quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A sério, desculpa

O que o trailer de Mad Max: Fury Road faz com todos os outros futuros tesões devia ser considerado bullying. Ah que giro, um sabre de luz, e um dinossauro mutante, e um exterminador velhinho. Até que a ópera começa e nós próprios sentimos vergonha. Ficamos pequenos, por algum dia termos amado outra coisa.

As fantásticas aventuras da não notícia

A SIC noticiou, com muita pompa, que Virados do Avesso é já o 26º filme português mais visto da década. Será que já não temos mínimos para os máximos? Podemos mesmo começar a contar do fundo?

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

E agora algo completamente

Tusk é aquela ida às finanças, onde obrigam a encaixar nossas hábeis capacidades numa categoria. Mas não é bem. Pois, mas é a mais parecida. E chupa, lá levamos o rótulo. Assim leva Kevin Smith com comédia, drama e terror. Quando no fundo não, ou então sou eu, que ainda não percebo tal objecto. Incompreensão que de facto me leva aos píncaros da contemplação: entranha, entranha. Opção artística ou simplesmente ironia. Ousadia. Quando se aperta nos caminhos do desconforto, vira tudo à esquerda para o insólito, espetando-se na caricatura. Não deixando fixar olhar em campo nenhum, deixando ficar sim arranhão curioso para a posteridade. Venha o resto da trilogia.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Comic Con Portugal - balancé

Em primeiro lugar um agradecimento especial ao trânsito do Porto que me preparou, por vezes de forma bastante austera, para as esperas que viriam a acontecer. E que bate, com uma perninha às costas, o fim de semana da capital. Não há cá descanso alfacinhas! Depois - como já devem ter percebido - filas. Sábado, primeiro para entrar, depois para entrar mais e depois para andar. Mijava-se bem mas por exemplo, se quisessem pensar, ou mesmo arrotar, já tinham bicha. Comida não: fila para tirar a senha e depois fila para quem já tinha senha. Muita muita gente, muita muita. Isso entope obviamente os serviços que por sua vez não se privam de nos chularem forte e feio. Nada de novo, tem apenas de se encontrar um meio termo necessário que responda não só às enchentes (sábado) mas que também seja lógico para as meias casas (domingo). Não é fácil. Tirando este primeiro impacto e aperto, gostei bastante. Programa muito composto, com pessoas que estão lá mesmo, para aquilo e só aquilo. Pessoas que, citando a Natalie Dormer, sabem das suas merdas. Não é um festival de "música", não tem bêbados idiotas, nem agendas paralelas. Aqui é mapa na mão e universo na outra, estrela a estrela. Desenhando o nosso próprio roteiro sem nunca fugir ao comum, ao grito colectivo "you shall not pass", como se este se tratasse de território virgem com urgência de protecção. Os painéis são o reflexo descontraído disso, onde se vai falando do que se viu, do que se vai ver, do que se pensa, do que se quer, do que se quiser. E o que mais estimula é a surpresa (de cada um) nos recantos  improváveis (cosplay de The 100 foi o twist da noite). Porque se gosta francamente. Para mim sim, parabéns rapaziada, bem organizado, bem disposto e muito bem composto. Até para o ano.

O episódio 5 é qualquer coisa

Conter tamanha desordem, é missão que só poderemos calcular. Prever, como se soubéssemos merda alguma sobre a dor. Facto é que James Nesbitt faz-nos provar o desgosto, o mais perto possível da rede. Sempre fechado, no fio, pronto a rebentar. Há algo que estala, cega e desregula a mais certa das mentes. Morremos somente para voltar, com aquele propósito. The Missing é um dos grandes acontecimentos televisivos do ano.

O meu novo queridinho

https://www.youtube.com/watch?v=pqSKymETaZM

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Onde estão vocês agora?

Vinha, na luz dos faróis, a tecer o meu desagrado pelo final. Demasiado preso ao risonho fechado, pareceu. Mas quilómetros à frente, concluí, que se parasse o carro, a sorrir,  não fazia do término meu feliz adeus. Boyhood é um trecho, com antes e depois, que merece ser vivido, saboreado e conversado. Especialmente nos seus próprios e fabulosos diálogos - o dos Beatles é inesquecível. Inquietações, as minhas, mas o que mais inqueita é a transparência do vai e vem. Corropio. As pessoas que chegam, como quartos onde habitamos, que vão, como objectos que vendemos. As realidades voláteis que no seu todo contam uma história, ruínas que se têm de ir erguendo na procura de respostas. É triste. É também absolutamente fundamental.

It´s not unusual

Nove anos depois chegou a minha carta de curso. Com ela uma outra, a explicar que o modelo tradicional era de prata e com fitas, e que a minha é igual ao modelo tradicional mas sem a prata e as fitas. Merdas da crise. Conclusão: é uma espécie de artefacto Indiana Jones mas versão O Bibliotecário. A sorte deles é que uma quase década é tempo de sobra para o perdão. E pronto domingo também vou ver a estreia da série na Comic Con. Ajuda muito.

sábado, 29 de novembro de 2014

O chibo de Pompeia

Ouçam lá, no final de Pompeii não dava para os gajos continuarem a cavalo tranquilamente? Deu para ir à cozinha, mandar uma mija e desligar o computador. Ainda estavam eles a dizer que se amavam muito para sempre. É pena esta incongruência porque o filme estava a ser bestial. NOT.

Votação encerrada

89% dos inquiridos acha que eu devo deixar de ser parvo. Está tudo bem. Já vesti o pijama.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Fiéis jardineiros

Confesso defensor da larga escala, e da necessidade de grandes eventos como Gone Girl e Interstellar, não posso deixar de me render ao outro lado. A este pequeno culto que se cria nos festivais, e acima de tudo, aqui. No passa palavra, como se a tecnologia fosse de novo o pátio da escola, o quintal, a troca de cromos. Bunker solitário, construído por todos, que nos protege e aquece. Coherence, The Babadook e agora Predestination. O expoente máximo. Se Los cronocrímenes já se arrumava pequenino como clássico time travel - um dos meus favoritos - o filme dos irmãos Spierig estica ainda mais a corda. Fechado mas universal, do nascimento à morte, da vida às suas construções, é possivelmente um dos exercícios mais arrojados e competentes que a ficção científica conheceu em anos. Um loop delirante, uma lição - por exemplo para ti Looper.  Pequena semente, que não cresce noutro lado, cresce connosco.

Fucking Falcon

Daqui a muitos anos, quando eu for preventivamente encarcerado, acusado preventivamente de ter visto o Double Team no cinema, vou ter como agravante o facto de, neste dia, não ter postado o teaser trailer de Star Wars: Episode VII - The Force Awakens. Sendo assim, aqui está ele. Fade preto a mais compensado claro está pela música. Essa orgasma qualquer neurónio.

I Congresso Internacional de Cusacks

Vai ter lugar, nos dias 14 e 15 de março de 2015, no Centro de Congressos do Estoril, o I Congresso Internacional de Cusacks. Com o objectivo de celebrar John Cusack, o evento pretende não só discutir papéis passados mas estabelecer linhas orientadoras para o futuro da sua carreira. Tu, que és Cusack desde pequeno, tu que tens uma ideia, um projecto, uma demanda vem partilhá-la connosco. As propostas para comunicações orais e posters estão abertas até ao final do ano nesta caixa de comentários.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Lá em cima está o tiroliro liro

Cá em baixo está uma situação complicada que não termina em ó. Ou então a exclamação de não ser verdadeiramente "filme bicharada". Levei logo ralhete do meu irmão "então mas esta merda não tem bichos?". Juro, que pensei mesmo que era pagode à la The Descent. Mas não, ai ai que medo, os nossos medos, nas catacumbas de Paris - por falar nisso a tradução portuguesa é cá uma chibaria. Salva-se o borrachão e o facto de ser chapa 90. Passa num instantinho. Next.

Pois lá perdemos não foi...

De que é que se fala enquanto não sai o trailer do Star Wars?

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Voltar a casa


Algo de morto-vivo não me deixa pensar. Podia ser o Jurassic Roulote de Cachorros que eu estava lá à mesma. 93, e o parque deixavam pegada eterna no meu imaginário. Moldando na lama e na chuva o deslumbre de jornadas futuras. É a mais irracional das peles de galinha, mas provavelmente a mais transparente. Por isso que venham motas e raptors, cá estarei.

Não é baguete

Era óbvio que Pan seria uma prequela. Encurtam-se os nomes, apagam-se as ideias. Até quando vamos ter de levar com ele? Sempre com a balela de que "agora sim, a história nunca antes contada". É que qualquer dia dizem-nos que afinal a Maléfica era boazinha. Oh, espera lá... Mas seguindo, é a vez então de um dos nossos espeta secas favorito - primo em primeiro grau de Baz Luhrmann e sua trupe colorida - viajar até à Terra do Nunca e fazer o seu Cirque du Soleil. Não consigo ficar em mim.

Sondagem mega importante

Devo ou não, no próximo sábado, ir ao cinema ver o Tartarugas Ninja: Heróis Mutantes. Não vou escrever mais nada para não influenciar a votação. Ela, que acontece aqui mesmo ao lado.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Cinema Animal - Falcão

Cinema Animal é a mais jovem rubrica do Créditos Finais. Como se fosse o pequenino raptor a sair do novo, naquela cena. Mas que cena é esta então? Sem aborrecer, trata-se de um desafio proposto a três ilustres da blogosfera nacional, onde eu digo o animal e eles o filme. Basicamente é isto. Assim eu pergunto FALCÃO. Ao que vocês respondem...
 

Luís Mendonça

 
A primeira tentação seria dizer logo: "Kes". Mas não, esse filme tem um falcão mas não É como um. Entenda-se: falcão como ave de rapina. Ela sobrevoa, aos círculos, a presa até desferir a golpada imisericordiosa. Só podia ser um filme de… ou o próprio, inteiro, integral, despido na sua desfaçatez, na sua bicuda, afiadíssima, mais-que-cortante, presença: Erich von Stroheim. O filme é "Blind Husbands", onde um oficial austríaco vai iniciar a sua caça furtiva: a inocente mulher casada com um cirurgião, que está tão cego quanto à vulnerabilidade da mulher ante presas impiedosas que de cima a sobrevoem como pelo amor que devota a esta e à sua profissão. É um homem íntegro, mas Stroheim interpreta um homem integral, quase animal, e... militar. Militar no seu desejo pela caça, no seu apetite pela mulher alheia - a melhor das peças! -, militar também na sua determinação em ir até ao cume da desfaçatez e lançar-se em pique para abocanhar e desfazer em pedaços o mandamento: "não cobiçarás a mulher do próximo". O amor é cego, o marido especialmente, mas Stroheim, o destruidor de lares, vê e ataca como uma lança a boa moral cristã. Como uma lança não, como um falcão!
 

Edgar Ascensão

Brain-Mixer
Calhou-me na rifa um animal majestoso, hipnotizante e complicado. É complicado, não em feitio (que como é certo, nunca socializei com nenhum até hoje) mas em termos triviais: Quantos filmes com falcões consegue um cinéfilo enumerar? Eu lembrei-me do Manimal, mas queria afastar-me de séries televisivas, e principalmente desta série...

Enquanto retirava da memória close-up's de panteras e cavalos dos anos oitenta, a mente divagava para Spielberg. E o seu Tintin de 2011 abriu-se-me.

O falcão é co-protagonista da melhor cena de acção do filme (e quiçá desse ano), onde um plano sequência leva os heróis de uma barragem no alto do monte até à beira mar de um país oriental. Espalhando especiarias pelos ares arábicos, detritos imobiliários por água abaixo e arrastando militares destravados por ali abaixo, e as garras desse falcão que não deixam Tintin sorrir nem um pouco no fim desta perseguição completamente insana. Agarra daqui, escapa dali, lá vai o precioso papel...

É certo que depois o falcão sai de cena e não tornando a aparecer no filme, mas deixa a sua pegada como um bicho francamente temperamental e persistente. Que diabo, se eu sempre vi "The Adventures of Tintin - The Secret of the Licorn" como um digno sucessor de Indiana Jones, quanto mais o viria como o verdadeiro quarto capítulo que Spielberg deveria ter realizado. E daí virão as óbvias comparações com os bichos da trilogia do Homem do chapéu, onde se junta às cobras, insectos e ratos para nos deixar com comichão, desprezo e olhar inflamado.

Pedro Andrade


 
Assim que o desafio me foi lançado, e o animal atribuído, que não tive qualquer dúvida sobre que filme iria escrever. Falcão fora a escolha, Millennium Falcon a associação imediata.

A primeira trilogia de “Star Wars” a ser produzida está, e sempre estará, no topo das minhas preferências no que toca a cinema. Não porque considere os filmes obras-primas (longe disso). Não por lhe reconhecer um papel de grande importância para a História do cinema norte-americano (e tem-lo e reconheço-lo). Não por ser uma das principais referências da cultura pop (que é e sempre será). Não por serem dos filmes mais populares de sempre e seguramente não pelo simples facto de serem populares. Não, a minha paixão para “Star Wars” reverte-me para a infância, altura em que mais do que um filme era uma oportunidade para viver uma aventura nos dias mais cinzentos e numa altura em mais do que personagens, o Luke, o Han, a Leia e companhia, eram companheiros, amigos, irmãos.

Não é fácil crescer num sítio onde as possibilidades de amizades se contam pelos dedos das mãos. Nem é fácil crescer na solidão. Muito menos é fácil crescer sem perceber bem que alguém que nos deixou não volta mais. E aquelas VHS, aqueles três filmes gravados da RTP, eram o meu outro lado do espelho. Estava sentado no jardim e não vi qualquer coelho a passar. Vi um falcão. Segui-o, não por um buraco mas por entre as estrelas e lá fui até uma galáxia muito, muito distante.

Vampiros de Liliput

Mas isso é só com vampiros em Liliput?, pergunta o meu irmão, com ar apreensivo/cansado, deitando por terra uma ideia genial e inovadora de filme. Ou só genial vá.

domingo, 23 de novembro de 2014

Porque hoje saiu o trailer do trailer

http://www.traileraddict.com/welcome-to-yesterday/theatrical-trailer

Para quem gosta de tanques

Parece o começo da anedota. Um bêbado, um Brad Pitt, um Percy Jackson, um Shane e um mexicano entram num tanque. Podia de facto ser motor para um intenso momento de galhofa, mas não. Até tem violência e o mítico "fucking nazis". Podia era ter também uma história. Podia e não podia - ai este género dentro do género dá cabo de mim - porque se por um lado a sua linearidade promove o desinteresse, por outro, o apertado espaço promove a simpatia. Se fosse um assumido exercício, sempre lá dentro, possivelmente o apreço era outro. Fica para a sequela, Fury to Furious.

Longa vida à série! (Parte 1)

Unidade, tamanho pesadelo de qualquer história. Nenhuma série, no seu perfeito juízo, pretende durar apenas um. Um episódio, uma temporada, um sopro. A continuidade, por mais ilógica que seja é sempre um caminho apetitoso. Temos mais ideias, ideais, interesses, para contar a outrem. Criança nossa, com a vida toda lá à frente. E com os crescentes aumento e acesso à ficção televisiva, a crueldade do machado parece-nos descomunal. Não é, trata-se somente do ecossistema a responder a um fluxo diferente de informação e entretenimento, criando de novo um equilíbrio. Voltando à estabilidade. Mas o que faz uma série prevalecer em detrimento de outra? Darwin és tu? Ou apenas um conjunto diverso e único de factores que determinam os anos, naqueles anos? Difícil a resposta, cheia de complexas teias e argumentos, fórmulas e feitiços. No meio de tanta, ou tão pouca, vida, recuámos até 1994 e a algumas séries emblemáticas que aí nasceram, esticando a régua do tempo e contando até onde foram. No final voltamos às questões.

1 – My So-Called Life

É contraditório, mas também é um facto, que baixa longevidade contribui para o aumento do culto. Quanto mais pequenas e injustiçadas, mais amadas ad aeternum. Produtos muito especiais, dentro mas fora da caixa, têm sempre corridas e tarefas complicadas, podendo, muitas vezes, serem interrompidos ao fim da primeira volta. Também há os detestáveis e o amável favor que nos fazem. Mas nestes casos não, não houve o tempo nem para melhorar nem para piorar. Ficou aquele bloco, para ser viso e revisto, ouvido e debatido, quem nem pequena arca do tesouro. Assim My So-Called Life, drama adolescente que fugia ao estereótipo da idade e que se apresentava adulto e cru. Para a adolescência. Como o título original tão bem exemplificava (cá em Portugal era o pacóvio Que Vida Esta!) contava-se a história daquelas idades, de uma coisa a que os adolescentes chamam de vida, perante as indecisões, confusões, a violência de mutar. Claire Danes, antes das carantonhas de Homeland, antes de ser estrela ou Julieta, era Angela Chase, uma adolescente numa série de círculos, à procura da identidade. Valeu-lhe, com 15 anos, o Globo de Ouro para Melhor Actriz. Apesar de amplamente elogiada pela crítica, a série da ABC teve vida e concorrência difícil, sobrevivendo apenas 19 episódios. Para a posterioridade fica gravada em dezenas de textos, imagens, tops, desde a melhor de sempre até à cancelada cedo de mais, e recordes, como aquela que teve a primeira campanha online de salvação por parte dos fãs. Em 1999 foi lançado um livro, intitulado My So-Called Life Goes On, que dava seguimento à vida, deixada em aberto. Porém é certo, que o futuro será sempre aquele presente na mente e nos fóruns dos que não esquecem.

4 – Babylon 5

Estrelas, tão quietas no nosso céu, tão fugazes no televisor. Qualquer noite estrelada nos sossega a pressa, refastelados em longas cadeiras, Verão talvez. Mas quando voltamos para dentro e volvemos ao repouso, a corda sobe ao pescoço. O aperto começa e se queremos viajar para longe, Grupo Local ou ainda mais para lá, onde de nada sabemos e a imaginação é razão, então temos de estar preparados para a dor. Sufoco. Amar uma série de ficção científica pura e dura é puro e duro. Objectos não muito comuns, caros e carregados de mitologia, de novos apontamentos que tentam desesperadamente um dia ser livro. E nós leitores assíduos. Hoje séries como Defiance mantêm a (pequena) chama acesa, e outras como Extant e The 100 mostram-se como sobreviventes variações do género. Pouco mais resiste aos vampiros, zombies e apocalipses. Vida curta ao espaço. Porém há excepções, sagas que vivem exactamente o que devem viver e, para além de Battlestar Galactica (de 2004) e Star Trek, Babylon 5 foi a única série de ficção científica americana a conseguir cumprir o seu calendário sem ser cancelada. Teve as previstas 5 temporadas que correram durante 4 anos, mas a estação espacial, que dava nome à série e tentava assegurar a paz e diplomacia, estendeu-se para o spin-off (Crusade), para os telefilmes, para o culto, para o infinito. E agora, como as outras duas comparsas de género, vai ter versão cinematográfica. J. Michael Straczynski anunciou recentemente que não desistiu, e que os fracassos passados resultaram em conquista: o guião estará pronto para um lançamento do filme em 2016, reboot da série original.

6 – Party of Five 

Entre nós e o instantâneo, existia normalmente, um intervalo. Uma série nova e fresquinha na TVI, era uma série que já lutava por alguma coisa no seu país de origem. Longamente indeferido mas também amplamente na ignorância. Não existia outra forma, de tal modo que uma novidade era em mim um bicho novo, ponto. Uma televisão independente e jovem, dona dos também jovens X-Files (estrearam em 1993 e por cá no ano seguinte), apostava então (1996) em Party of Five. Era um mundo diferente e eu de mochila, VHS e horas marcadas. Sofá e Suchard Express. O drama pretendia ir do adolescente ao adulto, enquanto nos era contada a história de cinco irmãos, os Salinger, que de um momento para o outro perdem os pais num acidente automóvel. Têm a partir desse momento de enfrentar o lá fora, completamente sozinhos, daí a tal festa dos cinco, cá entre nós eram Adultos à Força. Com o arranque difícil, a série da FOX andou com os nervos em franja, a audiência baixa assustava e ditava um possível cancelamento. Porém, em 1996, durante a sua segunda temporada, ganha o improvável Globo de Ouro para Melhor Série Dramática. Aguentou-se durante 142 episódios, 6 temporadas, 6 anos, cancelada em 2000. Foi porta de lançamento para um conjunto de jovens atores, como Neve Campbell (Scream), Mathew Fox (Lost), Scott Wolf (V) e Jennifer Love Hewitt (Ghost Whisperer) que chegou mesmo a ter um spin-off intitulado Time of Your Life, onde a personagem que interpretava, Sarah, ia para Nova Iorque à procura do seu pai biológico. Foi cancelada a meio da sua primeira temporada. Quanto a Party of Five, ainda hoje é lembrado como o “grande drama esquecido dos anos 90” e um modo de interpretar o género que morreu ali.

Texto publicado na Take 1994

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sim, dizem o poema vezes de mais

Chibanço do bom, mesmo à frente. Estás um gatinho, penso depois. Antes, nem avisavas. Pois não, mas antes também não tinha esta larufa grisalha. Parecendo que não pesa, como a gravidade. E pimba está a ponte feita para o filme. Que génio do caraças. Eu. E o Nolan? -  perguntam os zombies sedentos de tripas e à espera de partidos. O Nolan dá que falar e, esquecendo as brigas de bairro, fá-lo na procura de novos caminhos. Que outro consegue tamanha movimentação do mundo? Do que poderia ter sido, do que foi, do que é e de como dois gajos à porrada são sempre dois gajos à porrada. Sacode o pó muito para lá da sala, universalizando aquilo que o cinema deve e pode ser: um eu à procura de respostas. Em todo o lado. Interstellar tem graves problemas com o seu elenco - a Chastain, por exemplo, esqueceu-se de representar - e com o seu lado mais didáctico - agora meninos, vamos explicar como é que isto tudo aconteceu. Porém, tem milheirais a perder de vista, ondas do tamanho de montanhas, nuvens geladas e naves que giram perdidas. Acoplagens impossíveis, buracos negros e despedidas. O tempo na mão. Na a eterna vontade da descoberta.

Take 1994

Já aí está. Ou já aí estava, desde esse ano. Bilhetes à espera de um DeLorean, que os picasse e cuspisse de novo na tela. Sentem-se na Take saudosistas, a viagem, para além de gratuita, é memorável.

Ponham-se a pau

É que The 100 está perigosamente a sair da área de guilty pleasure.

Poster final de "O Dia em que o marco Bateu na Sónia"

Sim, existe apenas na cabeça do Ferreira. Ou então é mesmo um esmagador sucesso, algures em parte incerta. Universos e filmes paralelos. Será sempre um se, e sempre "a maior obra nacional de ficção científica nunca feita". Para finalizar, antes de cair em lágrimas, um obrigado universal ao Brain Mixer, autor destes incríveis posters que deram vida ao pontapé. Um dia, um dia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Clap clap clap ou melhor dook dook dook

Só aviso spoilers porque O Senhor Babadook merece. Senão bem que se cosiam. Mas pronto, não viram, vão lá dar uma volta a qualquer bulha sobre o Interstellar. Já foram, então rapaziada, grande regresso ao interior. Chiça. Duas coisas absolutamente maravilhosas: ser dono de um género que acaba por não ser o seu, ou pode ser, lá está, mas no final nada tem a ver com papões, monstros, assombrações. Ou tem, mas são as nossas. Exercício de luto, mágoa e saber (con)viver nessas mesmas ruínas. A outra conquista é o turnover à la The Shining que o filme proporciona, invertendo os papéis à medida que nos vamos aproximando inevitavelmente do confronto. Puto mais sinistro desde essa altura. Terror mais eficaz dos últimos anos.

sábado, 8 de novembro de 2014

Guerrilhas e guerrinhas

Ainda não vi. Cegueira que não é de todo imune - impossível ser - ao hype e anti-hype do hype em torno do filme. E que irá ocorrer em qualquer nova obra de Nolan. Os muito entesados ficaram fechados nos seus círculos de adoração fazendo com que os murchos se tornassem novos-entesados, do lado oposto. Não só detestam o "homem" como todos os outros, que também não prestam. E depois andam nus, a brincar com as bolinhas pretas e as cinco estrelinhas, para ver quem ganha. Merecedor obviamente de um aprofundado estudo sociológico, onde entram no meio disto tudo as pessoas que gostam só de cinema?

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sim ela mostra

O principal problema não é abrir o espírito. Para o Vigalondo ele estará sempre escancarado. [ia fazer associação Sasha Grey mas desisti a meio] A comichão é que a complexa trama não se dilui no esquema de tempo real. Não temos as pistas pacientes que necessitávamos para um verdadeiro quebra cabeças. Ainda assim, totalmente recomendável.

Vi o Wall Street

Depois pedi à minha mãe para sair da mesa; não quero mais Oliver Stone, estou cheio.

Denunciado mas simpático

Tem aquela métrica caricatural: foda-se caralho puta da velha foda-se. Merda. E tem o Ricardo Carriço. Mas, consegue uma estranha química, cheia de altura. Um titânico esforço do casal protagonista que faz tudo o que sabe e não sabe por aquela história. De tal modo que apetece dizer ao resto do elenco um "basem", seguido de todos os outros elogios enunciados no início.

[sim, escolhi esta imagem por causa da jornalista]

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Hello Ladies: The Movie

Ah pois, o que é bom sempre volta, ou nunca desaparece, ou outro dito inventado que assegure esta verdade. O meu quarto está em festa.

Para lembrar

Eu Me Lembro é um dueto, entre Clarice Falcão e Silva. Nele, cada um conta aquela noite. Quando ambos colidiram. E ambos sabem de cada luz, de cada cor de cor, podem-lhes perguntar, eles se lembram. Irónico instrumento, lá está, onde se sobrepõem sem dó as versões distintas, como se a realidade fosse o eterno desencontro entre estas duas percepções. The Affair usa este mecanismo para narrar um caso, um verão, e sua posterior procura da verdade. Ferramenta tão simples, recolhida do baú, endereçada à cabeça dos teimosos: sim ainda há espaço. Para o campo e cidade, para os amores de verão, para a carne e o sexo, para as questões entrelaçadas nas palavras, para o velho do thriller. Para Ruth Wilson. Uma das grandes séries do ano.

domingo, 2 de novembro de 2014

Miss Novembro

Nomeado TCN 2014

Créditos Finais está nomeado para Melhor Blogue Individual e Melhor Iniciativa. Se a primeira diz respeito ao eu - sim já me estive a abraçar e a praticar o auto beijinho - a segunda é reunião de esforços de outros soldados e nomeados. A todos os que até hoje fizeram o Cinema Animal, o meu muito obrigado. Agradecer por fim a quem escolheu, a quem cá vem e a todos os outros que ainda não descobriram que este é, provavelmente, o melhor blogue do mundo. A seguir regressam as misses para puxar um bocado ao voto.

Listagem completa de categorias, nomeados e locais de votação aqui.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

É mesmo fofinho o sacana do dragão

A DreamWorks Animation sempre foi o Armando José da Pixar. Massacrando e cuspindo. Felizmente, How to Train Your Dragon 2 percebeu que não tem qualquer tipo de hipótese. Faltam os recantos amigos. É tudo recto, sem a luz curva da genialidade. Fê-lo em boa hora, assumindo-se apenas como um bom filme de aventuras. O que dá sempre jeito nos dias pastosos que correm.

Um resumo útil

Estava há alguns dias sem pôr pé no feedly, que, parecendo que não, estende-se daqui até Alcácer, não é fácil. Por isso, e excluindo todos os artigos sobre cinema, decidi fazer uma súmula útil, para quem, como eu, vê o seu tempo a encolher. Como se já fosse Inverno. Momoa Aquaman, Zellweger espatifou as fuças para ver se ganha mais um Óscar - para mim é front runner na categoria - a série do Scream não vai ter o Ghostface - à semelhança do novo Star Wars que não vai ter Jedis - e o novo Ridley Scott, o Principe do Egipto 2, vai ter 200 minutos de duração. Esta última já foi desmentida mas vou mantê-la para poder projectar um conceito de dor nunca antes experimentado. Por fim esta camisola espectacular, Feliz Natal.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Os zombies dos segredos

No meio da questão, andava eu, faço parte das curtas palavras. Mas porque é que tanta gente vê esta merda? Lá está, eu ali enfiado, é pior é pior: mas porque é que eu vejo esta merda? E agora, neste último episódio, bateu-me, nos miolos espalhados por ruim marreta. The Walking Dead é o Secret Story, apetecível maçã voyeurista embrulhada num pacote de culto. Tem personagens idiotas, estúpidas, que ambicionamos ver dali para fora, e que pouco têm a dizer umas às outras. Se dizem é o mesmo. Todas têm segredos e se aparece um novo morador, também esse vem cheio de demónios. Que temos de adivinhar para depois matar e passar a outro. Andam da sala para o jardim, que é como quem diz da tenda para o pinhal, ou da quinta para o pinhal, ou da prisão para o pinhal. Não fazendo a ponta de um corno. Lá estão e um cidadão, cansado, liga aquilo, dizendo para a Maria: olha vamos lá espreitar o que é que eles estão a fazer hoje.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Queixo assombrado

Duas coisas, que ainda não se definiram na moleirinha:

1. Como nos devemos sentir ao ver o Casper Van Dien? É bom? É mau? É só saudade?
2. Como devemos reagir ao queixo de Caity Lotz? Respeitar? Vomitar? Tentar ajudar?

Tirando estas incertezas, The Pact é um pequenino clássico, que repete a fórmula mas com a visão de quem cuida. Terror feito no tear da paciência e dedicação. Com direito a sequela bosta e tudo.

O clássico do obrigado

Chuta-se o feel good movie para comédias semi-dramáticas, sempre na linhagem do levezinho. Com o final do "estão a ver como a merda da vida é maravilhosa". Mergulho no mar. Pois, na maior parte dos casos nem nos sentimos contentes, nem assistimos a um filme. A velha raposa, escreveu no quadro o conceito e ofereceu Jersey Boys. É isto: encher o écran de brilho, música e histórias. De tal forma, que o requinte das piscadelas termina na ponta dos dedos, que estalam. Há muito, mas há porra de um muito, que eu não saía da sala tão bem disposto.

domingo, 19 de outubro de 2014

"Encontrei" na BSO de "O Dia em que o Marco bateu na Sónia"

Já se suspeitava. Hoje surgiu a confirmação oficial: o épico romântico de Marco Borges vai ter lugar na banda sonora de "O Dia em que o Marco bateu na Sónia". O ator/cantor/pessoa normal junta-se a nomes como Tó Leal e Chemical Brothers para um conjunto que sem revelar nada promete tudo.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Gosto muito de filmes passados em zoos

Os filmes-exorcismo são todos espectaculares. Mas também são todos iguais. Caso verídico (piu). Gaiata, senhora, cavalheiro sinistro possuído. Demónio maroto. Malta desfigurada. Polícia ou civil descrente. Padre alcoólico já recuperado. E partitura em latim para nos livrar do mal. Não livra, mas também não machuca.

Abre a pestana

Juro que pensava que o novo filme do Tim Burton, Big Eyes, era uma biografia da Zooey Deschanel.

Arrojado

Podiam realmente ter agarrado no logotipo antigo e mudado o título, mas não, decidiram mudar também a cor. Doidos.

Remastigar = vomitar

O remake d' O Pátio das Cantigas vai ser um reboot. A abordagem à história é muito mais dark, com personagens novas, algumas já presentes na BD original. E correm rumores que o Evaristo no final fica mau.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A sorte tem destas coisas

Um grupo de pessoas vendadas a correr floresta fora. Das minhas maiores obsessões imagéticas e cinematográficas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Adivinhem quem voltou

O percurso Gone Girl é, no hoje, tão raro, que quase apetece chamar case study. Do que devia mas não é, do que foi mas não prevalece. Cinema é acontecer, antes, durante e depois. Trailer arrebatador, ingénuo mas mortal no modo como olha. E caça. Depois vem o burburinho, de quem já foi, de quem quer. Toda a gente fala de Rosamund Pike, como se a senhora não tivesse já sido Bond Girl e Titan Girl. Não percebia, é a fome. O filme aparece então, e falo eu de Rosamund Pike: foda-se. É assim, sem grandes camas, biografias ou dentinho torto. Não posso contar mais. Mas quero falar, existe urgência. Em tanta coisa. Cinema é acontecer e Fincher traz, que nem sóbrio trapaceiro, o acontecimento de volta ao cinema.

Muita boa

Só hoje é que percebi que ela já tem uma canção. Aquela dos Scorpions, you and I, just Eva Green...