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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Lembrai-vos

Dos 3871 tops de 2014 que vi, nenhum, mas mesmo nenhum, trazia Calvary nas suas linhas. Se trazia por favor não digam porque assim este lamento perde de imediato seu propósito. E lá está, lamento, será mesmo lamento? Será que a minha fé de facto queria esta justiça bacoca? Será que o Oscar para Brendan Gleeson - que sim é o melhor papel dos anos todos - não iria amortecer esta minha devoção? Sei lá. É um estrondo de  filme, com uma banda sonora poema, que filma um mundo não maravilha. Mau, mesquinho, merdoso. Merece tudo, mas merece acima de tudo ser visto.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Do not despair; one of the thieves was saved.

Não é a penitência religiosa que mais magoa. Estão lá, é certo, os pecados da instituição e a ausência das culpas. A impotência dos pequenos aos intocáveis. O desespero. Tudo lá, claro. Mas não é isso que mais magoa. Não é isso. A pena gritante é a de um homem bom perante o resto. Culpado por ser bom. Porque a carne é assim, cruel, rude, baixa. Não são os irlandeses, não são línguas, ou raças. É mesmo a carne podre, no centro da massa, a fazer girar tudo sem máscaras nem tintas. As pessoas são assim e magoa ver tamanha verdade contada com tamanho empenho. Um dos grandes filmes do ano.