terça-feira, 26 de junho de 2007

Do outro lado


É dificil definir os filmes para crianças e dividi-los em diferentes categorias. São muitos e entrelaçam-se: uns são mesmo só para crianças, outros são para toda a família mas no fundo são mesmo só para crianças também, outros são para crianças mas mais velhas, ou os mais velhos também gostaram, desde a inteligência escondida em bonecos fofinhos até à piada fácil escondida por vezes em actores que já tinham idade para ter juízo, há de tudo um pouco. E assim nunca se sabe o que vem aí, levo os putos ou não? Será vergonha entrar na sala, um moço do meu tamanho?

Tudo porque vi há pouco tempo o Ponte para Terabítia e vi ali muito mais que Crónicas de Nárnia, Eragons e afins. Muito mais que meros efeitos e crianças de plástico embebidas em lições de moral chatas e repetitivas, flagrantes e aborrecidas. Tem a beleza de todo outro reino mas a ambiguidade e a inteligência do lado de cá. Tudo se resume a um curso de água que divide a realidade, dura e por vezes amarga, e Terabítia um mundo criado por duas crianças, um refúgio do primeiro, alimentado por sonhos e fantasias e vivido com uma intensidade e liberdade impossiveis de alcançar em qualquer outro lugar. Desde a imaginação até à representação tudo leva nota máxima: os meninos actores são muito bons, a par com os efeitos e toda a história no geral. É pena produtos como este passarem anónimos no meio de tanta fita vulgar e sensaborona....
Resta dizer que o trailer engana por completo o espectador, engana as crianças, que pensam que o filme será só para elas, quando no fim estamos perante um produto completamente diferente.

Mais que mil palavras


quinta-feira, 21 de junho de 2007

Que se faz agora?


Pouco mais há a acrescentar à construtiva crítica que Nuno Markl teceu sobre Hot Fuzz. E todo o carinho e vontade de mostrar este filme é sentido também deste lado. Estamos durante tempos e tempos a ver grãos de areia, agarra olha joga fora, quando nos aparece um diamante nas mãos ficamos quase sem saber o que fazer - assim foi quando acabei de ver Hot Fuzz, isto é tão bom, isto nem vai estrear nos cinemas cá, que podemos fazer?

Infelizmente nada, a não ser divulgar e espalhar com o máximo de força a qualidade desta obra britânica, dos criadores do também esquecido Shaun of the Dead. Este filme de acção constrói o seu próprio enredo, com personagens gordas e divertidas, com história escrita e pensada, parodiando simultaneamente inúmeros filmes do género, e o género em si no geral.

Não é a tipica comédia paródia, é tudo mais, desde a intriga ao humor, desde os actores de primeira até à frenética e fresca montagem, com cortes sentidos e marcantes no sítio certo, sempre com um enorme sentido de ritmo e bom gosto. É uma verdadeira mistura de coisas muito boas que dão um bolo raro e de uma qualidade muito acima da média! Por favor façam mais!

Antes de adormecer


o belíssimo poster de um filme que vale pelas palavras.
Ou pela tentativa de as usar.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Está tudo doente?


O trailer já aí anda. E já se levantam vozes, sobre a veracidade dos factos, sobre a fronteira entre o documentário e a ficção, sobre como Moore manipula os seus brutos e constrói uma obra assente nas suas crenças. Óbvio o filme é dele. É a opinião dele que é retratada.


A cena inicial de Bowling for Columbine é para mim um grande momento de cinema e uma bofetada gigantesca em toda a loucura que paira naquele país: Moore entra num banco, pede para abrir uma conta, aquela em que tem direito a uma arma. Preenche todos os formulários e no final quando lhe dão a caçadeira para as mãos ele pergunta: não é um pouco estranho oferecerem armas num banco?


Manipulador ou não, ele chateia, ele está lá, ele é necessário.




Infiltrações


Agora que já vi o The Departed posso dizer que:

- Sim é um excelente filme. Sim mereceu sem dúvida o Óscar.

- O ambiente criado, desde a esquadra até ao bar onde Nicholson opera, é fantástico, com uma imensa personalidade, quase que cheiramos aqueles fumos e aqueles diálogos.

- Mark Wahlberg tem o interpretação do filme.

- A música do início assenta que nem uma luva e canta-se assim.

- O trailer tem o sempre nostálgico Comfortably Numb.

- Percebemos que Scorsese é um excelente realizador mas percebemos também que nunca mais irá realizar uma cena como esta:





O gozo da tortura


No criativo teaser e no posterior trailer vimos que a premissa se mantinha a mesma: três jovens, desta feita do sexo feminino, embarcam numa viagem pela Europa acabando por cair numa rede macabra, sustentada por milionários perversos, que torturam e matam pessoas das formas mais variadas, de acordo com as suas mentes e taras mais doentias. E neste jogo os americanos valem mais, bem mais.

Parecia ser apenas mais do mesmo, mas penso que esta sequela é em tudo superior e preenche com frescura todas as falhas do seu antecessor. Em Hostel, temos uma introdução enorme, com a imagem de uma Europa composta por chulos, prostitutas bonitas e sexo fácil. Seriam estes os últimos pecados dos protagonistas, mortos depressa e sem ritmo, dando um estatuto demasiado bifásico ao filme, até à fuga final e à pequena vingança, que soube bem mas soube a pouco.

O primeiro sinal de que esta segunda parte poderia ser uma obra de qualidade foi o facto de ter fracassado nas bilheteiras americanas, aí disse, eh lá se calhar pensa-se um bocadito aqui. E sim! Hostel 2, tem uma introdução mais curta e já interligada com o que virá a seguir, tirando todo o proveito de estatuto de sequela que não precisa de introduções. Somos brindados também pelo outro lado, americanos sim, mas que pagam e que andam pelas mesmas ruas das vítimas à espera que estas estejam prontas. Esta acção paralela adensa a intriga e torna o festival do horror muito mais interessante e divertido.

Tem cenas de volência gratuita? Sim.

Muitas? Não, mas as que tem dão bem conta do recado.

Se recomendo este filme? Definitivamente, para fãs do género claro (eu).

Resta-me acrescentar que o final é em tudo gratificante e burlesco, tornando o menos óbvio na única alternativa possível, e assumindo o estatuto perverso salpicado de humor, daquele bem negro.
(pode surgir a questão: como é que ele já viu este filme se ainda não estreou em salas lusas? A resposta é esta: não sei do que estão a falar)

terça-feira, 19 de junho de 2007

Episódio 5


Aqui juntámos muitos ingredientes já testados, já provados e seguros de sucesso, e misturámos tudo na mesma panela. O resultado só poderia ser um bom cozinhado. É o CSI no hospital, é o Sherlock Homes dos médicos.

Temos um vilão, a doença, temos os heróis, investigadores, detectives, médicos, que tentam durante os normais 40 minutos eliminar o virus e salvar o doente do dia. Nasceu uma personagem forte e pouco usual nos rosto do versátil Hugh Laurie, que tem aqui o papel duma vida, Gregory House. Porque gostamos dele? Porque ele é o típico anti-herói, ajuda as pessoas mas é um sacana sem respeito por ninguém, salva vidas mas diz tudo o que lhe vem a cabeça e magoa os que mais lhe querem bem, gostamos dele porque ele não tem regras, não se constroi nos alicerces necessários para viver em sociedade e é nisso que por vezes nos revemos, nessa rebeldia e desejo da verdade.
Aliado ao mau humor, vem o toque da bengala e o estilo desarranjado que fazem dele capa de revista ao lado de rufias como Russel Crowe (os metrossexuais passaram à história). O fio condutor é simples, com pouco relevo para a vida pessoal das personagens, centrando-se mais no mistério do dia, andando em tudo o resto a passo de caracol.
A terceira série foi em tudo idêntica às anteriores, um final fraquinho, onde se assume completamente o estatuto de pequena bolacha que se pode comer em qualquer altura, completamente independente do pacote.