terça-feira, 16 de maio de 2017

De quadro em quadro


Já aqui me confessei por Stories We Tell. Não tanto pelo estilo da oratória mas sim por aquilo que ela exige de nós. São histórias, muitas histórias, que se vão amassando num agregado enorme, amorfo. E para quem fica a forma? Lá está. Paula Rego, Secrets & Stories tem muito deste desafio, desta construção imagética que vem no bilhete, tudo a nosso cargo, de conto em conto, de ano em ano. É deste lado que se decide o quanto amar, como os seus quadros, formadores de opiniões e sentimentos. Cru, poético, indispensável.

domingo, 14 de maio de 2017

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Docinhos


Ainda não vi The Loved Ones. Se calhar vou ver hoje. Não vou nada, nem se calhar, nem ver, como se alguma vez, a esta altura da tarde não tivesse já a noite programada com rigor e intransigência. É um calendário complicado, mas para a semana prometo. Isto porque o mais recente de Sean Byrne - o segundo, ele só tem dois -  ao contrário deste, já foi. The Devil´s Candy é terrorzinho despachado, sem truques nem artefactos, utilizando in extremis a música e o seu vilão. Com volume, força e eficácia. Foda-se, quem nunca teve medo do Pruitt Taylor Vince que atire a primeira pedra.

Ele é o rei


Um bocado estranho, que tamanhas unhas de edição não consigam abrir conteúdo algum. Descolar qualquer sinal, de qualquer personagem. E uma coisa não engole a outra, pelo contrário, deveriam e poderiam ser parceiras. A montagem tem uma vontade fresca, arisca, de arriscar, requintada por uma cor e uns efeitos bestiais. Com frames no ponto, quase da pintura, como ele com a máscara e a espada. Mas depois, não há bate que bate, baque baque, são nomes de cartão que saltitam de um nenúfar para o outro, fugindo. E nós, assim, vamos também indo, desistindo.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Eu sou o Dune


Jodorowsky´s Dune é de facto definitivo. Achava exagerado, venderem-no como o derradeiro que nunca foi feito. Mas a questão é que foi. O seu Dune está todo ali, nos esboços, nos gestos, nas histórias. No entusiasmo, acima de tudo, o entusiasmo e o amor, aquele batuque, a agressividade a falar da devoção, de como se deve procurar o êxtase e de como a arte nos tem de - e pode - levar lá. É uma história, uma janela de ideias para um legado inacreditável que todos deviam procurar e abrir.

sábado, 6 de maio de 2017

10 anos


Calma malta, um de cada vez. Há beijinhos, bacalhaus e apertos de sobra. A própria cidade não se contém. Festa redonda, como o número de primaveras deste maroto, dez. Dez anos no bucho e lendo as efemérides passadas, não existe nada de verdadeiramente novo a ser dito. Vocês já sabem tudo, já aqui disse tudo e aqui continuarei a deixar tudo. À hora marcada, a entrar no carro e a voltar; um tempo à procura de outro. Os eus, constantemente às turras, na senda de consenso, sentido. O último episódio Nas Nalgas do Mandarim não podia vir em melhor altura porque nele habitam as mais sinceras raízes deste estaminé: as histórias, as histórias de cinema e o cinema das histórias. Contá-las, sempre. Obrigado companheiros.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Vamos lá colocar os óculos


Não devemos escravizar Dimension 404 com as correntes de Black Mirror. Até porque, parece-me depois de despachados dois episódios, que a série não quer esse fardo: pensar, projectar, não. É mais um batido levezinho daquelas garrafas e rótulos de eterna felicidade. Tudo misturado, bem referenciado, com as devidas vénias e inconsistências da juventude. Mesmo que essa narina se franza, basta cheirar a sinopse para abrir os braços. Eu li a do terceiro, um gajo qualquer, as pessoas esqueceram-se dos seus programas favoritos de televisão e depois há um viajante do tempo. Preciso pouco mais que isto para ser feliz, a caminho!

terça-feira, 2 de maio de 2017

Vamos falar daquele final?


Ficar nos créditos, naquela levitação, descompressão, de quem pensa encontrar no tecto qualquer abrigo, é, normalmente bom sinal. Aqui com uma música inacreditável, que te leva pela mão enquanto suspiras. Belíssima viagem, este Personal Shopper. Um conto de espectros, fantasmas e luto. Tão inspirador como desolador, tão para lá como cá, no corpo frágil de Stewart, que se entrega e se massacra, se veste à procura de paz. Entre as compras, as luzes e os comboios. Um simulacro do real resto, isto é se realmente restar algum real.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Até já há o "Get Out" Challenge


Quando o entusiasmo se concretiza, o chamado hype, só me apetece abraçá-lo, fazer-lhe festinhas e pedir-lhe desculpa. Enquanto aqueço um galão e volto a pôr as torradas para baixo. Get Out é real, muito longe das tusas do ano passado com Don´t Breathe, e muito perto do cagação. E lavados os pratos isso é que nos interessa. Obviamente, que o filme respira de uma inteligência técnica, na sua edição, e narrativa, no modo como conduz a crítica social, racial e política. Americana. Está tudo lá - talvez não fosse preciso estar tudo tão escancaradamente lá - mas para além do seu texto, vive um intenso e estupendo conto de horror. Com as pausas e tempos certinhos, resolução limpinha, mitologia semi-fresquinha, falta de ar quando nos afundamos e bolsas de oxigénio no arco cómico do seu amigo - que resulta surpreendentemente bem. Não fujam, este é à confiança, pago eu.

American Gods, Fuller, hoje, já


Muito se vai escrever. Expectativas, sangue, sexo, deuses. Nós. Muito se vai escrever mas o que interessa agora é que Fuller voltou. Aquele incrível que vai fazer do écran seu desenho, encher-nos das suas ideias e bombardear-nos com os seus pesadelos. Vital existir, como criativo, provocador e visionário. Ano vencedor portanto.