quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Every day I come by your house

and I pick you up. And we go out. We have a few drinks, and a few laughs, and it's great. But you know what the best part of my day is? For about ten seconds, from when I pull up to the curb and when I get to your door, cause I think, maybe I'll get up there and I'll knock on the door and you won't be there. No goodbye. No see you later. No nothing. You just left. I don't know much, but I know that.

The Nines


Assim como se divide em três narrativas distintas, este The Nines dividiu também o que eu ia sentindo ao longo do seu visionamento. Começa lento, com dificuldade em agarrar o espectador, demorando quase 20 minutos a lançar o mistério base da história, ou histórias. Quase sonolento agarrou-me de seguida num desenrolar estranho, recheado de sinais que vamos apanhando, tentando desesperadamente montar o puzzle antes do fim. Rendido sem dúvida levo com uma resolução frouxa e mal explicada, balde de água fria para um tamanho potencial.

Juntando tudo em poucas frases, são-nos apresentadas três histórias distintas, unidas por Ryan Reynolds e pelo mesmo leque de secundários. São três filmes diferentes, com as mesmas pessoas: um actor em prisão domiciliária, um argumentista com problemas de consciência e um pai de família perdido no meio de nenhures. Todos eles sentem que algo de errado se passa, estranhas vozes lhes dizem Look for the nines, Look for the nines. A premissa é óptima e a ordem e forma dos contos é a ideal, lançando pequenas luzes que se vão enrolando e destapando um pouco a solução do problema, construído num mundo de televisão, de computador, de écrans e pixeis. Mas, uma boa ideia não faz um bom filme, e John August (argumentista de algumas maravilhas Burtonianas) não soube conduzir o filme pelo caminho certo e perdeu-se num final confuso. Fica a pairar a desilusão. Queria muito ter encontrado os noves, mas não consegui. Podia estar aqui um daqueles óptimos objectos de culto, mas não está.

(+)O argumento.
(-)A resolução trapalhona que nos deixa francamente desiludidos.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Romance & Cigarettes

Uma deliciosa surpresa. Romance & Cigarettes. Uma espécie de musical que é uma espécie de comédia romântica que é uma espécie de drama. Surpresa pelo James Gandolfini, deliciosa pela Kate Winslet.

Do you love me the way you kiss me
Because you kiss me like you love me?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Finalmente


Cenas à chuva - 8

Revolution: a terceira parte do Matrix, também conhecido como o filme em que o Keanu Reeves não faz de Keanu Reeves. A cena é a batalha que põe termo à saga. A chuva de proporções bíblicas anuncia o final. É filmada de perto, faz parte da luta, interfere e acompanha todo o desfecho apocalítico, dando ao Matrix style parte do significado que o tornou mítico.


Nota: A cena que aqui deixo não está completa, mas chove o suficiente para nos molharmos todos.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Juno


O nome próprio não engana ninguém. Primeiro porque é invulgar, Juno, segundo porque é curto, Juno, e terceiro porque é de uma pessoa, Juno. Diferente, pequeno e singular.

Juno inaugura a festa com uma belíssima canção, um passeio a pé e um grupo de corredores passa. Instantaneamente entramos no problema da jovem adolescente e da sua gravidez precoce. Conhecemos as restantes personagens, o pai, a madrasta, a melhor amiga, o rapaz que a engravidou e o casal que vai ficar com a sua criança. Mas, e apesar de todo o elenco estar realmente muito bem (até a Jennifer Garner!), falar desta comédia é apenas elogiar até à exaustão a majestosa interpretação de Ellen Page. O problema é dela e o filme também. Veste de tal forma a personagem, tem rasgos tão verdadeiros, que pensamos mesmo estar a ver ali uma vida, nutrimos reais sentimentos, bons ou maus, por aquela miuda. Bebemos realmente do mundo dela, quase que o conseguimos ver e cheirar, um mundo que se resume na resposta genial que ela dá quando o pai lhe pergunta o que esteve a fazer: estive a lidar com situações muito acima do meu nível de maturidade. Das melhores interpretações femininas do ano (arrisco-me a dizer a melhor), um papel que parece simples mas é duma complexidade elevedassíma pois o foco de luz está sempre nela, não divide o palco com mais ninguém, carrega toda uma história através dos seus sorrisos, lágrimas, piadas e seu enorme barrigão.
Uma comédia fantástica em todos os aspectos que podia ter ido por centenas de caminhos mas conseguiu escolher o certo, fugir a todos os clichés, a todos os estereótipos, e presentear-nos com final no mínimo inspirador. Um dos melhores filmes de 2007.

E um grupo de corredores passa.

(+) Todos os minutos em que aparece Ellen Page, ou seja, todo o filme.
(-) Ellen Page não ganhar o óscar.

Amanhã vou falar de um óptimo filme


Sabem qual é?

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Cloverfield


No final do filme, na fila de trás, saiu um Está certo em forma de suspiro, em jeito de desilusão. Era só isto? perguntam os que se sentem defraudados. Enquanto logo no lugar da frente eu pergunto Como é possível ser tudo isto?. Uma coisa é certa, Cloverfield não é um filme consensual, vai dividir a plateia ao meio, em amores e ódios e serão mais aqueles que pedirão o seu dinheiro de volta do que aqueles que anseiam por uma repetição. Vamos então esclarecer os adeptos da pipoca, em Cloverfield não há nenhum adolescente assustado nem nenhum cientista idiota divorciado. Não há ninguém que contrarie o exército e tenha a solução para o problema. Não há nenhuma canção dos Aerosmith ou do Puff Daddy.

Posto isto e mandando o Michael Bay às urtigas, devo dizer que já não sabia o que era ser realmente entretido numa sala de cinema. Já não me lembrava o que era estar realmente nervoso, irrequieto, sem pensar em mais nada, apenas de queixo caído e unhas ferradas na cadeira. Vemos tanta palha, comemos tanta coisa igual que quando nos chega uma iguaria à boca o sabor é ainda mais incrível. O início começa calmo, com a vista sossegada da cidade, tempo de adaptação à irrequieta câmara, à história. Quando já estamos bem sentados e bem envolvidos no pano, a primeira explosão, e depois a segunda, pânico e correria, levando o espectador sempre às costas num incrível sentido de realidade, de experiência quase palpável. Somos os peões que se vêm na televisão, somos a carne para canhão que foge desvairada nas ruas (óbvias comparações com o 11 de Setembro), somos o que nunca antes tinhamos sido num filme. Luta pela sobrevivência amarrada a uma história de amor: o protagonista percorre Manhattan e regressa à zona problemática para ir salvar a sua mais que tudo. Romance este mostrado em pequenos cortes na narrativa central, pequenos recuos, pois a cassete da tragédia grava por cima de um encontro solarengo entre os dois apaixonados. Mecanismo esse que funciona de modo sublime, mal se sente, mas carrega a vontade e a persistência daquele homem em salvá-la e reforça também a ideia da inconstância da vida, de um momento para o outro que altera os nossos conceitos de ser e estar.

Não só tem fantásticas cenas de acção, como momentos de verdadeiro terror (a cena no metro é fenomenal), sempre contados na primeira pessoa, com planos casuais pensados ao pormenor, cada ângulo que não mostra é cada ânsia que se prende às outras e aumentando a vontade de saber o que se passa, e acima de tudo aumentando a vontade de fugir. Tudo montado na perfeição, com o ritmo certo, com o tempo certo (85 minutos) e com bons actores a liderarem a aventura.

A campanha viral que antecedeu o filme e o transformou logo numa big thing foi realmente muito eficaz e inteligente, mas Cloverfield fala por si, sozinho, mostrando-se como uma óptima lufada de ar fresco que nos refresca neste ambiente cada vez mais saturado dos blockbusters. Sem dúvida um dos melhores entretenimentos que tive nos últimos anos!

(+) Tudo.
(-) É um filme de cinema. Em casa perderá metade da sua magia.

domingo, 27 de janeiro de 2008