quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Repetidamente

[SPOILERS] Opá sim, aquele abraço final de grupo resulta, e só por esse conforto o filme vence. Também é verdade que florescem ramos francamente criativos (e maduros) ao longo da aventura, como aqueles que se erguem para formar a identidade da Riley, o cameo precoce (e hilariante) da nostalgia ou a ideia de que ao crescer perdemos a alegria em prol da ansiedade. 

Porém, senti sempre esta sequela a movimentar-se na zona de conforto, ao estilo de episódio da semana, remetendo de forma inexplicável a puberdade para um drama de hóquei. Eu quero lá saber quem é que a treinadora vai escolher ou se o vermelho fica bem em madeixas. Ou arriscavam a sério nesse vendaval de mudança - com todas as hormonas que ele traz - ou então punham o hóquei no saco e davam real palco às emoções. Porque, olhando daqui, são elas que estão no poster, são elas que eu quero ver crescer.

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Perna curta para tanto caminho


Empurrando para a borda do prato todo o arroz publicitário, o grande problema de desonestidade é do filme para com ele próprio. Conduzido por uma estética irrepreensível e uma angústia viciante da protagonista, Longlegs usa os seus capítulos como forma de preencher os vazios. Esquecendo-se do que é e do que tem de oferecer: como policial precisamos de um vilão e seus métodos, precisamos de motivações, precisamos de jogo, gato e rato; o filme dá, para nos tirar logo de seguida. Como thriller sobrenatural precisamos de pistas, de contexto, de ligações; o filme dá isso numa bofetada confusa e ainda nos martela tudo mais uma vez na cena final. Não é uma questão de falta de exposição, é um problema de identidade, de sabermos escolher os nossos monstros. E com muita pena minha Osgood Perkins não soube.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Sou teu amigo sim

O grande feito de Oddity é a ilusão de escala. Parece grande. Meia dúzia de caras, uma casa e um bonecão de madeira, fazem-nos passar com facilidade a barreira do exercício. Coisa que por exemplo, You'll Never Find Me - outro bombom indie recente - não consegue. Há um mundo a orbitar naqueles objetos, naquelas habilidades, naquela investigação. Em cima disso uma história simples mas inesperada, a transbordar bizarrice - desde os maluquinhos até às campainhas - cumprindo tudo o que promete num último acto certeiro e aterrador. Tivesse Damian Mc Carthy um elenco mais encorpado e experiente e estava aqui um cagaço para as calendas.

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

É ela que me mata a mim

[SPOILERS] É irónico, mas o melhor segmento de Alien: Romulus não tem nenhum alien. Somos atirados de início para uma colónia mineira, num recanto da galáxia; penumbra, pó, populaça e o sonho de uma vida melhor. É neste ímpeto de fuga que chegamos a uma estação à deriva e de novo todos aqueles tempos certos da ficção científica. A música e a calma com que vemos as naves a manobrar, a acoplar, como o Verhoeven tão bem fazia no seu Starship Troopers. O mergulho é real e continua numa estação abandonada - escura e claustrofóbica - dividida em duas metades, Romulus e Remus. Irmãos, como a dupla protagonista Rain e Andy. E é nesta complexa relação que reside o tema mais interessante do filme: a irmã que preserva no andróide, seu irmão, as memórias (e as piadas) do seu pai. Como se fosse o último reduto analógico de alguém que partiu, como uma fotografia, e da qual tudo faremos para proteger.

Porém, como diz o Miguel Araújo, "se eu não mato a saudade, é ela que me mata a mim".

E Fede Alvarez entra então em modo greatest hits com um caderno de encargos mais extenso que a fronteira entre o Cazaquistão e a Rússia. Aliens aos magotes, armas de marine, andróide mau e afasta-te dela seu sacaninha. Até tocou aquela "Dei à luz um Engenheiro", numa crise grave de Regresso do Reitivite, em que o filme acaba só que afinal não porque ainda falta a 17ª homenagem/colagem às obras anteriores. Um assalto tenso e fechado, com temáticas humanas e cenas de ação inventivas, torna-se num festival demorado de músicas de outrora. 

domingo, 7 de julho de 2024

Eles veem (e explicam) tudo


- Oh meu deus onde é que eu estou? Que letras e palavras são estas?
- Nós chamamos-lhe (PAUSA DRAMÁTICA) O Texto.
- Wow, é quem são estas pessoas que nos estão a ler?
- Os antigos chamam-lhes (PAUSA DRAMÁTICA) Os Utilizadores de Internet.

The Watchers é assim, do início ao fim. Tudo tem nome, explicação e história de origem. Fica muito pouco nas nossas mãos, o que para uma floresta carregada de mitologia e folclore fazia todo o sentido. Há de facto boas ideias (e belas molduras) nesta primeira obra de Ishana Night Shyamalan; porém acabam por ser comprimidas num calendário demasiado preenchido e luminoso.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Contranatura

Assim como havia algo de profundamente magnético naqueles longos planos de um gajo a pintar, no Twin Peaks de 2017 há algo de perversamente confortável na viagem mato adentro deste serial killer. Fez-me lembrar o A Ghost Story, na perspectiva inusitada e declarada de voyeur; de uma visão contemplativa e raramente contemplada. Aqui o outro lado, um Viver Mal dos slashers: seguimos, quase sempre na primeira pessoa Johnny, um monstro que acordou e iniciou a sua matança. Lá vai ele aos poucos nas florestas, nos bosques, nos lagos, nos pastos. De manhã, de tarde, de noite. Sempre à procura de alguém a quem possa infligir uma morte danada. Este virtuosismo do percurso e da montagem, acaba por diluir a tensão e expetativa tão necessárias no género. Transformando este In a Violent Nature num animal curioso mas em conflito consigo próprio.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Ecoa na eternidade de uma sequela

Paul Mescal matou Pedro Pascal é o trava línguas cinematográfico do momento. Imensas crianças a brincar a isto nos recreios enquanto fazem aquelas combinações idiotas de palmas e carapau sardinha. Atenção ao dizer isto muito depressa. E atenção também a esta sequela com o filho da Connie Nielsen, que deve ir vingar o Russell Crowe (fantasma da força?) e fazer festinhas no feno como não se houvesse amanhã.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Alterações netflixmáticas


Falava com o João, ao almoço, de como a Netflix - e plataformas em geral - se têm apropriado dos nomes. Aos poucos, os filmes deixam de ser daquela pessoa e passam a ser daquele monopólio. O que acontecia já com as séries chega a este cinema de plataforma, encaixotado no catálogo "o que ver a seguir". Por outro lado é neste "Quem quer ser John Netflix", que os autores encontram poiso para os seus trabalhos e podem continuar a filmar. Este Sous la Seine é um óptimo exemplo disto: não é o último filme do Xavier Gens, é o filme de tubarões da Netflix, já a obra mais vista no segmento dos 14-24 anos às quintas-feiras depois das 20h15. Não sei quem ganha aqui. Por um lado é pôr um autocolante por cima e vai tudo a eito. Por outro, é forma de relembrar filmografias menos faladas e ver finalmente o Frontière(s), por exemplo. O que é que vocês acham?

Em relação ao filme, gostei da cidade e suas catacumbas. Sítios reais que depois não casam com os efeitos de segunda linha e as piruetas daquele tubarão fêmea. Algumas cenas com piada - como a dos nadadores - mas falta assumir o divertimento e o massacre, como tão bem executou Alexandre Aja no seu Piranha 3D. Leva a sua patetice demasiado a sério. E assim resta-nos esperar pelo Sous la Seine: Dominion. Onde o mundo fica cheio de tubarões e depois os nossos protagonistas vão a Malta andar de mota de água e acabam num complexo aquático de uma multinacional cheios de gafanhotos. Gafanhotos do mar, claro.

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Diz adeus ao par de trombas

Naomi Scott, a única princesa da Disney que já foi Anjo de Charlie e Power Ranger. Ou a única Power Ranger que já foi princesa da Disney e Anjo de...bem vocês perceberam. Metam o favorito em primeiro. Certo é que esta tríade vencedora entra agora no segundo capítulo da (aparente) saga Smile, que para além de ter aqui um fã tem também um belo poster. O Halloween 2024 acaba de ficar mais interessante.

terça-feira, 18 de junho de 2024

Canções com filmes - I Miss You (blink 182)




We can live like Jack and Sally if we want
Where you can always find me
And we'll have Halloween on Christmas
And in the night, we'll wish this never ends
We'll wish this never ends

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Nalgas: The Awakening

Ainda não vos tinha dito mas as Nalgas voltaram. Cortámos os três o cabelo, para se perceber que estamos mais velhos, como a Zendaya fez no Challengers, e mudámos de nome. Agora somos só e apenas Nalgas do Mandarim. Mais apurados. Como um bom vinho; só falta a nova imagem ser um desenho duma criança, como a Herdade da Malhadinha. E enquanto 2025 não chega - ano em que iremos celebrar uma década de vida, em princípio com a primeira Feira Medieval das Nalgas - temos novo episódio, que, como de costume, é um valente fartote.