quarta-feira, 26 de abril de 2017

Esta Hollywood portuguesa não perdoa


Alguém me explica, em duas linhas que filme é este do Sérgio Graciano - produção Leonel Vieira - e porque é que ele é cópia a papel químico do Open Water 2: Adrift? É mesmo remake à tuga? É isso? O que vem a seguir? A Descida com um grupo de espeleólogos na Arrábida ou o Rio Selvagem no Paiva?

Regresso ao futuro


1923, quando eu escrevia crónicas de cinema para o jornal local e não sabia escolher fotografias.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Muita atenção


Chama-se Riley Keough. É a pedra estacionária de American Honey. É também neta do Elvis. E este ano vai rebentar em força, apertem os cintos.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O amor não acontece


Como já aqui tinha referido, não existia convite mais claro e mais honesto. Um gajo só cai porque quer. Porque quer e porque o rómance é uma coisa linda. E lá está, plano a plano. Nem é bem uma adaptação para carne e osso, é mais daquelas reconstituições foleiras dos documentários criminais, com não atores a darem vida ao crime. É isso, pessoas a recriar algo que aconteceu, sem acontecer. Depois cantam, minuto sim, minuto sim, cantam muito e parece num suspiro que nunca mais acaba. Quando acabou bateram palmas. Claro.

domingo, 16 de abril de 2017

Outro texto


Este texto nem sempre foi este texto. Ao início era só um convite para discutirmos o final de Another Earth. Uma pergunta, proposta, até podiam não estar para aí virados. Depois rapidamente passou para o efeito Brit Marling e o seu uso das histórias. Do storytelling como ferramenta fundamental para o imaginário do próprio percurso. Poucos têm esta habilidade de usurpar as nossas referências e usá-las em prol de uma narrativa - a cena do cosmonauta. Entretanto apaguei, e já só aqui tinha uma imagem, como se o espanto desta intimidade espacial não pudesse nunca ser explicado.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Achei mal ele partir a máscara, há aí muito bom vilão a precisar duma


O Luke diz que é tempo dos Jedis acabarem. Vem cá a Portugal tentar fechar atividade nas finanças e logo vês se continuas com essa ideia. Ninguém acaba com ninguém, vamos mas é ver o trailer mais 20 vezes, especular outras tantas e esperar que em agosto não seja tudo refilmadinho.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Tranquilidade Harrelsoniana


Eu acredito francamente que enquanto tivermos Woody Allen e Woody Harrelson tudo fica bem. O primeiro já aqui levou mimo, o segundo nem por isso. Aliás, o segundo é daquelas peças que de repente nos explode na cara: foda-se, que maravilha, andava adormecido, eu. Ele, liberta aquela presença magnética, embebida - ironicamente - numa naturalidade e contenção, como se fosse o vizinho do lado. Atabalhoado, com os seus problemas e palavrões. Assim em The Edge of Seventeen, a comédia bonitinha a quem ele decidiu roubar todos os momentos e oferecer a razão que faltava. É o maior.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Que se come frio mas frio


Só por si, isolar a ira no elenco, já é de homem. Percebemos que não foi só fogo de título, que ela existe e vai andar, caminhar, atuar, que nem gente. Mas é que para além disso, Tarde para la ira - a estreia bruta de Raúl Arévalo - usa o substantivo como elemento de subtração, do resto que foi sendo anteriormente apresentado. Todos os outros nomes sucumbem e desaparecem no olhar vazio, na fúria, na raiva, na cólera. Sem ter que cair em facilitismos de novela ou hesitações.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

E o José Raposo meus amigos?


Há uma cena - para mim uma das mais incríveis e violentas cenas deste ano - em que vemos pai e filho, à distância, num parque de estacionamento. O mesmo plano, os mesmos metros, como se fossemos obrigados a assistir sem vidro mas com cinto. A estar longe mas dentro, impotentes. E nisso São Jorge não tem dó: os grandes e desolados espaços, intercalados com a confusão apertada do movimento, o balanço a acompanhar o corpo, a arrastar-nos. Ouvem-se as correntes, sentimos um sabor pesado na boca. Não é apenas obrigatório como pedaço de história. Como sirene. Como exemplo de um ator que se apropria e deixa apropriar, no seu todo. É vital como filme, como uma magnífica estocada de cinema.

sábado, 8 de abril de 2017

Nova vida, nova carne


Vi-o hoje, no primeiro dia do festival "Fim-de-semana fantástico em minha casa". Não estava muita gente. Aliás estava só eu, o que não tirou magia ao ambiente. The Void vem aquela imagética fatal dos anos 80, do terror material, da carne pela carne, Carpenter e Cronenberg. Belíssimo no modo como se promove e se vende, não há como dizer que não. A história é simples, um polícia e mais uma malta bem estereotipada, ficam presos no interior de um hospital a braços com uma criatura que não lhes quer bem nenhum. E se este arranque é o certeiro, falta um embrulho mais coeso e fechado para se conseguir desenhar uma mitologia. Porque se os atores não ajudam, a dispersão e confusão do terceiro ato tornam tudo ainda pior, pouco sólido. Não há uma aura, um local, como por exemplo Siren criou tão bem. O final claramente tenta ser a ponte para um compromisso que infelizmente não chegou.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Antes de ir embora


Eu sei que é sexta e que vocês querem descansar. Mas há coisas que temos de resolver, questões que não podem andar ao pendurão, simplesmente não podem. Assim, antes de irem comer os hambúrgueres com rúcula, respondam lá a uma das grandes problemáticas da causa cinematográfica: qual é afinal o melhor filme da Elle Macpherson?

As despedidas do José Augusto


O José Augusto é que sabia, ou como dizem nos botecos, é que a sabia. Toda. Percorrendo o imersivo vídeo oficial de Aguenta Coração - onde ele anda todo de ganga, no Gerês - percebemos que também não resta mais. Agora aguenta coração, já que inventou essa paixão. Não dá para fugir à fonchonada e ao beicinho de quando as nossas séries terminam. Black Sails, um adeus fora das previsões, da lengalenga de não acabar bem ali, arrumado, conciso, espectacular. Vai fazer tanta falta, a aventura. Man Seeking Woman, é oficial, não há mais. Terminou limpinho, a dar o nó com a ponta inicial, fechando uma incrível antologia de costumes, ritos e tantos outros tiques ridículos, a que chamamos quotidiano. Muita falta, a irreverência. Por último The Leftovers, ainda não acabou e já dói, promete tanto que já dá. No último trailer ouvimos ABBA, SOS. Não vale a pena pedir ajuda, resta-nos passear em frente a cachoeiras e sofrer. Como o José Augusto.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

É uma espécie de Rocky Balboa


Até os trailers, trabalham a contenção e a surpresa. Feitas as contas, mostrando pouco, muito pouco, ou como ensinam na escola "o essencial". E é que nem professor a corrigir um quase 20 que assistimos a Logan, de questão em questão, sempre a acenar com a cabeça, sim, sim, sim. Mangold faz o que poucos podem/querem: lê a personagem, constrói o filme dela, a partir dela, como raízes do tronco e só depois pensa nas folhas, ramos, raiva, sangue e tripas. São essas rugas, cruzadas com uma secura violenta e saborosa, que nos levam depois ao universo de origem. A tudo o que temos direito, e os maluquinhos, até esses foda-se, podem festejar a vida. Os mutantes, sempre eles, a marcar passo e a relançar os dados. Trocando as voltas, cravando num adeus a mais bonita das esperanças.

domingo, 2 de abril de 2017

E mais não escrevo para não estragar a descoberta


Muito estimulante, o modo como The Discovery joga com as referências, fazendo delas pistas de um hábil labirinto. Logo nos primeiros minutos, aquele tom meio chuvoso, que nem é cinzento nem é azul, com névoa e claridade em doses precisas, para que tudo "pareça". Eternal Sunshine of the Spotless Mind, é certo. E depois, quase sem nada, oferecer uma adição interessantíssima a um género que não pára de surpreender: a ficção científica low cost, cada vez com mais relevo, poder e importância. A ditar novos debates, a trazer à vida aquilo que em nós nunca morre: ideias.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Não, não, não


Bem. Nem é o facto de ser o trailer mais mal editado da coleção primavera-blockbusterzão, com música fora de tempo, história repetida e planos quase iguais. Efeitos de merda, especialmente na parte final. O que é estranho porque eram aprumadinhos, sempre a enganar bem o palerma. Agora estão-se nas tintas, só falta arrotar. Mas nem é isso, é o Johnny Depp a CGI, novinho, tão novinho que até parece estrábico. Parem com esse flagelo, não deu, não dá, nem nunca dará.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Corre, John, Corre!


Reduzir John Wick: Chapter 2 ao número de balas é como circunscrever Mad Max a uma perseguição. A viagem, existe viagem, existe experiência, sumo e lucro. Não é isso que vem no bilhete? Ai é: uma edição tão cuidada e delicada, aparentemente descontraída que até uma gargalhada serve de raccord. O mais irónico é que o próprio filme se tenta reformar, como a personagem, descartar do seu papel, tentar aborrecer naquela centena, mais, de crânios a rebentar. Não consegue. Não consegue porque - e aqui amigos é que John Wick assume o estatuto de lenda - existe enquanto personagem do seu próprio filme. Num plano paralelo, suspenso no real, entre as gotas dos dias, sem ninguém se meter, sem ninguém tocar: como no final que todos param, todos são espectadores à espera que o último herói de ação desapareça. Ele foge, como espécie em extinção. Nós, ainda embevecidos, gritamos: corre, John, corre!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Tempo Perdido


Até eu, gosto de ser Mendel cinematográfico, desenhando inteligentes cruzamentos e percebendo de onde vem o tom mais arruivado daquela tal cena. Mas, em O Homem do Futuro, praticar esse desenho é inglório.  Primeiro, porque nunca mais íamos largar a caneta. E segundo porque são viagens no tempo malta, quem é que quer saber? Rezingão frustrado, volta atrás para mudar o percurso da sua vida para depois perceber que as coisas ficaram ainda pior do que já estavam. Para mim bastava o volta atrás, mas já que tem boa música, bons actores e acerta no mecanismo essencial - com o inteligente final - leva um par de beijocas extra.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Não custa nada


Duas coisas muito boas nos dois últimos Underworld, que tive com carinho e dedicação a pôr em dia: são mais pequenos que um episódio grande, sempre abaixo da bitola fofinha dos 90 minutos, e têm fraturas expostas. Quem consegue dizer que não a pouco mais duma horita, a partir e a rasgar lobisomens ao meio?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Pauvre Lola


Sem querer fazer muito alarido, ligando já o rádio em Gainsbourg para a festa, o primeiro episódio de Legion é a façanha mais inteligente, hábil e deliciosa do ano.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O efeito Knepper


Estava aqui a pensar: oh T-Bag tu rebentas qualquer mitologia onde metas os calcanhares. Não é que Transporter, Hitman ou The Hunger Games tenham tido grande história sem ti mas foda-se, o Jack Reacher? Conseguiste tornar um dos únicos bastiões, correntes, da ação inteligente num daqueles filmes políticos sonecas do domingo à tarde, com o Tom Hanks gordo ou Robert Redford com 240 anos. Não não não.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Um Underworld e dois Resident Evil


Perguntei à minha mãe se podia ver os novos Resident Evil e Underworld. Só quando tiveres os anteriores em dia, disse de forma ríspida sem olhar para mim. Comecei a chorar e vim para o quarto, eu sei que é para o meu bem mas custa tanto. 

Literalmente na cabeça


iBoy entra diretamente para a categoria de filmes que terminam com uma música bestial. Como eu gosto, de filmes que terminam com uma música bestial, no escurinho, a marinar nos acordes o que foi. Para além disso, é possivelmente o sci-fi mais interessante que a Netflix produziu. Sem grandes invenções, sabe dar a bofetada identitária e manter a unidade. Pequenino, de bairro, repleto de bons efeitos, aguenta-se na sua vendetta até ao clímax final, que nem John Wick bebé. E depois termina com uma música...já vos disse não disse?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

À deriva


É muito difícil explicar mas muito fácil distinguir. Emprestar o físico e ser o físico. São duas coisas diferentes e normalmente caímos na primeira, no gordinho que virou magrinho, ou na bonitinha que virou demónio, gorda sebosa, que trabalho incrível. Isto é o circo. Depois há Natalie Portman que é, ela é, com uma sobriedade arrepiante onde se ouve o todo. A fragilidade e anestesia. A anestesia, talvez a grande conquista do filme: levar-nos sem rumo para aquele flutuar e concluir com Jackie que aquela dormência, há muito que tinha acordado. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A chamar por vocês


É daqueles instantes, que tem tanto de lógico como de sei lá. Consigo escrever, de como o miúdo é incrível, de como todos envelhecem sem nada dizer, de como a animação nos rouba o fôlego, de como as cores nos enchem a íris ou de como o monstro se torna tão nosso. Eu consigo, mas não há base que sustente o aperto, não há experiência que certifique a ternura, o apreço e a certeza de que A Monster Calls é um dos filmes mais bonitos desta última década.

The Expanse voltou


É que não são só as novas personagens - especialmente ela - a lembrar-nos porque nos perdemos de tal forma pelo género. São as coreografias, a trama bordada numa noção plena do espectáculo. Do espaço, das grandes óperas, e dos momentos singulares. E, como se não bastasse tal euforia, está tudo a acontecer agora, em directo, mesmo por debaixo das nossas estrelas. 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Também tu?


Split faz batota. Eu vi Split fazer batota. Gritei, ao croupier, mas ele não ligou. Mandou-me sair, e que não voltasse. Eu vou voltar, porque desde pirralho que sigo o Shyamalan. Sigo e gosto, na saúde e na doença. Mas depois da gema, The Visit, não há como esconder a desilusão de um filme que quer ser outra coisa. Em vez de se fechar na sua sólida premissa, com o seu sólido elenco, nas suas sólidas paredes, parte para uma resolução trapalhona que culmina no gancho mais idiota e fora de tom da história dos cruzamentos, crossovers ou como a Marvel gosta de lhe chamar "mais um dia no escritório". E não vale a pena dizer que é pós o que quer que seja uma vez que a música do outro entra bem antes. Perde-se tudo o que existia, em prol de algo que ainda nem existe. 

Promete tudo


Parece estar na moda dizer que está na moda não gostar do dito cinema comercial. Confundindo a pipoca com a estatueta, a discussão com a opressão, as palmas com as palas. O que é importante reter é que o cinema óscar é um microcosmos criado por uma dezena de interesses, uma dúzia de outros prémios e dois ou três favores sexuais, com o propósito de não magoar ninguém. Cinema esse que premeia - segundo a história da última década - obras menores, inócuas, que saltam para cima da mesa e que toda a gente quer ver. E depois esquecer, porque não há marca, não há murro, não há cuspo. Cinema comercial é Marvel, Star Wars, isto é outra coisa. Um aborrecimento que não deveria aborrecer ninguém, cada um com o seu cinema. E se há aqueles que discordam de tudo o que aqui apontei, excelente, podemos falar disso ou também podemos virar costas, agora não me fodam é com modas e clubismos.

E assim La La Land. Que, começando por onde se deve, tem aquele que é dos inícios mais fulgurantes, incríveis e inacreditáveis do passado recente. Um quase plano sequência - são três colados uns nos outros - que nos lança de cabeça para uma explosão de cor, criatividade e música, para todos fugirmos da estática e assim sonhar, sonhar muito. Aqui o filme promete tudo, para depois nos dar uma mão cheia de nada. Nunca mais regressamos à façanha, à audácia. Precisávamos de 500 Days of Summer. Para em conjunto com as cores, ir mais, pensar mais, oferecer mais personagem e menos calendário apressado. Falta química - ambos em piloto automático - falta a tal magia. Que volta já no final, naquela, não menos estupenda, cena do "e se", mas é tarde demais. Precisávamos da amargura Café Society. Para ficarmos à deriva, naquela tal melodia.  

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

À noite é que são elas


Somos tão enfrascados com o conceito novelesco e gritado da interpretação nacional que nos esquecemos, que à noite, esses mesmos corpos de revista, são super-heróis. Filha da Lei é a prova disso: interpretações contidas, cinzentas, cruas e estupendas. Os mesmos, mas agora dirigidos, conduzidos e sem formas. Anabela Moreira, ela, mas também o colega novato, o colega bruto, o jornalista, que rapidamente se podiam fechar no estereótipo mas que se entregam, pelo contrário, à trama. A filha, que nos leva a outra vitória: o corpo e a tensão sexual. É ou não incrível a cena, do segundo episódio, em que ela chega à esquadra? O pecado, o lascivo, conduzido pelas ruas mortas da cidade. Lembra The Killing nos seus modos escuros e húmidos de retratar os espaços e obssessões. Lembra também que andávamos esquecidos destes dias. Pois bem, não tem nada que saber: terça-feira, 22h15, RTP. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Quando os filmes eram uma festa


O que a Disney faz com este trailer – e um pouco com todo o material promocional – é de uma inteligência valente. Um peito aberto onde a hipocrisia e a sinceridade se baralham, se misturam e voltam a dar. Muito surpreendido com The Jungle Book, não posso com Beauty and the Beast fugir ao azedume da linha Cinderella, uma pastelada epiléptica, papel químico do desenho animado, aborrecidíssimo, sem um único plano diferenciador e autêntico. A somar, Bill Condon, que já deu ao mundo dois Twilights e o Dreamgirls, que nunca vi mas sei que tem umas mamalhudas e o Eddie Murphy grisalho. Até me arrepiei. Por último é a jogada segura, de ir sacar milhões e milhões, com um produto de outrora, para adolescentes apaixonadas e pimpões precoces. Toca a faturar meninos. 

Porém, e aqui entra o clique, não está o trailer, ao mostrar que é exatamente a transposição do original, a ser o mais sincero possível? É isto, passo a passo, o mesmo filme, as mesmas canções, feito hoje, querem? Não engana ninguém com supostos novos olhares na personagem como fizeram com os cornos da Jolie. E este assumir é injustamente orgânico, pois A Pequena Sereia, A Bela e o Monstro, o Aladino, foram também a minha fase dourada, quando o cinema era uma festa, acima de qualquer outra coisa, sem interesses, sem moedas, sem tristezas. Era o meu castelo. Lembrar-me que ele existe, é fundamental para continuar. Certain as the sun.


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ele explica


Chegar tarde a The Boondock Saints é chegar tarde a Willem Dafoe.  Tarde a um daqueles empréstimos totais, em que se cede não só balanço e o drama, como o corpo. Há uma passagem, um compromisso, dentro da música, bolha protectora de todos os santos, que nos permite pelas suas assumpções perceber e ver o filme. Que nem bom amigo, que nem incrível mestre. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Kika Magalhães no primeiro episódio da quarta temporada de Nas Nalgas do Mandarim


Kika Magalhães é a primeira convidada da quarta temporada de Nas Nalgas do Mandarim. com uma simpatia contagiante, aceita o desafio, senta-se connosco e fala de si, fala do seu cinema. Da sua procura e do seu incrível papel em The Eyes of My Mother, dentro e fora de cena. Se ainda não viram procurem aquele que foi um dos melhores filmes de terror do ano passado e depois ouçam o que esteve por detrás, e o que virá depois. É já no próximo dia 2 de fevereiro!

Jogos para Crianças - Óscares 2017

O Créditos Finais, em parceria com a edição deste ano dos Óscares, vai lançar um conjunto de jogos de tabuleiro direccionados, principalmente, ao pré-escolar e primeiro ciclo. Não quer com isto dizer que os adultos também não possam jogar juntamente com os seus petizes, aliás a premissa é estimular as relações entre pais e filhos. O primeiro, que será lançado na próxima segunda-feira, é o jogo de "O que está mal neste conjunto?", onde temos os nomeados de cada categoria e temos de tentar descobrir qual (ou quais) é que destoam do grupo. Imperdível.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Not So Serious Awards

Todos os anos à mesma hora. Todos os anos com a categoria que os caracteriza, a disparar em círculo, sem deixar ninguém a salvo. O meu favorito? Gosto muito do último, que chiba o final do filme, mas como ando um doce escolho o The Whole Truth que ganha o prémio de:

Most Subtle Title Treatment Award goes to The Whole Truth for almost hiding the film's title (and the names of the lead actors) amidst a wall of text.

Não me toca

O núcleo, aquela órbita tio-sobrinho, existe de facto, e consegue, a espaços criar impacto: como a cena do congelador ou quando Casey Affleck diz que simplesmente não consegue vencer. Não consegue passar por cima, por muito que reste. Pois são os restos que aqui vemos e este dois emprestam duas interpretações sóbrias, contidas, que trabalham muito bem juntas. O problema é que Manchester by the Sea não chega cá. Demasiado asséptico. Não desconcerta nem atinge, muito pela necessidade de justificar os vazios, de carregar a duração com ações a mais: temos de ter flashback X que justifica dor de cabeça Y ou temos de o ver a ir com o carro, a voltar com o carro, a ir com o carro novamente. Falta autonomia, cinismo e espaço. Um pouco de Alexander Payne. Falta deixarem-nos chegar à personagem, sentar e quem sabe, ver o mar com ela.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Demasiadas vidas

O filme é uma trapalhada, que se perde no seu próprio cozinhar. Uma sopa de ideias onde o fundo se perde de vista, juntamente com o tom e o equilíbrio. Mesmo agora não sei onde encaixar esta negra comédia? Ou este vivaço thriller? Fica um delicioso toque visual, que a espaços no lembra labirintos, como o magnífico poster assim o ilustra.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Monstros, demónios e a chuva

Sim é o frio, a marcar nos carros e a deixar os media doidinhos, ou não estivéssemos em janeiro, mês tipo do calor e das caipirinhas na praia. Sim é o frio, mas hoje trago-vos uma pequena análise chuvosa. Dois bons filmes de terror, que vi, com o devido espaço e tempo, que usam a chuva como terceiro eixo. Fonte de contaminação, como se colasse, viscosa e plena ao corpo. Demónios e monstros, na forma mais abençoada de nos assombrar. Ambos donos de uma fotografia mestra, The Monster com os seus planos exteriores e o som, Demon com as suas paisagens desoladas, de grandes feridas naturais infligidas pelo homem. No primeiro mãe e filha vêem-se presas no interior de um carro, com uma tempestade chuvosa no exterior, e o tal monstro. No segundo, um casamento polaco dá uma volta inesperada quando o noivo aparenta estar possuído. Se The Monster é prova de luta e superação, Demon é um murro cruel, uma viagem aos infernos. Ambos ideais para uma tarde destas, porque de certeza que em algum lugar do mundo chove, e chove bem.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Obrigatório

Hoje, mais que nunca. Leva-nos a pensar se esta América profunda, não é apenas América, e a outra, uma miragem, um produto de edição, um sonho. As tribos: desolados nativos, com os seus ritos e gritos, canções e superstições, a furar um mundo que se construiu para outros. É um belíssimo retrato, muito bem aplicado no 4:3, fechando ainda mais e aproximando-nos. Tanto que - e isto é o mais incrível de American Honey - sem existir nenhuma grande chave ou explosão as suas quase três horas de duração passam com uma suavidade mestra. Que nem viagem, onde as imagens nos crispam e convidam constantemente a questionar este imaginário fodido. Exorcizado na música (que banda-sonora senhores), ou não fosse a canção homónima um dos enormes momentos de cinema do ano passado. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Imaginem que na casa do lado

Embalado pelo trailer de The Discovery sigo para The One I Love, filme que vi no rodopio de Blue Jay e que continuou tal fascínio. Então é assim: casal a meio de uma crise decide ir para uma espécie de retiro, onde aparentemente é alcançada a harmonia, o balanço, o outrora. A partir daí, boca fechada, para não estragar, só adiantar a ficção científica, caseirinha, feita com dois atores e com um a mestria de quem escreve muito. Para lá disso, virando constantemente, enganando na metáfora para depois assumidamente escolher o género. Tendo entretanto reformulado todos os outros. Incrível.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

29 dias depois

Põe de lado a típica enciclopédia introdutória, não que abdique dela na totalidade, mas arranca lá, fazendo da combustão seu contexto. O que é bom, ainda melhor na fotografia e seus ícones: a farda laranja, a máscara, a criança dentro da máscara, pendurada no carro, tudo isso são planos chave e intrusivos, para ficar.  Como se houvesse sempre algo de novo a acrescentar. E há, então o final é uma delícia. O que não é assim tão doce é o elenco em modo Ouro Verde, quer veteranos, quer novatos, ainda para mais a Felicity Jones rechonchuda não mostra nem um bocadinho dos seus voluptuosos talentos. 

A caminho do Pingo Doce


cruzei-me com o Dennis Quaid. Parece que anda à procura do filho.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Já foi preso o espectador que sorriu durante o Manchester by the Sea

Ao que parece encaminhava-se para a gargalhada quando a senhora do lado, ao tirar o terceiro pacote de lenços, percebeu o que ia acontecer e chamou de imediato o segurança. O espectador, um indivíduo caucasiano, na casa dos 40, conseguiu fugir tendo sido posteriormente capturado num supermercado da sua área de residência. A pena por sorrir em filmes tristes dos Oscars pode ir de 1 a 6 anos de prisão efectiva. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A melhor curta deu melhor longa

Siren tem tudo e mais alguma coisa, mas acima de tudo mais alguma coisa. A espuma que eu tanto aprecio, o descalabro simples daquelas pequenas mitologias de culto: três amigos, uma despedida de solteiro, um bar e o resto é para vocês. Ir mais longe, ou comparar com aquela obra óbvia, ia estragar. E esta adaptação para longa da curta de V/H/S, Amateur Night, leva a premissa para um destrambelhado e delicioso caminho. Tapem os ouvidos meninos, mas abram bem os olhos!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

No More "I Love You´s"

Blue Jay tem o atrevimento de nos fazer sentir a mais. Tal as singularidades que ali são exorcizadas, tão bem executadas que a intimidade existe enquanto terceiro elemento. Enquanto confronto das duas interpretações - digam-se maravilhosas - de um tempo congelado. Uma pausa em tudo o que correu, o que falhou, para depois entrar a música e logo se vê. O amor é deles, e podermos espreitá-lo, é de facto uma ave muito rara.

Entretanto

domingo, 8 de janeiro de 2017

E quem encontrar este sabe onde me encontrar

E o realizador de El incidente, Isaac Ezban, tem mais recentemente Los parecidos. Filme que promete seguir a lógica de quebra cabeças e que tem o poster mais espectacular de sempre. Por isso, se alguém encontrar este maroto, em qualquer loja ou outro lugar, faça o favor de me enviar. Eu pago em charadas ou cervejas, como preferirem.

Para ver outra vez, e outra vez, e outra vez

El incidente é daquelas descobertas do acaso - Senhor Joaquim - que nos tomam de assalto. O poster estava à rebentar de elogios e a sinopse tinha o meu nome escarrapachado. Sim, sim, play. E se o primeiro acto é dor de cabeça, o segundo rebenta-te com a mesma. Inverte, escreve, gatafunha e complica, uma maravilha inacreditável feita com meia dúzia de tostões, da qual não consegues sair. Às voltas, como eles, à procura da saída, das rotinas, dos gritos, da velhice. Fecha-se talvez com exposição a mais, não daria tantas cartas naquele final, mas tudo resulta. Porque isso aqui estou, a pregar a palavra; desde Los cronoscrímenes que não vibrava tão honestamente. É mesmo, é um cabrão dum clássico de culto instantâneo. 

O remake d' O Paciente Inglês


vai se intitular O Apressado Americano.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Assim à primeira (e única) vista

Eu gosto destas análises, tão ricas a cappella, como depois, já com toda a orquestra e os dados científicos. Primeiro Cage, com a cara de todos os posters, de todos os 147 filmes que faz por ano, sempre como protagonista. A foto deve ser a mesma, depois metem-lhe o chapéu e um fato de marinheiro do Centroxogo. Depois parece-me o Tom Sizemore, à esquerda e um gajo igual ao The Punisher (série TV), sendo que do outro lado, o The Punisher filme (um deles), e dois putos sinistros que ou falecem, ou então são os únicos a sobreviver, já velhinhos, para contar a história. Verídica claro, e um casalinho de tubarões, para facilitar. Por último, a cabra da cereja, realizado por Mario Van Peebles. Agora vou descansar e depois vejo o trailer. Desejem-me sorte.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017


The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun.
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.

Faz hoje três anos. O cinema continua vazio pai e cheio de saudades tuas. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

De depósito cheio

Por sentir muito a falta de Tony Scott, é que vejo um certo encanto nesta malta despachada. Não aquele fim de linha Michael Bayano mas um pulso apertado, ao largo mas não tanto, fechando depois na hora certa para o frenético. Aquela panela de pressão estruturada, bem apresentada, que nos coloca à beirinha, hoje no livro vermelho das obras ameaçadas. Por isso há que dizer e espalhar: o momento em que a plataforma cede, desiste, rebenta, grita, mata, é possivelmente a grande cena de ação do ano passado. Bem em todos os toques, espaços, tempos e desfechos. Como um lembrete apocalíptico dos nossos dias.