segunda-feira, 2 de março de 2015

Um novo conceito

Cartas da Alma é o melhor programa de apanhados que não é programa de apanhados de sempre. Comédia, mas comédia daquela dói dói no maxilar. Domingos, terças e quintas, TVI, claro. Às tantas, também claro. Uma senhora, Michelle qualquer apelido, astróloga, atende os mais diversos telefonemas de ouvintes à procura de resposta para os seus problemas. O problema é que a Michelle é possivelmente a pior astróloga do mundo: pede a data de nascimento, insere-a num portátil e olha para um software sinistro, mapa astral diz ela. Depois não diz nada, e se a pergunta for difícil lança dois dados verdes e um azul. Ah pois posso-lhe dizer que vai ser um processo moroso. Posso-lhe dizer para não pensar tanto nisso. E depois quando se tenta perguntar mais alguma coisa ela desliga, só tem direito a uma pergunta. No entretanto, canto superior direito, uma balofa de nome Morgana faz sessões privadas de tarot. É preverso. É indecente. É hilariante.

E no final

Ver os filmes dos Óscares depois dos Óscares é como ir ao Algarve em dezembro, um descanso. Sem os quilogramas diarreicos do vale o que vale, das hipóteses impossíveis ou das teorias da avó. Filme por filme. Assim American Sniper, sem valores ou rigores exacerbados. Pesada a cabeça do chapéu verídico. E o bebé, esqueçam lá isso. Patriota? Claro, mas que querem de um filme com a palavra "americano" no título? Uma visão mexicana da coisa? É certinho a um lado mas sem nunca o forçar em demasia. A obessessão e a violência presente no corpo permitem um distanciamento, uma certa escolha. O stress e o som, especialmente o som, denunciam em demasia o mal estar - The Hurt Locker nunca precisou de tamanhos artifícios para contar o vício - coxo na criatividade do realizador. Que por outro lado não esqueceu o valente ritmo. Só por aí já ganha. E mesmo que se volte à corrente do "god bless America", não nos conseguimos esconder da ironia do desfecho. Essa é a guerra a retirar, a guerra do todos contra todos, onde todos perdemos.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Festas do Capitólio

O meu irmão, rabugento e já escondido no seu robe, soltava insultos a respeito do ridículo, comparando aquela populaça ao Capitólio. E de facto, não existe grupo que espelhe melhor o governo autoritário dos livros de Suzanne Collins. Os filmes, permitem de forma ainda mais eficaz a concretização do lado a lado: um grupo de excêntricos, com penteados coloridos, longas pestanas e vestidos estrambólicos; rídiculos que se passeiam, avaliados por seus pares. Num centro, fechados nas suas festas e modos de vida, nos píncaros do bizarro, escravizando uma população de 12 distritos. O Capitólio não ouve o resto do mundo. Hollywood é assim, acha-se com tanta graça que ficou mouca, de pescoço torcido lambendo o umbigo, cada vez com maior afinco. 

Servem, os Oscares, mais alguém do que eles próprios? Não. Não são uma gala de entretenimento, são um conjunto de anúncios intercalados de vez em quando por imagens de um teatro onde pessoas se levantam e recebem prémios. Com um apresentador castrado, que lê as deixas recicladas que outro alguém escreveu. E se é para fazer comédia, que seja com o filme vencedor, para as merdas ficarem ainda mais previsíveis. Sim, porque as previsões metereológicas ditaram todo e qualquer aguaceiro, com um rigor futurológico que provoca arrepios, e sono, tanto sono. Depois os discursos. Foda-se, vocês sobem uma vez na vida àquele momento, milhões de pessoas a ver, e agradecem à Academia? A sério? Oh espertos, eu já sei que vão agradecer à Academia, à família, aos colegas, ao realizador, ao arrumador, ao tozé dos milheirais, e ao raio que vos parta. Metam os papéis no rabo e usem o tempo. Percebam que têm direitos, mas também deveres, e que são importantes para outrém, que conseguem fazer pensar, conseguem mudar. E pôr a girar. Até o Homem-Aranha sabe que com grande poder vem grande responsabilidade. Se calhar esta canalhada também sabe e não pode. Como o Sean Penn a apresentar o Melhor Filme, ditando lentamente e custosamente umas balelas, que nem refém do Estado Islâmico. Tem calma chefe, que um dia destes nós vamos aí salvar-te. Até esse dia chegar, e como qualquer vídeo de ontem poderá acidentalmente causar uma tedianite aguda, deixo aqui o Glenn Medeiros a passear na praia. Para o ano à mesma hora.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Aguenta MacGyver

Fala-se do filme desde o tempo da outra senhora. Com realizador e tudo, James Wan, o puto do terror, agora dos popós, foi o nome escolhido. Depois, nunca mais. O que aconteceu? Burocracia? Merdas com guita? Ou a simples constatação de que MacGyver é peça única? A última, só pode ser a última. Rapidamente entrando no exercício de tentar encontrar um novo rosto, rapidamente percebemos que não dá. Não dá. Demasiado fechado, não só na figura de Richard Dean Anderson, mas no que ela representava. A ingenuidade das décadas por onde transitou, suportada por uma inteligência difícil de replicar; o conceito de homem comum de ação da ciência, que hoje possivelmente seria traduzido em qualquer tolice terminada em sexual. Não dá. Já tentaram, com Young MacGyver, merda. Não dá. Ele é o guardião de cada arrepio ao som do genérico. E isso somos nós, a fechar calorosamente os portões com ele. Aguenta, és o maior.

Dois filmes, um bom, outro horribilis horrendus

Ficou tudo doido. Neill Blomkamp, Alien. Ao que, fugindo ao óbvio processo de castração química por parte do estúdio, eu pergunto: mas ninguém viu o Elysium?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Teorias invencíveis

Se eu começar a linha com "acabei por ver", parece que jantei o resto do parágrafo. Mas infelizmente professores, não há muito para trás. Acabei por ver Unbroken e The Theory of Everything em parelha. Um a seguir ao outro, mas em dias diferentes porque também já não tenho 20 anos. Malucos. O irónico deste reflexão é que ambas as obras se completam deficientemente, falhando uma onde a outra abusa. O capricho de Jolie -ciumenta, não pôde ver o marido ganhar um Oscar por um filme onde um gajo leva pancada durante duas horas - tem coisas bonitas. Especialmente a história, e as imagens. Problema? O sacrifício ser justificado abusivamente com a fé, com o isolamento da bolha "eu e deus", como se o resto fosse espectador. Americanada a entrar pelas traseiras, como quem não quer a coisa. Faltam as relações e os laços, aqueles da vida antes e da vida durante. Bem desenhados pelo candidato ao Oscar de Melhor Filme. E o que gostei mais foi a simplicidade dos mesmos. Quando não funciona o assumir, o desconforto de quem já não consegue. Problema? É apenas o íntimo, fica curta a ciência, e seus feitos. A obra, no tempo e no espaço, como ela mesmo se apelida. Não existe. Conclusão, dois contos de dois invencíveis, com fé a mais e ciência a menos.

I believe in angels

Artigo porreiro da melhor série do mundo. Numa altura em que o genial especial de Natal tinha acabado de passar por aqui. É cada coincidência que parecem duas. E como também me acho pecaminosamente envolvido com Black Mirror, deixo aqui o meu top e depois os ABBA. Por esta ordem. 

7. The Waldo Moment
6. The National Anthem
5. Be Right Back
4. Fifteen Million Merits
3. White Bear
2. White Christmas
1. The Entire History of You


Tem a Julliete Lewis

O que, vivendo nós de fotografias, deveria ser mais do que suficiente. Se não for basta dizer que é o round televisivo de Shyamalan, o filho não querido, outrora menino de ouro, dos Odiosos. Um povo quente que vive nas colinas do Embirramento, e que empunham do Anel da Chatice. Só os feitiços Piretes conseguem dar luta às lâminas da Moda. Piretes e porros. Eu gosto do gajo, de tudo. Por isso amigo mago, sê bem vindo ao pequeno écran, território proibido desta tribo E que mais podíamos pedir do que uma vila sinistra onde não dá para sair?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Remake de Conta Comigo

Só com gajas, num restaurante. Conta com migas. Ansioso.

I Congresso Internacional de Cusacks - Programa Primeiro Dia

 27 de junho de 2015 (Centro de Congressos do Estoril)



9:00 - Recepção dos participantes


9:30 - Wellcome drink (só há moscatel)

10:00 - Cusack: uma nicolas cagezização do penteado?
Rui Moscada (PhD numa merda qualquer de pirucas)

10:30 - Campanha "Adopta um Cusack"
Isabel Perene (Associação de associações municipais do interior)

11:00 - De 2012 a 1408: a matemática Cusack
Jorge Francisco (Departamento de Matemática da Universidade Dependente)

11:30 - O mistério de Serendipity
Pipoca Mais Doce (do blogue A Pipoca Mais Doce)

12:00 - Con-air: se tirarmos o "i" e o "r"
Erica Fontes (XBIZ Awards – Foreign Female Performer of the Year)

12:30 - Almoço 

14:30 - Workshop "Construção de um origami do Jonh Cusack"
Um chinês

16:30 - Workshop "Recriação da cena final de O Júri"
Carlos Alexandre (vigilante)

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Sempre eu

Confesso que estou desiludido. Não com o dia em si, mas com as gentes. Tanta hora para colocar vídeos de O Amor Acontece, e nada. Podem sempre dar a desculpa: é mais natal. Certo, mas então e o Dia dos Namorados do Garry Marshall?!? Horrível e pastoso o suficiente para merecer atenção, ou não? Cambada de ingratos. Tenho de ser eu a salvar o 14. Aqui fica o final do Namorada Aluga-se e não digam que vão daqui.

E ainda não vi o tau tau

Pior que o fenómeno filme, é o fenómeno atenção. Sim, confere, estou aqui e esta é mais uma tentativa a juntar à pilha. Ao que o Ferreira chegou, dizem os sábios do bigode. Também tenho contas para pagar oh farfalhudos! A questão é que o filme tem sexo, ou proclama ser sexo. E o cinema não tem sido generoso com o coito. Quantas cenas de sexo vimos no grande écran nos últimos 10 anos? Pipoca, sala cheia, e tudo a que temos direito. Quantas? Sexo, sexo, não as tretas cheias de roupa. Quantas? Não tantas como os anos, de certeza. Já não se fazem para o grande público, o instinto fatal morreu, viva ao instinto fatal. Ao invés - e aqui é que a coisa ganha piada - estes êxitos polidos, que dão a falsa sensação de atrevimento, sossegando e apaziguando. A ousadia da ditadura comercial. Suportada claro está por uma, ainda mais inexplicável, atenção mediática. Muita gente, filas, bilhetes esgotados. O último filme do Vasconcelos também foi um enorme sucesso: onde estavam as análises? Onde estavam as reflexões sobre a solidão e abandono da terceira idade? Pois, não estavam, porque isso, ao contrário duma palmada no rabo, aleija a valer.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Boom shak-a-lak

Freddie Mercury cantava e bem:

Bring it back, bring it back
Don't take it away from me
Because you don't know
What it means to me


Ninguém sabe. Nem os Farrelly sabem, o que representaram. Escala bem definida, o antes e o depois dos manos. Revolucionaram e vieram estabelecer um novo incorrecto, cheio de provocação inteligente. Com um equilíbrio milimétrico, tudo certo, irresistivelmente certo. Mas a comédia é madrasta, e não quer cá a mesma cria, à mama, durante anos. É ingrato? É. Exigente? Sem dúvida. Tem dado frutos? Nem por isso. A reinvenção não tem de facto reinventado nada. Alguns fenómenos, aqui e ali, mas vivemos substancialmente de sequelas. E suspiros. Dumb and Dumber To é uma sequela e um suspiro. Tem coragem de voltar, mas não sabe como. Como quarentão que tenta outra vez os dezoito, desenquadrado, com a camisa demasiado enfiada no cu, desajeitado a dançar as novas modas. Não se ergue nem monta, porque também não tenta, limita-se ao estatuto, colando uma série de clichés, e esperando festinhas na cabeça. Desta vez não rapazes, desta vez não.

Sondagem aqui ao lado

Ando com um vontadão de rever esta malha bebéziana, com andaimes, gorilas e bandidos.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Uma série de coisas, que ainda não vos contei

Acho que ainda não vos contei, uma série de coisas. Quando fui ver o último hobbit, já no final, quando o Bilbo e o Gandalf voltavam para casa, pareceu-me ver o Willow, montado no cavalo. Depois fiquei triste e fui de emergência ouvir, e ouvir, e ouvir.


Porque faz falta uma boa aventura. Tão raras como as ararinhas azuis. Já só existem em cativeiro. Ou então no mar, onde decorre Black Sails. Voltou agora, com uma força inacreditável e um vilão zarolho. É a melhor série do momento, que nos faz acreditar na conservação do entretenimento. Nos tesouros, nos piratas, nos navios, na nossa fantasia, que tanto queremos recuperar.
Por último Foxcatcher. Numa conversa Carrell diz que determinada situação é como um coal canary (canário nas minas de carvão), perguntando de seguida se Tatum gosta de aves. Em português traduziram a expressão do canário para prenúncio, que é realmente sinónimo, mas que descola completamente da pergunta que viria a seguir. Desta vez passa, mas para a próxima tenham mais atenção a esta merda.

Remake de Cães Danados

Só com gajas. Cadelas Danadas. Ansioso.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015


Jovem procura música

Eu gostava muito de saber qual a música final de The Drop. Como não sei, meto aqui esta. Na esperança de vos convencer amigavelmente a me passarem tal informação.

O jogo da acumulação

Panfleto ilustrativo de como os Óscares são hoje uma volta. A soma de uma série de inconsequências. Quem corre sabe disso. E vende a performance dessa forma: olhem olhem, nós somos os que ganhámos mais etapas, logo somos os que merecemos vencer a prova. É infantil, é pobre, é triste.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Trailer do Velocidade Furiosa 7


A Lista de Schindler num Zoo

The Zookeeper's Wife tells the account of keepers of the Warsaw Zoo, Jan and Antonina Zabinski, who helped save hundreds of people and animals during the Nazi invasion.

Este sim é o fim

O desalento é tão quente, que só não suamos por ser fevereiro. A última obra apocalíptica. Digna de lugar no panteão das verdadeiras, do caos e desespero, do sexo, anarquia, morte. Que já aconteceu, apenas sabemos ser fantasmas nessas horas finais. Mas, o que aqui nos colocam é o que levamos depois: se queremos acabar em nós. Se mesmo quando não há nada pretendemos assegurar o nosso tudo.

Sócrates dá entrevista a Créditos Finais

Não vou colocar aqui a entrevista na íntegra porque, aqui que ninguém nos ouve, não foi grande merda. Tem o TVCine & Séries mas não saca nada. Ainda não viu um único filme dos Óscares nem o novo trailer do Fast & Furious 7. Perguntei-lhe se estava ansioso pelo Jurassic World e ele disse que só gosta do 2. Em especial da cena que a miúda faz umas acrobacias. Assim não Sócrates.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Pássaros e raposas

Tem aquela cadência de filme da vida, pesadão. Demasiado longos, os planos, sem qualquer requinte na fotografia, concluindo no pântano do desnecessário. Por outro lado, esta secura de quem corta fiambre, resulta na incapacidade da resposta. Não se procuram grandes porquês ou justificações. Elas talvez existam em grande escala, ou não fosse o final um urro patriota, mas na intimidade ficamos burros. E aí sim Foxcatcher conquista e amedronta. Suportado por um Carrell fora de série, não na maquilhagem, que isso é carnaval, mas no resto, que é todo um inesquecível trabalho de ator. O corpo, e o olhar. Porra aquele olhar, descaído e vazio, em contenção absoluta, que nos faz provar a impotência de quem nunca conseguirá ler um ser humano.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O filme nunca vai ser bom

[Texto elaborado segundo o acordo de quem já viu o filme há muito tempo para não ser esbofeteado por só o ter feito há pouco] Contínuo a deslocar o queixo na direcção do chão, ou mais discreto coçando os lóbulos da frente, sempre que penso no conjunto, o que esteve por detrás do mesmo e como um levou ao outro. Como tamanha desordem se reformulou na obra-prima? Poderia ser de outra maneira? Acho que não. Cada peça, por mais desconstrutiva, serviu para erguer a história. E que queremos nós senão histórias dentro de histórias até não podermos ouvir mais? Hearts of Darkness: A Filmmakers Apocalypse é chave obrigatória para quem quer continuar rio acima. Para todos os que gostam de cinema, e do que ele implica. A génese. Do desespero ao reconhecimento, Coppola leva-nos na sua vontade. Sempre esteve tudo lá, lá dentro do génio. Que não só vê aqui, como para lá, ou não fosse o seu discurso final uma previsão (assustadoramente) certeira do futuro da sétima arte.

sábado, 31 de janeiro de 2015

V de Família

É uma festa, como a própria música indica. Maior, pois não se prende à apetecível transposição do típico para o não típico, com a barreira anónima do sketch. Criam-se laços, para que a fotografia final seja de facto a família, e aí nós podermos de facto ser um deles. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Noturno

A chantagem ao jantar é demolidora. Mas o mais viscoso - e extraordinário - desta interpretação é a forma como ele se encolhe, já perto do final. Escondido até ao limite do ângulo; monstruoso, ausente. Não há de facto nada, e isso, sobrepõe-se ao voyeurismo, colidindo de cabeça com os nossos tremores. Isso, mete realmente medo. Gyllenhaal é o melhor, e oferece o melhor. Cada vez melhor.

Cut Away!

E o que é que falta a esta sexta-feira? Perguntam vocês. Obviamente a cena do Drop Zone em que o fininho salva o outro puto maçarico.  Melhor filme de ação com paraquedas. Só não é o melhor Snipes devido ao Passenger 57. Com o mau mais malino que alguma vez pisou um avião.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Pré-escolar

Mas quem é o parvo que vai comprar uma boneca destas para dar à esposa? Porra, a sacana é do mais tenebroso que pode haver, óbvio que ia dar merda. Ainda pensei - sou grande contra argumentista - que o marido era mau, ou que o padre era da seita, ou que o bebé estava possuído. Mas não, era só mesmo mais uma tábua rasa, para ver e cuspir fora.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Toca a sirene, é genial é

Reduzir Man Seeking Woman a um parágrafo otário, sobre o amor, metáforas e outras despesas da vida, parece-me de todo injusto. Idiota. É a melhor série de comédia do ano, com uma das melhores cenas de comédia de sempre (num bunker). Ainda só saíram dois episódios e ainda só estamos em janeiro. Eu sei, é assim o amor. Foda-se, idiota.

Leva lá a cena para a casa

Quatro mil quinhentas e oitenta e quatro nomeações incluindo a de melhor "tens de ver já esta merda senão morres!". Ok, ok, Birdman, sou todo teu. E pronto. Sacana do rato. Eu gosto de um bom exercício, mas o exercício tem de servir o filme e não o contrário. Regra que se aplica a pequenos malabarismos e que ganha completa forma, quando a façanha é a totalidade do conteúdo. A suposta sequência e seus tambores são uma pequena maravilha, um frenético impasse à De Palma que se encaixa. Durante algum tempo. Depois vêm os outros requisitos e aqui o passaroco nem chega a levantar voo. Precisamente porque não deixam: o fecha e abre não facilita a decisão, como se a própria obra andasse perdida, retirando a respiração necessária. O peso, se este é o teu canto, falta-te tanto peso. Tanto de visceral, na relação com o passado, com o herói que foste outrora, devia crescer, devia rasgar a tela em asombrações e projecções, destruir, sangrar; a voz, a única que temos, devia rebentar-nos a vida. Mas não, não deixam. E o mais grave é que esta brincadeira do comeback já foi feita em bom. Chamava-se The Wrestler.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Que engraçado, são as duas sobre vírus

O sábado virou fantástico, que nem urro daqueles programas antigos da SIC. Com saltos e badochas semi nuas. Helix e 12 Monkeys, duma acentada só, duas xungalhadas da Syfy. Mas daquelas da pesada. Epá sim. A primeira porque não tem regras absolutas nenhumas, e continua, ciclicamente a reformular-se dentro do seu universo demente. Com flip-flops e outras façanhas. Gore no ponto certo. A segunda, é um bocado mais mansa e é uma cópia. Porém, tem um gajo que recua uns anos e depois volta. Viram eu a evitar o cansativa referência às palavras "viagens no tempo". Sou tão astuto.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Anyway the wind blows

Em 2012 prometi que deixava aqui, todos os anos, a intro de Tropical Heat. Falhei depois e depois. Estou a dever duas à casa, maravilha. Até devia ser mensal, que é só assim o melhor genérico com a melhor canção da melhor série de sempre. Incha.

Astrid Bergès-Frisbey

Estava a ver o I Origins e a pensar: mas de onde é que eu conheço esta macaca? Que me faz assim, por instantes, esquecer a Brit Marling?!? Só depois é que clicou. Era a sereia do último Omoplatas das Caraíbas, de quem o padre o gostava e depois andava num tanque lá de um lado para outro. Enfim, já está identificada, historial concluído; posso guardar o ficheiro em paz no meu arquivo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Piada um bocado relacionada com os Óscares

O Imposto Municipal sobre Imóveis era passado da cabeça. Gritava, partia tudo, empurrava e batia. Cuspia, e ninguém percebia. Era um louco, para os outros habitantes da aldeia. Um dia juntaram-se todos para o expulsar do pequeno sítio. Ele, amedrontado, prometeu que iria mudar. A partir desse dia começou a fingir-se normal, respeitável e amável. Porém, o bombeiro Tiago sabia que aquilo era só fachada e dizia que ele estava a jogar. 

Sabem qual é o filme?

O Jogo do IMI tá são.

Janela indiscreta das viagens no tempo (ui que polémico!)

Não vou estender a passadeira. Fartos dela andam vocês: lá vem o pastel das viagens no tempo. Hoje salto o resumo, palavras-chave e introdução. Directo ao método de Time Lapse, que praticamente me caiu no colo. Nunca antes ouvido ou conhecido, apareceu gordinho a pedir carinho. Em boa hora. E continuo sempre de renovada fé porque encontram-se sempre novos rumos. Mesmo dentro de tamanho cubículo. Os atores não são a última maravilha da indústria mas o mecanismo simplista das fotografias, um único cenário e um final extraordinário, fazem desta obra uma instantânea gema. Espectáculo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Possivelmente o melhor final romântico onde alguém anda em cima de uma série de cabeças de sempre


Sempre confiei em ti

Lance Reddick sabe escolhê-los. The Guest e John Wick. Ligação reforçada numa dupla que tomou de assalto as boxes. Férteis exemplos do ano, do sítio e do que queremos. Foda-se é isto mercenários maricas. Custa assim tanto. Se calhar custa. Até porque o que mais admiro em John Wick é conseguir quebrar as regras. Assumir o herói como personagem, do filme dentro do filme - lembrei-me de Last Action Hero - do nome que todos já conhecem, que sabem. A cena com o polícia é qualquer coisa de genial: ah ok voltaste a trabalhar, então não te empato mais. Como quem diz: vai lá entreter estas pessoas que isto é tempo morto. Para além de saltar a barreira tem a melhor cena de ação de 2014, um festival sensual de corpos e sangue, suave, como assim deve ser. Parecia um cachopo, a olhar para tudo, guloso, enquanto a música ferrava, para não mais sair. Espectáculo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Críticos do Público dão uma estrela às nomeações dos Óscares

Tem mesmo de ser? Sim é melhor. E pronto, é um bocado como as notícias do calor em outubro com obesos na praia. Podem ser do ano passado que ninguém nota. Assim a lista dos ilustres, nas categorias enjoativas que a Academia gosta, oferecendo a fugaz ilusão de heterogeneidade. Filme verídico espeta secas sobre racismo, check. Filme de guerra mais ou menos inglês, check. Filme de guerra mesmo americano, check. Uma mente brilhante parte 2, um filme qualquer do atchim nharritu - não interessa nunca o que é - e uma obra de autor (sim eles importam-se muito), check, check, check. O filme que já ganhou, check. E o porquinho Babe, check.

Uma nota de espanto e outra de revolta. A primeira o facto de Boyhood ser um bom filme, coisa rara nas últimas trampas que têm levado o mastodonte. A segunda Whiplash ser o porquinho. Não merecia, tem pujança a mais para isso, para a pequenez fofinha da misericórdia. É seco, musicado até à exaustão, com as notas a bater obssessivamente, até sangrar. Outra vez, outra vez, outra vez. Mas pronto, calha a todos. É pôr bem alto e quando voltarmos já passou. 


Longa vida à série! (Parte 2)

10 – Friends



Enquanto uns são esquecidos, outros são constantemente recordados. Nunca saem realmente de moda, quer nas reposições, referências ou visibilidade dos protagonistas. Terminaram há 20 anos, mas todos os anos lá temos novas listas, novos momentos, novos rumores de reunião e, claro, nova maratona dos episódios todos de seguida, que usualmente termina em desidratação e urgências. Mas não deixa de ser muito engraçado. Não é, mas prosseguindo, de todas as celebrações dos 20 anos esta é capaz de ter sido a mais notada, falada e comentada. Para onde quer que se olhasse lá estavam eles, citações, abraços, choradinhos e aquele fado de que nunca mais uma comédia voltará a ter aquele impacto. Até abriram um Central Perk de verdade, onde uma horda de saudosistas se podem sentar no sofá laranja, tirar fotografias e beber café, como os verdadeiros fictícios faziam. Loucura. As filas são de facto extensas para se poder compreender tamanho impacto. “So no one told you life was gonna be this way” alertavam logo os Rembrandts, no seu I´ll Be There For You, como antevendo a surpresa do seu gigantismo. Quando se começa a escrever, nos inícios da grafite, quando a série ainda se chamava Insomnia Cafe – sim tinha esse nome – David Crane e Marta Kauffman não deviam sonhar ou projectar dez temporadas, dez anos, 236 episódios e mais de 60 nomeações aos Emmys. Certo é que aqui estamos, com as caixas na prateleira e com constantes reposições televisivas. Até tivemos direito à versão dobrada em português, ainda nos anos 90, que era tão boa ou melhor que a versão original. Obviamente, que analisar 10 anos de vida- muita moda correu - não é traçar uma curva exponencial ou outra recta, anos de muita saúde e depois a idade, inevitável perda de fulgor. Mas o conjunto é algo que neste caso sempre falará mais alto, muito devido, em parte a esse sentido colectivo de união, sempre cultivado quer pela ficção quer pelos actores, mas também pelo modo como acertaram nos 6 protagonistas. Uniformidade colectiva presente numa individualidade que se espelhava nesta ou noutra forma em cada espectador. Memorável.

 15 – E.R.



Ai os dramas médicos. Eternos corrupios de doenças, de portas que abrem e fecham, apressadas no bip bip dos ritmos cardíacos, do sangue e da entrega. Máscaras e toucas que escondem bonitões solteiros, com problemas emocionais e um problema maior: deixar de ser solteiro. Orgânica que tem sempre grandes hipóteses de aguentar a maratona. Diferenciar dentro de um ambiente comum, pouco conhecido mas familiar a todos. É o passar a linha e espreitar, não só as vidas mas os casos, fonte inesgotável de inspiração. Não há fim à vista quando falamos de doença, o House que o diga. Mas voltemos a 1994 e à estreia de E.R., série da NBC criada por Michael Crichton e pensada inicialmente, por este e Steven Spielberg, para o formato cinema. Desse conceito saltaram para um piloto televisivo, inicialmente condenado por muitos velhos: não resulta, demasiado filme, demasiado movimento, demasiado tenso. O resultado foi o oposto e as longas sequências por diversas salas, personagens e acontecimentos marcaram o universo televisivo dos anos 90 e prenderam ao sofá um número incontável e interminável de fãs. Escrever história é isso: depois de retirar os prémios (mais de 100), os episódios (mais de 300), as temporadas (15), as estrelas formadas (George Clooney, Juliana Marguiles, Anthony Edwards, Noah Wyle, etc) e os recordes alcançados (drama médico mais tempo no ar, entre outros) ficar a ideia de uma era, de uma marca. Pensar nos anos 90 do pequeno écran é, inevitavelmente, pensar em E.R.

20 - Kommissar Rex



Parece-me importante referir neste começo que existe uma border collie que consegue identificar cerca de 1000 palavras. É só uma dica, para quem quiser fazer nova aventura canina não tão quadrada, com os pastores alemães. Depois tenho de escrever algumas linhas que no seu conjunto poderão ser tidas como “enorme aborrecimento” mas que servem para contextualizar e justificar o porquê do glorioso número 20. Desde lá até cá, sem parar. Vinte anos? Não pode ser! Pois lá está, o que aconteceu foi o seguinte: originalmente a série era feita na Áustria e tal aconteceu desde 1994 até 2004. Depois, em 2008, a série regressou mas agora com roupagem italiana e existe até aos dias de hoje. Isso não vale, pensam. Então não vale, se os Trovante podem comemorar 35 anos de carreira já não existindo, também o Rex pode saltar este hiato e assumir-se na vintena. Número bonito e impressionante para este melhor amigo do homem, que ladrou na SIC alcançando um enorme (e inesperado) sucesso. De tal forma que, como regressou lá, também regressou cá e em 2013 à estação de Carnaxide, com as suas novas temporadas e agora com a apetecível dobragem. Dava de manhã, para a pequenada. Até hoje, Rex teve 6 parceiros, 1 spin-off (Stockinger), uma versão polaca (Komisarz Alex) e uma versão portuguesa que se chamava Inspector Max, da TVI. Também esta com 20 temporadas. Brincadeirinha, foram só duas.


Não deixa de ser interessante, com todas as suas limitações, estabelecer um padrão de tempo de vida com base nos géneros e espécies. O íntimo, pessoal e polémico acaba por ser o primeiro condenado, seguindo-se o género mal-amado, depois o drama familiar, que acaba por se consumir nele próprio passados 5 ou 6 anos. A comédia elástica, estica, estica, estica, e por fim os casos da semana, médicos e policiais, eterno duelo que ainda hoje está para as curvas. Com a rapaziada dos crachás a levar alguma vantagem. Será assim para sempre? Será a maioria voraz por muitas e não grandes histórias? Será um episódio sozinho, repetidas vezes, o santo graal da televisão? Eu penso que sim, mas começaram este ano tantas outras ficções, vamos ver onde elas chegam e daqui a 20 anos confirmamos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Peggy oh Peggy

Ainda não vi mas este poster à Dick Tracy tira-me do sério.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Cartaz oficial do I Congresso Internacional de Cusacks

É já nos próximos dias 27 e 28 de junho de 2015, no Centro de Congressos do Estoril, que terá lugar o I Congresso Internacional de Cusacks. Já com alguns Cusacks de peso confirmados relembramos que continuamos à procura de artigos, posters e comunicações orais para enriquecer estes dois dias de partilha, saber e cinema. Mais novidades em breve.

Pikes

Pintado à mão

Tenho um problema, quando se trata de rir. Sou complicado, não digo que pareço uma gaja porque aí ia parecer sexista, machista, la la la. Complexo e misterioso, como elas gostam, e lá está o porco do estereótipo de novo. Comédias puras, lá sai uma gargalhada, mas se for cruzamentos, ui, ainda pior. Então Housebound, que consegue encontrar um equilíbrio tão apurado, tão sossegado e pacífico, que chega a gritar milagre. Delicado na forma como mistura o caricato e o assustador, fazendo desta união o único sentido, linguagem universal. E resulta. Parece fácil, mas é tarefa monstruosa de um realizador empenhado e artesanal, de um conjunto de atores de topo - porra Morgana O´Reilly! - e de uma reinvenção do dicionário do fantasmagórico. Genialmente divertido, é uma das grandes surpresas cinematográficas de 2014. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Parolos de Ouro

What the fuck is SIC Caras? Qual é o sentido de um canal só com grandes planos? Fogo, esta foi muito boa não foi? Mas pronto, não tenho este canal choné, sou da concorrência e assim não pude assistir. Porém já me fui informar. E não percebo qual é a ideia de rotular Ruth Wilson como surpresa? Quem é que ficou surpreso? Só se for de boca aberta pela justiça, porque desde Luther que não há dúvida: melhor adição feminina à televisão da última década. E o que ela faz em The Affair é igualmente genial, uma representação dupla, contida ou explosiva, solta ou sofrida, é avassalador. Uma presença, uma figura. A chorona e as outras que me perdoem, mas não há hipótese.

Terra Média Salgada

O Tozé Martinho da Nova Zelândia presenteia-nos então com o seu suposto cisne cantante. Bateu no tecto: com o seu umbigo gordo, às vezes magrinho, cheio de si mesmo, dos mesmo planos e de um bacoquismo sem precedentes. O amor virou gula. O encanto virou avareza. E nós no meio, de intermináveis planos de luta, que respiram cansaço, sem personagens, sem inteligência, sem um pingo. Chega a ser criminoso, transformar estas páginas em tamanha novela, mas não outro descritivo: o gajo mata logo o dragão, depois vão chegando exércitos para dar sentido ao título. A elfa gosta do canocha, mas não dá, o Legolas botox não deixa. Porque também gosta dela. À noite vão os dois ver os morcegos numa ação de Ciência Viva no Verão. Entretanto o rei dos baixinhos fica maluco e trata mal um dos outros baixinhos, os outros 36 não abrem a boca. Os bons vão dar tau tau uns nos outros mas chegam os maus e todos vão bater nos maus. Inclusive os coelhos, os ursos e as águias-de-bonelli. O maluco deixa de estar maluco e pede ao Killi, Trilli, Koki, Cholililó, Ranheta e Brobró (filho de Brébré) que o acompanham para matar o Orc que tem a cara toda fodida. Falta uma hora. Pumba, pimba, Orlando Bloom na cena mais rídicula do ano a subir uns tijolos tetris que vão caindo, gelo, e está ganho. Os romances ou arcos narrativos complicados de desenrolar são resolvidos limpando o sebo aos pequeninos em questão. O Bilbo volta a casa. Toca a música do Shire para nos sentirmos bem. Fim. Ou assim o esperamos.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Bocas de apito

Um Cubo de Rubik. Caótico e desordenado, dentro da sua própria forma. A anarquia das cores não lhe tira unidade, e vai se mutando. Vermelho pr'a cima, obrigando um verde a saltar de face. Todos os dias, dia a dia. Porque afinal as pequenas peças gostam de ali estar, é a sua orgânica. E inspiram, e expiram, como se de ar puro se tratasse. Uma vez por ano alguém agarra nelas todas; são tantas, como? O cubo tolos, agarra em todas no cubo e alinha as cores. O amarelo pode finalmente estar no vértice do laranja. Pode finalmente. Parece um jogo, mas é mais. Os TCN são mais, são a magia cúbica de uma blogosfera arco-íris. Que continuamente se renova, que continuamente persiste. Que se sintoniza, sem pressões, sem merdas, para rir e conhecer. Para manter viva a ciclicidade apaixonada. Com rasgos únicos, que nos fazem recordar gala a gala. Uma enorme Tuxa, um apresentador (sempre) em grande forma, posters do caraças e o melhor vídeo do ano (autoria do tio Xunga) fazem desta única. Como as outras. Parabéns a todos, em especial ao TVDependente, minha eterna casa - obrigado malta! - e ao Carlos, incansável comandante, obrigado, não só pela oportunidade dos separadores, mas por manteres o cubo montado. Agora toca a baralhar. Para o ano há mais.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Poema ao Empire Records

Eu era puto,
a Reneé era boa
a saudade,
essa outra
magoa, magoa.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Para o carro, e para a vida

Mason,

I wanted to give you something for your birthday that money couldn’t buy, something that only a father could give a son, like a family heirloom. This is the best I could do. Apologies in advance.

I present to you: THE BEATLES’ BLACK ALBUM.

The only work I’ve ever been a part of that I feel any sense of pride for involves something born in a spirit of collaboration — not my idea or his or her idea, but some unforeseeable magic that happens in creativity when energies collide.
This is the best of John, Paul, George, and Ringo’s solo work, post-BEATLES. Basically I’ve put the band back together for you. There’s this thing that happens when you listen to too much of the solo stuff separately — too much Lennon: suddenly there’s a little too much self-involvement in the room; too much Paul and it can become sentimental — let’s face it, borderline goofy; too much George: I mean, we all have our spiritual side but it’s only interesting for about six minutes, ya know? Ringo: He’s funny, irreverent, and cool, but he can’t sing — he had a bunch of hits in the ’70s (even more than Lennon) but you aren’t gonna go home and crank up a Ringo Starr album start to finish, you’re just not gonna do that. When you mix up their work, though, when you put them side by side and let them flow — they elevate each other, and you start to hear it: T H E B E A T L E S.

Just listen to the whole CD, OK?

I guess it was the fact that Lennon was shot and killed at 40 (one of Lennon’s last fully composed songs was “Life Begins at 40,” which he wrote for Ringo — I couldn’t bring myself to include it on the mix as the irony still does not make me laugh) and that I just turned 40 myself that conjured this BLACK ALBUM. I listen to this music and for some reason (maybe the ongoing, metamorphosing pain of my divorce from your mother) I am filled with sadness that John & Paul’s friendship turned so bitter. I know, I know, I know, it has nothing to do with me, but damn it, tell me again why love can’t last. Why do we give in to pettiness? Why did they? Why do we so often see gifts as threats? Differences as shortcomings? Why can we not see that our friction could be used to polish one another?

I read a little anecdote about when John’s mother died:

He was an angry teenager — a switchblade in his pocket, a cigarette in his lips, sex on his mind. At a memorial service for his “unstable” and suddenly dead mom (whom he’d just recently been getting close to), he — pissed off and drunk — punched a bandmate in the face and stormed out of the memorial reception. Paul, several years his junior — a young boy, really, who didn’t yet care about girls, who was clearly UNCOOL, and who was let into the band despite his lack of badass-ness and sexual prowess due to the fact that even at 14 he could play the shit out of the guitar — chased John out onto the street saying, “John, why are you being such a jerk?”

John said, “My mum’s fuckin’ dead!”
Paul said, “You never even once asked me about my mum.”
“What about her?”
“…My mum’s dead too.”
They hugged in the middle of the suburban street. John apparently said, “Can we please start a fucking rock ‘n’ roll band?”

This story answered a question that had lingered in my brain my whole music-listening life: If The Beatles were only together 10 years and the members of the band were so young that entire time, how did they manage to write “Help,” “Fool on the Hill,” “Eleanor Rigby,” “Yesterday,” “A Day in the Life”? They were just 25-year-old boys with a gaggle of babes outside their hotel room door and as much champagne as a young lad could stand. How did they set their minds to such substantive artistic goals?

They did it because they were in pain. They knew that love does not last. They knew it as extremely young men.

With the BLACK ALBUM, we get to hear the boys write on adult life: marriage, fatherhood, sobriety, spiritual yearning, the emptiness of material success — “Starting Over,” “Maybe I’m Amazed,” “Beautiful Boy,” “The No No Song,” “God” — and still they are keenly aware of this fact: Love does not last.

I don’t want it to be true. I want Lennon/McCartney to write beautifully together forever, but is that really the point? I mean if the point of a rose was to last forever, it would be made of stone, right? So how do we handle this idea with grace and maturity? If you’re a romantic like me, it’s hard not to long for some indication of healing between the two of them. All signs point that way.

When Paul went on SNL recently, he played almost all LENNON. And he did it with obvious joy.

Listen to McCartney’s “Here Today.”

Can you listen to “Two of Us” (the last song they wrote side by side) and not hurt a little? What were those two motherless boys who hugged in the middle of the road so long ago thinking as they wrote “The two of us have memories longer then the road that stretches out ahead”?

The dynamic of their breakup, like any divorce, is mysterious. Some say that Paul, the pupil, had surpassed John, the mentor, and they couldn’t reach a new balance. Some say Paul was a little snot who bought the publishing rights out from underneath the other three. Others say without Brian Epstein there was no mediator between their egos. Who knows.

I played Samantha “Hey Jude” the other day, and of course she listened to it over and over. I told her the song had been written by McCartney for Lennon’s son after Lennon’s divorce and she listened even more intently. George once said that “Hey Jude” was the beginning of the end for the Beatles. Brian Epstein had just died and John & Paul were left alone to run the brand-new Apple label. They recorded “Hey Jude” and “Revolution” as a single. Normally, Brian would decide which song was the A-side and which was the B-side, but now it was up to the boys. John thought “Revolution” was an important political rock song and that they needed to establish themselves as an adult band. Paul thought “Revolution” was brilliant but that The Beatles were primarily a pop band and so they should lead with “Hey Jude.” He knew it would be a monster hit and that the politics should come on a subversive B-side. They had a vote. “Hey Jude” won 3-1. George said that John felt Paul had pulled off a kind of coup d’etat. He wasn’t visibly upset but he began to withdraw. It was no longer his band.

The irony/punch line of this story is another story I once heard: When the “Hey Jude”/”Revolution” single was hot off the press, the boys had the mischievous idea of bringing their own new single to a Rolling Stones record-release listening party. Mick Jagger says that once the Fab Four arrived and let word of their new single slip — just as Side 1 of the Stones’ big new album was finishing — everyone clamored to hear it. Once The Beatles were on, they just kept flipping the single over and over. Side 2 of BEGGARS BANQUET never even found the needle.

So no matter how mad John was, he wasn’t that mad…

Once when John was asked whether he would ever play with Paul again, he answered: “It would always be about, ‘Play what?’ It’s about the music. We play well together — if he had an idea and needed me, I’d be interested.”

I love that.

Maybe the lesson is: Love doesn’t last, but the music love creates just might.

Your mom and I couldn’t make love last, but you are the music, my man.

“And in the end, the love you take is equal to the love…”

I love you. Happy birthday.

Your Dad
 
(retirado daqui)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Lembrai-vos

Dos 3871 tops de 2014 que vi, nenhum, mas mesmo nenhum, trazia Calvary nas suas linhas. Se trazia por favor não digam porque assim este lamento perde de imediato seu propósito. E lá está, lamento, será mesmo lamento? Será que a minha fé de facto queria esta justiça bacoca? Será que o Oscar para Brendan Gleeson - que sim é o melhor papel dos anos todos - não iria amortecer esta minha devoção? Sei lá. É um estrondo de  filme, com uma banda sonora poema, que filma um mundo não maravilha. Mau, mesquinho, merdoso. Merece tudo, mas merece acima de tudo ser visto.