sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Sexta-feira 13 - Parte 6

[SPOILERS] Zero pessoas nuas a banharem-se no lago. Zero cenas do "ah e tal e que tal tirar a roupa toda no meio deste caniçal para ficar mais à vontade". Zero pinanço, zero mamas. Agora a nível de "ressurreição em contexto cemitério com recurso a vara do gradeamento seguida de relâmpago" nisso está irrepreensível. Eu percebo o entusiasmo com este regresso (número um em muitos tops de toda a saga): há uma certa energia tresloucada, bem humorada, numa cavalgada imparável de um novo Jason. Deixamos de ter a carne e osso e damos o salto para um morto vivo como inimigo. Essa mudança traduz-se num maior descomprometimento, uma fuga mais constante e ritmada, mudando a lógica de os heróis só darem pela presença deste malandrão no terceiro ato. Porém, passando este salto, continuamos com um Tommy Jarvis desaproveitado (mais um ator fraquinho), unidimensional, a não conseguir oferecer aquele bailado final que se pedia. Voltamos ao artesanato das catanadas e nada mais. Se calhar sou eu que ia com aquelas expetativas. A seguir acho que vem uma chavala telecinética, como não ficar outra vez em pulgas? 

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Nem Cyber nem Daft Punk

I feel it coming. Nada. Não estou a sentir. Um pouco como o Keanu na banheira, a pensar que Matrix é este. Falta-me escala,  falta-me ambiente, falta-me o queixo caído. A diferença pode ser aqui o rastilho necessário para um admirável mundo novo, isso é bom, mas caraças, queria estar ligado, queria agarrar neste trailer e revê-lo até à cefaleia. Simplesmente não está a bater.

domingo, 12 de setembro de 2021

Não me chateies que eu agora estou na Lua


Há muito que devo esta linhas a For All Mankind. E o magnífico tema de abertura do post anterior, da autoria de Jeff Russo, foi o lembrete necessário. Quando a série saiu em 2019, passou fora da minha órbita de ação, faltou-me entusiasmo. Até que, já este ano, numa conversa com o amigo Pedro Nora (Os Críticos Também se Abatem) voltei a cruzar-me com ela, num conselho sério de que estava aqui a melhor série de ficção científica da atualidade. E, sem tirar qualquer valor a The Expanse, de facto está. Esta corrida espacial de Ronald D. Moore, numa linha temporal alternativa - onde os russos foram os primeiros a pisar a Lua - começa morna, à procura do seu ritmo e das suas histórias. A primeira temporada vai crescendo, em qualidade, arrojo, mas só no arranque da segunda, é que as coisas aterram. Arrisco-me mesmo a dizer que este conjunto de 10 episódios, que foram para o ar este ano na Apple TV, são um pequeno acontecimento. Dando um salto temporal para a época seguinte - entramos nos anos 80 - podemos de uma forma simples trocar votos com as personagens. O intervalo temporal faz com que elas se coloram, com que as coisas aconteçam, despoletando também aquele sentimento imediato das peças que faltam, de um novo quem é quem. Todos os arcos ganham nova energia, coesão, e desde Lost que não sentia tamanho apreço por um grupo de malta. [SPOILERS] Talvez por isso, ainda meio no abalo, considere a cena inaugural - da tempestade lunar - e a cena final - do sacrifício - das peças mais bonitas que vi em televisão. Um entusiasmante circulo que se fecha. Agora é contar os dias para os anos 90. Marte aí vamos nós!

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Sexta-Feira 13 - Parte 5: O Regresso

 
[SPOILERS] Neste aqui Calcanhotaram a saga, Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta, Sexta-feira sem Jason. Sou eu,  assim sem você. Depois de, no capítulo anterior (suposto final), ter levado com umas catanadas valentes do Corey Feldman o nosso psicopata favorito tem um filmezito de descanso. Vamos então ao encontro de um Tommy Jarvis já adolescente, meio esquisito e traumatizado com os eventos que sofreu em criança, a ser encaminhado para uma espécie de retiro de jovens problemáticos. É então que um assassino imitador, com uma máscara de hóquei e tudo, decide começar a matar à bruta colocando em causa tudo aquilo em que Tommy acredita e trazendo à tona todos os seus fantasmas. Bem, a nível de nudez, mais mamas que nunca, não tenho aqui os números mas duvido muito que algum outro faça frente a tanta mama. Nada a apontar. Depois realçar a coragem de fazer um filme que não tem o antagonista principal e que muda completamente o jogo: estamos no campo Scream, do mistério, do novo filme novo assassino. Eu gosto disso. Há um gajo que parece o Eduardo Madeira e outro o Michael Jackson. Também gosto disso. A questão é que o protagonista não tem mãos para uma alma tão dúbia e pesada como a de Jarvis (não é nenhuma Sidney) e o argumentista não tem lápis para uma resolução minimamente coerente e cativante. Foi um bom esforço, mas agora vamos todos fingir que nada aconteceu e ressuscitar o rapaz.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Rapazes e raposas *

Continuando no verde batemos de frente com o novo David Lowery, autor do meu muito querido A Ghost Story - aquele monólogo à mesa, às vezes lembro-me daquele monólogo à mesa. Nesse nó de ligação, este The Green Knight é mais lasso: muito palavroso, muito de tempos a tempos, sem todos os capítulos a acertar no equilíbrio, a meu ver necessário. Mas passando as (árduas) tarefas é um filme lindo de morrer - tive que tempos para escolher um frame, queria levar todos - que te dá, a ti cavaleiro, a recompensa devida, num final extraordinário. Onde tudo vale a pena porque o caminho agora existe, bem para lá da tela.

* roubado, sem vergonha nenhuma, ao belo álbum do B Fachada.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A maldição nos confins do fundo verde

Jungle Cruise é a sequela Pantanal que o Piratas nunca teve. Sem a Adriana Oliveira nua mas com aquele atrevimento aventuroso herói/donzela/sidekick. Podemos pensar que são muitos, debaixo de qualquer calhau, mas a verdade é que estes filmes "do em busca de qualquer coisa" são cada vez mais raros. Puros, na maldição, nas lianas, na selva. E é nela que reside o meu maior problema com este cruzeiro. Por muito que tenho gostado da dinâmica despretensiosa e da boa química do elenco, não consigo embrenhar-me em tamanho sufoco digital. Nada é selvagem, nada é natural, são toneladas e toneladas de CGI a prender a exploração a um estúdio de 100 metros quadrados. Por exemplo [SPOILERS] aquela cena em que eles descobrem a enorme entrada escondida debaixo de água, onde deveríamos sentir o tacharam de um barco dos Goonies, é a clara economia de recursos que acaba por poupar onde não se quer: emoção.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Sexta-Feira 13 - Parte 4: O Capítulo Final

[SPOILERS] Pontos de interesse, como aqueles sublinhados a vermelho nos mapas do turismo: juventude nua, o George McFly a dançar Jerónimo de Sousa, gémeas tipo Onda-Choc, um cão e a introdução do grande antagonista do Jason, Tommy Jarvis, nas mãos de Corey Feldman. O jovem ator emprega-lhe uma energia refrescante, na dinâmica das máscaras e dos monstros - que ele próprio constrói - na adição de uma família - para além do grupo de malta nova cheia de tusa - e no adeus à inocência naquelas (perturbadoras e supostas) catanadas finais. À semelhança do seu anterior senti que alguns arcos foram desperdiçados, como aquele mocito campista que se vem vingar, mas há aqui mais tempestade, mais chuva, mais terror. Próxima paragem "aquele que não tem o nosso menino".

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Os três is

 
Ainda se procuram respostas. Como pode uma experiência tão desoladora, à qual não quero voltar, deixar tamanho vazio? Saudades de uma Seattle que já não vai ser percorrida, e agora, como se dorme? Last of Us Part II é esta obsessão: a vingança que fica aqui, naquele pingar excruciante das perspetivas, de não podermos culpar nem simplificar. Incrível, inesquecível, irrepetível. 

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Abrir as prendas em agosto


[SPOILERS] Ver o John Cena a lutar com o Joel Kinnaman no reflexo de um capacete é tirar o cinto, abrir uma mini e esticar as pernas. Um filme de ideias. Pode nem sempre acertar nos tempos, nas piadas, algumas interações são forçadas, mas caraças, The Suicide Squad é Gunn a falar sem legendas. É dele, aquela Harley Quinn no olho de um equinoderme gigante, ladeada por centenas de ratos, é dele esse quadro. Esse e tantos outros, num desafiante esquema narrativo, que não só vai e vem como nos mostra os bastidores das operações, nas apostas e rebeliões. A atar tudo isto, um coração enorme, naquele núcleo duro de personagens, com uma música - enorme John Murphy - que nos leva às grandes fantasias, cheias de outros, cheias de Burton, cheias de natal.