O cenário é Rwanda em plena guerra civil. Ano de desgraça de 1994. A guerra cujos massacres viriam a causar um milhão de mortos e milhões de refugiados. A história é verídica. A angústia, ainda mais. Don Cheadle, gerente de um hotel e salvador de centenas de pessoas de ambos os lados da batalha, simboliza todo um povo entregue à sua (má) sorte. Este é o momento em que as tropas da ONU abandonam o país. Os estrangeiros são postos a salvo, os nativos abandonados e com data marcada para a morte. Chove. A chuva é o pormenor mais irrelevante no meio do ódio racial, da impotência e da desilusão. Os brancos fogem. Os pretos morrem. Tão cru quanto real. Porém, a chuva agudiza o inferno à espreita daqueles que ficam e serve como meio para a expiação possível dos pecados daqueles que fogem.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
3:10 to Yuma

O início de 3:10 to Yuma é uma respiração asmática e pesada duma criança. Ao seu lado, um grande plano do irmão acordado, suado e tenso, focado pela luz da vela. Sentimos logo o ar a fechar, a tensão enrola-se e dá início ao fogo que só se apaga passadas duas horas de filme.
A história é simples, um homem honesto oferece-se para escoltar um perigoso criminoso até ao comboio que o leva à prisão, em troca de uma certa quantia que pagará todas as suas dívidas e salvará os seus da miséria. As duas melhores coisas deste western percebem-se nos primeiros minutos: a constante tensão tão característica do género (estamos sempre em sobressalto, sempre à espera que a pistola saia do coldre) e a força da personagem principal (Christian Bale), que mais do que notas e lutas físicas, trava consigo mesmo uma batalha de carácter em que se elevam os valores íntegros da família. Arrancando este início sucedem-se as mais diversas peripécias, repletas de tiros e cavalgadas, criando um excelente entretenimento cheio de ritmo e recheado de óptimos diálogos. Desde Imperdoável (em tudo superior) que não via uma cowboyada assim tão sólida e coerente, mas com tudo resto, pó, tiros, dinheiro, saloons, assaltos e sangue. E eu que não sou grande fã do género.
O que para mim constitui a grande falha do filme é o grupo de criminosos: Russell Crowe, que não me convence nem nunca me convenceu, devia funcionar como o outro lado da balança essencial na dupla central do filme, devia criar ambiguidade, o ser humano implacável mas no final sempre o ser humano. Mas não consegue, deixa-se estar no seu registo usual de pastelão e não conseguimos sentir o que quer que seja pela sua personagem, nem perceber porque é mau, porque é bom, se é assim tão mau ou se é assim tão bom. Esta nulidade é depois acrescida da excentricidade do seu fiel companheiro vilão Ben Foster, jovem actor fora do seu registo normal e com uma estupenda caracterização mas que, à semelhança do seu chefe, não me convenceu. Por outro lado Bale continua tão bom que esquecemos, ou perdoamos um pouco, esta lacuna, tendo a certeza que se as escolhas tivessem sido mais acertada estaríamos perante uma obra em tudo maior.
De um modo geral estamos perante um óptimo entretenimento que recomendo a todos os cowboys e cowgirls perdidos por esse mundo fora e que andavam à espera da próxima viagem. Carreguem a pistola pois ela está aí.
(+) O seu incrível ritmo e tensão constantes.
(-) Os maus da fita não convencem nem um bocadinho.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Stay out super late tonight
Waitress
Assim que o silêncio se cala e começamos a ouvir a música de abertura, acompanhada pelas mais diversas manobras culinárias no fabrico de tartes, é solto um perfume de fábula. Desde os primeiros minutos que Waitress marca o seu tom e o mantém durante todo o filme, fiel ao que quer contar e com uma personalidade marcante que não abandona. Aqui reside para mim uma das principais virtudes desta fita “pequenina”, pouco anunciada e que, resumindo o resumo, conta a história de uma empregada de mesa, com o dom de fazer as mais deliciosas tartes, e de todos os problemas que enfrenta para alcançar a real felicidade. À sua volta monta-se um incrível leque de personagens, o patrão, as colegas de trabalho, o marido possessivo, o ginecologista preocupado, o cliente do costume, entre outros, formando uma obra de grupo, onde o conjunto cria todo o suporte ao indivíduo central. Este cerne é Keri Russel, que consegue com este fantástico desempenho, mostrar toda a angústia de ser prisioneira da própria infelicidade. Sempre narrando o que pensa, dando os nomes mais inventivos às suas tartes, Russel dá aqui um enorme passo interpretativo e cozinha a credibilidade de uma excelente actriz. Suave como o chocolate que corre para a forma, Waitress é um filme que se deixa ir até ao final, até as nossos desejos serem já os dela e juntos encontrarmos finalmente a saída.
(+) A surpreendente Keri Russel e todo o ambiente de conto de fadas moderno.
(-) Passou ao lado do público em geral e provavelmente irá directo para a prateleira dos DVDs.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Did, Lazarus, Dig!!!
No ano passado, Nick Cave e três dos membros dos Bad Seeds (Warren Ellis, Martyn Casey e Jim Sclavunos) juntaram-se para formar os Grinderman e gravar um inesperado, desconcertante e brilhante álbum de rock electrizante, que rompia com as últimas tendências e gravações dos anteriores álbuns de Nick Cave. Agora, regressa a formação completa dos Bad Seeds e já tem data marcada a estreia do novo álbum da banda. Dig, Lazarus, Dig!!!, inspirado na narração bíblica da história de Lázaro (que Jesus resuscitou) e nos feitos de Houdini. O álbum sai no dia 3 de Março e o vídeo do primeiro single, que dá nome ao álbum, já está disponível no site da banda e é mais ou menos assim:
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