Eu só queria chegar a casa e descansar no quentinho do borralho. Vai na volta, Channing Tatum com orelhas de elfo. Ninguém merece.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Jejum
Fogo está mesmo difícil de conseguir bilhetes, são filas, são bofetadas, são gritos. Toda a gente quer ver, meu deus que corropio. Pois, já vi, foi fácil, estavam 10 pessoas. Tomado o banho de água fria, cabe agora dizer que se perdoei o primeiro por uma estrutura demasiado limpa e agregada à obra de origem não posso fazer o mesmo em relação à sequela. The Hunger Games: Catching Fire tinha a tarefa de transitar o juvenil, o jogo, para o adulto, revolução. Orquestrar, e não apenas mostrar. Tendo a faísca na mão seria necessário montar o rastilho de um thriller. Inventar. Ora bem, Francis Lawrence, já com o prémio de tarefeiro do ano, pega no livro e materializa-o do início ao fim. Esquecendo claro, que papel não é película: a incerteza, a dúvida, o constante crescendo de revolta, a conspiração e o papel fundamental de novas personagens são cuspidos para a tela com a pressa de quem tem de acabar. O relógio acaba por ser a ironia máxima numa segunda metade trapalhona e apressada. Todos ganhavam se os jogos fossem entremeados com o resto, em flashback ou não, construindo e desconstruindo, para no final ter algo maior. Tal não aconteceu. Que venha o resto, dividido em dois, para os gordos do Capitólio continuarem a rir enquanto pedem mais uma garrafa de qualquer merda cara. Urra.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
sábado, 7 de dezembro de 2013
Loki to have you
Vista a primeira cena escondida, que não estava bem escondida, existia só depois, não levantei o rabo. Tem de haver mais. "Ah não há nada", arrastavam-me enquanto eu olhava para o resto da sala, vazia. "Ainda há mais alguma coisa?", perguntei aos rapazes do cinema. "Não, não há.", havia claro. E eu fodido. Pior que um murro nos dentes é perder aqueles 20 segundos que nada adicionam mas que tudo oferecem. Nem que seja apenas a razão.
Em relação ao filme: avanço significativo, aligeirando o tom e oferecendo o não compromisso de uma boa aventura. Irrita-me um pouco o enredo onde os maus querem uma cena, que não é sólida nem é liquída, para destruir o universo. Sempre o mesmo bla bla infantil. Mas pronto, isso acaba por ser um mal menor. Porque quando se tem o Loki, é como se as palas laterais duplicassem de tamanho. Ofereçam lá um filme ao moço que ele bem merece.
Frutos secos
O filme tem a secura Greengrass. Aridez prática, sem família ou choradeira. Pós moralismos ou reflexões. Pão pão, história história. Nada mais. E Tom Hanks segue esse plano. Contido, na ação. A relação dos setes palmos, entre o seu corpo e restante tripulação é imitada connosco. Para nos proteger, surpreender. Quando no fim, já a salvo, se desfaz no sal. Como se toda a obra nos explodisse na mão, na dor física. Brutal.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
O gângster de chapéu e comando (3)
Estávamos em 1999 e não era de todo expectável que uma família pudesse alterar as regras do jogo e transformar para sempre a ficção. Considerada por muitos como a melhor série de todos os tempos – e merecedora de um especial nesta edição - “The Sopranos” contava a história de Tony Soprano (soberbo James Gandolfini), um pai de família e chefe de máfia, que tenta conciliar estes dois quotidianos com a ajuda de uma psiquiatra. Este foi o pontapé de saída, da mente de David Chase, que o tricotou durante 6 temporadas, conquistando tudo o que havia para conquistar. Ainda hoje se fala e comenta, entre uma imperial e outra. O tal final a negro é a prova de que uma mente sem amarras pode ser dona do mundo. De todo o mundo. E a andar mundo fora passamos do apelido mas ficamos na família. Homo sapiens do mesmo sangue, com a união maior e séria que o vermelho implica. "Brotherhood" conta a história dos irmãos irlandeses Caffe, Tommy (Jason Clarke) político e Michael (Jason Isaacs) bandido. O primeiro a tentar o desespero da reeleição enquanto o segundo tenta reconquistar o seu papel nos negócios escuros que deixou sete anos atrás. Quando teve de fugir. De novo juntos, a colidir e com o resto da esfera familiar a girar e a implicar. Causa, efeito. A cidade de Providence às suas mãos, por veias e estradas distintas. A série da Showtime, criada por Blake Masters, recebeu o sim da crítica, com comparações aos grandes pesos pesados do género, mas nunca conseguiu singrar no resto, audiência. Melhor sorte pedimos para “Peaky Blinders”, série da BBC Two que estreou este ano. Vamos até Birmingham, voltamos aos anos 20. Baseada em factos verídicos esta é a história do gangue que empresta o nome ao título e que tinha a peculiar característica – para além de todas as outras piratarias – de costurar lâminas de barbear nos seus bonés. Cillian Murphy é Tommy Shelby, o líder e cérebro da família, que tenta depois da Primeira Guerra Mundial restabelecer o domínio e hegemonia nas ruas. Ao ver a primeira cena, com ele no cavalo, nas ruas desertas rumo à sua sina, percebemos que não é apenas mais uma saga de crime e de época. É o detalhe e o fabrico artesanal da narração, imagem e interpretação. É para não deixar escapar os curtos 6 episódios da primeira temporada que já tem sucessora assegurada em 2014. Até lá podemos aguardar, ainda este ano, pela estreia de “Mob City” a série que Frank Darabont criou para a TNT e que tem nomes como Edward Burns, Milo Ventimiglia, Simon Pegg, Neal McDonough e Jon Bernthal. Mais uma vez sentados em factos verídicos, seguimos as décadas de conflito entre a polícia de Los Angeles, chefiada por William Parker, e o o grupo criminoso de Mickey Cohen. 1947, assim nos situam num trailer negro, sangrento e de algum modo saudosista. Prometendo voltar a todas as outras cidades que fomos deixando para trás, ao noir que quase já não aparece. Acender o cigarro, pôr o chapéu e esperar.
Texto publicado na Take 33.
The long-shot robbery
Echoing the real facts on which the film is based, Sofia Coppola shows the burglary of Audrina Patridge’s Hollywood Hills home in long-shot from a CCTV camera. We see the greenish figures of the teenage gang creep inside and run riot, ransacking drawers and cupboards in search of designer goodies and spare cash. [F]
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
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