terça-feira, 18 de Novembro de 2014

Sim, dizem o poema vezes de mais

Chibanço do bom, mesmo à frente. Estás um gatinho, penso depois. Antes, nem avisavas. Pois não, mas antes também não tinha esta larufa grisalha. Parecendo que não pesa, como a gravidade. E pimba está a ponte feita para o filme. Que génio do caraças. Eu. E o Nolan? -  perguntam os zombies sedentos de tripas e à espera de partidos. O Nolan dá que falar e, esquecendo as brigas de bairro, fá-lo na procura de novos caminhos. Que outro consegue tamanha movimentação do mundo? Do que poderia ter sido, do que foi, do que é e de como dois gajos à porrada são sempre dois gajos à porrada. Sacode o pó muito para lá da sala, universalizando aquilo que o cinema deve e pode ser: um eu à procura de respostas. Em todo o lado. Interstellar tem graves problemas com o seu elenco - a Chastain, por exemplo, esqueceu-se de representar - e com o seu lado mais didáctico - agora meninos, vamos explicar como é que isto tudo aconteceu. Porém, tem milheirais a perder de vista, ondas do tamanho de montanhas, nuvens geladas e naves que giram perdidas. Acoplagens impossíveis, buracos negros e despedidas. O tempo na mão. Na a eterna vontade da descoberta.

Take 1994

Já aí está. Ou já aí estava, desde esse ano. Bilhetes à espera de um DeLorean, que os picasse e cuspisse de novo na tela. Sentem-se na Take saudosistas, a viagem, para além de gratuita, é memorável.

Ponham-se a pau

É que The 100 está perigosamente a sair da área de guilty pleasure.

Poster final de "O Dia em que o marco Bateu na Sónia"

Sim, existe apenas na cabeça do Ferreira. Ou então é mesmo um esmagador sucesso, algures em parte incerta. Universos e filmes paralelos. Será sempre um se, e sempre "a maior obra nacional de ficção científica nunca feita". Para finalizar, antes de cair em lágrimas, um obrigado universal ao Brain Mixer, autor destes incríveis posters que deram vida ao pontapé. Um dia, um dia.

segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Clap clap clap ou melhor dook dook dook

Só aviso spoilers porque O Senhor Babadook merece. Senão bem que se cosiam. Mas pronto, não viram, vão lá dar uma volta a qualquer bulha sobre o Interstellar. Já foram, então rapaziada, grande regresso ao interior. Chiça. Duas coisas absolutamente maravilhosas: ser dono de um género que acaba por não ser o seu, ou pode ser, lá está, mas no final nada tem a ver com papões, monstros, assombrações. Ou tem, mas são as nossas. Exercício de luto, mágoa e saber (con)viver nessas mesmas ruínas. A outra conquista é o turnover à la The Shining que o filme proporciona, invertendo os papéis à medida que nos vamos aproximando inevitavelmente do confronto. Puto mais sinistro desde essa altura. Terror mais eficaz dos últimos anos.

sábado, 8 de Novembro de 2014

Guerrilhas e guerrinhas

Ainda não vi. Cegueira que não é de todo imune - impossível ser - ao hype e anti-hype do hype em torno do filme. E que irá ocorrer em qualquer nova obra de Nolan. Os muito entesados ficaram fechados nos seus círculos de adoração fazendo com que os murchos se tornassem novos-entesados, do lado oposto. Não só detestam o "homem" como todos os outros, que também não prestam. E depois andam nus, a brincar com as bolinhas pretas e as cinco estrelinhas, para ver quem ganha. Merecedor obviamente de um aprofundado estudo sociológico, onde entram no meio disto tudo as pessoas que gostam só de cinema?

sexta-feira, 7 de Novembro de 2014

Sim ela mostra

O principal problema não é abrir o espírito. Para o Vigalondo ele estará sempre escancarado. [ia fazer associação Sasha Grey mas desisti a meio] A comichão é que a complexa trama não se dilui no esquema de tempo real. Não temos as pistas pacientes que necessitávamos para um verdadeiro quebra cabeças. Ainda assim, totalmente recomendável.

Vi o Wall Street

Depois pedi à minha mãe para sair da mesa; não quero mais Oliver Stone, estou cheio.

Denunciado mas simpático

Tem aquela métrica caricatural: foda-se caralho puta da velha foda-se. Merda. E tem o Ricardo Carriço. Mas, consegue uma estranha química, cheia de altura. Um titânico esforço do casal protagonista que faz tudo o que sabe e não sabe por aquela história. De tal modo que apetece dizer ao resto do elenco um "basem", seguido de todos os outros elogios enunciados no início.

[sim, escolhi esta imagem por causa da jornalista]

segunda-feira, 3 de Novembro de 2014

Hello Ladies: The Movie

Ah pois, o que é bom sempre volta, ou nunca desaparece, ou outro dito inventado que assegure esta verdade. O meu quarto está em festa.

Para lembrar

Eu Me Lembro é um dueto, entre Clarice Falcão e Silva. Nele, cada um conta aquela noite. Quando ambos colidiram. E ambos sabem de cada luz, de cada cor de cor, podem-lhes perguntar, eles se lembram. Irónico instrumento, lá está, onde se sobrepõem sem dó as versões distintas, como se a realidade fosse o eterno desencontro entre estas duas percepções. The Affair usa este mecanismo para narrar um caso, um verão, e sua posterior procura da verdade. Ferramenta tão simples, recolhida do baú, endereçada à cabeça dos teimosos: sim ainda há espaço. Para o campo e cidade, para os amores de verão, para a carne e o sexo, para as questões entrelaçadas nas palavras, para o velho do thriller. Para Ruth Wilson. Uma das grandes séries do ano.

domingo, 2 de Novembro de 2014

Miss Novembro

Nomeado TCN 2014

Créditos Finais está nomeado para Melhor Blogue Individual e Melhor Iniciativa. Se a primeira diz respeito ao eu - sim já me estive a abraçar e a praticar o auto beijinho - a segunda é reunião de esforços de outros soldados e nomeados. A todos os que até hoje fizeram o Cinema Animal, o meu muito obrigado. Agradecer por fim a quem escolheu, a quem cá vem e a todos os outros que ainda não descobriram que este é, provavelmente, o melhor blogue do mundo. A seguir regressam as misses para puxar um bocado ao voto.

Listagem completa de categorias, nomeados e locais de votação aqui.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

É mesmo fofinho o sacana do dragão

A DreamWorks Animation sempre foi o Armando José da Pixar. Massacrando e cuspindo. Felizmente, How to Train Your Dragon 2 percebeu que não tem qualquer tipo de hipótese. Faltam os recantos amigos. É tudo recto, sem a luz curva da genialidade. Fê-lo em boa hora, assumindo-se apenas como um bom filme de aventuras. O que dá sempre jeito nos dias pastosos que correm.

Um resumo útil

Estava há alguns dias sem pôr pé no feedly, que, parecendo que não, estende-se daqui até Alcácer, não é fácil. Por isso, e excluindo todos os artigos sobre cinema, decidi fazer uma súmula útil, para quem, como eu, vê o seu tempo a encolher. Como se já fosse Inverno. Momoa Aquaman, Zellweger espatifou as fuças para ver se ganha mais um Óscar - para mim é front runner na categoria - a série do Scream não vai ter o Ghostface - à semelhança do novo Star Wars que não vai ter Jedis - e o novo Ridley Scott, o Principe do Egipto 2, vai ter 200 minutos de duração. Esta última já foi desmentida mas vou mantê-la para poder projectar um conceito de dor nunca antes experimentado. Por fim esta camisola espectacular, Feliz Natal.

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Os zombies dos segredos

No meio da questão, andava eu, faço parte das curtas palavras. Mas porque é que tanta gente vê esta merda? Lá está, eu ali enfiado, é pior é pior: mas porque é que eu vejo esta merda? E agora, neste último episódio, bateu-me, nos miolos espalhados por ruim marreta. The Walking Dead é o Secret Story, apetecível maçã voyeurista embrulhada num pacote de culto. Tem personagens idiotas, estúpidas, que ambicionamos ver dali para fora, e que pouco têm a dizer umas às outras. Se dizem é o mesmo. Todas têm segredos e se aparece um novo morador, também esse vem cheio de demónios. Que temos de adivinhar para depois matar e passar a outro. Andam da sala para o jardim, que é como quem diz da tenda para o pinhal, ou da quinta para o pinhal, ou da prisão para o pinhal. Não fazendo a ponta de um corno. Lá estão e um cidadão, cansado, liga aquilo, dizendo para a Maria: olha vamos lá espreitar o que é que eles estão a fazer hoje.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Queixo assombrado

Duas coisas, que ainda não se definiram na moleirinha:

1. Como nos devemos sentir ao ver o Casper Van Dien? É bom? É mau? É só saudade?
2. Como devemos reagir ao queixo de Caity Lotz? Respeitar? Vomitar? Tentar ajudar?

Tirando estas incertezas, The Pact é um pequenino clássico, que repete a fórmula mas com a visão de quem cuida. Terror feito no tear da paciência e dedicação. Com direito a sequela bosta e tudo.

O clássico do obrigado

Chuta-se o feel good movie para comédias semi-dramáticas, sempre na linhagem do levezinho. Com o final do "estão a ver como a merda da vida é maravilhosa". Mergulho no mar. Pois, na maior parte dos casos nem nos sentimos contentes, nem assistimos a um filme. A velha raposa, escreveu no quadro o conceito e ofereceu Jersey Boys. É isto: encher o écran de brilho, música e histórias. De tal forma, que o requinte das piscadelas termina na ponta dos dedos, que estalam. Há muito, mas há porra de um muito, que eu não saía da sala tão bem disposto.

domingo, 19 de Outubro de 2014

"Encontrei" na BSO de "O Dia em que o Marco bateu na Sónia"

Já se suspeitava. Hoje surgiu a confirmação oficial: o épico romântico de Marco Borges vai ter lugar na banda sonora de "O Dia em que o Marco bateu na Sónia". O ator/cantor/pessoa normal junta-se a nomes como Tó Leal e Chemical Brothers para um conjunto que sem revelar nada promete tudo.

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Gosto muito de filmes passados em zoos

Os filmes-exorcismo são todos espectaculares. Mas também são todos iguais. Caso verídico (piu). Gaiata, senhora, cavalheiro sinistro possuído. Demónio maroto. Malta desfigurada. Polícia ou civil descrente. Padre alcoólico já recuperado. E partitura em latim para nos livrar do mal. Não livra, mas também não machuca.

Abre a pestana

Juro que pensava que o novo filme do Tim Burton, Big Eyes, era uma biografia da Zooey Deschanel.

Arrojado

Podiam realmente ter agarrado no logotipo antigo e mudado o título, mas não, decidiram mudar também a cor. Doidos.

Remastigar = vomitar

O remake d' O Pátio das Cantigas vai ser um reboot. A abordagem à história é muito mais dark, com personagens novas, algumas já presentes na BD original. E correm rumores que o Evaristo no final fica mau.

sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

A sorte tem destas coisas

Um grupo de pessoas vendadas a correr floresta fora. Das minhas maiores obsessões imagéticas e cinematográficas.

quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Adivinhem quem voltou

O percurso Gone Girl é, no hoje, tão raro, que quase apetece chamar case study. Do que devia mas não é, do que foi mas não prevalece. Cinema é acontecer, antes, durante e depois. Trailer arrebatador, ingénuo mas mortal no modo como olha. E caça. Depois vem o burburinho, de quem já foi, de quem quer. Toda a gente fala de Rosamund Pike, como se a senhora não tivesse já sido Bond Girl e Titan Girl. Não percebia, é a fome. O filme aparece então, e falo eu de Rosamund Pike: foda-se. É assim, sem grandes camas, biografias ou dentinho torto. Não posso contar mais. Mas quero falar, existe urgência. Em tanta coisa. Cinema é acontecer e Fincher traz, que nem sóbrio trapaceiro, o acontecimento de volta ao cinema.

Muita boa

Só hoje é que percebi que ela já tem uma canção. Aquela dos Scorpions, you and I, just Eva Green...

O que vale é que a Emma Stone é a mulher mais bonita do mundo de sempre

Jantar romântico onde o outro constantemente foge para o relógio. Mas tens alguma coisa marcada? Mente, diz que não. Não devia ter, não aparenta ter. Mas foge. Assim Woody Allen nesta sua nova aventura, montada a correr como se a agenda fosse outra. Tudo certo com o luar, tudo errado com a magia.

quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Dois novos posters de "O Dia em que o Marco bateu na Sónia"

Enquanto o trailer não chega saem mais dois incríveis posters do muito aguardado O Dia em que o Marco bateu na Sónia, agora a revelar parte do elenco. Dezembro, chega depressa.

Síndrome pelicano

Não sei se vos acontece mas sempre que está a dar o The Pelican Brief tenho de ficar até à parte em que a Julia Roberts explica tudo. Deliro.

A todos

O melhor binómio início/fim. As tentativas, só mentais, da canção, até ao seu extase rendido. Crescendo. Fábula de ideias, sonhos e máscaras que se articulam com o propósito de uma música. Com aquela graça de quem não se deve rir, a pena espetando que nem agulha. Frank é muito mais que a caixa, um hino carregado de tantos outros.

quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Agitar


Uma das bandas-sonoras a reter neste 2014. Leva-nos daqui ali, enquanto serenos seres agitados. Como o filme, que constantemente regressa ao passado, às folhas e à água, aos espaços humanos que um dia respirarão somente em memória.

Bem que te lixavas no labirinto oh Katniss

Sim é juvenil. Sim, com sangue, violações, homossexualidade e brutalidade pós apocalíptica, era tudo bem mais saboroso. Sim sentimos o potencial. Mas se partirmos daqui, The Maze Runner é, destas vagas devastadoras, a mais interessante. E vibrante. Descarta as merdas amorosas, triângulos, quadrados, mimos-gaios e salas do prazer, fica tudo à porta. Um grupo de putos, um quadrado e um mistério. Mistério, firme como as paredes, numa mistura estranha de Cube com The Village. É francamente satisfatório, mesmo com os aspectos dérmicos da coisa, pensar numa saída. Num porquê.

Sair mas com respeito

Não gosto nada daqueles mochileiros que justificam o baixo teor em posts com uma elevada frequência de férias. Ou só com férias. Eu vou justificar o meu silêncio com férias mas vou também acrescentar que, uma vez na natureza, estive sempre a pensar no Malick.

TCN Blog Awards 2014

Data, poster e candidaturas na grelha. Vamos lá pegar fogo à peça.

quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

Cinema Animal - Crocodilo

Cinema Animal é a nova rubrica do Créditos Finais. Sem maçar, trata-se de um desafio proposto a três ilustres da blogosfera nacional, onde eu digo o animal e eles o filme. Basicamente é isto. Assim eu pergunto CROCODILO. Ao que vocês respondem...

Sofia Santos
Caríssimo Miguel, obrigado por me fazeres pensar. É sempre bom receber um convite para participar num desafio que ultrapassa a barreia do “filme favorito”, “filme da tua vida” ou qual o “filme que gostas mais de ver quando estás no primeiro dia da ovulação”, ou ainda, qual é o melhor filme para ver no sábado de madrugada depois de teres bebido 5 orgasmos (entenda-se por orgasmo – bebida/shot).

O animal que me calhou foi o CROCODILO. Estudei um ‘cadinho sobre crocodilos quando em Pré-História falámos de fósseis vivos. E lembro-me perfeitamente que foi nessa aula que descobri a verdadeira ordem animal a que a minha vizinha da frente pertence – não faz parte da classe dos répteis, mas sim dos fósseis vivos.

Crocodile Dundee teria sido a escolha mais fácil e ficava logo despachada com 5 linhas, mas não me apetece. Gosto de vos expor à tortura. Assim, o Miguel Ferreira disse crocodilo e eu digo The Paperboy.

Vi The Paperboy num visionamento de imprensa às 10h da manhã. Aposto que quando Lee Daniels fez o filme, certamente não teve em mente que alguns comuns mortais iam estar a ver este filme numa manhã durante a semana. Por vários motivos: porque de manhã ninguém consegue dar a atenção necessária aos abdominais de Matthew McConaughey, porque ficamos desconcertados para o resto do dia ao ver Nicole Kidman a masturbar-se, porque temos que admitir que Zac Efron é um miúdo bonito. Mas foi sobretudo difícil ver o filme de manhã, porque saímos do cinema com vontade de tomar banho.

É que nos cerca de 100 minutos de filme, o calor húmido e irrespirável de Luisiana é uma personagem principal. Corpos suados, roupas molhadas e pântanos impregnados de Alligator mississippiensis – que segundo informa a wikipédia são uma espécie de caimões que existe apenas nesta região sudeste dos Estados Unidos.

Neste filme, John Cusack é Hillary Van Wetter, um rude caçador de crocodilos que foi condenado à prisão por homicídio. A personagem de Cusack é perturbadora, mas a sua família não lhe fica atrás. Toda a família vive da caça aos crocodilos e a cena em que o primo, irmão ou tio (já não sei) estripa o crocodilo e a seguir massaja-lhe os intestinos é simplesmente repugnante. Das várias cenas perturbadoras que este filme tem, esta foi a que mais me marcou.

E pronto… gostava de ter escrito mais sobre crocodilos vivos, mas é dos mortos que mais me recordo. Infelizmente.


Carlos M. Reis 
Cinema Notebook
Quando recebi o desafio do Miguel, o click instantâneo no meu cérebro apontou-me para a saga do meu velho amigo "Crocodile Dundee". Mas faltava quelque chose a esta escolha que acabaria por não honrar a criatividade desta iniciativa. Era simplesmente demasiado óbvio. Um número dois e um banho depois - nunca tal brejeirice num blogue rimou de forma tão perfeita - e eis que me lembrei de uma possível alternativa com alguma categoria. Faltava confirmar que a cena em questão metia mesmo crocodilos ao barulho e tal festim não era apenas fruto da minha imaginação, agora que deve fazer mais de uma década desde que vi o filme pela última vez. Google comigo e... bingo; sim, "Indiana Jones andthe Temple of Doom" tem mesmo uma cena fenomenal com crocodylidaes à mistura, confirma a Indianapedia (sim, Indiana Jones tem a sua própria enciclopédia).

Vamos a ela então: se não me engano, é mesmo perto do fim da fantástica aventura de Indy e Short Round (o meia-leca) contra o malévolo Mola Ram - quem consegue esquecer aquela careca vermelha, qual Iron Man do século passado -, numa ponte suspensa de madeira velha, uma que, contam alguns, Spielberg nunca ousou atravessar (ao contrário de Harrison Ford, que até corria e saltava na mesma), tendo assim que percorrer cerca de três quilómetros de jipe no Sri Lanka sempre que queria filmar na extremidade oposta. Encurralado no meio da ponte pelos homens de Mola Ram, todos armados até aos dentes com catanas maiores que eles próprios, Indiana Jones vê-se literalmente entre a espada e a espada. Também ele de catana em punho, decide fazer o impensável: enrolar bem os pés nas cordas da ponte e, zzzaaamm, cortar a ponte a meio, fazendo com que todos os maus da fita - na verdade, catorze bonecos cujos braços e pernas funcionavam a pilhas, para parecerem verdadeiros durante a queda - acabassem no meio do rio, despachados pela queda se tivessem sorte. Sim, porque os restantes acabaram a sofrer nas mandíbulas de crocodilos esfomeados - curiosamente, num lago qualquer na Flórida e não no Sri Lanka. Pormenor de gén... Spielberg? Encheu as cordas da ponte com areia para causar um arrastamento genial na imagem aquando da queda da ponte. E é isto. Chega, que agora fiquei com uma vontade louca de rever a trilogia - sim, o quarto filme dispenso revisionamento.



Samuel Andrade
Keyzer Soze's Place
Naquele que será o filme mais existencialista de todos os tempos dedicado à Segunda Guerra Mundial, A BARREIRA INVISÍVEL tem, na sua primeira imagem, o vulto de um crocodilo, espadaúdo e com ameaçador esgar, a deslizar para um lago de água esverdeada e opaca.

Fora de contexto e dos pressupostos do espectador, tal visão parece deslocada no seio de um título sobre a Batalha de Guadalcanal. É, então, que escutamos uma personagem, em voz-off, a murmurar a questão “Que guerra é esta no coração da Natureza?”

Mais do que um mero filme de guerra dramático em torno das suas personagens e respectiva sobrevivência no campo de batalha, a escolha de Terrence Malick em abrir o filme com esta imagem estabelece uma temática metafísica sobre o papel do ser humano no mundo natural: um lugar de caos, predação e sofrimento, que em A BARREIRA INVISÍVEL assume estatuto de genuíno adjectivo para espiritualidade.

O facto de o argumento afastar-se do registo histórico – os motivos da acção militar representada nunca são explanados, tampouco se ouve o termo “Guadalcanal”, durante todo o filme – está em linha com os propósitos existenciais de Malick. A própria insignificância da guerra é ampliada pela forma como a Natureza é aqui fotografada: desde a imensa paisagem verde que serve de palco a uma carnificina gerada por pura e simples disputa territorial até à dualidade presa/predador avocada pela vida animal, a Humanidade demonstra-se reduzida a um conjunto de indivíduos que monologa, incessantemente, sobre amor e infidelidade, passado e presente, inocência e dolo, vida e morte.

O crocodilo surgirá novamente, apenas por uma vez, no filme. Desta feita, como troféu de guerra, amarrado e receoso, para soldados norte-americanos prestes a reclamar vitória em Guadalcanal, numa composição de inegável carga simbólica. Mas este apoderamento da Humanidade empalidece pela aparente iminência do réptil dilacerar as cordas que o prendem a qualquer momento e, rapidamente, expulsar do seu habitat aquele invasor homo sapiens sapiens. Ou a perfeita metáfora (no cômputo geral, trata-se da mensagem do próprio filme) de que o Homem, face à Natureza, estará sempre envolvido numa guerra de onde nunca possuirá domínio.

Ainda para mais é grande

A culpa é dos domingos. Sempre dos domingos. Bate pé infernal de bailarinas meio tontas, meio vestidas, inteiras até ao telejornal. Num coreto, com um proprietário que faz compotas de grilo, a saírem que nem abelhas da colmeia. Tudo ao som de "Mama mais uma que esta secou". E o calor ternurento de um cachorro, o abraço paternal de Adam Sandler? Cano abaixo e a depressão tem destas coisas: num vulgar dia da semana sai filme da Disney, para compensar os níveis de açucar. Claro que só podia correr mal. Mas a culpa é não é minha, não é não.

segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

A Lori não falha

Tinha demasiadas saudades do Twister. Da Helen Hunt e da vaca que voa. Até do Shining no drive in. Demasiadas. Excedente que me encaminhou à la cylon rumo a Into the Storm. Mesmo mesmo no olho da coisa. Sovado que nem passarinho, não houve salvação possível: a Lori do The Walking Dead é doutorada em metereologia - apesar de descobrir sempre os tornados nas notícias - e anda com um careca fanático à procura de tornados, num Batmobile cheio de pinta. Depois cruzam-se com o canastrão do século e os seus dois filhos, igualmente canastrões, que andam tristes porque a mãe morreu. Um é gordo e o outro é bonzarrão mas finje que é tímido. E gosta de um bom par de mamas. Depois é tornado sim tornado sim até ao fim do filme, altura em que há um tornado do tamanho do tamanho do Algarve. Ai ai.
https://www.youtube.com/watch?v=KisiU9b_2EU

Até o puto está bem

Já comi cardos mais doces que The Rover: uma chapada espinhosa sem direito a porra alguma. Porque achamos sempre que nos devem, nem que seja um discreto aceno. Errado, e parvos levamos com pó. Debandada inacreditável de Guy Pearce, um fora da lei fora do sistema que continua a procurar, aqui o seu carro. Nada a perder, nós tudo a ganhar.

quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Ponto de adeus no poema

Esta besta, com os bestiais dele. Já enjoa eu sei. Mas gosto tanto, muito. Fui escolhido não dá para fugir. The Leftovers é um arrebatamento, da fotografia e da escrita, da desilusão e da televisão. Que curiosamente separa os que não veem nada e os que veem tudo. "Tudo na mesma, não explica, começa como acaba, sem paciência para tretas, mistérios" contra um "uau". E um uau é muito mais difícil de comprovar que todas as outras queixas. The Prodigal Son Returns é o nó amargo e justo de um luto. Tudo o que se perdeu, se deixou, se chorou, reune-se aos poucos ao longo da estrada, pintada de canções e de sonhos. Pesadelos, que se vão cruzando, no quiçá da redenção, colidindo nas ruínas, para cair nas chamas. Todos encontram o seu canto de cinzas, resta agora saber se dele nascerão de novo. Uma das séries mais vivas e estimulantes dos últimos anos. 

Cliff Martinez (3)

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

Ao menos tem uma boneca

Ainda estou em introvista - que é um entrevista a mim próprio - para tentar perceber a vontade acesa por 7500. Queria bastante. Talvez a tesão cega por terror me empurre nestes tristes caminhos. Visto, chorado, lamentado. É hora de seguir em frente.

Onde tu andas sozinha outra vez (2)

"Estás de esperanças (...) galdéria". A sério? Esperanças? Galdéria? 2014? O prenha e o quenga existem amigos e são para ser usados. É que se não é a criançada o dia todo no tradutor.

Cozinhas bem mas

Sim senhor, uma pança daquelas com a Johansson e a Vergara. O Favreau sabe muito. Não sabe é do resto, O que tem de fofinho, Chef, tem de plano. Tão cagarolas que chega quase a ser constrangedor, a meros milímetros do semblante Disney. Boa música, boa comida, faltou a boa da coragem.

sábado, 6 de Setembro de 2014

Só aquele cameo é meio filme

Aprendendo a gostar. Devagarinho. Cosmos ajudou, não é parvo o gajo. E com este A Million Ways to Die in the West, tiro o chapéu à casmurrice. Ou identidade. Que metam as homenagens e símbolos sagrados do género onde quiserem. MacFarlane brinca aos cowboys com os seus bonecos, indo buscar as suas referências e atirando as nossas saudades para a panela. Às vezes solto, às vezes com pilinha e peido a mais, certo é que é dele. Isso hoje em dia já é muito.

quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Primeiro poster de "O Dia em que o Marco bateu na Sónia"

Foi divulgado hoje o primeiro poster de O Dia em que o Marco bateu na Sónia, o clássico sci-fi tuga que promete vir mudar as regras do jogo, ao pontapé. 

Cliff Martinez (2)

Em nome do filho

Ou estou muito seco da idade ou imune ao calor da violência. Produto, quem sabe, das alterações. Certo é que na lista estava algo bem mais carnudo do que aquilo que Starred Up coloca no carrinho. Começa bem, termina em grande, mas falta segurança no acompanhamento do protagonista: quer na sua interpretação, quer no seu crescimento. Qualquer relação é estranha. Esta simplesmente não se entranha.

Onde tu andas sozinha outra vez

Jardins Proibidos a sequela. É bom, porque agora já não é crime pensar na Daniela Ruah. Por outro lado é mau porque a Daniela Ruah não entra.

sábado, 30 de Agosto de 2014