sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Corre Chalamet Corre

À pinha. Excursões, casais separados por filas, calor,  luzes atrasadas à procura das letras. Tudo tudo. Eu gosto da terapia das sessões da uma, mas foda-se não há nada como uma sala cheia. Especialmente num filme que vibra em todas as suas cordas. Fã confesso dos tempos e das gemas anteriores dos Safdie, encontro aqui aquele atropelo constante dos diálogos, cada vez mais raro. Os impactos e correrias daquelas vidas desgraçadas, a tentar alguma coisa. Uma Nova-Iorque fora de horas com um elenco completamente inesperado (e irrepreensível), que se entrelaça numa história de obsessão, esquemas, desporto, família e sonhos. Tudo tudo. Numa matriz inventiva, que se vai desviando das armadilhas e carapuças de género. E se temos um Mr. Wonderful a maravilha está mesmo num Chalamet de corpo inteiro, sem tiques ou trejeitos, cheio de sombras e nuances, a absorver para depois entregar. Aquele sorriso final, quando finalmente percebe onde está a vitória, é cinema para recordar.