sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O isco

Esqueçam o papá e a mamã, o Jesus e o Vitória, chegou a nova questão que promete rebentar matrimónios e apoquentar uma geração inteira de progenitores. Gostas mais do Train to Busan ou do The Wailing? É esta que interessa em 2016 e é esta que vai pôr toda a gente a falar. É difícil raios. Fodido mesmo. E, apesar de ser um Busanete, ainda estou a processar a genialidade do seu par. The Wailing apanha-nos na curva, porque nos amolece. Dois cromitos, neste vídeo, dissecam bem este mecanismo: está construído de forma a que a guarda desapareça, na comédia e na gargalhada, para depois numa espiral de loucura, com tempo, sem darmos conta do anoitecer, nos esmurrarem e nos espetarem com um dos finais mais aterrorizantes da década. É um isco. É um belíssimo pedaço de cinema.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Essa parte do Patrick Swayze é boa

Eu podia desenrolar o papel higiénico do errado e vê-lo ir e ir e ir até embater num doce obstáculo a uns bons quilómetros de distância. Podia falar dos débeis mentais que continuam a dizer: ah mas não podemos dizer mal antes de ver, ai ai ai, é muito feio, temos de ver primeiro para saber se é mau ou não. Não temos, chatos do caralho, podemos confirmar que é intragável, terrível, horrível, agora saber já sabíamos há muito tempo. É uma questão de matemática, é Paul Feig mais "a gorda" mais "SNL" mais não interessa porque é sempre a mesma pastilha. Que cola uma vez mas depois começa a secar, a enjoar. Podia também falar das interpretações desinspiradas. Da inacreditável falta de química entre elas as quatro. Da ausência de bons diálogos. De humor. Dos cameos mais forçados e tirados a ferros da história dos cameos. Podia falar disso tudo mas o que mais me chocou - mesmo de ficar assim apreensivo, por vezes triste - é a trapalhice técnica. O filme é retalhado como se estivéssemos no Estado Novo, o que nos chega - como aconteceu em Suicide Squad - são pedaços de uma ideia, uma fita mal colada, mal montada. Uns são erros de raccord, como na cena do concerto, outros são simplesmente passagens amadoras, como do plano da câmara municipal para outro onde elas estão a caminhar num beco, é mau, não cola, não flui. Adeus editores, descansem em paz.

Au revoir Elliot

Ao menos fiquei a conhecer aquela magnífica canção, da traça, último episódio, em jeito de adeus. É isso, que esse acenar tenha então algum sentido, Mr. Robot, Sam Esmail, eu fico por aqui. As voltas já não são voltas que se concretizam, são múltiplas linhas que se bifurcam sem rumo, afastando-se mais e mais umas das outras. A primeira temporada tinha os seus mistérios, os seus pretensiosos planos e arranjos, mas no final era certinho, era uma vénia, tirei de facto o chapeú. Encantado. E pelos vistos não era o único, não éramos os únicos, mas mais que nós todos estavam eles, pelos seus umbigos de escrita. A pensar que de novo iríamos aquela fonte, cair naquele truque, suportar aquela dúvida. Levar com arcos ridículos como a outra que leva uns murros ou a loira que twin pica, twin pica muito. E o chinês vestido de gaja, e o Dark Army que mata uns mas protege outros. Respondemos a tudo, dizem no final. Não responderam a nada e não deixaram sinceramente nada para sonhar, prever, discutir. Trapalhada, e se disserem que é arte, estilo, ou que uma série não consegue responder a tudo de forma equilibrada e fechada vão ver The Leftovers que depois conversamos.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

O filme do ano é coreano

Train to Busan está a ser vendido por aí, nas praças e mercados, como o melhor filme de zombies desde que o outro cagou uma vela. Expressão que acabei de inventar, sinónimo de que passou muito tempo, há muito tempo. E não podia ser mais enganador e redutor: esta malha coreana não é só melhor filme de zombies da década, é também o melhor filme de ação,  o melhor apocalipse, o melhor terror, o melhor thriller, desde que os blockbusters eram filmes. Vem redefinir esse mesmo conceito, dar-lhe vida, num cinema tão completo, tão cheio de recantos e - lá vou eu cair no mesmo - de cenas. Foda-se, há quanto não era eu presenteado com uma cena, coração a rasgar, como aquela do escuro, dos túneis que ora apagam ora acendem. Não pára, só cresce, com um visual incrível e com um conjunto de personagens que seguem todas as regras do estereótipo mas que em simultâneo existem: a gaiata, a grávida, os jogadores, o pai, os pais, a velha, são eles como sempre mas também são eles como nunca. Como nunca os vimos, para nos oferecer um avassalador adeus, e um plano final cheio de tudo. Cheio daquele vale a pena.

sábado, 17 de setembro de 2016

We skipped the light fandango

Uma vida inteira: sim os Commitments foram uma banda, depois houve o filme. Lembro-me de todas as referências, os posters, os sítios onde estavam os posters, da música. Até ontem, ou anteontem, quando finalmente toco o filme de Alan Parker e lá percebo. É viver lá dentro, no fundo é o que faço com todos os outros, mas neste ingénuo, seguro de que não haveria barreira. Delícia, que tem o melhor diálogo/monólogo final de sempre. É resposta para quase tudo na puta desta vida. 

Jimmy Rabbitte: [pretending to be Terry Wogan] So, lookin' back Jimmy, what have you learned from your experience with The Commitments? 

Jimmy Rabbitte: Well, that's a tricky question, Terry. But as I always say, we skipped the light fandango, turned cartweels 'cross the floor. I was feelin' kinda seasick, but the crowd called out for more. 

Jimmy Rabbitte: [pretending to be Terry Wogan] That's very profound Jimmy! What does it mean? 

Jimmy Rabbitte: I'm fucked if I know,Terry!

Try a Little Tenderness e depois vota

Andava com esta, aliás ando sempre com esta, mas tinha a ideia de o assunto já aqui ter sido escrutinado. Afinal acho que não, ou se calhar foi e mama-se de novo, é importante. Try a Little Tenderness, qual o seu melhor desempenho em película. Votação aqui ao lado, exemplares aqui em baixo.







My baby just cares for me

Ninguém consegue, mesmo depois de tudo, responder à questão que o título impõe. What Happened, Miss Simone?, não sabemos, e o próprio documentário tenta não escolher a resposta. O que por um lado faz dele apenas mais uma biografia, bem montadinha, mas sem qualquer ponto, rasgo ou reviravolta de interesse. Início nasce, final morre, é o mais fácil e foi assim que a Netflix contou Eunice Waymon. Por outro foi assim que o mesmo canal contou Nina Simone, todas as suas sombras, batalhas, monstros e baladas, para nunca esquecer, voltar a ouvir, voltar a aplaudir. Voltar a ela, ela, e isso é sempre um enorme prazer.

Os olhos de Alex Essoe

Perseguida de perto por Anya Taylor-Joy, Alex Essoe está a uns segundos escassos do recorde olímpico para rainha da gritaria. E não deixa de ser engraçado - spoilers a partir daqui -  como as duas se deixam monstrificar, despir, usar, para passar ao próximo nível. Para nos assustar e apertar o são, com riso nervoso. São destas que estamos à procura. Não tanto a sua prestação em The Neighbor - obra que, apesar de não ter a complexidade sádica de The Collector tem o seu protagonista, um scream king e um badass do caralho, por isso vale a pena sim - nem em Tales of Halloween - porque não vi - mas sim Starry Eyes, que resumindo é o Neon Demon mas em bom.
Com toque de The Fly, Mulholland Dr., Black Swan, e mais. Ainda para mais, eu pensava que isto era sobre uma gaja que ficava ceguinha e recebia outros olhos, enfim, o clássico do sub-género "foderam-me a vista". Mas não, é de corpo inteiro das vísceras, das ganas e da ambição, de fazer tudo, até apodrecer. Com um ritmo crescente avassalador, conquista-nos da pior/melhor maneira, sem paninhos quentes, sem dó. Uma das enormes surpresas atrasadas que ganha já lugar de referência aqui nas minhas listinhas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Pouco ou quase nada

Diga-se de passagem que estas novas adaptações live action da Disney estão a sofrer do síndrome Marvel: é tudo bom. Muita bom. Excitação, foguetes e bombos. Até tremo, quando sair a Hermione e o mau do The Guest. Pete´s Dragon não foi excepção, no calor e notas altas que se fizeram sentir, o que obrigou aqui o fã do original a ir ver uma merda dobrada em português, como se estivesse em Espanha. Tirando isso - que magoa e afecta - o filme tem um tom giro, conseguiu distanciar-se com personalidade: nas paisagens, na floresta, na fotografia. A sequência da fuga do hospital é um mimo. Canções a condizer com o cenário, com a viagem. O que falta? Falta aquela maquiavelice dos velhos clássicos, que o velho clássico tinha. Apesar do desenho animado e do tom musical as personagens sofriam: o puto era mal tratado, os maus eram sujos, a senhora era uma desgraçada à espera do marido, havia um farol, no final o dragão ia embora. Havia ali muito coração à solta. Neste aligeira-se tudo à medida dos lençóis, dos tempos fininhos e agradáveis, sem querer bater. O que feitas as contas acaba por bater pouco.

Ansioso

Quando um gajo pensa que a Anastasia e o zarolho tinham levado um amarelo e estavam suspensos por tempo indefinido, eis que novo trailer emerge. Surge que nem pontapé nos tomates para nos adoecer o dia. Agora com máscaras, a Kim Basinger e uma ex fodida da vida. Quanto a sex appeal, sexo, ganas, qualquer coisa, isso é que não. Pode ser que no terceiro, o 50 Sombras Ainda Mais Enjoada e Sem Sal.

Nova fragância de NWR

A sorte do Suicide Squad, em não ser o filme mais horrível de sempre do ano para sempre, é que logo a seguir - que merda de ideia - mamei o The Neon Demon. Que também é uma inexplicável sucessão de frames cintilantes. Existia ali alguma coisa, em alguma fase do projecto? Não sei. Certo é aquela máxima da minha avó, que já aqui apliquei noutros casos, cai aqui que nem um preservativo: The Neon Demon é um daqueles filmes que quando começa, acaba. No instante de arranque, em que a ação de facto se resolve por um caminho, créditos a negro. E de novo as iniciais NWR, como no início, debaixo do título. Mas quem é que este gajo pensa que é? A Disney? Uma marca? É isso? É isso que explica a ausência de qualquer conteúdo, de qualquer personagem, de qualquer transformação ou ponta solta, ponta de interesse, como o outro cisne, que de facto se sujou. Aqui não, nada, zero. Duas horas de vermelhos e cores de rosas, e pedidos de desculpas ao meu irmão: desculpa lá puto, pensava de facto que era outra coisa.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Amigos em comum

A Alycia Debnam-Carey é uma gaja bem boa, que entrou no The 100, entra no Fear the Walking Dead, e fez agora um filme de terror muito parecido/igual ao Unfriended. Nem ia ver, mas pronto, rabo de saia e tal, peidas, aquela promessa, beicinhos, e dou por mim dentro de Friend Request. Que não é grande merda mas revoluciona um bocado as maldições: antigamente escritas em livros, pergaminhos, paredes, no corpo, passam agora para o código. O próprio código do facebook estava de maldições e não dava para apagar aquela merda. É a internet que fica de espíritos malignos e não há hacker que nos salve. Como é que eu explico aos meus filhos, num futuro próximo, o que era um bom e velho livro de bruxaria?

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Secret Story - Versão Cinematográfica

Até se podia manter a Teresa Guilherme, mas virar a coisa mais para o cinema, com concorrentes porreiros que nos oferecessem segredos como estes:

SOU O KEYSER SOZE (Verbal)

O MEU PAI CORTOU-ME A MÃO (Luke S.)

ESTOU MORTO (Malcom C.)

NÃO ENVELHEÇO PORQUE LEVEI COM UM RAIO (Adaline B.)

TENHO O NOME DO MEU CÃO (Indiana J.)

A MINHA MÃE TENTOU PAPAR-ME (Marty M.)

TRAMEI O ROGER RABBIT (Judge D.)

SOU FRUTO DA IMAGINAÇÃO DUM ALUCINADO (Tyler D.)

FIZ AMIZADE COM UMA BOLA DE VOLEIBOL (Chuck N.)

SOU O ZORRO (Alejandro M.)

QUANDO ERA NOVO DEIXARAM-ME SOZINHO EM CASA (Kevin M.)

JÁ ENCOLHI OS MEUS FILHOS (Wayne S.)

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Até tu

Duas pitas, no final: a banda sonora é bué da fixe. Ya tem uma banda sonora bué da fixe mesmo, responde a outra. Entrego os óculos das três dimensões e vomito, vomito como nunca antes tinha vomitado, para cima da porta de vidro, do pai com as miúdas, dessas pitas, de toda a gente. E não. Esta parte é mentira. Fui só para o carro, fodido. 

Suicide Squad é horrível de uma forma não respeitável, não ordeira e não pensada. Isto porque não é um filme. Dá a sensação que Ayer fez de facto uma obra e que depois alguém disse: olha agora refaz isto como se eu fosse muito burro. Como se fossemos todos. Então o que acontece é uma sucessão de tutoriais, de como se foi de A para B, caindo depois numa narrativa vazia que não tem por onde andar. E a montagem, foda-se a montagem. Nem nas novelas se pratica uma edição tão amadora, ela fala e está lá um frame a mais, um frame a mais que mata, incendeia e deita por terra qualquer ritmo. Está tudo mal. Mãos na cabeça.

Porque é que o filme começa só com duas personagens presas? São elas as protagonistas? Porque é que depois as apresenta no restaurante? Porque é que o que morre logo não foi apresentado? O que faz ali o Joker? O que faz ali o Batman? Porque é que os motivos do vilão são de novo os mesmos motivos de todos os outros vilões dos últimos 45 filmes de super heróis? E porque é que de repente já são todos amigos? Amigos???? Foda-se mas o argumentista sabe sequer o quer dizer a palavra amigo? As músicas, as tais músicas das pitas e que fizeram as delícias dos trailers, estão mal, são fait divers, metidos a martelo para nos hipnotizar com um filme que não está lá. Culpa de quem? Não pode ser só do Jai Courtney, o rebenta mitologias. O resto do elenco está terrível, até ela, por favor, tirem as mãos das calças, até ela está mázinha. O realizador, o estúdio, o editor, as novas audiências? Todos e nenhuns. Pior que o novo Fantastic Four, pior que qualquer coisa. Os fãs podem tentar encontrar ali alguma coisa, alguma linha, alguma bóia. Mas não, esqueçam esta gatafunhada e partam para outra. Como eu.

Mais tubarões

Mas não desistam amantes de filmes com tubarões, se a peida da Blake Lively não vos convence, têm, de borla, In the Deep, que, como está na moda já teve outro nome (47 Meters Down). Uma daquelas gemas que ninguém percebe bem de onde veio e de como foi assim tratada. Obrigada Santo Sr. Joaquim, rogai por nós. Para além de nos esquecermos que o Matthew Modine alguma vez teve uma piruca branca em Stranger Things, relembra-nos que a Mandy Moore ainda existe. Ela fez daqueles filmes com princesas, Nicky Sparks e filhas dos presidentes, alguma dança talvez. Certo é que aparece aqui, com uma irmã, igualmente boa, numa situação complicada: as duas ficam presas numa jaula, no fundo do oceano, com uma catrefada de tubarões malinos a quererem lhes afincar o dente. Para além de estar incrivelmente bem desenhado a nível visual, constrói, em mais de metade da sua duração, um cenário simples mas incrivelmente realista. Fechado. Filmado em qualquer lado mas só ali, um verdadeiro fundo, um set de desespero e desistência. Depois é ir à luta, sempre em contra relógio, sempre com a pressão bem latente, esquecendo as merdas que nos esperam cá em cima, das batalhas e tristezas. Ali é tentar ter luz e aguentar. Uma das surpresas do ano.

E o nome da praia?

Bem, se pensam que vão ver um filme onde a Blake Lively é atacada por um tubarão, desenganem-se, The Shallows é um filme onde o tubarão é atacado por uma Blake Lively. Foda-se leva poucas e boas o desgraçado do bicho. Também aprendeu a lição, mas ninguém merece uma surra daquelas. O filme, tirando os desnecessários adereços familiares - que ainda para mais são apresentados com o mau gosto das novas tecnologias - aguenta-se bem. Explora o corpanzil da menina, para cruzar a perna, mas também como elemento frágil, no quadro de todos os outros poderosos e incontroláveis. O que é interessante e obtém bons planos. A bola de voleibol é a gaivota - mesmo fofinha a filha da puta - e o nome da praia fica para a sequela. Com uma gaja falsa claro.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Fez madeixas

Então oh minha cabranagem, trailer do novo Underworld e ninguém me avisa? Uma mitologia super boa onda, onde vampiros e lobisomens se papam mais rapidamente que médicos e enfermeiros na anatomia da outra. Não é que eu seja o maior fã do mundo, nem sei bem qual foi o último e sempre achei a gaja um bocado magricela, mas é uma questão de respeito percebem? Vá, continuamos numa boa mas para a próxima ring ring sim?

Decisão crítica, não o filme com o Seagal

Estive ausente algum tempo e quem me conhece sabe que eu costumo estar ausente um pouco de tempo, não algum. Não é normal, de facto, e o que se passa é a vida. Metem-se férias, um gajo bebe muito, mesmo antes das férias, e depois nas férias bebe ainda mais, fica cansado e dorme. Manhãs inteiras e quando se vai para escrever nova bomba no Sr. Joaquim. Difícil gerir, e a verdade é que me sinto exactamente na mesma em relação a este meu espaço. Por isso o que vos queria transmitir, e não imaginam como me custa, é que o Créditos Finais vai continuar. Aqui e além, um dia ou outro, lá venho mandar um desabafo, lasanha crítica, caralhadas, o habitual. Sei que poderá ser duro para alguns de vocês que sempre me seguiram mas o carrossel é assim, e o futuro só o Nicolas Cage no Next é que sabe. Pelo menos os próximos 2 ou 3 minutos acho eu. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O unicórnio

Não sei se gosto mais do gato do Llewin Davis ou do gato do Turturro, apesar de servirem basicamente propósitos idênticos: esperança. Aquelas lágrimas de rosto ferido, disforme. Ninguém merece ver-nos, vê-los, ouvi-los, Falhados, lá vão coçando a dor, e salvando o mundo. The Night Of, não é uma série só dele, não é. Um enorme crescendo de asas partidas vai-se acumulando, na possibilidade de acontecer connosco. E no regresso a casa, as personagens são suas casas, seus abrigos podres e cinzentos, de onde se levantam, se arrastam. Esta percepção do humano, do errado humano, e cíclica tentativa de redenção, está aqui filmada como poucos. Não é só dele, não. Mas são dele as alegações finais, deste meia tigela que viu no outro alguma coisa, o tal unicórnio. No final a porta fecha, respira, e o gato passa. Não é o policial tipo, é o policial do ano.

Já tenho fato para a Comic Con 2016

 
Vou de Garden State.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Once Upon a Time in Alentejo

Esta coisa das falhas graves, permite que ocasionalmente, aconteçam enormes momentos de cinema numa insuspeita rua alentejana. Enormes momentos de cinema, hoje, coisa tão escassa como bebés n' Os Filhos do Homem. É isso é, nunca tinha visto Once Upon a Time in America. Já vi. E o mais incrível, no meio de todas as outras inacreditáveis conquistas que a história consegue, é aquele plano. Aquele, que eu, por viver já tinha visto centenas de vezes, das mais diversas e coloridas formas, e mesmo assim me tirou o ar. Meia dúzia de segundos, que me disseram que agora sim, que eu nunca o tinha conhecido, que nunca tinha vivido nada assim. O mais pequenito a saltitar à frente, e o andar, atrás, dos outros, com tudo a ganhar e conquistar, como se aquela ponte escondesse o mundo, ou o reflectisse. E quem nem um quadro nos desse toda a esperança que falta.

Apesar de não ser o filme português mais visto de sempre na primeira semana de julho é um filme bastante simpático

Apesar de nos ter sido oferecida num embrulho envenenado - trilogia dos remakes - esta canção, cedo se destacou das outras, e sejamos sinceros, não precisava das outras para nada. Seja por um trailer articulado, de corpo inteiro, seja pela inteligência da música, a apresentar a comédia, o romance. Não é novo mas resulta. Porque afinal. Porque afinal não tem de ser o Manuel Marques a fazer de mongolóide e a Dânia Neto com as mamas de fora, naquela portuguesice dos malucos do riso, da pura caricatura a preto e branco, com "piadas" vazias, a precisar de fundo para sabermos: ah então é aqui que os cantos da boca se elevam rumo às bochechas! A Canção de Lisboa limpa o que está a mais, traz o que está a menos, e constrói uma série de bonecos que não ofendem, melhor, que entretêm. Obviamente, não se foge do simplismo narrativo do domingo à tarde, da fantasia romântica, não há aquele salto - às vezes não tão difícil - para algo mais cheio. Ainda assim Luana Martau enche qualquer coração e com um César Mourão à altura deixam em dueto uma audiência satisfeita, com as personagens a festejar connosco, já do lado de cá, a dizer depois adeus, porque afinal o mundo é feliz.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Os rebeldes somos nós

As refilmagens foderam isto tudo. Podem vir com: tem lá calma, nem sabes o que foi filmado de novo, nem sabes o que mudou, se calhar está bem bom. Não está, e como é que eu sei, sei porque este último trailer parece daqueles trailers que se faz do género "e se o Star Wars fosse uma comédia dos irmãos Farrelly", e muda-se tudo, e fica às vezes engraçado. Nunca, são sempre montagens de merda. Mas percebem a ideia. Do primeiro teaser, dum claro negrume, com frases certas, com belos planos, com belas presenças, passamos para um recauchutamento que mete em loop a música do Awakens, variações em ré menor, diálogos de pacotilha - com aquelas que prometem ser as piores escolhas de casting de sempre do universo - fugas de nave iguais às outras, menos planos da água, um frame de Mendelsohn - que nem tem direito a uma fala (???) - uma sinopse que se reduz ao que já sabíamos e no final a mama do costume. Darth Vader a bater uma no Red District. A sério amigos? Estão tão desesperados que têm de descredibilizar por completo qualquer directriz criativa, qualquer vontade nova e cair nos mesmos engodos de fã. É feio, é triste. É olhar para uma indústria que se apelida como a tal arma de destruição maciça, é ela a real Estrela da Morte, que consome tudo o que tínhamos, referências, heróis, saudades, suspiros, aventuras, sonhos, tudo dentro desta misturadora de plástico, de lixo. É olhar sem força, porque os rebeldes somos nós, e nós malta, estamos claramente a perder.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Se houver quinto já não sei classificar

Só viste agora? Só. Sei lá derivado de que hecatombe. Mas já está tudo bem, ainda para mais é daquelas malhas sequela fácil de classificar com base na regra do "quarto superlativo porém inferior" que diz que: o quatro é melhor que o três, é mais ou menos idêntico ao dois mas é inferior ao primeiro. [REC] 4: Apocalipsis, é isso. E tem ainda o motor de um barco para foder zombies, o que por si só é um upgrade digno de um belo e gordo aplauso.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Voltar a Dublin

Sing Street é o meu favorito de 2016. Mas ainda falta tanto, dizem os hipsters do Restelo e os chatos do Caralho. Falta, esta chouriça final de verão, depois dois meses com mais uns anestésicos, entra natal, família, dobragens em português, vomitar arroz pelo nariz, alguns filmes dos óscares. Ah e claro o Papagaio diz sempre tuk tok tik, filme da Polinésia Francesa vencedor dos festivais de annes, erlim, carno, neza, tesa, e afins, melhor do ano para o trio do Público. Estão a ver, falta nada ou pouco, e mesmo que faltasse, Carney volta a casa para nos lembrar de que é feito tudo, e de como se faz tudo. Os seus filmes sem mistérios, são pautas, que se vão soltando e é a necessidade que faz a diferença: não vive das canções, vive-se nelas, construindo em cima delas, degrau a degrau. Num incrível e sensível bom gosto, de época, de cor e coração, como se acreditar nunca fosse excesso. A música e o cinema em perfeita simbiose, moldando-se nas suas ideias, na destemida ideia de que podemos criar para amar, para dedicar. Aquele adeus do irmão, aquela festa, é possivelmente dos momentos mais bonitos que o cinema recente me ofereceu. Absolutamente imperdível.

O Villeneuve vai sci-fi

Acalmem-me por favor.

O 120º filme de Samuel L. Jackson

Nada a acrescentar às palavras do mestre. Para lá do inofensivo de facto. Apenas que o final não é apressado, o final é um daqueles casos em que o guião ficou na cadeira, à mão de uma cabra, guaxinim, aye aye, ou uma merda qualquer que comeu 30 páginas, sem dó nem piedade. De modos a que quando o Tarzan lá chega é só duas bofetada e depois temos logo é de ser todos amigos com os animais. Porque amigos destes não são demais na vida. Que vêm aqui mostrar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Turtudo

Nem sei como apelidar, porém é de facto categoria própria, a dos bravos que desaparecem. Vão flutuando, em graçolas que nada abonam, que não fazem jus, ou então simplesmente adormecemos suas presenças. Até aquele dia, em que percebemos de novo. Em que a câmara percebe. E não larga mais. John Turturro é uma sala, faz uma sala, e voltar a perceber isso devia ser luz obrigatória. Currículos escolares e tudo. Aquela presença que só com corpo e rugas faz metade. O seu momento em The Night Of - um policial cada vez mais interessante da HBO - é um capítulo inesquecível na história dos papelaços, na história dos detetives, na história da televisão, caralho, até na história da podologia. Caso para dizer que quem tem Turturro tem tudo.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Pesadelo em Flanagan Street

Se estão com dificuldades em convencer a chavala basta dizer que tem o puto do Room. A fofice e ternura abafam qualquer preconceito em relação ao género. Ainda para mais com borboletas. É nova vitória do Flanagan, que me agradou especialmente pelo seu lado retorcido: a adopção e depois o uso da mesma - e da tal habilidade - para recuar. É seguir em frente sentado, quieto, o ciclo imperdoável do luto. A doença na mãe, em querer repetir uma e outra vez, dorme, dorme. Tinha de correr mal e depois o filme segue esse caminho, dos monstros, explicando em excesso mas fechando em sonho. Pois são deles que falamos e é deles que às vezes não saímos.

A baixa diversidade da imaginação

Primeiro uma grande caralhada. É o meu The Rocketeer foda-se, vi-o em Santarém num cinema a sério. Qualquer filme, visto num cinema a sério, antes dos 12, merece respeito, todo o respeito. Não há. Segundo, depois de bolsar as fuças do reboot, é esta necessidade americanóide, cada vez mais ridícula e refém do ridículo, de fincar a "diversidade". De fazer "isso" notícia, ou bandeira, em tudo, mesmo quando nada faz sentido. Sejam as mulheres, os negros, ou agora ambos. A martelo, fora de sítio, fora de tempo. Para americano ver, reformulando figuras, sem a imaginação urgente de criar figuras novas.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Há uma cena inacreditável com um carro cheio de luzes

Quando abri o meu coração a The Collector e The Collection, jurei não mais amar outra sequela improvável. Outra saga destemida no universo do medinho. E tudo estava bem, The Purge, o primeiro, é uma bela merda. Tem a Cersei, mas é uma bela merda. Nada fazia antever uma sequela cheia de ganas com um cabrão mais rijo que aquele brinquedo verde tropa que eu dou ao meu cão. Fiquei fã, e agora com The Purge: Election Year, arrisco-me a dizer que estamos perante a trilogia de terror mais audaz desde a trilogia de terror mais audaz antes desta, que não sei bem qual é. Isto porque não se prende ao mais do mesmo, ou mais do mesmo noutra perspectiva, ou mais do mesmo com um twist. Não, vai-se expandindo, como um balão, explorando as oportunidades e as necessidades, tão presente e importante. Tão irónico mas tão vivo, tão refém das soluções que nos conduzem às mesmas respostas, em ciclo. Ano de eleições, nada é inocente. E podia até tentar uma gracinha para um possível seguimento, mas não. Cumpre o que promete, quem vier a seguir, se quiser, que faça merda.

Especial


Trailer Reaction Split

Trailer reaction, por escrito. Sempre na crista da inovação hipster atiro-me de cabeça a este formato, que me parece bem mais interessante do que olhar para uns balofos gordurosos a atingirem decibéis não explicados pela ciência. Assim, vou rabiscando a minha reação ao trailer do novo Shyamalan, Split.

PLAY
(antes de começar dizer que este título me faz lembra o Splice, que é um filme curtido com aquela loira que amo mas agora não sei o nome)

00:02 - Mete estacionamento. Gosto sempre dum bom estacionamento.
00:08 - Compras, caixinha de música, vai dar merda.
00:12 - Teenagers, mais que duas, vai dar merda de certeza.
00:18 - O Professor Xavier está no banco da frente.
00:22 - Merda.
00:32 - Prendeu as pitas numa masmorra tipo a do Hannibal.
00:37 - Hamster.
00:45 - Flores em várias divisões. Até agora estou a gostar.
00:49 - Vai haver motim. Está a ser tipo o 10 Cloverfield Lane mas a triplicar.
01:00 - Está de saias mas de carecas à mesma, creepy.
01:10 - Do cavalheiro que nos trouxe todos os filmes menos aqueles que não tiveram sucesso nenhum.
01: 26 - 23 a morar lá dentro, crossover entre o filme do Jim Carrey e o outro do Cusack.
01:40 - Está na onda do The Visit, apertadinho. Continuo a gostar.
01:50 - The Beast, oh sim. Um clássico.
01:58 - Fujam caralho!
02:04 - Mete metro, iupi!
02:10 - Mete veado morto, iupi a dobrar!
02:20 - Título, depois de dizerem que a besta era verdadeira. Ai ai!
02:27 - Convencido.

03:00 - Ainda por cima com a gaiata do The Witch, percebi isso agora. Oh Shyamalan dá cá um beijo na boca!

terça-feira, 26 de julho de 2016

Agora estás a ver-me, versão eu tenho dois amores

Fui ver o filme dos mágicos. O dois. Nascida daqueles raros casos já não tão raros, que começam a parecer sarampo: pequenino que faz muito dinheiro tem sequela grande, ou que parece grande, ou que se transforma numa franchise. Assim foi. Enfim, tanto filme a precisar de sequela - Super Mario, Willow, todos os descritos neste incrível episódio das Nalgas, etc - e temos de andar nós a lamber este alcatrão. Mas pronto, o que mais me marcou foi ficar na dúvida:  Isla Fisher ou Lizzy Caplan?

O do Rei Artur ainda nem vi

Resumo breve dos trailers da Comic Con: bueeiinhaaaauuuuuhhhhhh. É o som de vómito, a sair entre os dedos enquanto tento tapar a boca. A Gal Gadot é muita boa mas não há nenhum plano dela com o pernil aberto. Como este. Vou ver outra vez. Depois é igual ao primeiro Capitão América, mas tem o Capitão Kirk. Não há mais ninguém? Eu nessa altura até podia. Liga da Justiça, estou a juntar um grupo de malta. Foda-se, não chega já? Qualquer dia junto um grupo de podcasters para combater uns vloggers maus, só naquela. Depois foi o macaco, cada vez maior. Com um ar porreiro de Vietname e com a minha Brie Larson. O cabrão do macaco está mesmo grande. Pode ser porreiro. Não, fui confirmar agora que é realizado por um gajo indie de barbas (na foto). Tudo fodido. O Dr. Strange é Inception a pinar com o Jumper e o Harry Potter não tem o Harry Potter. Depois descobri que o filme de terror mais promissor de sempre deste ano é afinal o Blair Witch 2. Mas isso foi na Comic Con? Sei lá. O que eu sei é que dói, e muito.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Nada estranho

E agora, depois do mais bonito poster que esta dupla de cones e bastonetes teve o prazer de lamber no ano de 2016, seguimos para o dito. Já muito foi de facto dito, e mais virá. Testarão até todos os episódios em avançadas instalações de ciência, com aceleradores de partículas e cientistas sem banho tomado. Por isso serei pequenito no salto. Mas só de falar pouco já me apetece falar muito, sintoma da nostalgia imediata. Isso é logo o embate. Stranger Things é muito específico no seu alvo. E usa a plataforma mais moderna e audaz para o fazer. Irónico. Um tempo que nos oferece tudo para uma audiência que só se quer lembrar do tempo em que não tinha nada. Era necessário pedalar, procurar, os tesouros. O cheiro dos tesouros, das cassetes, das caves ou das tardes, dos recortes ou revistas. Irónico também surgir no mesmo ano de X-Files, que tentou ressuscitar algo, e saiu furado. Merda, mesmo merda. Porque não é fácil, parece muito, o Tarantino fá-lo de olhos fechados, mas é o mais difícil no entretenimento corrente, seja ele novo, inspirado, requentado. É preciso, em primeiro lugar, contar uma história. Depois torná-la única. Por último torná-la nossa. 1, 2, 3. Só isto. Mas então, ou fogem pelo facilitismo e ilusão de que o nome chega ou caem em questões abertas, muitas, misteriosas, ui, como se coçar a cabeça para sempre fosse equivalente a qualquer decisão. Muito vago, o vago está na moda quando se tem medo de ser Stranger Things. 1, 2, 3. Resultou. Uma história, com princípio, meio e fim - venha agora o que vier - muito simples no seu núcleo, nas suas personagens e modo como elas se tocam, muito caloroso para elas, muito cuidado. Nada ao acaso, os carinhos, os laços. Entrelaçados com tantas referências que precisaríamos de espaço, de um barco maior, mas que no seu conjunto oferecem algo absolutamente genuíno, com as luzes de natal e o mundo invertido, com um novo grupo, um novo grupo de putos foda-se. E o final, o 3, o mais importante. Encher-nos este coração desistente. Fazer-nos de novo contar com eles, fazer-nos goonies, de bicla, e porra que payoff do caralho, com a Eleven a espetar aquele merdas contra a parede, no balanço da pequena fisga. Emocionou aqui o grandalhão como há muito nada emocionava. E por isso, pela simplicidade, irreverência e peito cheio, não é de estranhar que esteja aqui a série do ano.

[nota, natalícia]

Este poster, num tamanho qualquer. Já. É só em dezembro foda-se. Mas pronto, este poster, sim, sim.

Nas Nalgas do Mandarim [Comic-Con 2016]

O painel das Nalgas, na Comic Con de San Diego foi um enorme sucesso. A primeira fila estava quase cheia, aliás cheia, se contarmos que a gorda da ponta valia por dois. Apoteose com a entrada dos três génios do podcast luso, mas em especial com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa que decidiu ali condecorar e dizer que o episódio sobre moda foi uma bela merda. Ganda President. Depois muitas novidades. Algumas vá. Foi só um teaser, da temporada 4, que vai ter 1460 episódios, porque vai ser todos os dias. Ao longo de 4 anos, já lhe chamam o Boyhood dos podcasts. "Mas haverá assim tanto para falar de cinema todos os dias?", perguntou o meu irmão que estava no público. Falar de cinema maninho, então, por quem nos tomas?

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Não sou eu que sou baladeiro, vocês é que têm mel nos ouvidos

Mas como é que a Paula Patton, com aquelas dentolas vampiras invertidas, ainda consegue mamar o Ragnar na boca e nenhum dos dois se aleijar? Isto sim, dá que pensar. Agora o resto, do Fel, que é uma merda que controla tudo e ninguém sabe porquê, e controla a história toda e ninguém sabe porquê também, isso, não interessa para nada. Não sejam implicativos.

É hoje

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Ele chama

Disseram assim: dá para fazer aquela merda do Spielberg mas em bom? Ao que o Bayona respondeu, dá sim senhor. E pode ser colagem de tantas outras viagens, das crianças e suas coisas selvagens, seus labirintos e gigantes, mas este monstro é possivelmente a coisa mais bonita que vamos ver este ano. Pelo menos a palete que aqui serve de aperitivo. Incrível.

terça-feira, 12 de julho de 2016

O Flash só com gajas

Ainda não vos confessei que mamei dois filmes de gaja. E prometemos no início de tudo isto que seríamos sempre sinceros. Então vá. Foi a idade da Adelina e o filme da outra menos gorda que a gorda gorda. A Adelina é complicado, ela está sempre bué da linda, nunca fica velhinha e depois tem medo de traçar grandes bonzarrões. Isto porque levou com um raio, como o Flash. E sabe muita merda, porque já tem muita idade. E é domingo à tarde, logo depois de almoço. O outro é duma chavala que só quer é pinar sem compromisso e depois meio que se apaixona. E aqui tenho de dar alguma coisa a torcer, até pode ser o braço: há algo de muito mais sincero e inteligente nesta última incursão do Apatow pela comédia. Sempre muito refém das pilas, dos ganzados, da casa dos pais, aqui pega no pai e dá-lhe um corpo. Reais relações a entremear um conjunto quase certeiro de piadas. E ela tenta pinar o puto que vai ser o novo Flash. Vai tudo sempre dar ao Flash.

Análise exageradamente curta ao primeiro episódio de The Night Of

Estava à espera de melhor mas vou continuar a ver.

Ui, pronto, já foste

Prefiro o Eden Lake, dentro do género de pincéis fodidos de fugir. Com nativos ainda mais fodidos de gramar. Mas este Green Room, sucessor do desidratado Blue Ruin, é seco tal e qual, na medida em que as coisas simplesmente acontecem, e estamos à espera delas. Do momento do não retorno, da escalada, sempre a pensar "mas se calhar ainda dava". Não dá nada, são buracos, arrepiantes, que aqui se constroem. Este mete metal, cães e tripas. Tem também o avô Xavier em modo vilão do ano. De olho neste gajo.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

La perfidia de tu amor

Escolher o Volume favorito e tentar depois desconstruir essa decisão, é uma pequena delícia de nata. Uma bola, cheia de creme, lambuzada no seu já descontrolado recheio. Porque montar tamanha obra prima tem muito que se lhe diga. A unidade, ordem, narrativa. Existirá? Ou será um maravilhoso exercício de espectador este de: o meu é o terceiro,  talvez porque precisasse de respirar depois dos outros dois, de terminar em plena fábula, com Xerazade ou com os tentilhões, os bastiões da evolução, ali na Musgueira, no pequeno mundo, com tanto de cinema que nos esquecemos onde acabamos e onde começa o "corta". Se tivesse entrado por aqui, seria este o meu voto? Terminar no inquieto, iria-me deixar menos encantado? Mais desolado? Quem sabe. Estamos cá para trocar, para alertar, divulgar. Nos apaixonar todos os dias por Crista Alfaiate e depois continuar a cantar Perfidia, até que os sonhos nos doam.

Beicinho beição


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Dois parágrafos sobre dois trailers que acabei de ver


Table 19 - esta merda parece o The Breakfast Club dos casamentos. E tem a Anna Kendrick. Atenção eu gosto da Anna Kendrick, mas ela depois dança sempre e faz aquele ar de sonsa feinha, viva a vida. No final acaba a foder com o desconhecido charmoso bonzarrão da vida dela tipo genial inteligente e divertido. Sempre. Depois nada discretos: uma velha, um preto, um indiano, o Stephen Merchant. Só falta mesmo uma estrela velha do Friends por exemplo. Ah espera.
Blood Father - esta merda parece o Taken versão últimos dez filmes que o Mel Gibson só sabe fazer. Como aquele do Gringo, ou o outro em que também lhe matam a cahopa. Vingança, pai ausente, deserto, mexicanos, cartéis, grande erro filhos da puta. É só assim o Mad Max que vocês chatearam. E ele está piurço, barba por fazer, mas ainda muito por fazer. Volta lá à cidade pah, estás perdoado.

Mr. Turner and....

Para pendurar definitivamente. Só não sei qual. Indecisão de caso crónico, de abismal admiração que se resolve com uma mão cheia. Que pintura mais inacreditável, este Mr. Turner. Com pequenos bastidores, para a digestão, tão ou mais coloridos, aqui e aqui.