domingo, 13 de janeiro de 2008

Waitress

Assim que o silêncio se cala e começamos a ouvir a música de abertura, acompanhada pelas mais diversas manobras culinárias no fabrico de tartes, é solto um perfume de fábula. Desde os primeiros minutos que Waitress marca o seu tom e o mantém durante todo o filme, fiel ao que quer contar e com uma personalidade marcante que não abandona. Aqui reside para mim uma das principais virtudes desta fita “pequenina”, pouco anunciada e que, resumindo o resumo, conta a história de uma empregada de mesa, com o dom de fazer as mais deliciosas tartes, e de todos os problemas que enfrenta para alcançar a real felicidade. À sua volta monta-se um incrível leque de personagens, o patrão, as colegas de trabalho, o marido possessivo, o ginecologista preocupado, o cliente do costume, entre outros, formando uma obra de grupo, onde o conjunto cria todo o suporte ao indivíduo central. Este cerne é Keri Russel, que consegue com este fantástico desempenho, mostrar toda a angústia de ser prisioneira da própria infelicidade. Sempre narrando o que pensa, dando os nomes mais inventivos às suas tartes, Russel dá aqui um enorme passo interpretativo e cozinha a credibilidade de uma excelente actriz.

Suave como o chocolate que corre para a forma, Waitress é um filme que se deixa ir até ao final, até as nossos desejos serem já os dela e juntos encontrarmos finalmente a saída.

(+) A surpreendente Keri Russel e todo o ambiente de conto de fadas moderno.
(-) Passou ao lado do público em geral e provavelmente irá directo para a prateleira dos DVDs.

5 comentários:

Jp disse...

Ia-me passar ao lado! Gracias pelo aviso...

M.Ferreira disse...

Sempre às ordens;)Agora o próximo é o Once!Abraço

zb disse...

Já tinha curiosidade em ver o filme porque acompanho regularmente o Rotten Tomatoes, e este filme foi um dos que maior classificação teve durante o ano passado.

Depois, em Novembro, tive oportunidade de vê-lo durante uma viagem de avião e correspondeu completamente às expectativas.

Realmente, é uma fábula dos tempos modernos e é uma pena passar tão despercebido.

ana disse...

Com uma descrição destas é impossível não ir vê-lo:)
*
Ana C

M.Ferreira disse...

Vale mesmo a pena Ana:)
Beijinhos