terça-feira, 1 de setembro de 2015

A verdadeira conspiração da aranha

É um excelente exemplo de uma série de cruzes, que agravaram e feriram, ao longo dos anos, a sétima arte. A arte e seus laços criativos, a serem já ali pesados, quando ainda tudo parecia bem. Cálculos e finalmente o medo do risco. O milagre que é Mad Max: Fury Road e o milagre que não foi Superman Lives. O documentário ilustra de forma hilariante os excêntricos, os artistas e o quanto é necessário para construir apenas um molde. O que eles tinham era um carrinho cheio de ideias, de desenhos e vontades. Bonecos prontos a ir, a serem atirados para o recreio: naquele auge orgásmico do Burton. Que merda. Ao menos lavamos as enxaquecas e esquecemos aquela terrível imagem do Nicolas Cage. A única imagem deste falhanço quando antes e depois dessas existem outras, muitas outras, que interessam conhecer.

Prestam-se serviços de PT

E o que faz um Personal Trainer de Cinema? Cenas:

- vai com vocês ao cinema, acompanha-vos na compra do bilhete e explica detalhadamente os benefícios e malefícios de cada obra em cartaz. O que parece bom às vezes não é, ou num dia pode não se adequar e no seguinte já ser estritamente necessário. Ultimamente tenho tido casos de muitas pessoas que desconheciam o facto do Minions ser uma valente merda, e que pode até em alguns casos provocar cataratas. São estas pequenas coisas;
- não vos deixa comprar pipocas;
- prepara ciclos de cinema temáticos e específicos, de modo a que o cliente esteja sempre atualizado das sagas que vão saindo. Por exemplo organizei imensos ciclos Terminator, preparatórios para o Genisys. Depois tive um ou dois suicídios mas já fora do meu horário de trabalho;
- não vos deixa fazer intervalo quando vêm filmes no sofá lá de casa;
- por último apoia a escolha do torrent: será que é o torrent adequado? poderei ver com legendas em coreano? é assim tão merdoso? basta HDrip ou é melhor apostar nos 720p? Todas estas e muitas outras questões rapidamente respondidas, tornando a dor de cabeça da escolha num suave passeio de sacanço.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Aquele sismo leva poucas e boas

Quando a bandeira é estendida, mesmo no fim, a minha mãe questiona inconformada: mas ainda se fazem coisas destas? Ainda, até eu que vejo muito mais treta fiquei surpreso, com tal esteoritipada, valente cabeçada, metes-te nelas e depois queres o quê? San Andreas é o Anabelle dos filmes catástrofe: respeita na totalidade o género onde está inserido e, em paralelo, é uma valente merda. O que aborrece, pois normalmente são projectos mais caros, mais raros, mais acontecimentos. E se acham, de nariz franzino que os fenómenos naturais não se podem reger por duras regras, como a gritaria, enganam-se, é um universo pouco nada flexível: 

- casal protagonista divorciado que no final se desdivorcia, e beija-se cheio de feridas e costelas partidas. Normalmente há um terceiro elemento, casado já com um deles, que morre ou vai embora. Em San Andreas é o senhor fantástico, não este, o anterior, se bem que a que me dá mais pena é a gaja do Twister. O marido da Amanda Peet no 2012 também era porreiro;
- filho, filha, jeitoso, jeitosa, do casal protagonista, que conhece alguém jeitoso do sexo oposto com quem vai partilhar a aventura. Esta personagem está sempre afastada porque sim, e os pais têm de ir lá buscá-la. A filha de San Andreas é a razão de eu ter dado uma estrela, até poderiam ter sido duas, em homenagem ao par. Mesmo assim continuo a preferir a jornada do Dennis Quaid para ir salvar o Gyllenhaal, o que nos leva ao seguinte ponto;
- o amigo do cientista morre sempre, como este último que cai lá num centro comercial cheio de neve. Ou o chinoca do San Andreas. Ou aquele velho no Dante´s Peak, lá agarrado e levado pela água;
- isto porque nunca ninguém ouve inicialmente os avisos, facto que é comum em todos, mas mesmo em todos. Ah malta olhem lá, isto vai dar porcaria. Ah e tal não acreditamos em ti porque tu és só o melhor especialista do mundo na área. É um plot que precisa de intervenção. Ou então tentar mudar tudo, não sei.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sci-Fi da semana

Infini é um sismógrafo eufórico, que risca e risca, sobe e desce, sobe e desce. Arranca seguro, rápido, prático, mas depois - apesar de continuar bem fechado e bem feitinho - arrasta-se na batatada dos infectados. Muito tempo de olho vermelho, porrada, porrada, gritaria. Para no final voltar ao clique, volte face, alerta "afinal temos aqui qualquer coisa". Se calhar temos mesmo.

O verdadeiro quarteto fantástico

Apanhei o Scream 2 um dia destes. Já nem me lembrava que a Buffy levava umas facadas valentes. Foi naquela altura que também apanhou forte no Verão passado. Só lhe fazia era bem. Mas a minha reflexão não se prende com ela, ou pelo menos só com ela. É a saga toda, que naquele feliz zapping me chegou de empreitada, foi o secundário de novo, em todo o seu esplendor. E esquecendo a nostalgia aborrecida e repetitiva - foda-se quase que choro - a verdade é que a quadrilogia, com todos os seus podres, marcou de forma incontornável o género. O primeiro obra prima, o segundo tem o início no cinema, aquelas palmas, o terceiro ainda mais dentro dos bastidores - sempre em círculo, sempre em espelho - e o último atualiza. Resumindo tudo, com aquele que é talvez o melhor arranque. Tudo é o filme do filme do filme. Um ciclo, uma volta que regressa continuamente a manhã, como qualquer vida. Nenhum um outro produto se assume e ironiza, se circunda e se recicla, como este quarteto.

Batalhas musicais, do início ao fim (III)

Torneiras com pressão a menos ou pressão a mais? Ou demora muito, tentando recolher cada e toda gota, ou é a bombar e ficamos de calças molhadas, do género mijado. Penso muito nisto. Nisto e naquela outra eterna: início do Chariots of Fire ou final de The Bodyguard? Ah pois, ambos têm discurso religio-inspirador a anteceder um musicão daqueles.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Ansioso pela tradução

Tem o melhor nome de sempre. Isso já ninguém lhe tira. Conseguia ficar aqui a dizer Cop Car até 2018. Mas como todos temos mais de fazer, vou baixar o facho, e alertar para o facto desta malha ser um cruzamento feliz entre The Rover e Fargo, roubando a desolação de um e a ironia macabra de outro, ou a desolação de ambos. Enormes planícies, muito pouca gente, muito pouco futuro. E a história que há, não interessa muito. Isto porque em tamanho perder de vista, há anos que se desistiu. Fica então a ideia despachada da fatia, do pedaço, muito cru, muito eficaz. Porque do todo, andamos nós enjoadinhos de todo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Golpe baixo

Pronto ganhaste. The Martian, novo trailer. Rocka em demasia. Que tu eras mestre neste pré jogo já eu sabia. Agora ires buscar o All Along The Watchtower é KO técnico, nas fuças pisadas de qualquer fã. Do espaço e cenas galacticas. Sacana de um corno.

Ainda cá temos os cabos

Nos regressos dos velhos monstros, ficam normalmente pequenos detalhes. Como aquele De Niro em que ele vai à procura do filho e nas viagens de comboio olha para os cabos do telefone. Para as linhas que ele produziu quando vivia. Entre as conversas. Fiquei com essa, daqueles quilómetros que nos ligam. O mesmo com Danny Collins, qual exercício de final de carreira - que é claramente - qual tentativa de voltar à mestria - que é claramente e diga-se de passagem muito bem conseguida - o que sobrou foi aquele final, das duas formas de nomear, duas setas naquele agora. Dos fechos mais inspiradores do género. Que permanecem, como os monstros, que volta e meia batucam, lembrando que ainda os temos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Ba ba

Não é por acaso que o puto diz ba ba. Se não é ba ba lembrou o Babadook. Porque é que não vou confirmar se é realmente ba ba? Porque me borrei todo de medo. Venha ele.


sábado, 15 de agosto de 2015

Todos nós

O João avisou, e bem. A Sofia chegou, e avisou também. Tanto, que: tenho de perceber o que se passa. Em boa hora. Bloodline é das melhores coisinhas que vão ver este ano. Primeiro porque é uma série que se fecha e arruma. Apesar da sua - inevitável - continuação, a temporada trabalha por si, para si. Em segundo, não engana ninguém: família, segredos, morte. Desde cedo isso, alertando para a importância, não da finalidade do nó, mas do processo, do passo a passo com que encaramos o mesmo. A complexidade do conjunto refém de "planos" episódios, de cicatrizes, chega a ser irónico. Terceiro, fotografia, planos afastados, mirones, como se apesar de família e personagens, eles fossem em última instância outros vizinhos, estranhos que jamais poderemos realmente perceber. Por último o melhor embate, de dois titãs da representação, desde Breaking Bad e Justified. Pele atrás de pele, no ambiente suado, gasto e desconfortável. O final só poderia ser à chuva, mesmo no calor é ela que lava todas as manchas. Ou as arrasta para outro lado. Altamente obrigatório.

Barras passadas

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Ultimamente

Num dos chats desta vida, no triturador da concorrência, falávamos na lógica - alastrada depois a justiça - em comparar duas temporadas com argumentos e elencos distintos. Numa orgânica cada vez mais presente, as séries fecham-se nestes pequenos loops, mantendo o nome, mudando o resto. Fica o tom, mas o que é o tom? Será ele suficiente para juntar numa mesma caixa cancros tão diferentes? Podemos pedir justificações, por esta não ser a outra? Não sei. Fazemos com o cinema a toda a hora, com a sequela da sequela, com o realizador espertalhão que virou cagalhão, com o clássico e o reboot, com o vai a seco ou halibut. Está na nossa natureza, perseguir a unidade e comparar. Conclusão? A segunda temporada de True Detective viveu refém do primogénito. Nas críticas esparguete da especialidade, era só: a primeira tinha a pilinha maior, a primeira tinha o cu mais definido, a primeira fazia a roda e a rodada. Massa enfadonha, de uma letra a seguir à outra, que não soube de facto ver o óbvio: foi um policial bestial. Do início ao fim. Tenho saudades de policiais foda-se. E este foi bestial, já disse? Personagens oleosas, embriagadas, num cenário cheio de formigas mas vazio de sentido, sempre muito violeta da noite/cidade, e muito amarelo/laranja do deserto. Com os cabrões todos nos seus sítios, todos recompensados. E o final - vinte vezes superior ao da primeira, ai bate na boca que já estás a comparar - resolve o crime, mas, mais importante, resolve as almas penadas. Havia outra saída de tal labirinto? Não. Poderia acabar noutro lugar que não a Venezuela? Não. Ficará Velcoro e a puta desta música a matutar indefinidamente no interior? Obviamente que sim.

Batalhas musicais, do início ao fim (II)

No seguimento da eterna questão, Bed of Roses ou Always, surge outra não menos importante: início de Inside Man ou final de The Breakfast Club? Ou seja pay strict attention ou sincerely yours?



sábado, 8 de agosto de 2015

A iminente picada da abelha

Nos posters do Nicky as pessoas estão quase sempre a mamar-se na boca. Exprimi-me mal. Quase sempre a quase mamarem-se na boca. Nunca há beijinho. O que também é bom. Para manter o respeito. Mas a pergunta super divertida é: se, numa armadilha tipo Saw, tivessem de levar com um ciclo de cinema Nicholas Sparks, e só pudessem excluir um, qual excluíam? 

Da categoria do impressionante

A lotaria dos cristos

De vez em quando lá se encontra um saco de pancada. Um mal necessário. Um John Carter que se publicita flop, bem antes de o ser, bem antes dos filmes do lado, para garantir o vazio. Este ano Fantastic Four na rifa. Shyamalan, pode ser que te safes. E pimba porrada na jovem promessa, no quase autor, que se chateou com o estúdio porque lhe roubaram os olhos. A questão é: quando é que o dito procedimento não acontece? Quando é que o filme dos grandes é realmente do pequeno génio? Nunca, claro. Vivemos é com uns mais putas que outros, mais velhos, mais cansados, mais mudos. É só isso. Ao início ainda me deixava levar, num ou noutro. Hoje estou cansado. Ant-Man é muito giro, é um heist movie, é uma revolução, é um novo caminho. Foda-se não é nada pá*. É um filme onde um gajo fica pequenino e luta com um mau que também fica pequenino, tudo porque este último quer criar super soldados e governar o mundo. Ou ficar só rico, sei lá. A sério? Com pessoas que ganham a vida a escrever não conseguiam nada mais intrincado, nada depois da quarta classe? Nada? A sério? E é o quarteto que acaba a meio? Oh formiguita tu nem chegas a começar.

*Honey, I Shrunk the Kids é, em todo o seu esplendor, mais interessante, mais violento, mais aventureiro e mais formigueiro.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Batalhas musicais, do início ao fim

Nestas pausas mais quentes, depois de tentar, desesperadamente, descobrir quem foi o cabrão que inventou o verão, passo para outra dor de cabeça. Qual é melhor, o início de Exit Through the Gift Shop ou o final de Tinker Tailor Soldier Spy?



quarta-feira, 29 de julho de 2015

Aviso à navegação, nos sítios do costume


Ainda para mais nem tem o Joaquim de Almeida

Até que sim. Ainda para mais viveu-se há bem pouco tempo. O vídeo de apoio à selecção arrepiava. E é de contar, muito, para nunca esquecer. Vai na volta, Banderas, e amigos, vocês sabem que eu mamo bem um Banderas. Fui ver o Assassins ao cinema e tudo. Vai ainda mais na volta e Lou Diamond Phillips. E os sentimentos dispersam-se, oh diabo. Fiquei estranho. Vai na volta final Rodrigo Santoro. Foda-se, assim não. Quantas vezes é preciso explicar que não, não e não. Saía assim tão mais caro contratar um ator? Estaremos assim tão escravos dos mesmos "latinos"?

Sem Val Kilmer que lhe valesse

Aquele dentista, para além de um grande carote de sondagem cu adentro, merecia levar agora com os leões do Caçadores na Noite, sem trela.

sábado, 25 de julho de 2015

E tem a Cassie Scerbo que é bem boa

Não acredito no tão mau que é bom. É tão mau que é mau. Tão mau que é ainda pior, horrível, indescritível. O twist é que precisamos destes descalabros nas nossas vidas. Para manter bem equilibrado e atualizado o processador dos dados. Sharknado 3: Oh Hell No! é isso tudo. Mas ainda mais retorcido, que nem malino pesadelo: Mark Cuban presidente dos EUA, Bo Derek mãe da Tara Reid, Tara Reid com uma mão motosserra, David Hasselholff pai do protagonista e também astronauta, protagonista que vai ao espaço e entra na atmosfera dentro dum tubarão. Motosserra sabre de luz. Parece fácil, mas misturar tal salganhada de chungas, numa tal salganhada de referências e acrobacias é obra. É de facto obra, mazinha como as cobras, mas absolutamente necessária.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Sim, a cena de abertura

Aquela linha do esperma na cara e da droga em forma de pila, não é de todo para a minha caneta. Ou, surfando e aproveitando o calor, num chavão bem mais banalinho, não é todo a minha praia. Porém, o sacana do MacFarlane tem vindo aos poucos a laçar minha atenção, e eu, cavalo selvagem, lá vou sendo acarinhado. No meio de muito esterco, Ted 2, tem maravilhosas ideias de comédia, não só ideias mas verdadeiros momentos. Que resultam, vivem e respiram, não só a história, não só o género mas toda uma incrível - e harmoniosa - mixórdia cultural. É um olhar de quem viveu os 80s e 90s mas é também um olhar de quem esteve cá ontem, atento, construindo e reconstruindo, sem problemas nem merdices. Não é qualquer um que saca uma homenagem destas. Não ria assim há muito muito.

As caça piadas

É bonita a homenagem. Claro que é. O problema com esta moça, e com todas as outras comediantes americanas, está mesmo na saga: é o ataque dos clones. São todas iguais, no estilo, no peso, nas temáticas, nas problemáticas, no filme que vende muito, no resto da carreira sem piada nenhuma. Mas pronto, vamos ver o lado brilhante da coisa, ao menos já temos mais um cabaço para o Ghostbusters 2. Oba oba.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Vamos fazer amigos?

Há ali qualquer coisa. Found footage. Todos os anos, às dezenas, e todos os anos ajeitamos os brincos, fingimos pouca paciência, estamos fartos, estamos fartos. Não estamos, de facto, porque há ali qualquer coisa. Como as moscas e a luz, antes de fritar. E enquanto alguns precisam de longos períodos de recuperação, outros balançam, justificando tal pujança do estilo dentro do género. Creep é esse brilharete, um espectáculo a dois que mete real medo. Impressionante papel de Duplass, fora do seu registo, ajudando para construir a questão: e há algo mais assustador do que a dúvida? Um dos melhores horrores do ano.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Merdas que me irritam mas que eu até gosto

Versões acústicas de grandes êxitos musicais. Aquelas gaiatas do Scala, normalmente. Normalmente para subir o drama, acentuar a tensão. No último Avengers e no San Andreas usaram esta técnica que voltou a ser repetida em Suicide Squad, com uma maior eficácia. Na televisão Homeland e Hannibal com esta mesma gracinha. Lembram-se de mais exemplos?

Os moucos indignados

Malta muito zangada, de cabeça em chamas. Então não é que as exibições, em primeira mão, de um leque variado de imagens promocionais na Comic Con foram filmadas e colocadas na internet?! Foda-se?! A sério????????? Mas a sério mesmo???????Ah como é que é possível, que falta de respeito, ah e tal mais não sei o quê. Ao que eu, acalmando tal surpresa, pergunto: mas esta malta é toda deficiente mental? Vivem em que mundo, em que século? Que cérebro diarreico é que calcula a exclusividade do que quer que seja nos dias que correm? É este estábulo que acorrenta a indústria, que não a deixa realmente procurar novas respostas. Ah mas os efeitos ainda não estão bons, e mais não sei quê. Que se foda pah. Passem primeiro lá e depois mostrem ao resto dos comiconistas do mundo. Aceitem as coisas como são, nós vamos ver à mesma, a chover ou de écran limpinho, com formigueiro ou vidro cristalino. Chama-se a isso ser fã, palhaços.

sábado, 11 de julho de 2015

Calma calma, não, não empurrem, calma calma

Malta a apertar, tudo a empurrar e eu contra as grades: calma malta, foda-se tenham calma, o trailer é bom mas lembrem-se. Grito como a tentar inverter um feitiço: lembrem-se o trailer do primeiro também era espectacular, também ficámos todos assim na altura. Não adianta. Partem-me a cana do nariz e esmagam-me a rótula. Desisto, aqui fica então o novo Snyder.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Estações

Tão útil como a reportagem da SIC "O que tem o Porto para Sara Carbonero?", Secret in Their Eyes é o remake de El secreto de sus ojos, o tal, do Campanella. Bonito o sacana, lembro-me essencialmente disso, de uma belíssima narração de amor, de velhos adeus. E claro - foi talvez aí que o meu coração parou - a música. Quem é que não parou já lá...

Textinho sobre o Cargo com final meio armado aos cucos

Procuramos a singularidade, saliência que diferencie a superfície plana. O bla bla bla de mais uma nave e mais uma humanidade em vias de extinção. Bom ambiente, boa fotografia, bons atores. Falta a Cargo aquele toquezito, que o salvasse do alguidar das soluções comuns. Ou em 2009, a frescura seria outra? Os olhos serão assim tão escravos do tempo?

terça-feira, 7 de julho de 2015

A Catarina bem avisou

Olhem eu a citar os últimos TCN: nos últimos TCN, a Catarina, quando venceu a Melhor Crítica de Cinema pela La vie d'Adèle, sublinhou a necessidade. É importante ser visto, porque é a vida, é a vida. Disse antes de voltar ao seu lugar. Na altura pensei nisso, depois passou, lá misturado nas outras notas e referências. Quando finalmente parei no azul, aí sim, de novo o aviso, e sua urgência. Desarma. Não as cenas de sexo ou a saliva, desarma porque é de facto isto. Aqui ao lado, ontem, no outro dia, comigo, contigo, a ir embora ou a chegar. A música é de facto esta, e não se explica tamanha intimidade. Vive-se, vive-se.

É que o primeiro é uma bela malha

A par com a Grécia, outra questão quente: devo ou não ver a sequela (um bocado falsa) de Grave Encounters? Votar aqui ao lado.

sábado, 4 de julho de 2015

"A vida nunca envelhece"

O Apatow bem podia dar aqui uma saltada. Uma humilde saltada de lápis na orelha e ouvido bem aberto. Ia de certeza encontrar um mundo mais parecido com o mundo. Mas o seu novo, lá tem a gorda adulta cachopa com problemas de conexão, que só quer é pinar, e possivelmente tem uma amiga que fuma muitas ganzas. While We´re Young, longe de ser um grande filme - está muito nos moldes denunciados - apresenta uma visão bem mais refrescante dos quarentas. E do que é crescer, especialmente hoje. Onde as gerações se baralham e trocam de lugar, de material - como se ciclicamente não existisse mais era de ninguém.

Mas como é que o amor amor consegue desligar a televisão para ligar antes a ti amor?

Adria Arjona e Leven Rambin (True Detective)

Portia Doubleday (Mr. Robot)

Gemma Chan (Humans)

Emma Ishta (Stitchers)

Hannah John-Kamen (Killjoys)

sexta-feira, 3 de julho de 2015

No outro dia, na Antena 3, o Alcobia disse Sarah O'Connor

Nos, relativamente jovens, programas de música há um cliché da crítica que vai na volta, volta. Tu não sentiste a música, ou, como eu gosto mais, tu não percebeste nada do que estavas a cantar. Índice negativo, indicador de que não, não. Assim o problema maior de Terminator Genisys: Alan Taylor tu não percebes um corno do que estás a contar. O que torna o sucedido num acontecimento ainda mais frustrante.

Escusado será dizer que este parágrafo contém spoilers numa frequência parecida aquela com que o cavalheiro ao meu lado arrotava a Cola, ou com que a pita atrás de mim gritava histérica, gritos muito engraçados de quem nunca tinha visto nada da saga. Começando pelo bom, Arnie e J. K. Simmons, a velha guarda. O primeiro num claro tom de paródia reflexiva, como tem feito de forma incrível desde muito cedo na sua carreira, repensando o seu papel nas coisas e, na maior parte dos casos, salvando o dia. Mantém o nível, a pinta, as deixas e a comédia, tudo nele. O segundo é daquelas adições que me fez suspirar pela saga, por aquilo que ela realmente representa nas suas curvas e perigos. Porque a premissa é de facto boa: uma timeline paralela onde as coisas não são mais o velho escrito. Gostei dos flick flacks, volta e depois regressa. Eu estava até embeiçado, bora lá, bora lá.

Depois o erro. Tipo pescada, que antes de o ser já o era. Promover de antemão a transformação do John  Connor, como se houvesse mais alguma na manga. Não há. E é aqui que entram as caralhadas. Até 1984, tudo bem. estão lá todos e tal, do género manhã da Comercial, mas porreiro. Venham mais. Depois viajam para 2017 e aí aparece o salvador, que agora é mau e engenheiro, e, e, e, pronto acabou. Foda-se. Depois começam as questões, que são muitas, mas lido bem com algumas pontas soltas. Agora, não explicar quem enviou o T800 para proteger a Sarah Connor é não reconhecer este tomo como filme, é tirar-lhe qualquer crédito e valor: pois isso sim é a génese. É a razão do novo rumo, do novo futuro, do novo. 

A todas as perguntas, que em todo o lado acabam por cair na especulação e ficarem mal respondidas - os argumentistas dizem que estão a guardar tudo para os próximos, pois bem: vão levar no cu - junta-se um acting impossível de descrever por palavras. Minha mãe do céu, sai um workshop de representação para a mesa do canto, é que nem no Mar Salgado se praticam tais "rostos número 2 de aflição". Onde está a rijeza, o suor, o sebo. Em lado nenhum, e mais fácil de sentir, é pensar na cena do parque infantil, no T2, com os rostos, as caras a caírem em cera, e depois ver o início deste TG, à San Andreas. Acredito que numa timeline diferente, onde o argumentista não é um gibão, existe de facto um filme bastante capaz.

Digestão

Vi o Kynodontas. Quantos dias tenho de esperar antes de poder ir à água?

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Da Pixar e dos Piratas

Em 1985 Richard Donner prometia a uma série de miúdos a imortalidade, para sempre Goonies. Sempre nessa memória, como fotografia que os anos foram, de forma quadrada e cinzenta, pisando. Merda para as hormonas e seus pêlos pesados. A infertilidade da mãe ideia também ajudou. Vemo-nos sós, mas não perdidos, pequenos redutos vão segurando as pontas do mapa, porque o X continua de facto lá. A Pixar é um desses pilares, que ao longo das nossas dores - com os inevitáveis altos e baixos - nos vai fazendo acreditar. E Inside Out é essa epifania. O mais arrojado, mais complexo e mais genial filme do estúdio (e de animação) até à data, aventura-se nos sentimentos, sem vilão nem bicho papão. Aventura pela aventura, nos mais incríveis mecanismos da mente, desmontados até à mais pequena pincelada, tudo cheio de nós: e que cena incrível a do pensamento abstracto, como, que par de tomates tão grande. Não é para estes miúdos, dos 6 aos pequeninos, é para nós malta, os Goonies.

Mitologias

Nem bêbado. Nem naqueles momentos bêbado, já do cuspo e do mar enrola na areia. Nem aí conseguiria inventar um filme onde o filho do Apollo ia ser treinado pelo Rocky. Mas que argumento do demónio, e que nova mitologia inesperada. Quanto ao outro trailer do dia, London Has Fallen, já não precisei de beliscão, já me tinham espetado a bomba nos cornos. É uma espécie de Die Hard dos pobres, que até tem realizador falso na sequela e tudo. Para cima dos gajos Babak Najafi.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Primeiras obras

Escolhe lá um poster, o mais jeitoso, que possas dizer o mais bonito do ano. Era este aqui. Sem letras então é bestial, só com o 71 pintado em fundo branco. O filme é uma debandada em linha recta, como já se vê pouco. Um soco directo e seco no género do left behind, sem lados nem redenções. Chuvoso, triste, bem interpretado e retratado. Merece um abraço, melhor, aquele abraço.

Não pines que não é preciso

It Follows tem aquela grande vantagem: fala sobre outra coisa qualquer. O tema não é de facto o prometido pelo género, como fez de forma cristalina The Babadook, ou noutros campos, Gravity. É sim o mote, o capuz. Com uma inteligência muito prática, quer na câmara e seus travelings - desconforto - quer nos cortes rápidos na narrativa, excluindo explicações e longas maldições. Normalmente é sempre a gaita que morreu lá há 20 anos atrás porque um gajo que foi despedido da Decatlon quis-se vingar da equipa feminina de voleibol, ou uma merda do género. Nesta perseguição não, algo persegue, algo foge. Simples como isto e no meio, ou fodes, ou danças.

Estudo indica que as pessoas vomitaram depois de ver o novo trailer de Point Break

Deu quase como as sondagens aldrabonas, pagas pelas várias cores de sabe-se lá qual arco-íris. Tudo empatado, depois de uma corrida louca às urnas, sendo que uma pessoa disse que vomitou um bocado, outra que vomitou como O Regresso do Pestinha e outra - armada em forte - não vomitou. Porém ninguém vomitou à la Conta Comigo. Momento então para rever essa épica história da história.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

A televisão é mil vezes melhor, vezes infinito, ao quadrado, que o cinema

Era só tique da moda. Para ver se caem. Porque o resto não tem nada a ver, ou melhor é sobre televisão e cinema, mas sem escarretas. Essencialmente são dois pontos, que gostava de vos expor, um de desagrado e o outro de "olha que bem". Primeiro, então oh meus meninos, porque é que ninguém me avisou que o Axel, sim esse Axel, tem um programa de cinema na Benfica Tv que é o CineBenfica. Foda-se anda aqui um gajo amargurado à procura de uma nova referência cinéfila nacional e ela navegava mesmo por debaixo do meu relvado. A segunda, é sobre a última gala do Ídolos, onde o tema foi o Cinema. Para não fugir, é sempre, com o She e o meu coração continua, e as merdas do pré-escolar. Não foi essa a parte boa: abertura ao som de Mad Max: Fury Road com um Manzarra cosplay da personagem. Horário nobre, 7ª arte, Miller a dar as boas vindas. Inevitável clap, clap, clap.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Intimamente desiludido

Documentar, documentir. As duas coisas, bem articuladas, para se contar uma história daquele modo. Debaixo daquela assinatura. É assim não é? Se não for não é cinema, ou é? Kurt Cobain: Montage of Heck não é de todo um documentário, é uma súmula desgovernada de material, imagem, texto, vídeo. Sem ordem nem partido, nunca assumindo, a biografia ou a visão. Os testemunhos ficam escassos, na medida que não possibilitam a ponte entre as histórias, e os grafismos ficam demasiado presentes, cansativos. Na ideia de mente ferida, que todos sabemos. Ou seja, não há absolutamente nada de novo. Nada que nos interrogue, que nos faça correr, pensar, mudar. Talvez a montagem tenha sido demasiado ela, demasiado montada.Venha o, ainda mais polémico, Soaked in Bleach, que este não deixa nada.

Tão Cinema

Ele era tão cinema, que achava que as praias de nudistas eram encontros de chegada de terminators.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Até no espaço

Ontem vi o piloto de Dark Matter na televisão, na Syfy, como manda a lei. Ganhei logo um biscoito e uma festinha. Abana, abana a cauda. Fora de latidelas, é importante o esforço de sincronizar os conteúdos, o caminho é esse aí. Mas o que eu vos quero contar, é que no meio do episódio apareceu o Rob Stewart, velhinho e de cabelos brancos, para nos lembrar. Foda-se Tropical Heat porque é que és a melhor série do mundo de sempre?


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Mais dentes

Adoro quando o veredicto vem logo no topo. É menos uma viagem, em tempos de birra. Por isso, sejamos eficazes e coerentes com minhas preferências: Jurassic World é a sequela que Jurassic Park sempre mereceu. Lançado o chavão, quentinho para qualquer edição em DVD ou BluRay, eu não podia estar mais contente. Até já tenho a caderneta da Panini, e já colei os crominhos, e amanhã vou comprar mais. Filme, sim o filme: primeiros 20 minutos incríveis, num build up à velha aventura, com tudo no lugar ao tempo certo, onde os antigos acordes nos conduzem aos novos locais. E o refrão, momento em que se abre a janela. Foda-se, arrepio. Voltámos à ilha, finalmente. E finalmente, alguém que, como o Spielberg no original, sabe muito bem o que quer mostrar: não há curva despropositada ou ação em vão, as áreas estão delimitadas, definidas, oferecendo um aconchego. Alguém que sabe e alguém que desenhou um universo. Sem arcos paralelos ou pontapés de ginastas. Lindíssima e inteligente apresentação que se enrosca no enredo de um dinossauro novo, ainda pior que o resto da escória, que decide fugir e começar a limpar os pedantes. Duas parelhas consistentes - os manos e o casal truca truca - levam-nos nas novas peripécias sempre cruzando o passado. É neste detalhe que o filme vence: o enorme respeito pelo seu património. Sabe o que foi, o que representa, e ironicamente apresenta o seu valor, a velha T-shirt, a velha faixa, o velho jipe, os velhos óculos noturnos. Foda-se, arrepio de novo. Sabe também que não existe para competir com esse sonho, mas sim para dar continuidade ao mesmo. No final de contas, era o que o Hammond queria. Tirem então essas trombas de quem leva a competição muito a sério, ou deixem-nas no sítio, o Trevorrow está-se um bocado nas tintas. Passarada, muita gente comida, nova frase mítica - precisamos de mais dentes - e a melhor luta de dinos de toda a saga, sempre com um ainda maior a salvar o dia. Faz todo o sentido. E tudo se conclui no tema de Giacchino, uma melodia nova com 22 anos de idade.

Nada explosiva

Inquérito aqui ao lado sobre aparente atentado. Agradeço participação.