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quarta-feira, 3 de julho de 2024

Contranatura

Assim como havia algo de profundamente magnético naqueles longos planos de um gajo a pintar, no Twin Peaks de 2017 há algo de perversamente confortável na viagem mato adentro deste serial killer. Fez-me lembrar o A Ghost Story, na perspectiva inusitada e declarada de voyeur; de uma visão contemplativa e raramente contemplada. Aqui o outro lado, um Viver Mal dos slashers: seguimos, quase sempre na primeira pessoa Johnny, um monstro que acordou e iniciou a sua matança. Lá vai ele aos poucos nas florestas, nos bosques, nos lagos, nos pastos. De manhã, de tarde, de noite. Sempre à procura de alguém a quem possa infligir uma morte danada. Este virtuosismo do percurso e da montagem, acaba por diluir a tensão e expetativa tão necessárias no género. Transformando este In a Violent Nature num animal curioso mas em conflito consigo próprio.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Cursed Films


Estreou ontem a segunda temporada de Cursed Films, da Shudder. Mais uma viagem inacreditável por uma série de azaradas/assombradas/eternizadas produções de terror (fantasia): desde Rosemary's Baby até ao The Wizard of Oz, passando por Stalker, The Serpent and the Rainbow e Cannibal Holocaust. Que belo menu.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Os vampiros lá da terra

Desencabeçar um pouco dos lobisomens que isto a vida não é só lua cheia. Boys from County Hell limpa o palato ao apresentar um vampiro muuuuiiitooooo antigo. O primeiro dos primeiros, que inspirou os escritos e os contos, sediado por debaixo dum estranho monte de pedras, numa pequena aldeia irlandesa. O regressar a um (desconhecido) ponto de partida acaba por ser a parte mais aliciante da proposta; reformular com genica o sangue, a transformação, o sol. Então mas afinal? Pergunta um grupo de locais pouco afetuoso que tenta em simultâneo sarar feridas e estreitar laços. Apesar da secura eficaz do horror, senti falta da comédia, daqueles perlimpimpins de, lá voltamos ao mesmo, Um Lobisomem Americano em Londres.

quinta-feira, 4 de março de 2021

Tremeu mas pouco


Se Host acertou em cheio no porta-aviões, este Shook fica mesmo mesmo no meio da água. A afundar, de cabeça. Shudder, minha querida, na saúde e na doença eu sei, mas não é fácil gramar com hora e meia de tanta palermice. O que podia ser um engenhoso terror dos novos media - e a transposição das mensagens, imagens, écrans para o espaço casa está de facto lá - cai nas típicas trapaças do género, preguiçosas e mal elaboradas. A bater bocejo, à procura de um tema dentro dos temas, a fazer tempo onde devia era criar medo.