sexta-feira, 29 de novembro de 2013

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Labirintos

Olhei para o cartaz de novembro e de todo o meu tamanho cuspi cá para baixo. Montanha presunçosa a nevar caspa. Enunciando e catalogando Prisoners como "o mais fraquinho". Longe de saber - obviamente - que estava ali um dos melhores filmes do frio, talvez do ano. Chuvoso e sem qualquer tipo de esperança, espeta as unhas nas suas interpretações soberbas - com destaque para Jake Gyllenhaal - até ao final. Inteligente nos espaços e no modo vítreo como os apresenta, filma. Cheira a sangue e a cimento, como se ambos fossem no final a mesma coisa. E não é por acaso que o final é de facto qualquer coisa.

O gângster de chapéu e comando (2)

Pouca sorte de uns, muita audácia de outros, mestres, que regressam a casa. Onde foram felizes. Um ano antes Martin Scorsese voltava a ser um bom rapaz. Descia até Atlantic City dos anos 20 e realizava o episódio piloto de “Boardwalk Empire”. Um acontecimento, que marcou e disparou sobre as expectativas. Luxuriante, não só a nível visual como a nível de elenco trazendo na bagagem nomes como Steve Buscemi, Michael Pitt, Michael Shannon e Kelly Macdonald. As grandes luzes e festas, com o mar ali ao lado. Nos passeios no longo passeio. Cristalino e pronto para assistir a um império. Lei seca. O detalhe e o pormenor histórico davam outro requinte à história, à arte que imita a vida: Enoch L. Johnson um político que ascendeu nas décadas de 20 e 30 em Atlantic City, New Jersey. Na série Enoch “Nucky” Thompson (Buscemi) colide com todos, desde os plurais dos comuns até aos singulares dos mafiosos, criminosos, polícias e políticos. Conhece inclusive o Al Capone, protagonista da história e também de outras duas séries, adaptações televisivas do livro de Eliot Ness, “The Untouchables”, situadas antes (1959) e depois (1993) do épico cinematográfico de Brian De Palma (1987). Reconhecida com inúmeros galardões ao longo destes últimos anos, incluindo o Globo de Ouro para Melhor Série Dramática em 2011, continua atualmente a ser um refúgio certo de um género e de um estilo únicos. Já com a confirmação de uma quinta temporada agendada para o Outono de 2014, esta será uma epopeia com página garantida em qualquer manual televisivo. Terence Winter, o seu criador, já vinha com alguma experiência de argumentista e produtor executivo na mesma casa, HBO. Recuamos assim até ao último fôlego da década de noventa.

Texto publicado na Take 33.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Eu que até queria ir para lá morar

Talvez o problema seja o grau de aperto. O pequeno District 9, confinado, com as caracterísitcas inequívocas de um grande espaço, escrevia com modéstia uma página curiosa da ficção científica. Elysium sobe a parada. Aumenta a escala, de distrital a planetária, onde somos todos a porta dos fundos. O beco. E é talvez essa enchente, esse número demasiado grande, que foge geltinoso nas mãos de Blomkamp. A nave desgoverna-se e no meio de tanto, ficamos sem nada. A grande desilusão do ano. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Não se pode ter tudo

Acaba por ser o mais sólido. Mensagem bem escrita e reforçada. Síndrome Peter Pan dos dias pré apocalipse, que por aqui vão correndo. Talvez por isso seja o menos engraçado e hilariante da trilogia Cornetto. E eu que ia com tanta pica. 

M de Favorito

Muito possivelmente será Meat ou Misdirection a levar o troféu para casa. Porém o meu predileto é o ingénuo Matchmaker, que no seu jeito caseiro nos faz correr muito mais que 3 minutos.

Hoje para se ir à música tem de se ir à bola. Vão se apagando os pequenos fogos e as salas fechadas, para albergar constelações imensas. De músicos e pessoas. Cardápios de canções e de estupidez, tudo a orbitar o mesmo espaço, sedentos de luzes, cachorros e prémios. Mega giga super recintos onde cantar é o barulho de fundo, vomitado na pressa ou no grito vizinho. Os grandes, a engolir tudo, como as pipocas e o grande écran. Eles gostam, e compram packs, e vão em manada, como é barato, pensando aprender ou desfrutar alguma coisa. Nas grandes cidades. Ai as grandes cidades. Daí ser tão bom ver um pequeno lugarejo como o concerto do Úria. A tocar para nós e nós a ouvir para ele.


O gângster de chapéu e comando (1)

Vamos aquecer o lugar. O trono, dos que mandam e governam de forma menos clara. Os outros lados, aqueles mais escuros e chuvosos que precisam de balas, sangue e fumo. Sacrifício, imponência e por vezes, estilo. Chapéu. Na rua ou no seio da família, a real ou então a outra, de volta às ruas. Para contar e disparar vamos então viajar para trás e para a frente, atrasando ou adiantando os ponteiros, desde Chigago até ao deserto do Nevada. As cidades, sempre elas. Aqui e ali, com associações sabichonas que deixarão qualquer um com a pulga atrás da orelha. Ou com a bala dentro do tambor. E prometo que não falarei de “The Mob Doctor”. 


Era já tarde e quando se boceja não se pensa. Episódio piloto de “Vegas”. Grande erro. Mas a culpa não foi minha, a série da CBS de 2012 tinha realmente tudo para me manter desperto: Dennis Quaid , um rancheiro que se vê forçado a assumir o papel de xerife na Las Vegas dos anos 60, controlada por um gângster de Chicago interpretado, por o não menos incrível, Michael Chiklis. Sem grande risco, rasgo ou ritmo a série acabou cancelada ao fim de uma temporada e eu adormeci. Lá para os lados do deserto. Como aquele que passei, antes da internet. Períodos secos e longos. As pequenas memórias lá se guardavam, em pequenas peças, em pequenos cofres. Martelando noite e dia, regressando nas alturas mais improváveis. Eu sabia, que em miúdo tinha visto uma série de polícias, com um senhor de bigode e que um dos episódios terminava com uma queda de avião. Foi neste cluedo que andei metido anos a fio até que, com um ou dois cliques, cheguei a “Crime Story”. “Runaway”, de Del Shannon, rasgava uma abertura chuvosa na Chicago dos anos 60. Rodas, carros, néones. O nevoeiro e a noite, numa imagética tão própria que recordar é um violento soco, que arrasta de volta todos os sentidos. No meio da estrada, alcatrão, um sobretudo comprido e um cigarro. O tal bigode, Dennis Farina no papel de Mike Torello, chefe da unidade de combate ao crime da polícia que se vê na perseguição de Ray Luca (Anthony Denison), um perigoso mafioso em ascensão. A série girava então em torno do conflito entre estes dois homens, pólos opostos que se perseguiam até ao final. Um frente a frente, como a primeira aparição de Hannibal Lecter, em “Manhunter”, filme realizado na mesma altura que o piloto de “Crime Story” foi produzido. E pelo mesmo senhor, claro está, Michael Mann que, em plena terceira temporada de “Miami Vice” e com um filme para montar, ainda se mete a brincar aos gângsters. Apesar da qualidade inegável do produto a série correu apenas por duas temporadas na NBC, de 1986 a 1988. Razões financeiras ditaram o fim que é o tal desastre de avião. Deixando tudo em aberto, para todo o sempre. Michael Mann lá continuaria, a sua vida cinematográfica e voltaria mesmo a tentar a sorte, de novo no pequeno ecrã, mas infelizmente apostaria no cavalo errado. A sua série “Luck” teve problemas com os equídeos protagonistas e seria precocemente cancelada em 2011. 

Texto publicado na Take 33.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

domingo, 17 de novembro de 2013

Efeito Dakota


As vísceras todas a encher a boca que nem hamster lambão: não vejo essa merda por nada deste mundo. Dizia o outro, o eu, do passado, confiante na negação. Coisa mais que certa - das poucas - para 2014. Claro que o outro, o eu, do presente, lá se ia queimar e engolir um anfíbio, uma rela, porque já chega de sapos. Assim, ao perceber que a minha Dakota Johnson vai entrar na badalhoquice das sombras não tenho outro remédio senão manter o estatuto groupie e acompanhá-la neste momento difícil. 

E o prémio de sinopse mais chiba do ano vai para...


"Based on the failed June 28, 2005 mission "Operation Red Wings". Four members of SEAL Team 10 were tasked with the mission to capture or kill notorious Taliban leader Ahmad Shahd. Marcus Luttrell was the only member of his team to survive."

Muito obrigado a todos. O filme vai ser deveras emocionante.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Casos da vida

Mais um baseado em factos verídicos. Já farta.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O facto de ser para rir não interessa nada

A meio do strip, Jason Sudeikis olha para nós e dá aquele encolher de ombros. Levantar de sobrancelhas, como que a dizer: pronto lá teve de ser. Certinho como a morte: é comédia, mete a Jennifer Aniston, então tem de haver roupa a saltar. E a verdade é que resulta. Grandes sucessos de bilheteira à pala deste rabinho. Eu? Então, eu encolho e reviro os olhos, mas a verdade é que não fico assim tão chateado.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Take Máfia

E já vão 33. Desta vez. Viram como se rima? Fazemos então a tal proposta que não podem recusar. Tudo, tudinho sobre a máfia cinematográfica e televisiva em mais uma apetrechada edição da Take Cinema Magazine. Toca a disparar!

Antes e depois

Não deixa de ser irónico o facto de Gravity estrear no ano em que Jurassic Park celebra duas décadas de existência. Grandes pancadas a passar o testemunho do tempo. Ou o canudo da história. Eventos, catástrofes. Como se tivesse de ser tudo certo e bem contado, de forma a voltar das cinzas. E tanta troca para dizer que Cuarón faz pelos 2010 o que Spielberg fez pelos 90. O deserto acabou, e sem termos obra-prima temos um filme que vem ditar novas regras no modo como vivemos, desfrutamos e aceitamos o cinema de larga escala. Os dinos revolucionaram a indústria dos esfeitos com o esqueleto de uma grande aventura. A austronauta conquista esses dois feitos e adiciona outros tantos. Pois, a fasquia é cada vez mais elevada.

Visualmente, como nada antes feito, fazendo do 3D o seu maior aliado. Estrondoso. Volta ao básico através das ferramentas mais complexas. Esquecemo-nos e apenas dançamos, às voltas ou em linha recta, saindo ou entrando do capacete. Sem nunca perder o fio. Em tensão. É a sobrevivência, instinto, mas também renascimento. Ou não fosse ela descansar em posição fetal (na inevitável piscadela ao clássico de Kubrick). É essa viagem, de desistir e voltar a acreditar, porque merecemos e queremos. Música e silêncio. 

É o grande espectáculo da 7ª arte a sair de órbita para voltar a entrar, dizer que está aqui e que sim é possível.


James Blunt a John Connor. Já.

sábado, 9 de novembro de 2013

Impossível não sentir nada

Kick-Ass 2 confirma o ditado inglês no movie is a trailer. De facto o lixo visual e reciclado que nos foi apresentado como amostra em nada representa o produto final. Mantém-se violento, descontrolado e sem qualquer tipo de preconceito. Não tem a solidez narrativa, nem se consegue manter tão fiel a uma ideia, como o primeiro. Mas isso pouco nos conta. Ou pouco nos traz. Diverte e um dos momentos mais hilariantes é a ebulição hormonal da Hit-Girl perante uma boy band que eu julgava ser fictícia. Não é. Ainda mais estúpido fica.
The Hobbit ou como alguns lhe chamam "geocaching na Terra Média".

May contain explicit feelings


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

terça-feira, 5 de novembro de 2013

No início, sério, ele conta uma história séria sobre as razões que o levaram a concretizar. Perde-se mas depois volta. As gargalhadas assentam no chão que nem nevoeiro madrugador, e a claridade desvanece. Pesado segue para o seu lugar musical, rematando que toda a sua prosa não passou de uma mentira. Respira-se e gargalha-se de alívio. A verdade, essa, nunca chegará a nós. Manteremos sempre a dúvida sobre a génese daquela ideia, daquele momento. Da criação, que deixa humildemente espaço para se viajar, descalço. Sem saber para onde, mas a ir. Bruno Nogueira é o único humorista português que continua a tentar o impossível e a fazer dele história. Vão ver "Deixem o Pimba em Paz", que o resto pode esperar.

Ferido com Gravidade

Vai a correr à Fnac para comprar o novo filme do Cuarón mas cai e leva com o DVD na cabeça.

Oh deus do trovão

Temos miss?

domingo, 3 de novembro de 2013

Is the Man Who Is Tall Happy?

Ele na chuva era imbatível

Ontem foi o meu primeiro dia temático, inserido numa iniciativa a que chamo "Tardes idiotas no sofá à espera da noite". Assim, depois de almoço Senna e logo a seguir à janta, porque agora as sessões começam às 21h, bla bla bla, horário de Inverno, Rush. Não sei se a ordem influencia o julgamento, se o inverso seria de facto o inverso mas agora digo com a velocidade estonteante de uma tecla que o documentário é muito mais envolvente, preciso e emocionante que o biopic de Ron Howard. Talvez seja a história, aquela crueldade de podermos ver as imagens reais, quase que a violar o que de mais intímo carregamos e guardamos. A política, os jogos de bastidores, e vontade. À flor da pele. No drama prendemo-nos nas sequências absolutamente delirantes mas nunca conseguimos entrar e preencher os vazios temporais da narrativa. Episódios que não se sustentam como aquelas duas individualidades mereciam. 

Lynchadas matinais

Oito e meia da manhã e passa por mim o anão do Twin Peaks. Ia de bicicleta.