quinta-feira, 31 de maio de 2007

Os filmes que têm lume

Hoje é o Dia Mundial sem Tabaco e filmes sem ele, tabaco, há muitos, quase todos. Por isso trago comigo alguns onde o cigarro é parte da narrativa e todo um elemento essencial para o produto final. Não não é o Thank you for smoking, não não é o Coffee and Cigarettes (ainda não pude ver nenhum dos dois), o que aqui vem hoje são apenas memórias de presenças sublimes mas fumarentas:


Instinto Fatal : Michael Douglas diz que deixou de fumar, até sucumbir à tentação e voltar ao prazer, do fumo misturado com o da carne. Sharon Stone não pode fumar na sala de interrogatório, acende o cigarro à mesma, o resto ficou escrito na história do cinema.

Coração Selvagem : devaneio lynchiano onde a combustão sonora e amplamente visível é usada de forma crua, como corte entre cenas, sempre a queimar, como o amor.



Constantine : Keanu Reeves fuma nesta fábula negra, fuma que nem doido, até ao diabo em pessoa lhe arrancar de forma nada simpática todo o alcatrão que lhe impestava os pulmões.
(de momento não encontro mais na desarrumada memória que por vezes me foge. Quem fumar, quem se lembrar, ou quem se lembrar a fumar, ou apenas a pensar, junte uns nomes à lista)

Os vizinhos

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Episódio 3


Esta foi a que mais gozo me deu e certamente não passará nas televisões nacionais. Se passar é na 2, às 3 da manhã, a um dia que ninguém sabe, e quando se sabe já vai no último e pronto acabou. Temos então Dexter, um investigador forense da polícia de Miami que analisa o sangue deixado e espalhado nos cenários de crime. Isto de dia, porque à noite caça os terríveis que a justiça deixou fugir, e mata-os num ritual privado e secreto, no local escondido da sua mente perversa, só aqui Dexter se sente bem consigo e com o mundo. A vida fez dele um ser sem sentimentos, que tem de fingir sorrisos e beijos para se diluir com a sociedade, e só nessas noites mata a fome de matar, dirigida para o bem através dos ensinamentos do seu já falecido pai, que cedo descobriu a natureza do filho e o direccionou lado a lado com a justiça. O ambiente é quente e pegajoso, a intriga é inchada e cativante com uma interpretação estrondosa de Michael C. Hall. É quase pecado simpatizar com Dexter, mas é o que acontece, os lados fundem-se e toda construção de bem e mal se vira do avesso, e damos por nós a adorar um serial-killer. Cinco dos doze episódios foram realizados pelo talentoso Michael Cuesta, autor de obras como L.I.E.. Aguarda-se com ansiedade pelo segundo capítulo. Uma obra prima.

Episódio 2


Consta desde o início na programação da RTP, a hora e o dia variam ( é sempre uma missão complicada seguir uma série na nossa televisão). É um fenómeno de culto, expandido para fora do rectângulo por foruns, páginas e qualquer cantinho de internet que sirva para debater e tentar resolver o mistério. A estrtura é em tudo inovadora, temos a linha de acção dos sobreviventes na ilha e paralelamente somos bombardeados com flashbacks da vida passada dos mesmos, tudo montado de forma harmoniosa e fluida, sempre interligando motivos e actos, sempre justificando o presente com o passado, é o uso pleno da prequela e do recuo. E fá-lo com uma elasticidade e rigor enormes.

Para além disso temos também os cada vez mais amados anti-heróis, todos são podres, todos escondem segredos nada bonitos de mostrar, todos têm um lado demasiado escuro que querem clarear e esquecer agora que estão isolados num novo começo. E gostamos deles, deste grupo heterógeneo de excelentes actores, cada um com a sua marca, almas para todos os gostos. Consegue sempre alternar, sequências de aventura de cortar o fôlego, com as verdade mais nuas da condição humana.

Dizem que satura e que o mistério enrola demais. Se vende continua, a lógica é essa, e nunca um produto foi continuamente tão bom. E temos também de ver que a estrutura do lost é inédita e nunca uma série se aguentou tanto e tão bem à volta de um único problema. Vejamos os Ficheiros Secretos, tinhamos o enredo basilar da conspiração que aparecia no início e fim de cada série, mas o resto eram histórias isoladas, o mesmo sucede com outras séries, como o House ou Sobrenatural, temos o cerne e depois pequenos snacks, sempre distintos. Perdidos não, é tudo o mesmo, temos flashbacks diferentes é verdade, mas tudo respostas para a mesma pergunta. E isto meus amigos, não é nada fácil.

O final da terceira temporada foi considerado em quase todo o lado, o melhor episódio de Lost de todos os tempos e é bem capaz de o ser. Atreve-se a mudar toda a lógica da procissão num dos melhores twists que já assisti. Um grande grande final que deixa tudo em aberto para o muito esperado regresso em Fevereiro de 2008.


(a paródia aqui e aqui)

Episódio 1


Agora que a maioria das séries já terminou, posso respirar um bocadinho, parar os downloads e falar um bocadinho sobre esta fase dourada das sagas de longa ou curta duração.

Já dá na televisão portuguesa (TVI conta não conta?) e encerrou a semana passada a primeira temporada. Olhar diferente sobre a questão da mutação e dos sempre apetecidos super-poderes, desenhado numa lógica BD. Não quer ser X-Men mas também não quer ser o Protegido, ficamos no meio, com uma ficção urbana, por vezes consistente e intrigante outras vezes monótona e sem ritmo.

O desfecho foi uma desilusão, uma resolução atabalhoada, com acções impostas apenas para justificarem a história e a explosão há muito esperada. Deixou pouco em aberto, mostrando um pedaço da segunda série solto e pouco cativante. Gostei muito muito desta série, mas o final deixou um sabor amargo que assombra agora toda e qualquer opinião.

terça-feira, 29 de maio de 2007

O poster

Onde estão as personagens?


Até agora o 3 parece ser realmente um número amaldiçoado. Primeiro o aranhiço, agora o Sparrow e a seguir o Shrek. O que se passa com as terceiras partes? Doença nova? Algo em comum que se possa discriminar, isolar e esborrachar que nem barata indesejada? Depois de ver o último Piratas chego à conclusão que o problema é o mesmo: não há personagens. E tudo se resume a isto. Temos imensas formas que se movem num aparato fantástico, e sim Nos Confins do Mundo tem os melhores efeitos especiais do momento (incríveis mesmo), mas infelizmente ao querer mostrar tanto abafa tudo o resto. As pessoas perdem carne e movem-se apenas como peças de uma máquina cada vez menos humana. Sentimos os interesses a controlarem a câmara e não o realizador enérgico que nos deu um óptimo primeiro capítulo, fresco em todos os aspectos e com sumo suficiente para se fazer uma laranjada para a família toda. Agora tudo secou, até Depp parece mais um, sem alma nem encanto, apenas a tentar manter a cabeça à tona de água, embrulhado no meio de tantas vontades. Neste querer mostrar tudo, nasce também a duração exagerada e inadequada (170 minutos) desta película, juntando o cansaço à falta de empatia com os heróis, e se não sentimos a aventura vamos ao cinema fazer o quê?


(Antes do filme começar foram projectados quase 15 minutos de publicidade e nenhum trailer. Acho inovador o ter de pagar para ver televisão num cinema, mas também acho um disparate de todo o tamanho que tem urgentemente de acabar)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Os 300 pecados de quem quer mais

Este é um bom filme, com uma boa banda sonora e tal, mas aquele continua a ser uma experiência de cinema superior a todos os níveis. E o resto é conversa.


O pequeno no grande filme


Depois do Código Da Vinci, que foi deveras penoso, dou-vos duas razões para voltar a acreditar em Ron Howard(ou pensar que ele até já teve talento):uma chama-se Apollo 13, obra sólida e consistente sobre uma quase chegada à Lua e como foram salvos três astronautas de uma situação quase impossível de remediar, americanada? Sim claro, disso não se escapa, mas é um bom filme com excelentes interpretações(e o Tom Hanks ainda tinha o cabelo normal) ; a outra chama-se Willow, uma fábula adulta que me ajudou a crescer e a construir um mundo de fadas, monstros e duendes. Sou especial fã de fantasias crescidas e torcidas, e este retrato da odisseia de um anão para salvar uma bebé, futura princesa, é de uma magia imensa, tratado com um carinho e dedicação invulgares. Desde a música até ao louco Val Kilmer, é um clássico de aventuras para pequenos e grandes sonhadores.

domingo, 13 de maio de 2007

Será que já vi isto?


As viagens no tempo sempre fizeram parte do meu top 3 de temas favoritos na sétima arte. Começando no Regresso ao Futuro e acabando no Donnie Darko, começando na visão tradicional e acabando numa visão mais moderna, diferente e para os que querem discutir,polémica, sempre gostei do mecanismo causa-efeito, do presente ser já uma alteração da própria viagem - Harry Potter em o Prisioneiro de Azkaban, volta atrás para se certificar que o que tinha acontecido acontecia, porque tinha sido ele a fazer as coisas acontecer, confusos? Exterminador Implacável, o humano volta atrás a mando do seu líder para salvar a sua mãe e ao mesmo tempo concebê-lo,confusos? Também eu. Por isso gosto do tema tempo e da sua modelação, das linhas que se bifurcam, e se ramificam em teorias distintas, de filme para filme.

Deja Vu é pois é um número artístico já visto, com uma eficácia e simplicidade atípicas do género. Não quer complicar, nem complica. Funde o thriller frenético com o dobrar do tempo e do espaço, a um ritmo acelerado, desvendando aos poucos a mecânica e lógica dos acontecimentos conduzida por um Denzel Washington do costume, polícia, inteligente, em clima quente e pegajoso - cai-lhe que nem uma luva - e só a sua presença é meia atenção do espectador. Tony Scott dá-nos uma câmara mais assente que a de Homem em Fúria mas a marca de água continua lá, vê-se de quem é a o recém-nascido (fantástica a fotografia). Altamente viciante esta nova fita de viagens no tempo.

Antes da explosão tocam os Beach Boys, numa cena de uma mestria e habilidade de se lhe tirar o chapéu.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

A Sul dos eucaliptos


Rever Mulheres do Sul é sempre um regresso a casa.
Algures nos meus 9 anos, costumava esperar o meu avô na roulotte cheiro de eucalipto, vindo da cidade e da novidade. Trazia nas palavras mais uma sala de cinema(velhinho São Jorge).Desta feita falou-me de Fried Green Tomatoes, ( disse como os espanhóis fielmente traduziram Tomates Verdes Fritos) uma história bonita de mulheres que têm um café, com a frase na porta, contou-me. Mais tarde quando o provei, confirmei que realmente era de e não para mulheres e que acima de tudo era uma história, daquelas contadas com uma mestria rara, despindo um pulsar no ouvinte personagem e no ouvinte nós. Um odor que se consome pela magia de Jessica Tandy e pela intriga de um carro que sai de um rio. E sim escrevem o petisco na porta, no momento em que já somos do Sul e de todas as pequenas vidas que se deixam contar pelos carris do comboio. Quase que inalamos cada imagem e cada construção doce da amizade e companheirismo, do suor e do calor, de um conto que conta até ao inevitável ponto final.
Com sorriso na mão e peito aberto, seguro no dvd, e cheiro os eucaliptos.
É bom voltar a casa.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

A electricidade tem destas coisas

Vi o novo anúncio da EDP. O que tem um globo. Para além de estar bem desenhado, com uma serenidade e paz saborosas, deixa-se ouvir na música He´s got the whole world...



Cada um levanta a Terra enquanto instintivamente levanto o Steve Buscemi do avião e lembro-me de Con Air. O seu Garland Greene trauteava as palavras enquanto o avião caía.Dava provas do seu ar camaleónico e comicamente doente. Um grande actor, desde Fargo a Armageddon, desde o bom ao mau, ele é sempre aquele pedaço que vale a pena ver, como aquela estátua numa vila sem mais nada, que está lá, e que ao contrário de tudo o resto é francamente bonita.

terça-feira, 8 de maio de 2007

O Jim é uma ilha


Numa das minhas viagens de zapping encalhei numa ilha chamada Truman Show. Já lá tinha estado várias vezes, mas sabe bem rever um filme recheado de momentos de cinema, aprisionando a estrela dentro de uma realidade construída. Um pouco à imagem do próprio Jim Carrey, uma estrela enclausurada e incompreendida por uma industria que nega repetidamente em reconhece-lo como um fantástico actor, como um artista completo (ele faz tudo, e faz tudo bem). A dor de Truman de sorriso enganoso preenche uma obra, na altura ficção, hoje mais que realidade constatada, que mostra no final o ser humano maior que qualquer barreira, livre e embriagado nos seus sonhos.

Quando o programa acaba, alguém pergunta: O que é que está a dar nos outros canais?




A música do trailer é do Randy Edelman (do filme Dragonheart) e assobia desde novo o meu imaginário cinematográfico.Deixo-vos com ela, and in case I don't see ya, good afternoon, good evening, and good night!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Not guilty


Ao longo dos anos fui acumulando uma extensa lista de guilty pleasures, e de vez em quando, culpado, lá os vejo outra vez. Um deles chama-se Can´t buy me love, em português (rufar dos tambores...só mais um bocadinho porque esta é boa...) Namorada aluga-se, e data de um tempo em que se usavam as camisas para dentro das calças, longas permanentes e aqueles macacões gigantes ou ganga até ao umbigo. Foi o meu primeiro teen movie, o primeiro contacto que tive com o duelo sempre bastante realista nerds vs cools, e que ganha vida num cortador de relva que se apaixona por uma popular cheerleader. Ele gosta dela, que não gosta dele, mas vai gostar, e chateiam-se, mas depois fica tudo bem. E a minha puberdade nasceu aqui.

Vou ver outra vez.


Sítio errado, hora errada

Já rebentaram com carros.Já rebentaram com helicópteros.Mas é preciso vir o velhão para rebentar um helicóptero com um carro.Porquê?Porque estava sem balas. É o regresso de Jonh McClane à cidade e ao confronto, desta feita com um grupo de terroristas informáticos(entre eles a Maggie Q) que querem dinheiro, destruir algo, ou ambas coisas, sendo possível que entretanto também queiram dominar o mundo. Modernices destas novas horas, e novo também é o realizador, Len Wiseman tem a dura tarefa de manter o ritmo McTierniano, depois de uma terceira parte de altíssimo nível. Willis tem muita coisa a dizer quando falamos em salvar o dia, ele diz a certa altura do trailer: A partir daqui eu tomo conta disto, como quem manda a pequenada musculada e sem alma para casa e mostra mais uma vez como é que se faz. Desde a ressaca até aos pés ensaguentados, McClane é daquela fina (bruta) linha de heróis que já não se fabricam, mas que felizmente regressam para dar uma aula ou duas. Yippee-ki-yay, motherfucker!


domingo, 6 de maio de 2007

O ranger dos domingos

Espreitei hoje num canal nacional o filme Dodgeball ou em português Uma questão de bolas (do melhor que se faz em tradução por terras lusas,parabéns) e fiquei um pouco entusiasmado com a prática profissional do jogo do mata, jogo este que preenchia as minhas tardes de recreio ou aulas de educação física algures nos anos 90. O Ben Stiller e o Vince Vaughn estão sempre bem, mesmo quando estão mal, e para fãs do seu humor (eu) é sempre complicado não soltar um sorriso mesmo perante um disparate sem pés nem cabeça. Mas o motivo porque vos relato a minha tarde de sofá e pouco movimento é devido a um cameo, quase no fim do filme, e que vale tudo o resto.Divertidíssimo.
Por tudo o que fizeste pelo genéro, pela simpatia, pelos rotativos e murros nas fuças, por fazeres sempre cumprir a lei, quem agradece somos nós!


sábado, 5 de maio de 2007

Peter Parker sou eu


O que sempre me fascinou no Homem-Aranha foi, apesar de todos os apetrechos visuais, a simplicidade intimista com que a história era contada, uma forte empatia nascia e os problemas de vida que Peter Parker enfrentava eram espelho dos nossos próprios fantasmas. A frase pintada no poster indicava de novo para uma abordagem interior, The battle within, sim todos nós travámos amargas lutas e sabemos que as piores são aquelas em que o adversário somos nós mesmos. E é aí que o filme coxeia, ao contrário dos seus antecessores, não consegue manter a polegada forte que desenhava esta saga. Preenche a lacuna dos poucos e mal caracterizados mauzões e desta vez dá-nos logo três, três linhas distintas, mais o romance Mary Jane-Peter Parker, mais o lado negro, mais uma loura de curvas sinuosas, mais e mais.Está cheio o filme, e tem momentos incríveis, de acção(efeitos do mais fantástico que se faz por aí) e de comédia(delicioso quando ele tira areia dos sapatos), sempre com ritmo até ao final, perdendo apenas na personagem central e todas as suas angústias (pedia-se um lado negro muito mais escuro e não apenas um cabelo lambido). Gosto, mas já não me vejo aqui.
Fica aqui a fantástica canção dos Snow Patrol que mora na banda sonora do filme.