terça-feira, 7 de julho de 2015

A Catarina bem avisou

Olhem eu a citar os últimos TCN: nos últimos TCN, a Catarina, quando venceu a Melhor Crítica de Cinema pela La vie d'Adèle, sublinhou a necessidade. É importante ser visto, porque é a vida, é a vida. Disse antes de voltar ao seu lugar. Na altura pensei nisso, depois passou, lá misturado nas outras notas e referências. Quando finalmente parei no azul, aí sim, de novo o aviso, e sua urgência. Desarma. Não as cenas de sexo ou a saliva, desarma porque é de facto isto. Aqui ao lado, ontem, no outro dia, comigo, contigo, a ir embora ou a chegar. A música é de facto esta, e não se explica tamanha intimidade. Vive-se, vive-se.

É que o primeiro é uma bela malha

A par com a Grécia, outra questão quente: devo ou não ver a sequela (um bocado falsa) de Grave Encounters? Votar aqui ao lado.

sábado, 4 de julho de 2015

"A vida nunca envelhece"

O Apatow bem podia dar aqui uma saltada. Uma humilde saltada de lápis na orelha e ouvido bem aberto. Ia de certeza encontrar um mundo mais parecido com o mundo. Mas o seu novo, lá tem a gorda adulta cachopa com problemas de conexão, que só quer é pinar, e possivelmente tem uma amiga que fuma muitas ganzas. While We´re Young, longe de ser um grande filme - está muito nos moldes denunciados - apresenta uma visão bem mais refrescante dos quarentas. E do que é crescer, especialmente hoje. Onde as gerações se baralham e trocam de lugar, de material - como se ciclicamente não existisse mais era de ninguém.

Mas como é que o amor amor consegue desligar a televisão para ligar antes a ti amor?

Adria Arjona e Leven Rambin (True Detective)

Portia Doubleday (Mr. Robot)

Gemma Chan (Humans)

Emma Ishta (Stitchers)

Hannah John-Kamen (Killjoys)

sexta-feira, 3 de julho de 2015

No outro dia, na Antena 3, o Alcobia disse Sarah O'Connor

Nos, relativamente jovens, programas de música há um cliché da crítica que vai na volta, volta. Tu não sentiste a música, ou, como eu gosto mais, tu não percebeste nada do que estavas a cantar. Índice negativo, indicador de que não, não. Assim o problema maior de Terminator Genisys: Alan Taylor tu não percebes um corno do que estás a contar. O que torna o sucedido num acontecimento ainda mais frustrante.

Escusado será dizer que este parágrafo contém spoilers numa frequência parecida aquela com que o cavalheiro ao meu lado arrotava a Cola, ou com que a pita atrás de mim gritava histérica, gritos muito engraçados de quem nunca tinha visto nada da saga. Começando pelo bom, Arnie e J. K. Simmons, a velha guarda. O primeiro num claro tom de paródia reflexiva, como tem feito de forma incrível desde muito cedo na sua carreira, repensando o seu papel nas coisas e, na maior parte dos casos, salvando o dia. Mantém o nível, a pinta, as deixas e a comédia, tudo nele. O segundo é daquelas adições que me fez suspirar pela saga, por aquilo que ela realmente representa nas suas curvas e perigos. Porque a premissa é de facto boa: uma timeline paralela onde as coisas não são mais o velho escrito. Gostei dos flick flacks, volta e depois regressa. Eu estava até embeiçado, bora lá, bora lá.

Depois o erro. Tipo pescada, que antes de o ser já o era. Promover de antemão a transformação do John  Connor, como se houvesse mais alguma na manga. Não há. E é aqui que entram as caralhadas. Até 1984, tudo bem. estão lá todos e tal, do género manhã da Comercial, mas porreiro. Venham mais. Depois viajam para 2017 e aí aparece o salvador, que agora é mau e engenheiro, e, e, e, pronto acabou. Foda-se. Depois começam as questões, que são muitas, mas lido bem com algumas pontas soltas. Agora, não explicar quem enviou o T800 para proteger a Sarah Connor é não reconhecer este tomo como filme, é tirar-lhe qualquer crédito e valor: pois isso sim é a génese. É a razão do novo rumo, do novo futuro, do novo. 

A todas as perguntas, que em todo o lado acabam por cair na especulação e ficarem mal respondidas - os argumentistas dizem que estão a guardar tudo para os próximos, pois bem: vão levar no cu - junta-se um acting impossível de descrever por palavras. Minha mãe do céu, sai um workshop de representação para a mesa do canto, é que nem no Mar Salgado se praticam tais "rostos número 2 de aflição". Onde está a rijeza, o suor, o sebo. Em lado nenhum, e mais fácil de sentir, é pensar na cena do parque infantil, no T2, com os rostos, as caras a caírem em cera, e depois ver o início deste TG, à San Andreas. Acredito que numa timeline diferente, onde o argumentista não é um gibão, existe de facto um filme bastante capaz.

Digestão

Vi o Kynodontas. Quantos dias tenho de esperar antes de poder ir à água?

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Da Pixar e dos Piratas

Em 1985 Richard Donner prometia a uma série de miúdos a imortalidade, para sempre Goonies. Sempre nessa memória, como fotografia que os anos foram, de forma quadrada e cinzenta, pisando. Merda para as hormonas e seus pêlos pesados. A infertilidade da mãe ideia também ajudou. Vemo-nos sós, mas não perdidos, pequenos redutos vão segurando as pontas do mapa, porque o X continua de facto lá. A Pixar é um desses pilares, que ao longo das nossas dores - com os inevitáveis altos e baixos - nos vai fazendo acreditar. E Inside Out é essa epifania. O mais arrojado, mais complexo e mais genial filme do estúdio (e de animação) até à data, aventura-se nos sentimentos, sem vilão nem bicho papão. Aventura pela aventura, nos mais incríveis mecanismos da mente, desmontados até à mais pequena pincelada, tudo cheio de nós: e que cena incrível a do pensamento abstracto, como, que par de tomates tão grande. Não é para estes miúdos, dos 6 aos pequeninos, é para nós malta, os Goonies.

Mitologias

Nem bêbado. Nem naqueles momentos bêbado, já do cuspo e do mar enrola na areia. Nem aí conseguiria inventar um filme onde o filho do Apollo ia ser treinado pelo Rocky. Mas que argumento do demónio, e que nova mitologia inesperada. Quanto ao outro trailer do dia, London Has Fallen, já não precisei de beliscão, já me tinham espetado a bomba nos cornos. É uma espécie de Die Hard dos pobres, que até tem realizador falso na sequela e tudo. Para cima dos gajos Babak Najafi.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Primeiras obras

Escolhe lá um poster, o mais jeitoso, que possas dizer o mais bonito do ano. Era este aqui. Sem letras então é bestial, só com o 71 pintado em fundo branco. O filme é uma debandada em linha recta, como já se vê pouco. Um soco directo e seco no género do left behind, sem lados nem redenções. Chuvoso, triste, bem interpretado e retratado. Merece um abraço, melhor, aquele abraço.

Não pines que não é preciso

It Follows tem aquela grande vantagem: fala sobre outra coisa qualquer. O tema não é de facto o prometido pelo género, como fez de forma cristalina The Babadook, ou noutros campos, Gravity. É sim o mote, o capuz. Com uma inteligência muito prática, quer na câmara e seus travelings - desconforto - quer nos cortes rápidos na narrativa, excluindo explicações e longas maldições. Normalmente é sempre a gaita que morreu lá há 20 anos atrás porque um gajo que foi despedido da Decatlon quis-se vingar da equipa feminina de voleibol, ou uma merda do género. Nesta perseguição não, algo persegue, algo foge. Simples como isto e no meio, ou fodes, ou danças.

Estudo indica que as pessoas vomitaram depois de ver o novo trailer de Point Break

Deu quase como as sondagens aldrabonas, pagas pelas várias cores de sabe-se lá qual arco-íris. Tudo empatado, depois de uma corrida louca às urnas, sendo que uma pessoa disse que vomitou um bocado, outra que vomitou como O Regresso do Pestinha e outra - armada em forte - não vomitou. Porém ninguém vomitou à la Conta Comigo. Momento então para rever essa épica história da história.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

A televisão é mil vezes melhor, vezes infinito, ao quadrado, que o cinema

Era só tique da moda. Para ver se caem. Porque o resto não tem nada a ver, ou melhor é sobre televisão e cinema, mas sem escarretas. Essencialmente são dois pontos, que gostava de vos expor, um de desagrado e o outro de "olha que bem". Primeiro, então oh meus meninos, porque é que ninguém me avisou que o Axel, sim esse Axel, tem um programa de cinema na Benfica Tv que é o CineBenfica. Foda-se anda aqui um gajo amargurado à procura de uma nova referência cinéfila nacional e ela navegava mesmo por debaixo do meu relvado. A segunda, é sobre a última gala do Ídolos, onde o tema foi o Cinema. Para não fugir, é sempre, com o She e o meu coração continua, e as merdas do pré-escolar. Não foi essa a parte boa: abertura ao som de Mad Max: Fury Road com um Manzarra cosplay da personagem. Horário nobre, 7ª arte, Miller a dar as boas vindas. Inevitável clap, clap, clap.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Intimamente desiludido

Documentar, documentir. As duas coisas, bem articuladas, para se contar uma história daquele modo. Debaixo daquela assinatura. É assim não é? Se não for não é cinema, ou é? Kurt Cobain: Montage of Heck não é de todo um documentário, é uma súmula desgovernada de material, imagem, texto, vídeo. Sem ordem nem partido, nunca assumindo, a biografia ou a visão. Os testemunhos ficam escassos, na medida que não possibilitam a ponte entre as histórias, e os grafismos ficam demasiado presentes, cansativos. Na ideia de mente ferida, que todos sabemos. Ou seja, não há absolutamente nada de novo. Nada que nos interrogue, que nos faça correr, pensar, mudar. Talvez a montagem tenha sido demasiado ela, demasiado montada.Venha o, ainda mais polémico, Soaked in Bleach, que este não deixa nada.

Tão Cinema

Ele era tão cinema, que achava que as praias de nudistas eram encontros de chegada de terminators.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Até no espaço

Ontem vi o piloto de Dark Matter na televisão, na Syfy, como manda a lei. Ganhei logo um biscoito e uma festinha. Abana, abana a cauda. Fora de latidelas, é importante o esforço de sincronizar os conteúdos, o caminho é esse aí. Mas o que eu vos quero contar, é que no meio do episódio apareceu o Rob Stewart, velhinho e de cabelos brancos, para nos lembrar. Foda-se Tropical Heat porque é que és a melhor série do mundo de sempre?


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Mais dentes

Adoro quando o veredicto vem logo no topo. É menos uma viagem, em tempos de birra. Por isso, sejamos eficazes e coerentes com minhas preferências: Jurassic World é a sequela que Jurassic Park sempre mereceu. Lançado o chavão, quentinho para qualquer edição em DVD ou BluRay, eu não podia estar mais contente. Até já tenho a caderneta da Panini, e já colei os crominhos, e amanhã vou comprar mais. Filme, sim o filme: primeiros 20 minutos incríveis, num build up à velha aventura, com tudo no lugar ao tempo certo, onde os antigos acordes nos conduzem aos novos locais. E o refrão, momento em que se abre a janela. Foda-se, arrepio. Voltámos à ilha, finalmente. E finalmente, alguém que, como o Spielberg no original, sabe muito bem o que quer mostrar: não há curva despropositada ou ação em vão, as áreas estão delimitadas, definidas, oferecendo um aconchego. Alguém que sabe e alguém que desenhou um universo. Sem arcos paralelos ou pontapés de ginastas. Lindíssima e inteligente apresentação que se enrosca no enredo de um dinossauro novo, ainda pior que o resto da escória, que decide fugir e começar a limpar os pedantes. Duas parelhas consistentes - os manos e o casal truca truca - levam-nos nas novas peripécias sempre cruzando o passado. É neste detalhe que o filme vence: o enorme respeito pelo seu património. Sabe o que foi, o que representa, e ironicamente apresenta o seu valor, a velha T-shirt, a velha faixa, o velho jipe, os velhos óculos noturnos. Foda-se, arrepio de novo. Sabe também que não existe para competir com esse sonho, mas sim para dar continuidade ao mesmo. No final de contas, era o que o Hammond queria. Tirem então essas trombas de quem leva a competição muito a sério, ou deixem-nas no sítio, o Trevorrow está-se um bocado nas tintas. Passarada, muita gente comida, nova frase mítica - precisamos de mais dentes - e a melhor luta de dinos de toda a saga, sempre com um ainda maior a salvar o dia. Faz todo o sentido. E tudo se conclui no tema de Giacchino, uma melodia nova com 22 anos de idade.

Nada explosiva

Inquérito aqui ao lado sobre aparente atentado. Agradeço participação.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Haja o que houver

O meu irmão diz que se houvesse um filme com uma lebre que viajava no tempo e depois perdia uma orelha porque estava noutra timeline, eu via. Isto com algumas caralhadas de incompreensão e fartura. Mas é verdade. Project Almanac é o Chronicle, com outros atores. Eu detestei o Chronicle, mas gostei deste, porque não sei distinguir, fica turvo. Constroem uma máquina, recuam, alteram as coisas, têm de tentar evitar e começar de início, mas chegam à conclusão final que não dá. Vício do demónio.

Not until the fat lady sings


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Salvar

Interroguei-me porque carga de água estavam eles a traduzir redemption para salvação, se a palavra redenção existe. Sinónimos ligeiros, não clones um do outro. Salvar não implica redimir e vice-versa. E só depois é que percebi a genialidade nos nossos tradutores: Miller não está a redimir-se de merda nenhuma, está sim a salvar um cinema. Os crentes, que fogem de um conjunto de loucos megalómanos, cheios de poder e excentricidade, com suas curvas e rituais, sem sentido nem ordem. Somos nós a fugir com eles, em busca de um paraíso que em tempos vivemos. É isso, certo? Se não for, é o filme do ano à mesma. Em 2014 John Wick, agora Mad Max. Duas loucuras visuais de vingança e violência, que correm no sentido de mostrar como se constrói e impõe uma narrativa. Mas aquilo não tem enredo, ouvi por diversas vezes. Absurdo disparate. Enredo obriga a um envolvimento, uma rede que se constrói e nos apanha, feito conseguido nos primeiros minutos. Querem mergulho mais profundo? Inacreditável como numa breve apresentação do universo e seus actores nos deixamos engolir: isto é a mestria de contar e construir amigos. Ah mas o protagonista está em segundo plano? Ora bem, uma das coisas que mais gostei em Boyhood não foi a grande fotografia, mas sim as pequenas imagens que íamos capturando ao longo dos anos, as pessoas que se iam cruzando e vivendo, cada uma delas uma história. O resto é um final que ainda não sabemos. Max cruza várias histórias ao longo do seu final, esta é mais uma, com bons, maus e vilões. Ele passa, nós ficamos. Mad Max: Fury Road não é só tudo aquilo, não é só o melhor filme do ano, é uma história com um enredo do caraças!

A revolta do marciano II

Ainda por cima, para piorar, o trailer é bestial. Maldito sejas.


domingo, 7 de junho de 2015

Hipoteticamente

É talvez, a melhor sensação do mundo: créditos a negro, e a cor de ter ficado alguma coisa. Corpo que se aloja e perfeitamente se instala, enquanto assistimos ao feito. É talvez, o melhor de todos os mundos. Mommy, parte e frame a frame possui, feliz indicador de missão cumprida. De cinema. Cheio de enormes momentos, onde destaco a sequência hipotética, já perto do final. Onde percebemos, ou melhor, onde aceitamos o fado podre e feio. Lembrei-me claro da, igualmente mágica, cena de 25th Hour. Sacanas das hipóteses, o que têm de felizes têm de carrascas.

A revolta do marciano

Eu, a passear nas planícies imdbescas. Encontro, num recatado vale, The Martian. Eh lá, sim senhor, um bocado 127 Hours casou com Gravity, mas tudo bem. É em Marte, que se foda o resto. Quer dizer, que se foda se, chegados à parte da realização não encontrarmos...não não pode ser, é outro qualquer de certeza, de certeza! E Ridley Scott, claro. O nosso rebenta filmes favorito. Não há paciência.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A Terra Depois de Amanhã

Ao dividir o filme em actos, ou atos - para estarmos de acordo - estou automaticamente a digievoluir para aparente crítico pimpão de cinema nível 7. Parabéns a mim próprio por este feito. Passando para Tomorrowland e para o aparente problema dos filmes originais: eles não são originais. É tudo papelão reciclado, que chega mesmo a cheirar a merda. Ah se dizem que o público quer coisas novas então porque é que Jupiter Ascending não vendeu? Não vendeu porque é igual ao Matrix. Ou melhor, a ideia geral não disfarça a colagem cuspida de uma série de conceitos regurgitados por uma coruja gigante que já comeu muito rato. E nós já vimos. Roubar mas transformar, não podemos deixar a inércia preguiçosa à mostra: olhem estes sucessos que roubámos e agora mudámos a forma das orelhas. Não. Tomorrowland não é assim tão mole nem tão replicado de velhos conceitos. O primeiro e o segundo atos conseguem de facto inspirar o mais blindado dos fãs, desde o pin transportador até ao segredo (inacreditável) da Torre Eiffel, não existem grandes barreiras para o sonho. Porém, quando se volta ao chão, percebemos que no espaço ficou o argumento e aí entramos numa senda pateta, apressada e desconexa, para terminar rapidamente com a mensagem pretendida. É o didáctico momento Disney, para aqui as anémonas conseguirem perceber, bem desenhado nas nossas testas: temos de salvar o planeta, esta utopia é o futuro, tenham esperança. É uma pena Bird, não tiveste patinhas para terminar, ainda assim levas uma beijoca pelo esforço. E se puderes envia-me um pin ok? Cenas minhas.

Na fila

quinta-feira, 4 de junho de 2015

SOS escarlate

Whedonistas desta vida, chega o momento em que não dá mais. A sequela de Avengers é esse virar. Como é que um carequinha tão criativo, se arrasta para a mais previsível das posições, transformações. Ou não fosse esta merda, papel químico da manobra Transformers: primeiro competente, segundo insuportável. O que vem a seguir é indescritível, e sim, um homem vai ter de levar as suas mitologias até ao fim. Não há nada de novo, de inteligente, de complementar. Nada que permita crescer numa ou outra direcção, sempre na aflição de repartir os tempos de antena, à debate televisivo. Em detrimento de duas coisas: argumento e vilão. O primeiro merece para ontem um honest trailer: la la la, vamos criar uma super inteligência artificial antes de jantar, para depois podermos ir beber umas cucas ao Bairro. Quem é que pariu o Ultron? Que de repente está zangado, e é mauzinho. E depois no final levam sempre do Hulk, como tudo não passasse de uma anedota. No fundo não passa. Salva-se a Martha Marcy May Marlene, Olsen, Olsen, do meu coração. Bruxinha de tantos suspiros, quase que perdoava o resto, quase quase.

Nota de interesse

Reparei que a Sarah Connor está com boa peida neste poster.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O melhor episódio de Game of Thrones da semana

De facto, nesta semana, foi o melhor. Mas foi o único, dizem. Vá lá, não sejam idiotas. Deixem os paus subirem rumo à fonte. Os tempos são de tal seca, que basta a escarreta do décimo andar para sentirmos a frescura da chuva. Continuo com enormes dificuldades em descobrir unidade, coerência ou memória num episódio de Game of Thrones. O que teve de tão maravilhoso Hardhome, senão uma incrível batalha gelada, na última metade? Mais nada. Chega para algum tipo de medalha? Claro que não, porque não cola: Arya, Sansa, Cersei, Tyrion, com as suas cenas, que apenas existem, não se entrelaçam. Não é uma série. E a alegria do mundo, com tão pobre teatro, continua a ser a prova de que nunca teremos um verdadeiro episódio.

sábado, 30 de maio de 2015

Tem o Eric Roberts e uma atriz porno

The Human Centipede tornou-se daqueles clássicos botecos, obrigatórios em noites pegajosas de cerveja, e outros desvios. Como a deep web, neste caso a deep filmes de merda sem grande jeito. Porém o primeiro e o segundo mantinham uma certa - certo que não muita mas estava lá - tensão e aflição. A tentativa de uma possível fuga, psicopata jeitoso asqueroso. Este terceiro deita a aura centopeia por terra, ao tentar celebrar e amplificar, confundindo o horror com o over e bad acting. Chega a ser insuportável tal gritaria, sem nada que flua ou exista sem o descabido propósito do nojo. Acaba a gritar, claro, na certeza evidente que o Tom Six morreu no Three.

Escolaridade obrigatória

Calma que já lá estou, já lá estou.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O desamor

Enorme banhada. Ainda por cima armei-me em certinho, betinho, estúpido, idiota, aluguei. Como se carregar na merda de um botão fosse alugar, mas pronto: Rio, Eu Te Amo. Tenho de ter as minhas mitologias em dia, e a saga Cidades do Amor é uma delas. Das muitas. Então, depois do fracasso amoroso nova-iorquino, conseguiram ainda piorar mais o desgosto. Como se os cacos não fossem já fragmentos de uma enorme derrota. Desconexo, mal interpretado, e acima de tudo vazio dos espaços. Querem-se celebrações da cidade enquanto organismo vivo e não notas de autor de um local anónimo. Gostei da curta do Meirelles, pela gracinha. O resto esqueçam e sigam, Shanghai a seguir. 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Cinema Animal - Cão

Blogosfera, três ilustres, um animal, poucas regras. Ah, esqueci-me, cinema, em força, do jeito que cada um bem quer e respira. Hoje foi o cão. Vamos ver que dentadas daqui saíram.

Nuno Reis

Antestreia
Quando este convite/desafio que muito agradeço me surgiu, queria algo marcante. Podia ter ido para “Cães Danados” ou ter brincado com as palavras e ir rever “Dogma”. Não adiantava pensar em filmes com cães que eram todos demasiado fofos. Queria algo sobre o lado animal do homem, mas que fosse selvagem e cru. Portanto, algo que não fosse sobre cães domesticados. A sorte de ter um cão no título foi pretexto para voltar a falar sobre um dos meus “filmes favoritos que não vejo vezes suficientes”: “Alpha Dog”, um filme sobre as matilhas que se formam entre os jovens que, tal como cães vadios, são deixados ao abandono, sem rumo, por progenitores que trabalham para lhes darem o melhor que o dinheiro pode comprar, esquecendo-se de estar lá para falar e ouvir quando eles mais precisam.

O cão é o animal mais próximo dos humanos. Acaba por ser quem está sempre por perto para nos ouvir e animar, nunca criticando, sempre dedicado e fiel. Não admira que seja considerado o melhor amigo do homem. O contrário não é dito com a mesma facilidade. O homem nem sempre tem paciência com o animal. Maltrata-o, abandona-o, zanga-se, usa-o. Os cães não merecem isso.

Inspirado na vida de Jesse James Hollywood, “Alpha Dog” narra como os nervos e inexperiência da juventude podem empolar as pequenas coisas e os pequenos imprevistos em algo terrível. Como o elemento alfa leva os outros a fazerem o que sabem ser errado, pagando todos em consciência - e por toda a vida - pelo que é simplesmente um momento, uma decisão precipitada, uma pessoa com a cabeça quente. Em especial entre os jovens, quando uns procuram orientação e outros se querem impor como líderes sem ter juízo para isso.

Na altura em que o filme chegou a Portugal, sabia que tinha Bruce Willis e Sharon Stone envelhecidos e uma cambada de gente jovem. Fui ver confiando plenamente no realizador e acabei por descobrir toda uma geração de estrelas como Anton Yelchin, Olivia Wilde, Amanda Seyfried, Amber Heard, Ben Foster e Justin Timberlake. Tirando Emile Hirsch que tinha visto em “The Girl Next Door”, era a primeira vez que via toda aquela gente em papéis de algum relevo. Na altura parecia uma passagem de testemunho de cães velhos que ainda sabem truques, para uma nova geração de cachorrinhos. O tempo encarregou-se de demonstrar que os velhos continuam por cá e os novos continuam a construir as suas lendas, mas ainda espero por um casting tão certeiro como este no que diz respeito a jovens talentos. Não é todos os dias que se consegue projectar o elenco de um filme uma década para o futuro e dizer que todos eles se tornaram figuras relevantes da nossa cultura.

Quanto ao filme, por vezes cai em facilitismos. Muita gente o terá já esquecido. Mas várias cenas e situações perturbadoras serão recordadas e esta tão inverosímil e semi-verídica história causa enorme impacto no seu todo. No final, mesmo não sendo dita ipsis verbis “Basta um cão raivoso para contaminar os dóceis” é a mensagem que fica.

João Lameira

 O cão no cinema costuma ser uma figura simpática, o melhor amigo do herói, às vezes seu parceiro na luta contra o crime, como naqueles filmes dos anos 80 em que era detective da polícia e tudo (anunciando os futuros inspectores Rex e Max). Por vezes, o cão é o próprio herói da história, pense-se na Lassie e no Rin Tin Tin. Até da vida real, não tivesse sido uma cadela a primeira astronauta lançada para a órbita da Terra. Quando não têm outra utilidade, servem de comic relief ou cute relief, tão adoráveis são. No entanto, quando são os “maus da fita”, os cães são mesmo maus.

Se, em The Omen/Génio do Mal, Damien é o Anti-Cristo e Mrs. Baylock é pavorosa (não só como ama mas como pessoa), o que mete mais medo são os “hounds of hell”, a aparecer por todo o lado num cemitério e a guardar furiosamente a criança dos infernos. Mais do que os humanos, eles são a verdadeira manifestação do Mal absoluto, pelo qual têm uma fidelidade canina. Carnívoros, raivosos, sanguinários, imparáveis, indestrutíveis, são outra encarnação da Besta. Os cães de The Omen são os piores inimigos do Homem.

David José Martins

Tive que consultar o Google para descobrir o nome da criatura indestrutível do "Dia da Independência" de 1996: Boomer, um Labrador Retriever. Parece haver uma regra não escrita nos filmes mainstream em que o ecrã pode exibir pessoas e cidades inteiras vaporizadas ou massacradas sem pudor, mas as criaturas peludas de quatro patas são intocáveis. E nesse guilty-pleasure da minha juventude foi a primeira vez que me apercebi desse fenómeno. Provavelmente pelo cena totalmente descarada em que o animal escapa por uma fracção de segundo a uma explosão que no mundo real o teria transformado num hot-dog, literalmente. A minha escolha não é a mais intelectual ou pertinente, mas a outra alternativa era uma memória mais antiga de um canídeo acometido de flatulências num filme que não fixei...

O Falcão Ataca e é Novo

É caso para moderar a tusa. Nem salvar nem destruir. Acrescentar, no seu sítio, à sua hora. A provocação e a criatividade, são, obviamente, enormes pontos a favor. Há ali muita ideia, muito fabrico delicioso, complementado por aquele que é possivelmente dos melhores cameos que já vi em vida. Do outro lado, temos apenas uma espécie de Austin Powers Tuga, que se revolve nos tiques e gritos - chega a saturar - utilizando o sumo do universo em detrimento do sumo da história. É capitão sim senhor. Se há tesão para ser meu, isso já são outros cinco tostões.

domingo, 24 de maio de 2015

A máquina não parou

Costumo escrever o texto, depois o título. Hoje foi ao contrário, talvez pela evidência clara da fotografia. Ontem reencontrei a máquina, que durante anos a fio me ofereceu filmes. Foi nela que vi o drácula, o mãos de tesoura, esta loura mata-me, o titanic, o olha quem fala ou o corte de cabelo. Foi nela que  fugi de prisões, travei as minhas guerras. Lá me ia endireitando, num auditório minúsculo, projectado num lençol enquanto a fita corria. Vi um star wars, o último grande herói, o quinto elemento, foda-se, a máquina sou eu, a minha vida de cinema, no cinema, para o cinema. Ali resumida num conjunto de peças metálicas que circulam em canais, até à luz. Com os meus. E vê-la é um encolher de ombros, um sorriso, um desabafo, um desentender entendido da saudade: a máquina não parou.

Exposição Posters Caseiros já em exibição!

A exposição Posters Caseiros, do Edgar, chegou ontem à vila morena. Um serão formidável, descontraído e cheio de surpresas! Que, para além da comunicação da ciência, dos esforços e vontades, do cinema português e da arte, mostrou a blogosfera, a respirar e creditar o seu valor, o cinema de cada um para todos, na partilha inestimável de quem ama. Aquela história da alma e coração, aqui em estado selvagem. Apareçam, até ao dia 20 de junho na Biblioteca Municipal de Grândola.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

E sai mais uma musa para o panteão

Não é o íntimo glaciar de Under the Skin. Temos mais créditos do real, mais vidas no vai e volta. Porém continuamos na fotografia do além, como um sereno e quente sossego, enquanto agarramos a pele e nos desconstruímos. Que filme mais bonito, caraças. Possivelmente das coisinhas mais atraentes, certeiras e mágicas que iremos ver este ano. Apetece repetir a dança - já histórica - do Isaac.

de Armas

Assim é fácil brincar ao trocadilho. Já pareço a A Bola, quando inspirada. Certo é que esta marota vai fazer grandes maldades ao John Wick, que agora é pai de família mas aprecia uma boa rambóia. É o segundo trailer de truz truz.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Alguém tem de manter o nível

Tonterias, a torto e a direito. Claro que sim, a palermice de acumular o máximo de situações inacreditáveis. Certo é que estamos lá para mais uma volta, porque a malta diverte-se e só existe para nos divertir também. Gozo e ganho mútuo, bem feito, acelerado, mas, no final do dia, com requinte inocente que diferencia. Ah e claro, se não for esta saga a assegurar a cota de boas mamas e bons cus que temos direito quem é? O Bond Sénior? A Missão Possível? Ganhem juízo.

E no final, a princesa

Gostei tanto que me vejo engasgado na obrigação pateta do aviso. Como se eu me preocupasse. Mas pronto, lindo menino, se não viste e não queres adquirir conhecimento em demasia, esta pequena reflexão não é para ti. Se viste, vem daí. Cena da igreja? Claro, a par com aquela sauna do Jonh Wick, é possivelmente das agressões mais estimulantes dos últimos valentes anos. Que reduto este Matthew Vaughn, ainda a fazer o que gosta e a mostrar que consegue. No final não é o herói a ir ao cu à princesa, é ele mesmo a ir ao cu ao sistema. Muito muito bom.

Tem dores?

Meio adoentado, com umas cenas. Meio internado, já inteiro do lado de cá. Só pensava como tinha adormecido algures no filme da enfermeira 3D. Como?

terça-feira, 5 de maio de 2015

Este post é um bocado sério

Até que ponto, faz sentido, sequer pensar, na alteração/censura de um filme devido ao que se passa do lado de cá? San Andreas irá manter a sua data de estreia mas repensar o marketing, devido ao sismo no Nepal. Já Wild Tales foi dilacerado nos media, com exposição integral da sua primeira curta, graças ao acidente da Germanwings. Existirá algum tipo de dever por parte das indústrias criativas? Ou será apenas a eterna guerra da hipocrisia?

Até sempre

Não te podia deixar ir embora sem antes, também eu, te escrever em qualquer sítio. Sem flores, nem carolices, apenas um tirar de chapéu. Justified era a série que seguia há mais tempo, sem acasos nem imprevistos. Sempre deliciado com os apetrechados diálogos, a tensão inigualável e aqueles dois. Foda-se. Como deixar ir uma parelha tão definida e construída, vivida na sua própria indefinição e construção. Cliques, ou alinhamentos, de quando tudo está certo. Telefone em baixo mas certos porque viemos. Obrigado malta.

Vanessa


The Courtyard of the Ballads II

O Nuno Markl vai adorar. O Luís Miguel Oliveira vai detestar. Mas bocejos à parte, continua a ser perturbador a incapacidade de um dito cinema comercial não conseguir construir a merda de um trailer. Já nem pedimos um filme, só o trailer. Devem existir tutoriais para tal façanha, ou mesmo que não existam deve existir alguém amigo que depois diga não. É desconexo, é incongruente, é mau. O que só piora a catástrofe.

8 anos

Chupa. Este ano, até um dia antes. Minucioso, que nem velho chinês. Deu para recordar o primeiro mês e tudo. Maio de 2007. Engraçado agora ver, como tentei encher os dias: estou lá eu do início ao fim, um legado em 25, novo e sem os brancos. Willow, Lost, Namorada Aluga-se, Truman Show, Mulheres do Sul. Um cubo do melhor que a minha memória guarda, logo assim na primeira jornada. Muitas vezes voltei a estes sítios, nos tempos que passaram, provavelmente sem nunca saber que os tinha dado de bandeja. Oito anos depois e este meu mapa continua a surpreender. A funcionar como contínuo refúgio de uma identidade. Sem agenda nem hora, à procura apenas de mais um suspiro, mesmo antes do refrão. E por falar em cantigas: sou finalmente avô ou não?

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Afinal, afinal

Dá tau tau na boca. A dizer mal sem ter visto e depois rabugento até gosta. Feio. Já passou. E antes de começar o meu curto elogio a Chappie, deixem só que vos elucide sobre as capacidades representativas de Dev Patel: não estão lá. Ficaram em casa, na gaveta das meias. Chega a desconcentrar. Até os não atores e polémicos Die Antwoord, são mais fáceis de peneirar, dão cor ao filme, carregam-no de cheiros. O outro bilionário é só a boca aberta de espanto. A ver se o moço não se estende mais por estas áreas do sci-fi, torna-se aborrecido. O resto, tem o suficiente e o original para se tornar precioso. Muito denunciado nalgumas curvas mas com suficiente vontade própria noutras: os "pais" de Chappie e o processo de aprendizagem são verdadeiros momentos. Efeitos maravilhosos e a tal metamorfose que Blomkamp tanto gosta, cruzar tudo com tudo, que nem um louco Mendel do cinema. Para mim sim, estás quase perdoado do Cagalheu, agora trás lá o Alien e depois falamos.

Morghulis o forreta

Ele não emprestava nada a ninguém mas o pessoal insistia: vá lá Morghulis!

domingo, 5 de abril de 2015

sábado, 4 de abril de 2015

Parece a máscara da Máscara

Tem escuteiros, tem floresta, tem psicopata, tem armadilhas. Mais um pouco e chamava-se Miguel Ferreira. Welp é assim uma luva perfeita nesta esguia e estonteante obra de arte que chamo corpo. Das terras da Bélgica chega-nos um clássico slasher, com retoques ainda mais clássicos de outras paragens (Haute Tension) e com uma narrativa ainda mais tradicional, para não repetir o clássico. Putos, noite, e um maluco que mata toda a gente das mais diversas formas. Protagonista em contenção, para se estranhar e adivinhar. Pode até ser fácil mas fica depois, através de um duelo bastante interessante, a questão: monstro agora ou monstro sempre? Excelente arranque senhor Jonas, venham mais.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

London is the place for me

Foi um mini ciclo de cinema ursos. Primeiro Backcountry, com urso mau, e depois Paddington, com urso bom. É o equilíbrio perfeito e gastroideal para estes dias doces, que exigem balanço, intestinos de fora mas também coração dentro. É a magia de saber programar um bom cartaz, com modéstia e ternura. Quanto ao ursinho que é adoptado e faz malandrice: sim, passa, não tanto pela aventura ou construção dos laços mas pela forma imaginativa como tenta chegar a eles. E isso já é magia. Agora todos a cantar. Maravilha.