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terça-feira, 20 de abril de 2021

A Olga dos desejos

A Olga Kurylenko é a única Bond Girl que é também Hitman Girl e Max Payne Girl. Se sair num quiz já sabem. Mas não é nenhum destes filmes incríveis que me traz aqui hoje. É o The Room, não esse, um de terror de 2019, que em português ganhou título de O Quarto dos Desejos. Isto porque, alerta spoiler, tem um quarto onde podes, tambores, pedir desejos. Casa velha, casal novo, divisão misteriosa: ah e tal quero uma daquelas empilhadoras que a Ripley conduz no Aliens? Pimba, empilhadora nas mãos do nino. Fogo queria tanto. Claro que depois não é só guita e festa, eles tentam ir mais além e a coisa começa a correr mal. O filme é meio apressado, em vinte minutos resolve todas as possibilidades desta "lâmpada mágica" e segue para o "objeto" central da narrativa. Mas sem nunca aprofundar, quer as angustias passadas do casal, quer as relações presentes com a nova personagem. O terceiro ato é de facto um belo mergulhar na toca do coelho, com as caixas dentro de caixas, mas o vínculo criado (e depois quebrado) podia (e devia) ter sido retorcidamente maior.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O quarto, o puto e a cena

Sinto muito a falta de cenas no cinema. Acontece, no pão nosso de cada sala, a inexistência das mesmas. De sair e pouco depois, dias, semanas, não ficarmos com nada. Termos visto, se calhar até gostado, mas neste novo rebuliço do século XXI, não se reteve puto. Antigamente sentíamos, antigamente existiam, momentos e cenas, pedaços com início, meio e fim, para serem discutidos. O mais incrível de The Room é conseguir esse raro regresso: a transição de um ato para o outro, o salto na paragem, é o testemunhar de uma cena, de um incrível rasgo cinematográfico, sufocante, inesquecível. Único, tão único que qualquer carpete não será nunca mais qualquer carpete.