil artigos onde lambuzei a vista: o tempo. Têm o tempo, porque lá o tempo não existe, não é dimensão. É cenário, para cruzamentos, como se os Observadores de Fringe fossemos nós, a pescar dali e daqui. Sem envelhecer, e se não envelhecemos, como nos distinguimos de quem não pulsa? Infinitas possibilidades numa série, de oitos e oitentas, com altos valores de produção - maravilhosos mesmo - mas que se deslumbra com o íntimo, com a nudez e as palavras, os diálogos de pôr à prova, um fechado laboratório ou um campo aberto. Eu diria que estamos perante o novo Galactica, e isto sem bater de imediato na boca. Seja o que for, não é em qualquer mundo que Ed Harris e Anthony Hopkins se sentam à mesa, com o relógio parado, e começam a falar. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

À procura de uma sequela

- Pai, posso ver o dois do Nemo?
- O dois?
- Sim, o segundo, quando eles vão à procura da Dory.
- Mas não existe segundo, é só um.
- Eu vi a apresentação.
- Devia ser do primeiro.
- Acho que não.
- Eu acho que sim.
[Silêncio estranho]
- Podemos é ver o dois do Terminator.
- Já vimos esse tanta vez, não pode ser o três?
- O três?

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Até lá cabe o Neymar




O novo Xander Cage, para além de novo trailer, tem um conjunto de novos posters onde apresenta as suas intrincadas personagens. O Tony Jaa também entra e faz de Talon, para emagrecer os inimigos à bofetada. Ah, ah, ah. Não foi má de todo. A ressalva aqui é que temos quatro chavalas (uma nerd, duas da porrada - em que uma deve ser a má - e uma mais velha que deve ser chefe) e nenhuma delas está a apontar a peida ao leitor. Mas que mau design de poster é este afinal?

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Espelho meu, espelho eu

Kelly Macdonald toca na nuvem e diz algo como: o futuro a acontecer e eu a vivê-lo ou o futuro a existir e eu a existir nele ou algo diferente mas neste sentido. Depois revemos, corrigimos; ou abdicamos disso e deixamos o erro, o erro é que tem piada. Black Mirror volta a cair nesse tempo projectado que hoje já temos, num reflexo podre que caminha a passos largos para algo ainda mais escuro. É um jogo de amanhãs, qual deles o mais hoje? O mais nosso? Logo um jogo íntimo, unipessoal, e desenhado no modo de episódios autónomos, para autonomamente podermos escolher. Mas antes dos meus queridinhos, uma nota da rodapé, ou melhor, um avião daqueles das praias: magnífica transição, se é que foi transição, para nova casa e novo número. Há mais espaço, para os mais típicos, para os mais estelares, para os mais experimentais e para os mais novos. Espaço este sempre ocupado por uma identidade muito vincada e pouco aleatória. Todos os géneros no seu género. A posição tem um sentido e agora sim. 


Os meus meninos, que ironicamente coincidem com este arranjo estratégico. Nosedive, o primeiro, primo directo de White Christmas, agarra em seus preconceitos finais e transforma-os num novo sonho americano. Feio, lindo de morrer, com os rosas e seus feitios engomados a darem lugar a uma catarse maravilhosa, naquela que é possivelmente a cena final mais emblemática - Edward Norton naquela última noite - da série. É a introdução perfeita, para leigos, para fãs, para o mundo. Saltamos logo para o último, o mais comprido da saga, que podia muito bem ser o melhor filme policial do ano. Possivelmente é. Num retorcido julgamento ambientalista que termina com a punição inevitável, é o apocalipse, é o final. Desde a música, até às incríveis interpretações da dupla feminina, este ódio à nação é amor para a vida.


Por último, o meu predilecto, continuando no feminino. San Junipero, a réstia de luz que sobra no poço. Um regresso ao passado para encontrar alguma réstia, do que somos e do que queremos ser. Nada se limita, tudo se vai expandindo, lutando até à felicidade, essa eternidade prometida, seja em que "cidade" for. É uma canção, um suspiro de amor, um magnífico acreditar. Obrigado pela viagem. Black Mirror regressa como sempre foi, uma montanha russa, altos e baixos de episódios onde nada é garantido, onde nos perguntamos a cada curva. É a descoberta, do que nos contam e do que queremos depois contar, no nosso espelho negro.

Por último, e porque este desabafo não seria o mesmo sem um top maricolas, aqui ficam os meus episódios até à data, do pior para o melhor, com referência ainda mais bicharoca aos episódios desta temporada:
13. The Waldo Moment (S2, Ep3)
12. The National Anthem (S1, Ep1)
11. Men Against Fire (S3, Ep5)
10. Playtest (S3, Ep2)
9. Be Right Back (S2, Ep1)
8. Shut Up and Dance (S3, Ep3)
7. Fifteen Million Merits (S1, Ep2)
6. White Bear (S2, Ep2)
5. White Christmas (S2, Ep4)
4. Nosedive (S3, Ep1)
3. Hated in the Nation (S3, Ep6)
2. San Junipero (S3, Ep4)
1. The Entire History of You (S1, Ep3)

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Fiquem pelo Castiço

Em A Lenda do Cavalo Castiço, o maior western grandolense, quiçá de todo o Alentejo, de sempre, parafraseia-se por diversas vezes "vai ser tiranzada de meia-noite". Ora bem, se há uma expressão que descreve estes novos 7 embustíssimos é essa mesma. O filme do Fuqua não passa de tiranzada de meia-noite, do início ao fim, com um conjunto de bonecos frouxos, mal amanhados, sombras das suas próprias personagens passadas, como se no intervalo de outra coisa esta coisa tivesse nascido. É mau, é triste, já passou.

Nas nalgas, a todo o vapor

Lembrar que continua ativo o passatempo mais incrível do ano e deixar aqui a última revisão da matéria dada, com um filme que nos disse muito. Tanto que ficámos sem palavras, porém sentidos, em especial por um início que é uma ode às nalgas, naquela altura em que elas funcionavam a vapor.

Análise à estreia da sétima temporada de The Walking Dead, frame a frame

Acredito que, num universo paralelo, em que eu seja meio costa riquenho e possua um escorpião como animal de estimação, num aquário, pudesse francamente escrever uma crónica destas. Com ânimo, sinónimo de que há sete anos levava com este walking todo, and walking, and more walking. Mas não, saltei bem lá atrás, e o que vos queria dizer, depois de coscuvilhar este "enorme" cliffhanger e seu resultado é: por amor de deus malta, tanta coisinha boa, ou tanta coisinha mais ou menos, e vocês continuam a mamar com uma série que vos faz esperar um ano, para matar um borra botas que não interessa a ninguém e o gajo que falece na BD. A sério couves de bruxelas que escrevem estes argumentos? E cola, o desespero é que cola, e que agora os caminheiros vão levar com mais quinze passeios bacocos, de rebentar a sola dos pés. Sem personagens, sem história, sem fim à vista.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Este frame já é um marco

As chamadas desgarradas para óscar, onde se tem de chorar, gritar, baba e muito ranho. A probabilidade de nomeação é diretamente proporcional à quantidade de muco, sempre. A academia adora a soberba desnecessária, a explosão simulada como carimbo de qualidade, de realidade. Captain Fantastic é o oposto, aquele discreto suspiro, em contenção, que eu tanto adoro. Um bonito poema que se respeita e nos respeita, sem tiques de indústria ou não indústria. É a família, e suas canções, suas crenças na viagem, suas dúvidas que ficam nossas. Por último, Viggo Mortensen, sem êxtase nem artifícios, seco e dorido, a chorar sozinho, sem ninguém ver. Mirones de um dos últimos grandes talentos perdidos e esquecidos, como se mesmo em casa nunca tivéssemos saído da floresta. Delicioso.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O tostão do chavão

Don´t Breathe é como a pescada, antes de o ser já o era. Produto de uma genial máquina promocional que fez o básico, o bê-á-bá, oferecer a forma antes do conteúdo. O poster era rei na manobra: "dos criadores de Evil Dead", "das mentes distorcidas por detrás de Evil Dead", "o novo filme de Fede Alvarez", "o melhor filme americano dos últimos 20 anos". Para os leigos alvo deste terror pipoqueiro, não só Evil Dead é um filme de 2013, como Fede Alvarez é alguém com nome e experiência na área, no género, alguém que interessa. Foda-se não, só tem um filme, que é esse Evil Dead, que é horrivelzinho. Publicitar isso não deveria resultar. Mas resultou. E não, não é o melhor de anos alguns. Consegue exercitar algumas cenas com mestria, algumas apneias do seu título, mas fora isso é um thriller banal, sem ideias e sem surpresas. Ideal para quem não vê mais nada. Porque pondo os pontos nos is, The Neighbor faz exatamente a mesma narrativa de invasão e consegue ser mais em tudo: tensão, violência, interpretações. E o realizador tem ao menos uma bela mitologia no seu currículo. Ou Hush, do Mike Flanagan, que brinca aos sentidos de forma clássica mas genial. Onde está o hype para estes dois? Onde estão os chavões da forma? Vão mas é feder para outro lado!

De mansinho, Abigail Spencer e seus muchachos

Timeless faz aquilo que a maior parte dos revivalismos não consegue, reinventa. Transforma, agita de tal forma - Sliders, Quantum Leap, Timecop - que quando paramos a saudade já não ofende, mas sim surpreende e catalisa. Utiliza, como a sua premissa, a própria história para dela tirar novos futuros. Assim ligeirinha, rápida, bem interpretada e de boa mitologia. E pronto, viagens no tempo meninos e meninas. Até ver, o Sci-Fi do ano!

sábado, 15 de outubro de 2016

Griswolds Forever

Nunca deveria ter duvidado dos Griswolds. Tenho vergonha. Sinto-me imundo por tê-los deixado na prateleira, por ter equiparado o universo National Lampoon's Vacation a qualquer borra remakes da piça, com o bacoquismo dos novos parâmetros. Das novas métricas e tesouradas. Vacation é o que é, uma comédia episódica parvalhona e trapalhona, cheia de altos e baixos, mas carregada de gargalhadas. A pedir para ver outra e outra vez, com este e com aquele, porque a parte da Mariah Carey é genial, ou a porrada ao som de Sleigh Bells, o puto do saco, o puto do saco é o maior, e o gajo da ratazana, o gajo da ratazana merece um spinoff. Este respeito pelo desvario dos 80, pela capacidade de eternizar as piadas, de lhes dar espaço, dando simultaneamente um ar de família, faz desta sequela reboot a melhor dos últimos largos e largos anos. E agora vocês: there used to be a greying tower alone on the sea...
 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O isco

Esqueçam o papá e a mamã, o Jesus e o Vitória, chegou a nova questão que promete rebentar matrimónios e apoquentar uma geração inteira de progenitores. Gostas mais do Train to Busan ou do The Wailing? É esta que interessa em 2016 e é esta que vai pôr toda a gente a falar. É difícil raios. Fodido mesmo. E, apesar de ser um Busanete, ainda estou a processar a genialidade do seu par. The Wailing apanha-nos na curva, porque nos amolece. Dois cromitos, neste vídeo, dissecam bem este mecanismo: está construído de forma a que a guarda desapareça, na comédia e na gargalhada, para depois numa espiral de loucura, com tempo, sem darmos conta do anoitecer, nos esmurrarem e nos espetarem com um dos finais mais aterrorizantes da década. É um isco. É um belíssimo pedaço de cinema.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Essa parte do Patrick Swayze é boa

Eu podia desenrolar o papel higiénico do errado e vê-lo ir e ir e ir até embater num doce obstáculo a uns bons quilómetros de distância. Podia falar dos débeis mentais que continuam a dizer: ah mas não podemos dizer mal antes de ver, ai ai ai, é muito feio, temos de ver primeiro para saber se é mau ou não. Não temos, chatos do caralho, podemos confirmar que é intragável, terrível, horrível, agora saber já sabíamos há muito tempo. É uma questão de matemática, é Paul Feig mais "a gorda" mais "SNL" mais não interessa porque é sempre a mesma pastilha. Que cola uma vez mas depois começa a secar, a enjoar. Podia também falar das interpretações desinspiradas. Da inacreditável falta de química entre elas as quatro. Da ausência de bons diálogos. De humor. Dos cameos mais forçados e tirados a ferros da história dos cameos. Podia falar disso tudo mas o que mais me chocou - mesmo de ficar assim apreensivo, por vezes triste - é a trapalhice técnica. O filme é retalhado como se estivéssemos no Estado Novo, o que nos chega - como aconteceu em Suicide Squad - são pedaços de uma ideia, uma fita mal colada, mal montada. Uns são erros de raccord, como na cena do concerto, outros são simplesmente passagens amadoras, como do plano da câmara municipal para outro onde elas estão a caminhar num beco, é mau, não cola, não flui. Adeus editores, descansem em paz.

Au revoir Elliot

Ao menos fiquei a conhecer aquela magnífica canção, da traça, último episódio, em jeito de adeus. É isso, que esse acenar tenha então algum sentido, Mr. Robot, Sam Esmail, eu fico por aqui. As voltas já não são voltas que se concretizam, são múltiplas linhas que se bifurcam sem rumo, afastando-se mais e mais umas das outras. A primeira temporada tinha os seus mistérios, os seus pretensiosos planos e arranjos, mas no final era certinho, era uma vénia, tirei de facto o chapeú. Encantado. E pelos vistos não era o único, não éramos os únicos, mas mais que nós todos estavam eles, pelos seus umbigos de escrita. A pensar que de novo iríamos aquela fonte, cair naquele truque, suportar aquela dúvida. Levar com arcos ridículos como a outra que leva uns murros ou a loira que twin pica, twin pica muito. E o chinês vestido de gaja, e o Dark Army que mata uns mas protege outros. Respondemos a tudo, dizem no final. Não responderam a nada e não deixaram sinceramente nada para sonhar, prever, discutir. Trapalhada, e se disserem que é arte, estilo, ou que uma série não consegue responder a tudo de forma equilibrada e fechada vão ver The Leftovers que depois conversamos.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

O filme do ano é coreano

Train to Busan está a ser vendido por aí, nas praças e mercados, como o melhor filme de zombies desde que o outro cagou uma vela. Expressão que acabei de inventar, sinónimo de que passou muito tempo, há muito tempo. E não podia ser mais enganador e redutor: esta malha coreana não é só melhor filme de zombies da década, é também o melhor filme de ação,  o melhor apocalipse, o melhor terror, o melhor thriller, desde que os blockbusters eram filmes. Vem redefinir esse mesmo conceito, dar-lhe vida, num cinema tão completo, tão cheio de recantos e - lá vou eu cair no mesmo - de cenas. Foda-se, há quanto não era eu presenteado com uma cena, coração a rasgar, como aquela do escuro, dos túneis que ora apagam ora acendem. Não pára, só cresce, com um visual incrível e com um conjunto de personagens que seguem todas as regras do estereótipo mas que em simultâneo existem: a gaiata, a grávida, os jogadores, o pai, os pais, a velha, são eles como sempre mas também são eles como nunca. Como nunca os vimos, para nos oferecer um avassalador adeus, e um plano final cheio de tudo. Cheio daquele vale a pena.

sábado, 17 de setembro de 2016

We skipped the light fandango

Uma vida inteira: sim os Commitments foram uma banda, depois houve o filme. Lembro-me de todas as referências, os posters, os sítios onde estavam os posters, da música. Até ontem, ou anteontem, quando finalmente toco o filme de Alan Parker e lá percebo. É viver lá dentro, no fundo é o que faço com todos os outros, mas neste ingénuo, seguro de que não haveria barreira. Delícia, que tem o melhor diálogo/monólogo final de sempre. É resposta para quase tudo na puta desta vida. 

Jimmy Rabbitte: [pretending to be Terry Wogan] So, lookin' back Jimmy, what have you learned from your experience with The Commitments? 

Jimmy Rabbitte: Well, that's a tricky question, Terry. But as I always say, we skipped the light fandango, turned cartweels 'cross the floor. I was feelin' kinda seasick, but the crowd called out for more. 

Jimmy Rabbitte: [pretending to be Terry Wogan] That's very profound Jimmy! What does it mean? 

Jimmy Rabbitte: I'm fucked if I know,Terry!

Try a Little Tenderness e depois vota

Andava com esta, aliás ando sempre com esta, mas tinha a ideia de o assunto já aqui ter sido escrutinado. Afinal acho que não, ou se calhar foi e mama-se de novo, é importante. Try a Little Tenderness, qual o seu melhor desempenho em película. Votação aqui ao lado, exemplares aqui em baixo.







My baby just cares for me

Ninguém consegue, mesmo depois de tudo, responder à questão que o título impõe. What Happened, Miss Simone?, não sabemos, e o próprio documentário tenta não escolher a resposta. O que por um lado faz dele apenas mais uma biografia, bem montadinha, mas sem qualquer ponto, rasgo ou reviravolta de interesse. Início nasce, final morre, é o mais fácil e foi assim que a Netflix contou Eunice Waymon. Por outro foi assim que o mesmo canal contou Nina Simone, todas as suas sombras, batalhas, monstros e baladas, para nunca esquecer, voltar a ouvir, voltar a aplaudir. Voltar a ela, ela, e isso é sempre um enorme prazer.

Os olhos de Alex Essoe

Perseguida de perto por Anya Taylor-Joy, Alex Essoe está a uns segundos escassos do recorde olímpico para rainha da gritaria. E não deixa de ser engraçado - spoilers a partir daqui -  como as duas se deixam monstrificar, despir, usar, para passar ao próximo nível. Para nos assustar e apertar o são, com riso nervoso. São destas que estamos à procura. Não tanto a sua prestação em The Neighbor - obra que, apesar de não ter a complexidade sádica de The Collector tem o seu protagonista, um scream king e um badass do caralho, por isso vale a pena sim - nem em Tales of Halloween - porque não vi - mas sim Starry Eyes, que resumindo é o Neon Demon mas em bom.
Com toque de The Fly, Mulholland Dr., Black Swan, e mais. Ainda para mais, eu pensava que isto era sobre uma gaja que ficava ceguinha e recebia outros olhos, enfim, o clássico do sub-género "foderam-me a vista". Mas não, é de corpo inteiro das vísceras, das ganas e da ambição, de fazer tudo, até apodrecer. Com um ritmo crescente avassalador, conquista-nos da pior/melhor maneira, sem paninhos quentes, sem dó. Uma das enormes surpresas atrasadas que ganha já lugar de referência aqui nas minhas listinhas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Pouco ou quase nada

Diga-se de passagem que estas novas adaptações live action da Disney estão a sofrer do síndrome Marvel: é tudo bom. Muita bom. Excitação, foguetes e bombos. Até tremo, quando sair a Hermione e o mau do The Guest. Pete´s Dragon não foi excepção, no calor e notas altas que se fizeram sentir, o que obrigou aqui o fã do original a ir ver uma merda dobrada em português, como se estivesse em Espanha. Tirando isso - que magoa e afecta - o filme tem um tom giro, conseguiu distanciar-se com personalidade: nas paisagens, na floresta, na fotografia. A sequência da fuga do hospital é um mimo. Canções a condizer com o cenário, com a viagem. O que falta? Falta aquela maquiavelice dos velhos clássicos, que o velho clássico tinha. Apesar do desenho animado e do tom musical as personagens sofriam: o puto era mal tratado, os maus eram sujos, a senhora era uma desgraçada à espera do marido, havia um farol, no final o dragão ia embora. Havia ali muito coração à solta. Neste aligeira-se tudo à medida dos lençóis, dos tempos fininhos e agradáveis, sem querer bater. O que feitas as contas acaba por bater pouco.

Ansioso

Quando um gajo pensa que a Anastasia e o zarolho tinham levado um amarelo e estavam suspensos por tempo indefinido, eis que novo trailer emerge. Surge que nem pontapé nos tomates para nos adoecer o dia. Agora com máscaras, a Kim Basinger e uma ex fodida da vida. Quanto a sex appeal, sexo, ganas, qualquer coisa, isso é que não. Pode ser que no terceiro, o 50 Sombras Ainda Mais Enjoada e Sem Sal.

Nova fragância de NWR

A sorte do Suicide Squad, em não ser o filme mais horrível de sempre do ano para sempre, é que logo a seguir - que merda de ideia - mamei o The Neon Demon. Que também é uma inexplicável sucessão de frames cintilantes. Existia ali alguma coisa, em alguma fase do projecto? Não sei. Certo é aquela máxima da minha avó, que já aqui apliquei noutros casos, cai aqui que nem um preservativo: The Neon Demon é um daqueles filmes que quando começa, acaba. No instante de arranque, em que a ação de facto se resolve por um caminho, créditos a negro. E de novo as iniciais NWR, como no início, debaixo do título. Mas quem é que este gajo pensa que é? A Disney? Uma marca? É isso? É isso que explica a ausência de qualquer conteúdo, de qualquer personagem, de qualquer transformação ou ponta solta, ponta de interesse, como o outro cisne, que de facto se sujou. Aqui não, nada, zero. Duas horas de vermelhos e cores de rosas, e pedidos de desculpas ao meu irmão: desculpa lá puto, pensava de facto que era outra coisa.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Amigos em comum

A Alycia Debnam-Carey é uma gaja bem boa, que entrou no The 100, entra no Fear the Walking Dead, e fez agora um filme de terror muito parecido/igual ao Unfriended. Nem ia ver, mas pronto, rabo de saia e tal, peidas, aquela promessa, beicinhos, e dou por mim dentro de Friend Request. Que não é grande merda mas revoluciona um bocado as maldições: antigamente escritas em livros, pergaminhos, paredes, no corpo, passam agora para o código. O próprio código do facebook estava de maldições e não dava para apagar aquela merda. É a internet que fica de espíritos malignos e não há hacker que nos salve. Como é que eu explico aos meus filhos, num futuro próximo, o que era um bom e velho livro de bruxaria?

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Secret Story - Versão Cinematográfica

Até se podia manter a Teresa Guilherme, mas virar a coisa mais para o cinema, com concorrentes porreiros que nos oferecessem segredos como estes:

SOU O KEYSER SOZE (Verbal)

O MEU PAI CORTOU-ME A MÃO (Luke S.)

ESTOU MORTO (Malcom C.)

NÃO ENVELHEÇO PORQUE LEVEI COM UM RAIO (Adaline B.)

TENHO O NOME DO MEU CÃO (Indiana J.)

A MINHA MÃE TENTOU PAPAR-ME (Marty M.)

TRAMEI O ROGER RABBIT (Judge D.)

SOU FRUTO DA IMAGINAÇÃO DUM ALUCINADO (Tyler D.)

FIZ AMIZADE COM UMA BOLA DE VOLEIBOL (Chuck N.)

SOU O ZORRO (Alejandro M.)

QUANDO ERA NOVO DEIXARAM-ME SOZINHO EM CASA (Kevin M.)

JÁ ENCOLHI OS MEUS FILHOS (Wayne S.)

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Até tu

Duas pitas, no final: a banda sonora é bué da fixe. Ya tem uma banda sonora bué da fixe mesmo, responde a outra. Entrego os óculos das três dimensões e vomito, vomito como nunca antes tinha vomitado, para cima da porta de vidro, do pai com as miúdas, dessas pitas, de toda a gente. E não. Esta parte é mentira. Fui só para o carro, fodido. 

Suicide Squad é horrível de uma forma não respeitável, não ordeira e não pensada. Isto porque não é um filme. Dá a sensação que Ayer fez de facto uma obra e que depois alguém disse: olha agora refaz isto como se eu fosse muito burro. Como se fossemos todos. Então o que acontece é uma sucessão de tutoriais, de como se foi de A para B, caindo depois numa narrativa vazia que não tem por onde andar. E a montagem, foda-se a montagem. Nem nas novelas se pratica uma edição tão amadora, ela fala e está lá um frame a mais, um frame a mais que mata, incendeia e deita por terra qualquer ritmo. Está tudo mal. Mãos na cabeça.

Porque é que o filme começa só com duas personagens presas? São elas as protagonistas? Porque é que depois as apresenta no restaurante? Porque é que o que morre logo não foi apresentado? O que faz ali o Joker? O que faz ali o Batman? Porque é que os motivos do vilão são de novo os mesmos motivos de todos os outros vilões dos últimos 45 filmes de super heróis? E porque é que de repente já são todos amigos? Amigos???? Foda-se mas o argumentista sabe sequer o quer dizer a palavra amigo? As músicas, as tais músicas das pitas e que fizeram as delícias dos trailers, estão mal, são fait divers, metidos a martelo para nos hipnotizar com um filme que não está lá. Culpa de quem? Não pode ser só do Jai Courtney, o rebenta mitologias. O resto do elenco está terrível, até ela, por favor, tirem as mãos das calças, até ela está mázinha. O realizador, o estúdio, o editor, as novas audiências? Todos e nenhuns. Pior que o novo Fantastic Four, pior que qualquer coisa. Os fãs podem tentar encontrar ali alguma coisa, alguma linha, alguma bóia. Mas não, esqueçam esta gatafunhada e partam para outra. Como eu.